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Trykksårforebygging og sykepleie

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A anáfora se define como conexão semântica suplementar à qual não corresponde qualquer conexão estrutural, visto que a dimensão estrutural e a semântica são independentes para Tesniére:

...esta independência no es sino uma visión teórica del espíritu. Em la práctica los dos planos son paralelos de fato, ya que el plano estructural no tiene outro objeto que el de hacer possible la expressión del pensamiento, es decir, del plano semântico. Entre los dos no hay identidad, pero hay “paralelismo. (p. 71-72).

Por conseguinte, esse paralelismo se inscreve nas conexões quando se conjugam conexões estruturais e semânticas, de modo que a dimensão estrutural projeta a semântica, ou vice-versa. Para o gramático, a função do núcleo regente, na dimensão estrutural é dar sustentação à incidência semântica dos elementos a ele subordinado, devendo-se considerar que “(...) lo estructural y lo semântico no vale sólo para lãs conexiones, sino también para los centros que estas tiene como función conectar”. (p. 75). Assim cada nó conexional é também núcleo semântico de funções e estes, por sua vez, são sintático–semânticas de natureza distintas: aquelas que duplicam a conexão estrutural e aquela que exerce função semântica suplementar, por exemplo: Maria carrega a sua própria mala e eu a do seu sobrinho.

Na sintaxe alinear não há elipse, segundo Tesnière e, assim sendo, é preciso recuperar todos os apagamentos de itens lexicais que ocorrem na frase-produto. Apresentam-se no exemplo como frases conjugadas que comportam vários anafóricos: palavras vazias de conteúdo semântico, quando focalizados nos dicionários, mas que se convertem em palavras plenas na dimensão do texto, ou de fragmentos textuais. Por conseguinte, a anáfora não se circunscreve à dimensão da frase ou da oração, visto ser ela um desdobramento, uma extensionalidade de sentidos mais globais que rompe com os limites dessas unidades da língua.

• a palavra “sua”, regida por “mala”, institui não só uma relação semântica de posse do objeto, mas também institui uma relação com o possuidor – A mala de Maria = a sua mala

• a palavra “própria”, pela sua aderência semântica com “sua” (mala) = valor do objeto possuído, também é regida por mala, regida pelo “mídio” “carregar”, cujo papel de carregar é exercido por Maria. Assim, a relação anafórica de “própria” com “Maria” cancela qualquer ambigüidade de interpretação, reforçando o sentido de que é o possuidor da mala.

• o “seu”, regido por “sobrinho” que, por sua vez, é regido por “mala”, actante objeto do núcleo “carregar”, explicita para o leitor que o sobrinho é de Maria e não do “eu” = actante, dois que exercem também o papel de carregar. Logo são duas malas: a de Maria e a do

seu sobrinho – a primeira, carregada por Maria; a segunda por um “eu” que, no exercício do seu papel de enunciador também se coloca na posição de “carregador”, apontado para o leitor “ser colaborador de Maria”.

Assim sendo, um anafórico pode estabelecer conexões semânticas entre frases que não estão relacionadas por conexões sintáticas, conforme se apontará no estema que se segue a esse.

Observa-se que as palavras plenas alocadas no extremo superior das conexões anafóricas, pelas relações sintáticas, estendem seus valores ou conteúdos semânticos àqueles a elas subordinadas, de modo que as relações anafóricas respondem pelo processo de compreensão e asseguram a coerência local do texto. Nesse sentido, as relações anafóricas são a âncora dos processos de coesão que têm por ancoragem uma sintaxe dinâmica, na sua indissociabilidade com a semântica: fundamentos da compreensão.

Considera-se, como resultado desses estudos que os pronomes anafóricos são demonstrativos, os pessoais (3ª pessoa), os possessivos (adjetivos), os demonstrativos (circunstantes: aqui, ali, lá...) e os relativos. Embora, como apontado, os pronomes ditos pessoais do caso reto e oblíquo exerçam função referencial em relação aos participantes do jogo da interlocução, Tesnière não os diferencia dos anafóricos, como posteriormente o faz, a lingüística textual. Nesse sentido, convém salientar que os estudos feitos por esse autor acerca dos aspectos da referencialidade, serão retomados pela lingüística textual – momento em que tais conceitos serão mais bem tratados. Convém ainda salientar a importância dos estudos desse autor nas sistematizações conceituais futuras.

Apresenta-se, abaixo, o estema do texto que se transcreve a seguir, cuja extensão, embora seja reduzida, não deixa de facultar uma observação mais precisa das relações anafóricas como suporte imprescindível que explícita os processos de coesão.

Um bêbado chegou à farmácia e perguntou: -O senhor tem sal de fruta?

3.6 Algumas considerações finais

Os estudos realizados sobre os dois modelos de gramáticas descritivas possibilitam considerar que tanto a Gramática Gerativa quanto a Dependencial operam com uma concepção de sintaxe que não se reduz à linearidade da frase- produto, qualificada pela linearidade da fala, pois ambos operam com um modelo de estruturação que faculta observar a organização do pensamento em língua. O fato de Chomsky operar com princípios da lógica matemática, em que essa organização é explicitada por meio de regras, cuja mobilidade é assegurada pelo princípio da recursividade, possibilita compreender que o modelo, embora constituído por uma única matriz - aquela do componente sintático - apresenta certo grau de flexibilidade. Essa flexibilidade, contudo, depende do baixo grau de variação dos subcomponentes categoriais, subordinados àquele da matriz geradora: SN + SV. Entretanto, o esquema arbóreo por ele proposto não impede que se faça dele uma leitura pelas categorias da sintaxe tradicional, substituindo SN + SV por Sujeito + Predicado; o SN de um SV por Objeto Direto, se o nome do SN estiver precedido de determinante, que tal determinante possa ser compreendido como artigo ou pronome demonstrativo, por exemplo. Nesse sentido, tal gramática assegura uma leitura "científica" da própria gramática tradicional.

Já os estemas propostos por Tesniére superam a divisão lógica da oração entre sujeito e predicado, ao eleger o verbo - concebido na sua forma gramatical como dotada de conteúdo: léxis, ou signo lexical, palavra plena, como elemento central das unidades predicativas que, progressivamente, configuram as relações sintático-semânticas, para as mais diferentes relações dependenciais dos constituintes oracionais. Assim procedendo, esses constituintes se entrelaçam sintático-semanticamente, num movimento de expansão cuja força ordenadora está situada no núcleo verbal, nominal ou adjetival, tendo o verbo como regente do nome e o nome como regente do adjetivo, inclusive dos adjetivos determinativos.

Os pronomes não se tipificam como pro-formas ou determinantes do nome substantivo, como postula Chomsky e os gramáticos normativos, pois como classes de palavras vazias, eles se tornam palavras plenas por esse entrelaçamento. Como

palavras plenas eles se qualificam como substitutos ou determinantes dos nomes aos quais se referem por relações anafóricas e, nessa acepção, eles se explicam como uma classe léxico-gramatical.

O modelo dependencial assegura a descrição e a compreensão dos pronomes, conforme postulado por Apolônio, qual seja, uma classe de palavras que se tipifica pela: a) parassinonimia - está para o nome e com ele tem identidade funcional, mas não estrutural; b) uma paronimia: está para o nome, sem ser o nome; logo é contrário a ele; c) é uma semiose, pois o seu conteúdo é aquele do nome, mas esse nome está em relação ao verbo e, por isso, carrega consigo, tal significação. Assim, Tésniére dá transparência a essas concepções de pronome, propostas por Apolônio, gramático grego. Tal concepção se perdeu nos movimentos de recontextualização da gramática normativa, nas suas mais diferentes fases de construção; mas o seu resgate se inscreve na proposta de Tesniére.

CONCLUSÃO

Faz-se, ao final desta Dissertação, uso de habilidades de síntese para discutir os resultados obtidos por esta investigação e, para tanto, retomam-se os objetivos específicos que orientaram, por um lado, a investigação sobre o tratamento dispensado à classe de pronomes, no fluxo do tempo de construção e registro escrito de conhecimentos gramaticais e, por outro lado, a organização de cada um dos capítulos do estudo realizado.

O caráter exploratório da investigação realizada foi configurado por um ponto de vista historiográfico, por se acreditar que tal perspectiva facultaria ao investigador reinterpretar o tratamento dispensado aos pronomes pelos gramáticos clássicos e contemporâneos, no contexto de diferentes espacialidades e temporalidades históricas. Esse olhar digressivo, mobilizado pelo tempo presente em que se situa o pesquisador, possibilita afirmar que, embora os estudos gramaticais sobre as classes dos pronomes se qualifiquem por um grau bastante significativo de repetições, nelas se inscrevam rupturas ou reinterpretações.

A busca por essas rupturas exigiu uma leitura compreensiva de diferentes e variados registros capazes de facultar uma organização teórico-metodológica que apontasse os modelos de construção da gramática tradicional contemporânea da língua portuguesa, bem como aqueles de gramáticas descritivas ou científicas. Tais modelos orientariam descrições similares ou diferentes da classe pronominal que poderiam abarcar suas diferentes funções lingüísticas. Tomou-se o pressuposto da lingüística contemporânea segundo o qual inexiste estrutura desprovida de função, ou vice-versa, e traçou-se como objetivo geral a busca de tais modelos para assegurar tratamento adequado aos pronomes: objeto do estudo desta Dissertação.

A revisão dos pronomes pelas matrizes da gramática greco-romana se fez extensiva ao tempo de produção das primeiras gramáticas da língua portuguesa, quando da edificação do Estado nacional daquele povo ibérico. Assim, a construção de gramáticas de línguas nacionais surge como uma necessidade, historicamente comprovada, de serem as línguas companheiras dos impérios, na medida em que

elas asseguram a unidade das nações. Esse caráter político – fundamento de uso prescritivo da norma padrão descrita pelos gramáticos dos mais diferentes tempos – foi proposto pelos gregos e implicou a oficialização da norma padrão e, conseqüentemente, da gramática como fundação do ensino. Entretanto, ela fora concebida pelos gregos como “um meio” para o ensino da leitura de textos escritos e para se aprender a escrever os textos produzidos pelos seus leitores. (cf. p. 10, 11 e 15).

Nessa perspectiva, os gramáticos gregos, no esforço de compreensão dos conhecimentos filosóficos que sustentam a concepção de linguagem como matriz expressiva do pensamento, por meio da língua grega, tomam “a palavra” (lexis), como âncora da estrutura e funcionamento da língua e a situam na dimensão da “fala”: aquela inerente a práticas discursivas de produtores de textos literários. Inscrita no exercício dessa modalidade de fala proficiente, quando as palavras estão em companhia uma das outras para articular idéias, produzidas pelo pensamento, as palavras são focalizadas na dimensão do logus pelos gramáticos; razão pela qual até a Idade Média, os fatos gramaticais se circunscrevem à palavra. (Cf. capítulo II).

Os pronomes, descritos pelo paradigma da flexão e da derivação, quanto à sua estrutura, e pelos casos, quanto às suas funções, são reconhecidos como palavras que se remetem às pessoas do discurso: concepção mantida por todos os gramáticos até os dias atuais. (cf. p. 21,22).

Outro resultado significativo é o fato de se haver descoberto que os pronomes só se qualificam como elementos léxico-gramaticias – formas desprovidas de conteúdos semânticos (gramaticais) – que, na dimensão do lógus, ou seja, quando focalizados em seu funcionamento, tornam-se dotadas de conteúdos (lexis). (cf. p. 20).

O fato de se haver descoberto e estabelecido, na Idade Média, que os nomes se explicam pelas classes do substantivo e do adjetivo (cf. p. 55 e 56), fez com que se observasse certa obliteração na distinção entre pronomes que funcionam como: a) determinantes de nomes substantivos; b) substantivos; c) recurso de retomada de substantivos já enunciados; d) adjetivos propriamente ditos. Assim, a classificação proposta por Dionísio de Trácia está fundamentada na distinção entre primitivos e

derivados, pessoais e bipessoais, sendo os possessivos qualificados como bipessoais, na medida em que fazem remissão não só à pessoa que fala, mas também à que se coloca na posição daquele que possui um dado objeto. Desta feita, os pronomes pessoais, propriamente ditos, são classificados como unipessoais; entretanto, em usos como “a casa deles”, o pessoal de terceira pessoa deveria ser classificado como dual á semelhança dos bipessoais; logo, os pronomes de terceira pessoa poderiam ser tanto primitivos como derivados. (cf. p. 21). Pôde-se assim, considerar que a concepção de primitivo e derivado não equivale àquela dos dias atuais, pois a derivação era compreendida pela anteposição do uso do artigo, de modo que aqueles que exigem tal uso seriam derivados. Esse critério classificatório leva Dionísio de Trácia a inserir tais pronomes na classe dos artigos: concepção mantida por longo tempo.

Apolônio, em sua gramática, apresenta uma revisão da classe dos pronomes e propõe para ela a concepção de palavra que, se por um lado, fez referência às pessoas do discurso, por outro, é difundida como palavra que substitui o nome – concepção e definição aceitas ainda hoje por nossos gramáticos contemporâneos. (cf. p. 24).

Nesse processo de revisão, Apolônio propõe ser necessário considerar os pronomes por três perspectivas, na medida em que eles se explicam por serem uma classe de palavras que se qualifica, ao mesmo tempo, como uma paronomásia, uma semiologiae uma autonomásia. Assim, os pronomes se inscrevem numa relação indissociável entre o nome e o verbo por meio da qual constroem a sua identidade como classe diferençada de ambos, razão de eles serem uma paronomásia. Nessa perspectiva identitária, os pronomes fazem referência, por um lado, aos processos de nominalização das pessoas do discurso, inscritos no uso da língua, focalizados na dimensão do logus: expressão de idéias articuladas; razão pela qual asseguram tal identidade, na extensão da frase, pela flexão de número e pessoa, dada pela conjugação do verbo. Concepção retomada por Evanildo Bechara, no final do século XX.

Essa relação e identidade dos pronomes como nome e com o verbo, marcada por relações referenciais, faz com que eles arrastem consigo significações do nome na sua relação com o verbo, ou vice-versa. Essas significações, conjugadas nas

formas pronominais, de modo a se configurar como uma simbiose, fazem com que se compreenda que o conteúdo das formas pronominais se explique como uma “semiosis”. Entretanto, não se pode igualar o significado do nome ou do verbo àquele do pronome, na medida em que esse significado é produto de uma semiosis e, nessa acepção, embora o pronome substitua o nome e com ele se identifique, ele não é o nome e tampouco o verbo. Por essa razão, ele se qualifica como “antonomásia”: a classe de palavras que se identifica com o nome e com o verbo, mas que é contrária a ambos. (cf. p. 24).

A relação de similaridade entre o pronome e o nome, instituída na sua relação com o verbo, leva Apolônio a postular que tal relação mercê ser tratada pela “anáfora” e pela dêixis, na media em que, ao substituir o nome, ele assegura a relação referencial com as pessoas do discurso, por esses retomados. Assim, os pronomes apontam a referência já designada pelo nome na sua relação com o verbo – função dêitica – e, ao mesmo tempo assegura a permansividade de tal referência no exercício da fala. (cf. p. 23). A pesquisa realizada aponta que essa concepção dos pronomes, bem como a descrição dessas suas funções é retomada e explicada pela Gramática Dependencial ou Funcional de Lucièn Tesnière. (cf. cap. III). Logo, esses estudos de Apolônio se perderam no tempo de construção da Gramática Tradicional Contemporânea e só foram retomados no século XX, na França.

Essa perda de função dêitica e anafórica dos pronomes parece se dever ao fato de os gramáticos romanos terem se voltado para a descrição da língua latina, fundamentada na produção da sua literatura clássica, os romanos se ocuparam em aprimorar questões referentes à pronúncia das formas escritas, diferenciar a palavra da oração e rever as classes gramaticais, propostas pelos gregos, reinterpretando-as por aquelas da língua latina. Procedimento que se manteve nas gramáticas de todas as línguas.

No que se refere à classe dos pronomes, eles mantêm a concepção dos gregos, defendendo-a como aquela que substitui os nomes e especifica as partes do discurso.; contudo, não se detêm em explorar as funções dêitica e anafórica, proposta por Apolônio. Assim procedendo, se voltam para explorar a classificação, postulando serem eles ativos e neutros e, por ela,classificam os pronomes usando como critério a concordância dos pronomes na posição de sujeito (caso nominativo)

com o verbo e a concordância dos pronomes oblíquos (cf. p. 28 e 29). Aprimora-se a sistematização do paradigma da flexão, por meio dos casos, diferencia-se a flexão do nome daquela do verbo, tendo por critérios tempos verbais e os casos, de modo a se compreender o particípio verbal como palavra que tanto apresenta flexão de casos como de tempo, ao contrário do advérbio que delas é destituído. Assim procedendo, os gramáticos latinos elegem os “casos” para a flexão do nome, e o tempo, para a dos verbos, tomando cada um deles como categoria primária, o que facilita conceber o pronome como substituto do nome e, em razão do caso genitivo, postular uma classificação dos pronomes empregados no caso nominativo - pessoais propriamente ditos – e no caso genitivo, onde funcionam como adjetivo. (cf. p. 28). Esse ponto de vista, ao dissociar o verbo do nome, possibilita que eles sejam tratados como classes distintas e facultando uma concepção de pronome que se define por substituir o nome, por um lado, e que se inscreve na flexão verbal, por outro. Perde-se, a proposta de Apolônio.

A distinção entre nome substantivo e nome adjetivo, configurada pelos modos de significar, de forma geral ou determinada, está mais bem sistematizada nos estudos desenvolvidos na Idade Média, que também facultam o desenvolvimento da sintaxe, implicando uma retomada da relação entre o nome e o verbo. Tais estudos facultam revisar a categoria dos determinantes, de sorte a se conceber os artigos e os numerais como membros dessa classe, bem como os pronomes possessivos, os demonstrativos, por exemplo, na medida em que funcionam como determinantes do nome. Ainda que o ensino se mantenha fundamentado nas gramáticas latinas de Donato e Prisciano, os escolásticos avançam em suas investigações, delineando a concepção de palavra como forma dotada de significado, produto de seus variados usos, apreendida na dimensão da fala. Esses estudos possibilitam avanços no campo da morfologia que só serão incorporados à gramática, quando ela passa a descrever a sintaxe frasal: fato que só ocorrerá no ano de 1.600. Desta feita, os avanços no campo dos estudos linguagem, decorrentes da filosofia escolástica, à semelhança daqueles produzidos pela filosofia grega, apontam que: a produção de conhecimentos nessa área não são imediatamente transpostos para o campo gramatical. Tal transposição demanda séculos para poderem estender ou renovar as descrições herdadas da tradição. Por conseguinte, novos conhecimentos de caráter filosófico ou científico se qualificam por uma dimensão discursiva que mantém

relações com o discurso gramatical, mas um não se reduz ao outro; logo a relação entre o discurso gramatical e o científico se assemelha àquele entre ciência e tecnologia. Mas para os gregos, a gramática sempre se qualificou como técnica: um meio para a aprendizagem da língua escrita.

A construção das primeiras gramáticas da língua portuguesa (cf. p. 35 a 40), edificadas sob essas matrizes da gramática greco-latina, vão implicar adaptações desses modelos descritivos ao português falado pelos “homens doutos”, membros da nobreza cortesã. Elas manterão, por um lado, o valor de prescrição para o ensino dessa norma “douta” ou padrão como matriz da língua oficial do Estado Português e, por isso, como modelo a ser ensinado àqueles que são membros dessa comunidade nacional. Fazer-se homem douto é ter domínio desse uso normativo; razão de ser das chamadas “gramáticas normativas”: aquelas que descrevem tal norma como modelo de escrita e de fala oficialmente reconhecidas.

A incisão do foco nas classes de palavras, mais especificamente na do nome e na do verbo, bem como o não desenvolvimento de estudos que facultassem

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