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Tremasse-, cellulose- og papirindustri 0.25

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Decorrem dessa definição de epistemologia da prática consequências teóricas e metodológicas relacionadas à pesquisa universitária. Os estudos dos saberes necessários ao desempenho profissional são desenvolvidos no contexto real do trabalho, são saberes do trabalho. Isto significa que os saberes profissionais são desenvolvidos na ação. Eles são construídos, modelados e utilizados de maneira significativa pelos trabalhadores. São saberes trabalhados, laborados, incorporados no processo de trabalho docente (TARDIF, 2008).

Nessa perspectiva, os saberes profissionais diferem dos conhecimentos adquiridos na formação universitária. Como consequência, para estudar os conhecimentos profissionais da área de ensino, torna-se necessário ir aos locais onde o trabalho docente se desenvolve. É preciso considerar a competência dos professores diante das condições e das consequências de seu trabalho. A pesquisa em Ciências da Educação deve abordar o que os professores são, fazem e sabem, em oposição ao que deveriam ser, fazer e saber. O conhecimento da matéria ensinada e o conhecimento pedagógico devem ser considerados em conjunto com todos os saberes dos professores, que Tardif chama de perspectiva ecológica, em referência aos trabalhos de William Doyle.

Assim, domínio do conteúdo disciplinar, organização das atividades de ensino e aprendizagem, gestão da classe, conhecimento dos alunos, tarefas cotidianas, didática e outros são todos saberes docentes que compõem o universo conceitual e prático dos professores e são construídos em seu cotidiano em composição com o conhecimento acadêmico.

[...] o conhecimento da matéria ensinada e o conhecimento pedagógico (que se refere a um só tempo ao conhecimento dos alunos, à organização das atividades de ensino e aprendizagem e à gestão da classe) são certamente conhecimentos importantes, mas estão longe de abranger todos os saberes dos professores no trabalho. A didática e a psicoPedagogia são construções dos pesquisadores universitários e não de professores ou de alunos dos cursos de formação e professores. O estudo do ensino numa perspectiva ecológica deveria fazer emergir as construções dos saberes docentes que refletem as categorias conceituais e práticas dos próprios professores, construídas no e por meio do seu trabalho no cotidiano. (TARDIF, 2008, p. 260)

Nessa perspectiva, os saberes profissionais dos professores apresentam certas características que interessa analisar para definir aspectos da formação para o exercício da docência. Tardif (2008) considera que esses saberes são

temporais, plurais e heterogêneos, personalizados e situados e carregados das marcas do ser humano.

São temporais porque o contato de uma pessoa com a profissão do magistério ocorre desde os primeiros anos de vida. Além disso, sua história de vida e sua experiência escolar compõem grande parte de sua concepção sobre

ensino. A consolidação dos aprendizados adquiridos durante a vida e a formação profissional ocorre durante os primeiros anos de profissão. Finalmente, são temporais porque são utilizados e se desenvolvem ao longo da carreira. Pode-se dizer que o tempo é um fator importante na “estruturação da prática profissional” (TARDIF, 2008, p. 261).

Os saberes profissionais são plurais e heterogêneos porque são originários de sua história de vida e de sua cultura escolar anterior. Além disso, apoiam-se em conhecimentos didáticos e pedagógicos adquiridos em sua formação profissional e de conhecimentos curriculares veiculados pelos programas, guias e manuais escolares e também na experiência de trabalho de colegas e em tradições (TARDIF, 2008). Os professores, em seu trabalho, raramente se apoiam em uma única teoria ou concepção de ensino e desempenham múltiplas atividades, com diferentes objetivos, simultaneamente.

[...] procuram controlar o grupo, motivá-lo, levá-lo a se concentrar numa tarefa, ao mesmo tempo em que dão uma atenção particular a certos alunos da turma, procuram organizar atividades de aprendizagem, acompanhar a evolução da atividade, dar explicações, fazer com que os alunos compreendam e aprendam, etc. (TARDIF, 2008, p. 263)

Os saberes profissionais são personalizados e situados porque, além de dispor de um sistema cognitivo, um professor tem uma história de vida, uma presença social, emoções, personalidade, cultura, pensamentos e ações que carrega consigo e que compõem o seu ser (TARDIF, 2008). Frequentemente explicam suas atividades e competências profissionais imbricadas por suas habilidades pessoais, seus talentos e sua personalidade. São, ainda, saberes situados porque são construídos e utilizados em função de contextos de trabalho. Os significados atribuídos pelos professores e pelos alunos às situações de ensino devem ser elaborados e partilhados dentro das próprias situações (TARDIF, 2008).

E, finalmente, os saberes dos professores trazem consigo as marcas do ser humano por ser este o objeto do trabalho docente. Embora o professor trabalhe com grupos de alunos, o aprendizado ocorre individualmente. Consequentemente, deve haver, no professor, uma pré-disposição para conhecer

e compreender cada aluno, ao invés de centrar sua atenção nos fenômenos que possibilitam o acúmulo de conhecimentos. Além disso, há um componente ético e emocional no trabalho do professor porque o ensino é uma prática que envolve emoções e levam o indivíduo a questionar suas intenções, seus valores e suas maneiras de fazer. Ainda, os alunos precisam consentir e cooperar para que aprendam. Isto exige motivação dos alunos, que é uma atividade emocional e social (TARDIF, 2008).

Podemos resumir agora nossas palavras da seguinte maneira: uma perspectiva epistemológica e ecológica do estudo do ensino e da formação para o ensino permite conceber uma postura de pesquisa que leva ao estudo dos saberes docentes tais como são mobilizados e construídos em situação de trabalho. Os trabalhos realizados de acordo com essa perspectiva mostram que os saberes docentes são temporais, plurais e heterogêneos, personalizados e situados, e que carregam consigo as marcas do seu objeto, que é o ser humano. (TARDIF, 2008, p. 269)

Essa abordagem epistemológica e ecológica do estudo do ensino e da formação de professores leva a questionamentos quanto à estrutura dos cursos de formação de professores. O pensamento do professor, em sala de aula, não funciona como o de um cientista, um pesquisador ou um engenheiro. Dessa forma, a lógica disciplinar, que vem estruturando os cursos de formação, não atende às necessidades de preparação para a atividade docente, pois, além de estar organizada em compartimentos, desconsidera as experiências e crenças trazidas pelos alunos.

Ao fornecer conhecimentos proposicionais sem executar um trabalho sobre os filtros cognitivos, sociais e afetivos dos alunos, os cursos estruturados dessa maneira deixam grande parte do trabalho de preparação para o magistério a cargo da experiência dos anos iniciais de atuação profissional. Haverá, então, uma acomodação dos conhecimentos adquiridos nos anos de formação profissional, com os saberes trazidos de sua história de vida e com o aprendizado da profissão na prática, na socialização com o grupo de trabalho nas escolas.

2.4 Formação do professor que vai ensinar Matemática nas séries

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