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2 Teori

2.3. Beregningsteknikker

2.3.3. Trippel differensiering

Ao considerarmos as limitações e possibilidades de nossa análise, dialogada com as idéias de nossos representantes, percebemos algumas evidências da práxis sindical do SINPRO que se materializam no fazer de outros sujeitos que não, necessariamente, seus dirigentes e no veículo revista, que neste contexto, faz a mediação entre entidade e base, reforçando, desta forma, a categorização da Comunicação Sindical (CS)166. Vejamos, então:

 O veículo (revista) dá condição para a contra-hegemonia elaborar seu

discurso e, por conseqüência, a sua própria construção. Isto é, a

165

Idem 21.

Comunicação, via a revista, é uma das formas que os IOT têm, para

propagar as suas idéias; 167

 A contra-hegemonia, à medida que repensa a sua práxis, também

estabelece um confronto (mesmo que no mundo das idéias) com a

hegemonia. Embora que, para tanto, tenha que omitir os nomes dos sujeitos e usar de artifícios tão “antigos”, que remontam o tempo da

ditadura militar – onde a “harmonia” entre Sociedade Política e

Sociedade Civil, no sentido hegemônico estabeleceu o que poderia ou

não ser feito no país, naquele momento histórico;

 A revista é um instrumento educativo não formal, expressando, de

alguma maneira, o sentimento de consciência de classe. Além de propor, com clareza, a reflexão da escola, do local de trabalho destes

intelectuais orgânicos;

 O discurso – artigo – é do gênero opinativo e, neste caso, crítico, pois

reflete uma realidade, vivida pelos IOT em seu local de trabalho, contextualizando o tema e levando o leitor à compreensão daquele momento repensado. Os sujeitos sabem da onde falam, tendo

consciência de si e de classe;

 Indica as contradições da práxis dos sujeitos, envolvidos nesta relação

– educador (IOT), educando (o outro sujeito que não tem consciência

de onde está) e os IOC. Ao mesmo tempo, os sujeitos reflexivos que, de

alguma forma, entendem dar sustentação à hegemonia, acreditam que ela própria deva sofrer o impacto das reflexões dos IOT, reivindicando a relação dialética deste processo histórico;

 A escola particular reproduz a lógica do capital. E a revista é um dos

meios que o SCT dispõe aos IOT para eles próprios manifestarem as

167

Interessante observarmos que algumas evidências são semelhantes as que encontramos em nossa dissertação (mestrado), quando analisamos a práxis do Sindicato dos Radialistas do RS. Só que naquele momento analisamos o Jornal Sintonia. No entanto, aquela direção não era tão privilegiada, em sua formação intelectual formal, quanto a direção do SINPRO.

diferenças de concepções existentes, entre eles e os IOC, mas defendem ter que haver uma saída, isto é, acreditam que o diálogo é possível;

 O projeto da filosofia liberal está para a sustentação do poder hegemônico dos estabelecimentos de ensino, assim como está para a

contestação da contra-hegemonia;

 O artigo indica que no mundo do trabalho, o intelectual, seja a serviço

de quem esteja, se sente reconhecido e valorizado. Só que, no contexto

hegemônico, esta relação é mais danosa já que pode retirar do

trabalhador ‘especialista’ a sua condição de classe – de consciência de

classe;

 Ainda no mundo do trabalho, ao compararmos os diversos contextos,

percebemos que o medo não escolhe moradia privilegiada – ele pode tanto estar no trabalho manual (considerado menor no conceito social tradicional), quanto no trabalho intelectual (este com maior status, ou ilusão de status). As ameaças do capital se dão em vários níveis e instâncias, sob as mais diversas formas. Ora elas são veladas, ora são “escancaradas”.

Ao buscarmos compreender o agenciamento da categorização da CS, observamos que o processo contra-hegemônico, baseado na consciência de si e para si, está empenhado em questionar e desvelar o que a hegemonia, representada pela filosofia liberal nos estabelecimentos de ensino defendida pelos IOC, esconde. Neste recorte delimitado, da CS, por meio do artigo analisado, de gênero opinativo, encontramos a reflexão de caráter educativo da base, papel, aliás, bem encaminhado, neste caso, pela Revista Textual.

Assim, a Comunicação, via as categorias de Gramsci – Ideologia (poder, hegemonia e contra-hegemonia), Estado, Intelectual Orgânico, Sociedade Civil –, no enfrentamento entre os IOT e os IOC (professores e donos de escolas), por intermédio da Revista Textual, no artigo analisado, reflete a sua categorização, num cenário, que, além de revelar sua condição de classe, igualmente expressa as contradições que esta mesma classe carrega. A postura assumida pelos IOT, ora indica sujeitos que elaboram e constroem a partir de sua própria condição; ora aponta estes intelectuais sujeitados ao poder hegemônico

(dentre os exemplos manifestados no texto, o uso de pseudônimos é o mais significativo deles, na nossa compreensão).

Compreendemos, depois desta análise, que a Comunicação está para a Organização Sindical, como categoria que se elabora, através da Dialética Histórico- Estrutural, quando os confrontos entre hegemonia e contra-hegemonia se revelam, reivindicando, para tanto, constante acompanhamento e reflexão para classificar (no sentido de qualificá-la) esta práxis, referenciados na concepção de mundo que os IOT acreditam e defendem.

Registramos que não foi ignorada a relação histórica a que esta constatação nos leva, isto é, cada contexto, cada momento é elaborado, construído, concebido por sujeitos diferentes, que traduzem certo tipo de prática. No entanto, cremos que os IOT devem considerar as referências do conjunto de classe – ou seja – não abrir mão daquilo que acreditam e pelo qual lutam, na busca da sociedade que desejam construir, até para dar vida e/ou alimento à relação dialética que está aí, por mais que o tempo passe e outras formulações teóricas (na trajetória histórica dos homens) nos convidem a pensar o mundo de maneira diferenciada.

Neste recorte, poderíamos dizer que a Comunicação Sindical, como fruto da ação coletiva da direção sindical e de sua base reflete a si própria e mantém uma coerência crítica entre conteúdo e forma, privilegiando o caráter educativo não formal que o veículo também sustenta, estimulando a reflexão dos IOT frente aos IOC (poder hegemônico).

Em outras palavras, para conceber um projeto de mundo diferenciado, os IOT precisam pensar maneiras de encaminhar sua utopia (no sentido de busca permanente daquilo que sonhamos) – ou seja – para continuar viabilizando a proposta que defendem, é necessário, dia após dia, retomar, repensar, enfim, refletir sobre o projeto de Comunicação coerente com sua práxis e, quem sabe, até a sua ampliação, como aconteceu no SINPRO, com a criação deste outro meio – a Revista Textual. E, assim, o diálogo permanece sem fim e a história continua no discurso possível entre poderes, fazeres, limites e afetos, no olhar dos