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Trekk ved bostedsløse med ulike karrierer

7. Bostedsløshetens varighet

7.2. Trekk ved bostedsløse med ulike karrierer

Extensa é a lista de títulos e premiações recebidas pelo presidente Lula que poderiam ser abordadas nessa análise das visões distintas (“de fora” e “de dentro”) sobre o Brasil e sobre seu governante, como por exemplo: a escolha de Lula pelo jornal britânico Financial

Times como uma das 50 personalidades que moldaram a última década (2009); ele foi

27 O complexo de vira-lata, entendido na pesquisa como uma forma de refrão da imprensa, largamente utilizado

escolhido personagem do ano pelo jornal espanhol El País (2009); O jornal francês Le Monde dá-lhe a primeira edição do prêmio "Homem do Ano" (2009); Lula conquista o “Prêmio “Estadista Global” do Fórum Econômico Mundial, em Davos (2010); a revista Time o elege, em 2010, um dos líderes mais influentes do mundo...

Com referência às premiações que Lula conquistou de entidades internacionais, algumas delas, cabe lembrar, conferidas por veículos de imprensa (Le monde e El País, que Clóvis Rossi denomina como “dois dos jornais mais relevantes do mundo – ambos absolutamente deslumbrados com Lula”28, por exemplo), resgata-se, para intuito de análise, uma sequência de textos sobre dois eventos ocorridos paralelamente, no início de 2010, o Fórum Econômico Mundial e o Fórum Social Mundial.

Em 21/01/2010, Clóvis Rossi escreve: “Lula foi escolhido pelo Fórum de Davos como ‘Estadista Global’. O Fórum de Davos é aquele que o PT de antigamente odiava, como símbolo do capitalismo mais malvado. Acho o prêmio muito justo. Mas fico curioso em saber se o outro fórum (o Social) daria prêmio igual ou parecido a Lula. (EMPREGOS QUE LULA..., 2010 p. A2).

Uma semana mais tarde, no dia 28, partindo de um ocorrido com o antigo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que frequentara uma boate “da moda”, Rossi tece uma metáfora relacionando o episódio a suposta adequação de Lula a escolhas que contradizem seu passado e que permitiram que governasse o país em conformidade com o que representa o Fórum de Davos.

DAVOS - Quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, um certo Luiz Inácio Lula da Silva foi visto na casa noturna da moda na época, a "Gallery". Desatou um escândalo à direita e à esquerda.

À direita choveu preconceito. Como um operário se atrevia a frequentar um "point" da elite? Claro que ninguém ousava fazer a pergunta de público, mas o espírito da reação era esse.

À esquerda chovia preconceito de sinal invertido: como o suposto líder da revolução que a classe operária estava inexoravelmente destinada a fazer se animava a frequentar um símbolo da burguesia? [...]

Lula reagiu com o pragmatismo que viria a ser a marca de seu governo: disse que não pretendia incendiar a "Gallery", mas criar as condições para que a classe operária a frequentasse.

A classe operária pode não ter ido ao paraíso, no discutível pressuposto de que uma boate possa ser o paraíso, mas Lula foi. O prêmio de "Estadista Global" que recebe amanhã da quintessência da "elite branca", como a chamaria o ex-governador Cláudio Lembo, é todo um compêndio sobre sua gestão.

Melhorou a vida de uma fatia considerável de brasileiros, em seus oito anos de governo, sem, no entanto, tocar em um único fio de cabelo dos amigos de Lembo.

Por isso, conforme leio nos "on-line", pôde ser ovacionado no Fórum Social Mundial e, posso apostar tranquilamente, receberá idêntica ovação do público de Davos.

Não sei, francamente falando, se ser aplaudido por dois lados tão distintos é bom ou ruim. Mas é evidente que Davos o aplaude porque se conformou em frequentar antes a "Gallery" e agora Davos em vez de revolucionar uma ou a outra. (DA “GALLERY” A DAVOS, 2010, p. A2).

Três dias depois, em 31/01/2010, o articulista da Folha de S. Paulo ironiza o discurso do presidente brasileiro29 e questiona o sentido da existência do Fórum Social Mundial por ter ovacionado Lula, o agora premiado “Estadista Global” nos moldes de Davos. Note-se que ao correr do texto os participantes do FSM são despersonalizados por reiterados “o povo de Porto Alegre”, que ressoam como um refrão; um refrão bíblico, posto que o texto se encontra permeado por termos como: “pai do mundo”, “Sermão da Montanha”, “pregar”, “outro mundo”, “os convertidos”.

DAVOS - Eis que o "filho do Brasil", um certo Luiz Inácio Lula da Silva, transformou-se em pai do mundo. Seu discurso em Davos, ao receber o título de "Estadista Global" conferido pelo Fórum Econômico Mundial, é um Sermão da Montanha ao mundo (Davos está encravada nos Alpes, a 1.542 metros de altitude). Se fosse necessário resumi-lo a duas frases, seriam estas: eu fiz tudo certo e o mundo continuou fazendo tudo errado.

Daí vem, inexoravelmente, a proposta de reinventar o mundo. Ótimo. Gostaria até de ser o primeiro a assinar um eventual manifesto a favor. Mas chego tarde: o povo de Porto Alegre, como se chamava o conglomerado que se reunia inicialmente na capital gaúcha, já está na fila faz tempo ao pregar, sempre, que "outro mundo é possível".

Pena que nem Lula nem o povo de Porto Alegre puseram de pé, até agora, como exatamente se chega a esse outro mundo. Lula produziu uma frase que é a quintessência do vácuo: "Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar". [...]

Faz muito tempo, antes mesmo de ser criado o Fórum Social Mundial, que observo os movimentos críticos à forma como o mundo caminha e digo que é preciso ir além das intermináveis discussões entre os convertidos e apresentar uma plataforma concreta com a qual disputar o voto do eleitorado. É a única maneira (democrática) até agora inventada de se obter um mandato para construir outro mundo.

Aí, leio que o povo do Fórum Social ovacionou Lula quando o presidente a ele compareceu.

Bom, se o projeto que esse povo quer ver implementado é esse que Davos acaba de premiar, então Porto Alegre perdeu o sentido. É melhor vir todo mundo para os Alpes. A vista é magnífica e é dela que saio hoje de férias. (PORTO ALEGRE EM DAVOS, 2010, p. A2).