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3.4 Machine Learning algorithms

3.4.3 Tree Based Algorithms

Fonte: Acervo da autora, 2014.

26 A FUNASA propõe a melhoria de habitações cujas condições físicas favoreçam a colonização de vetores

Na época em que realizamos nossa pesquisa para a conclusão da graduação, o P1MC – Programa um milhão de cisternas não havia sido concluído nas comunidades. Hoje todas as casas contam com uma cisterna. Embora estejam com nível de água abaixo do previsto, constitui uma importante alternativa para as comunidades rurais de se garantir água nos períodos de estiagem. Esse projeto é uma das ações do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido da ASA (Articulação no Semi-Árido Brasileiro). Lançado em 2003, o projeto visa à construção de um milhão de cisternas que abranjam a necessidade das famílias localizadas na zona rural do semi-árido brasileiro. O projeto busca ainda contribuir no acesso a água a cinco milhões de famílias.

Os moradores reconhecem que muitos dos problemas, que antes os impediam de morar definitivamente na comunidade foram resolvidos, como a falta d’água. Antigamente, muitos dos quilombolas mudavam-se para a sede do município de Portalegre devido a inexistência de água na zona rural do município, fato que explica o motivo de muitos possuírem residência na zona urbana e em outras cidades da região. No entanto, atualmente todos contam com água encanada e isso facilitou a volta de muitos moradores às comunidades. Apesar de saberem das melhorias que, ao nosso ver, são ainda mínimas, tendo em vista as condições precárias quanto à educação e saúde, sobretudo, e considerando os investimentos feitos pelo Governo Federal nas comunidades do Brasil27, de acordo com os documentos do Programa Brasil Quilombola. Os moradores do Pêga e Arrojado elencaram diversas carências das comunidades que tornam a realidade mais difícil e preocupam os moradores. O relato a seguir é de uma moradora do Arrojado que preferiu não se identificar:

Aqui na comunidade não tem nada, não tem escola, não tem médico, as crianças daqui estudam no sítio Bom Sucesso e médico só tem na comunidade Santa Tereza, mas já tá com uns três meses que não tem médico, a gente tem que ir pra Portalegre, Pau dos Ferros ou Riacho da Cruz pra ser atendido e tá ficando cada vez mais difícil. Aqui nunca teve nada de facilidade para os quilombolas. Já prometeram que a vida de nós quilombolas ia melhorar que ia ser mais fácil, mas quase nada

27 Ver documento do Programa Brasil Quilombola ano (2004) e Diagnóstico do Programa Brasil Quilombola

mudou, só fica na promessa. Já participei de muitas reuniões e lá tudo é muito fácil pra os quilombolas, mas nunca veio nada do que prometeram. Teve uma reunião pra trazer água encanada pra gente, e disseram que não íamos pagar pela água, isso demorou pra acontecer e hoje a gente tem água e pagamos 10 reais pelo uso e a água não vem todo dia, o que eu acho errado por que foi prometido que isso era um direito da gente e ia ser grátis. Tem família grande aqui que só vive da Bolsa Família e esses 10 reais fazem falta pra outras coisas. É preciso que melhore muita coisa, precisamos de escola, de médico, de transporte de melhoria nas estradas porque o acesso aqui é muito complicado. Hoje melhorou um pouco porque apareceu a Bolsa Família, uma bolsa maternidade, um PRONAF que ajuda na criação e na plantação das famílias e outras coisas. Aqui ainda existe fome e antes era pior.

(Relato de A.R. Moradora do Arrojado. Dezembro de 2013).

Semelhantes a estas reclamações, os moradores entrevistados destacaram a enorme necessidade de escola, posto de saúde, campo de futebol para as crianças terem um local de lazer, perfuração de poços, pois nesse período de estiagem os moradores tem que buscar água em locais muito distantes, já que as cisternas estão com nível de água abaixo do satisfatório e a água encanada não chega todos os dias. Destacaram também a necessidade de cursos de qualificação de mão-de-obra e alternativas de trabalho, pois grande parte dos moradores, sobretudo a população mais jovem, migra para outros municípios em busca de emprego. Há igualmente a reivindicação pela melhoria das estradas (somente uma pequena parte da estrada tem piso pavimentado), já que a comunidade Arrojado está localizada em um ponto mais alto da serra com a presença de vários afloramentos rochosos e solos propícios à intensa erosão devido a sua elevação. Todos esses fatores dificultam o acesso à comunidade e a saída dos moradores para outros lugares em busca de educação e saúde, sobretudo.

Sobre a comunidade Pêga, os moradores apresentam menos reclamações em comparação aos do Arrojado. A comunidade dispõe de posto de saúde, mesmo que estando aberto somente três vezes por semana e de uma escola que está sem funcionamento. De

acordo com a Secretaria de Educação do município é inviável manter a escola do Pêga funcionando devido a pouca demanda de alunos que fica abaixo do estipulado pelo MEC. No entanto, nos informaram que um ônibus é enviado à comunidade para conduzir os alunos a terem aulas nas escolas da sede do município de Portalegre. Os moradores desconhecem esse fato. Os alunos têm aula na sede do município, mas são os próprios moradores das comunidades que realizam esse trajeto. O fato de a comunidade Pêga estar localizada mais próxima da cidade de Portalegre e pelas estradas facilitarem o acesso dos moradores, eles elencaram poucos problemas, somente frisaram a necessidade de ter médico mais frequentemente na comunidade, já que no posto só tem enfermeira e dentista e há somente um médico para atender todo o munícipio de Portalegre, dando plantão três vezes por semana. Além desse, destacaram a importância de a escola funcionar ao menos no nível da Educação Infantil, para que as crianças menores de seis anos não precisem se deslocar todos os dias para a cidade. A seguir, vemos as imagens do posto de saúde e da escola do Pêga: