7. Måleresultater
7.2 Luftkvalitet
7.2.2 Trendanalyse for SO 2
Em Portugal foi elaborado pelo Governo em 2014, em parceria com várias organizações, um documento “Prevenir Desperdício Alimentar - um compromisso de
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todos!”, que estabelece um compromisso na prevenção do desperdício alimentar, ao nível da produção transformação, distribuição e comercialização, na educação e comunicação, na sensibilização e responsabilização, e na regulação e agilização.
Como referem Baptista, et.al, (2012:57) “(…)o investimento no conhecimento deste tema é a primeira condição para uma estratégia eficaz de combate ao desperdício alimentar”.
Nesse sentido, o Governo, com o objetivo de distinguir a implementação de políticas e modelos de boa gestão no combate ao desperdício alimentar, com boas práticas em responsabilidade social, instituiu, o PRA-TØ – Selo de Reconhecimento de Práticas e Atos pelo Desperdício Alimentar Zero.
Em Portugal, a Assembleia da República, aprovou por unanimidade, a Resolução n.º 65/2015, de 17 de junho “Combater o desperdício alimentar para promover uma gestão eficiente dos alimentos” (uma iniciativa legislativa do partido Os Verdes) e declarou o ano de 2016 como o ano nacional do combate ao desperdício alimentar . Nesse sentido, foi criada a Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (CNCDA), que tem como missão "promover a redução do desperdício alimentar através de uma abordagem integrada e multidisciplinar".
Em 2014, foi aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa, a criação de um Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, composto pelas Juntas de Freguesia e pelas organizações que atuam na área do desperdício alimentar, promovendo a recepção e distribuição de refeições, num louvável exercício de cidadania e responsabilidade social.
O “Plano Municipal de combate ao desperdício alimentar” de Lisboa,de 2015, define as estratégias a seguir, para que o aproveitamento dos alimentos seja possível – Segurança alimentar, Voluntariado, Gestão da recolha e distribuição, Estruturação da rede e Sensibilização.
Em 2017, a Assembleia da República recomenda á CNCDA, medidas de combate ao desperdício alimentar, no sentido de sensibilizar e envolver as organizações da
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sociedade civil, os cidadãos e os consumidores em geral para a problemática do problema26.
Alterar a dieta alimentar, respeitando a Roda dos Alimentos é um dos maiores contributos que cada um de nós pode dar em termos de sustentabilidade. A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação.
O estudo da FAO (2017) “The future of food and agriculture: Trends and challenges”27 mostra-nos as tendências que influenciam a trajetória da produção de
alimentos e como vai ser importante o papel da agricultura no sentido de uma alimentação mais sustentável. Para esse efeito convida a comunidade global a prosseguir a "mudança transformadora" necessária para enfrentar os próximos desafios protegendo a infraestrutura planetária que torna tudo possível.
Quando se trata de emissões de gases de efeito estufa, nem todos os alimentos têm o mesmo impacto. Como podemos observar na figura 8, as dietas vegetarianas e as pescetarianas, têm emissões significativamente mais baixas de dióxido de carbono do que dietas em que a carne de porco, a ave e a carne de bovino estão frequentemente no menu, como na dieta mediterrânea. Como mostra o gráfico, o impacto da comida no meio ambiente provavelmente tornar-se-á mais pronunciado nas próximas décadas, à medida que mais pessoas se mudem para a classe média e mudem para dietas à base de carne (Income-dependent diet)
26 Disponível em http://www.portugal.gov.pt/pt/ministerios/mafdr/noticias/20170804-mafdr-encda.aspx 27 Disponivel em http://www.fao.org/publications/fofa/en/ ; https://ensia.com/photos/future-food-production/ acedido em 12.08.2017
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Figura 8- Relação entre as emissões GEE e o tipo de dieta alimentar (IFPRI,2015)
Em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar portuguesa com o preconizado no padrão alimentar da roda dos alimentos, um objetivo, sobre todos os pontos de vista, desejável. (INE,2012)
Se recorrermos ao ultimo IAN-AF Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física (2015-2016) realizado em Portugal poderemos observar como o país se tem afastado da dieta mediterrânica. Atualmente 21% dos alimentos ingeridos não fazem parte da roda de alimentos. Consumimos carne em excesso, o peso das hortaliças à mesa é metade do que devia ser e ingerimos mais sal e açucar do que o organismo tolera (Figura 9).
Figura 9- Comparação da distribuição percentual do consumo alimentar recomendado pela Roda dos Alimentos Portuguesa e o consumo alimentar estimado para a população Portuguesa (IAN-AF 2015-2016)
Do mesmo modo, o mesmo inquérito diz-nos que, se por um lado, temos 10% das famílias em Portugal que experimentaram insegurança alimentar, por outro, existem 5,9 milhões de portugueses (quase 6 em cada 10 portugueses) que têm obesidade ou pré-
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obesidade derivado aos atuais estilos de vida pouco saudáveis (regime alimentar desadequado, onde se come muito além das nossas necessidades calóricas), um fenómeno já classificado pela OMS-Organização Mundial de Saúde, como a epidemia do século XXI.
Em Portugal, foi realizado, em 2012, o estudo PERDA – “Do Campo ao Garfo. Desperdício Alimentar em Portugal”, que concluiu que os dados sobre perdas e desperdício na cadeia de aprovisionamento permitiram estimar que cerca de 17% das partes comestíveis dos alimentos produzidos para consumo humano, são perdidas ou desperdiçadas, correspondendo a cerca de 1 milhão de toneladas por ano.
• 32,2% ocorrem na atividade agropecuária e piscatória • 7,5% na indústria alimentar
• 28,9% na distribuição • 31,4% ao nível do consumo
Todos os anos, os portugueses deitam para o lixo um milhão de toneladas de alimentos, ou seja, cada um desperdiça em média 100 quilos de comida por ano. Só as famílias desperdiçam 324 mil toneladas (Figura 10). E 17% da comida é deitada fora ainda antes de chegar aos consumidores” (Batista, et al, 2012)
Um desperdício que no conjunto da União Europeia chega aos 89 milhões de toneladas. Estes desperdícios ocorrem em todas as etapas da cadeia alimentar — produção primária, indústria agroalimentar, distribuição e consumo — e têm consequências ambientais, económicas e sociais.
“(…) em Portugal, cerca de 36% dos contentores indiferenciados têm na sua composição restos de comida ou produtos fora de prazo, sendo por isso fundamental sensibilizar a população para uma mudança de comportamentos. Todos esses resíduos têm como destino os aterros sanitários ou poderão ser incinerados, sem ter qualquer benefício ambiental” (DECO PROTESTE, 2013).
Um estudo que veio confirmar os resultados de outros estudos, nomeadamente o realizado em 2011 pela FAO, que apontava para o facto do maior desperdício alimentar (perdas evitáveis) ocorrer na fase final da cadeia de aprovisionamento, na distribuição e no consumo, acontecendo as perdas nas etapas iniciais da cadeia.
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Figura 10- Perdas alimentares anuais ao longo da cadeia de aprovisionamento em Portugal (PERDA, 2012)
Entre as principais causas do desperdício alimentar apontadas no estudo do PERDA, (Figura 11) vem o atual alongamento da cadeia de aprovisionamento, que distancia cada vez mais o produtor do consumidor. Embora a globalização tenha oferecido abundância e diversidade de alimentos aos consumidores, a necessidade de mais transportes, mais intermediários (com serios obstáculos à comunicação) e mais infra- estruturas adequadas para conservação dos alimentos, conduziu a perdas e desperdício.
Figura 11- Principais causas das perdas e desperdícios na cadeia de aprovisionamento ( PERDA, 2012:38)
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Por outro lado, e por a produção de alimentos estar sujeita a condicionantes externas (condições climatéricas variáveis) faz com que, de modo natural, perdas ocorram, situação esta que, associada à dificil previsão das necessidades dos consumidores, vai levar a que se produza em excesso. “A cadeia de aprovisionamento portuguesa faz chegar em média cerca de 3640 calorias por dia a cada habitante, valor bastante acimas das necessidades médias diárias dos indíviduos de ambos os sexos em todas as idades. (PERDA,2012:20)
As recomendações para a ingestão de energia para um indivíduo saudável variam, no geral, entre 1800 a 2200 quilocalorias (Kcal), dependendo da intensidade de exercício físico praticado, idade e sexo. Entre 1980 e 2013, os portugueses estavam a ingerir mais calorias, 34% mais proteínas, 11% mais hidratos de carbono e 6% mais gorduras (Santos, 2017).
Ora a distribuição, ao não arriscar ficar sem stock de produtos, vai criar um sobre- stock de mercadorias. Daí meios como, o recurso a promoções, campanhas e descontos, junto dos consumidores, sejam expedientes usados com o objetivo de escoar esses artigos excedentários, mas com efeitos perversos pois ao induzir o consumidor em compras excessivas e por vezes desnecessárias, vão contribuir para um maior desperdício alimentar.
Uma situação insustentável e imoral, num país como Portugal, com baixo grau de auto-aprovisionamento de alimentos,28 (Figura 12) e altamente dependente das
importações de alimentos (a excepção são essencialmente os hortícolas, o vinho, o arroz e o leite, logo seguidos do azeite, da fruta, da batata, dos suínos e das aves) pelo que deve merecer da parte de todos nós ( poder politico, cadeia de aprovisionamento e consumidores em geral) o maior cuidado no sentido da redução do desperdício alimentar.
Relativamente às perdas e desperdício nas diferentes etapas da cadeia de aprovisionamento, o estudo PERDA salienta que a etapa mais eficiente na utilização dos produtos alimentares é a do processamento, onde as perdas são minimizadas e reaproveitadas noutros processos produtivos, (indústria dos concentrados ou alimentação
28 O “grau de auto-aprovisionamento” é a razão entre a produção nacional de um dado produto e o consumo interno desse mesmo produto (PERDA,2012)
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animal) sendo a fase inicial e a fase final da cadeia onde incide a quase totalidade das perdas.
Figura 12-Parte da produção inicial perdida ou desperdiçada ao longo da cadeia de aprovisionamento portuguesa. (PERDA,2012:59)
Os motivos para este desperdício são vários e ocorrem ao longo de toda a cadeia agroalimentar. Modelos de produção intensivos, condições inadequadas de armazenamento e transporte, adopção de prazos de validade demasiado apertados e promoções que encorajam os consumidores a comprar em excesso, são algumas das causas que contribuem para o enorme desperdício actual.
Podemos dizer que a indústria é altamente eficiente porque transforma em subprodutos para rações, tudo o que sobra de comestível (o que a indústria desperdiça é essencialmente a componente não-comestível). Uma eficiência que já não se verifica na distribuição (onde o tamanho das embalagens pode ser uma das causas) e no consumo final (onde a confusão com os prazos de validade ou a incorreta conservação dos alimentos, podem ser responsáveis por aumentar o desperdício). Já na produção o regime de colheita manual provoca sempre menos perdas que a colheita mecânica (Figura 13).
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Figura 13- Destino geral das perdas alimentares (PERDA,2012:28)
Situação muito mencionada nos inquéritos sobre alimentação em Portugal, é o consumo excessivo de carne (suínos e aves) e peixe, dois setores onde as perdas são relativamente baixas, talvez devido ao facto de se tratarem de produtos mais caros que a maioria dos restantes alimentos, levando, portanto a um maior cuidado no seu aproveitamento.
Por último, temos o elevado desperdício ao nível do consumo e das famílias, onde as causas são bastante diversas e complexas. Desde que o alimento é comprado até ser servido na mesa, muito desperdício (evitável) vai ocorrendo.
O tipo de agregado familiar (sozinho, com filhos, sem filhos), o comportamento dos consumidores, as contigências diárias impostas por rotinas (deslocações, emprego), a falta de planeamento e de disposição para elaborar lista de compras, bem como o tamanho das embalagens (demasiado grandes, sobretudo em famílias de uma ou duas pessoas) têm sido causas apontadas em diversos estudos sobre o tema.
Segundo o PERDA concluiu famílias com filhos de menor idade, tendem a desperdiçar mais, devido à imprevisibilidade dos seus gostos.
Já Wenlock et al., (1980) tinham concluído que famílias com filhos tendem a desperdiçar mais do que famílias sem filhos, ressalvando no entanto que, quanto maior o número de filhos, menor é a quantidade de desperdício per capita da família.
O PERDA não deixa de assinalar os efeitos (positivos) da ultima crise económica sentida no país, no sentido em que despertou a população para a realidade atual, ao tornar
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visível na sociedade o contraste entre a abundância e desperdício alimentar com situações de carência alimentar e fome. Uma nova realidade social que resultou numa maior reflexividade e motivação para não desperdiçar e que os levou a alterar estilos de vida e hábitos alimentares (menos idas aos restaurantes, não cozinhar demais, reaproveitamento das sobras em casa, o (re)nascer do hábito de levar o almoço para o trabalho, o tomar atenção aos rótulos, etc.)
Outro fator salientado no estudo é que, à medida que o rendimento das famílias aumenta, o peso da despesa alimentar na despesa total de consumo diminui, situação que contribuirá para a atitude mais negligente que temos tido face aos alimentos.
Efetivamente os gastos com a alimentação em Portugal pesam pouco relativamente a outros no consumo das famílias (14,7 % em 2015/16, contra 21,5% em 1994/95), não sendo, por isso, um estímulo suficiente para uma atitude mais empenhada no combate ao desperdício.
É reconhecido por todos como o comportamento alimentar é altamente complexo e como incluiu determinantes internos e externos ao indivíduo. Em 2015, um inquérito realizado pela DECO a 1.725 consumidores em Portugal, revelou muito desperdício alimentar. Mais de metade dos inquiridos confessou deitar para o lixo alimentos fora de prazo, o que nem sempre será necessário. Os motivos mais apontados têm a ver com a má interpretação dos rótulos (“consumir até” para produtos perecíveis e “consumir preferencialmente antes de” que significa a data de durabilidade mínima do produto, mas onde não há problema em consumir, desde que em boas condições de conservação) (DECO,2015)
Assim, e por ser na distribuição e no consumo que, em geral, acontece o desperdício alimentar, será nestes agentes que, segundo o PERDA, se devem concentrar todos os esforços no sentido da mudança ao nível das práticas alimentares e dos comportamentos.
Todos temos a obrigação de combater o desperdício alimentar, seja por razões económicas, ambientais ou morais. Um combate que passará pela sensibilização e pelo compromisso de todos e onde o Estado deverá estar presente. Para proteger as pessoas e o planeta, precisamos reduzir o desperdício de alimentos.
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I.5. Como reduzir o desperdício alimentar. O que pode ser feito para combater o