3 Analyse
3.4 Tredje periode: Dags liv fra fødsel til død
De acordo com Manuel Castells239, ao contrário do que dizem os organis-
mos governamentais e os meios de comunicação, os hackers (que dominam a tecnologia informática) são pessoas apaixonadas pela criação de software e desenvolvimento de novas formas de processar a informação. “Para ellos, el valor supremo es la innovación tecnológica informática. Y, por tanto, necesitan también libertad.”240
Esta liberdade não se restringe à navegação pela rede. Para os hackers liber- dade significa acesso a todos os códigos e bancos informáticos. A comunidade hacker rege-se pelos princípios da colaboração e generosidade, que passa pela disponibilização do saber, ou seja, dar e receber criação tecnológica numa lógica de liberdade de comunicação total. O verdadeiro interesse dos hackers é a cria- ção tecnológica. O mesmo acontece com Aimé Pairel, o jovem protagonista, do filme em estudo, inconformado, que cultiva um interesse proibido pela criação
239 CASTELLS, Manuel – CASTELLS, Manuel – Hackers, Crackers, Seguridad y Liberdad. http://www.uoc.edu/web/esp/launiversidad/inaugural01/ hackers.html. (16/09/2004).
tecnológica. Assim, se tivermos em conta os princípios de liberdade criativa tecnológica e de actividade política anti-governamental, torna-se fácil fazer uma analogia entre Aimé Pairel (que, de certo modo, antecipa a postura hacker) e a figura do hacker. Aliás, alguns hackers têm uma forte actividade política carac- terizada pela luta contra o controle governamental e empresarial das comunica- ções em rede.
Conforme refere Castells241, os hackers estão organizados em redes de cola-
boração através da Internet, nessas redes estabelecem uma espécie de hierarquia tecnológica que funciona pelos seguintes parâmetros: no topo estão os criado- res de programas, a seguir os indivíduos responsáveis pela manutenção desses programas e, finalmente, aqueles que, de algum modo, contribuem para esses programas.
A comunidade hacker tem por hábito o pleno reconhecimento de autoridade aos pioneiros da criação tecnológica relacionada com a informática. Exemplo disso é o culto gerado em torno de Linus Torvalds relativamente à comuni- dade Linux. O Linux é um sistema operativo alternativo concebido por Linus Torvalds, com seguidores e contribuidores (que desenvolvem o sistema) espa- lhados pelo mundo inteiro. Este sistema apareceu como alternativa gratuita ao sistema Windows de Bill Gates.
No entanto, a comunidade hacker só reconhece autoridade àqueles que utili- zem a sua actividade com sensatez e não para seu próprio benefício económico ou social.
“En la era de la información, la matriz de todo desarrollo (tecnológico, económico, social) está en la innovación, en el valor supremo de la innovación que, potenciada por la revo- lución tecnológica informacional, incrementa exponencial- mente la capacidad de generación de riqueza y de acumula- ción de poder.”242
241 CASTELLS, Manuel – CASTELLS, Manuel – Hackers, Crackers, Seguridad y Liberdad. http://www.uoc.edu/web/esp/launiversidad/inaugural01/ hackers.html. (16/09/2004).
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Mas, segundo a ideologia hacker, esta vontade de inovar tem que estar asso- ciada ao prazer da criação, ou seja, deve existir uma motivação maior que a mera satisfação económica.
A cultura hacker tem sido decisiva para o desenvolvimento das tecnologias de informação e para a Internet: Os protocolos da Internet foram criados por hackers académicos; Foi um hacker que inventou o correio electrónico (1970), para que os primeiros internautas usufruíssem desse serviço sem qualquer tipo de benefício comercial; hackers desenvolveram o sistema UNIX (cuja filoso- fia inspirou o LINUX); estudantes hackers inventaram o modem. Dois hackers desenvolveram o browser World Wide Web, por paixão e às escondidas do chefe, na empresa onde trabalhavam em 1990, trabalho que, um ano mais tarde, foi difundido na Internet sem direitos de propriedade. São vastos os exemplos actuais de softwares criados por redes corporativas que se mantêm em regime aberto, sem direitos de propriedade.
Segundo Castells243, os hackers criaram, por puro prazer, a estrutura basilar
da Internet, ou seja, a infra-estrutura da sociedade de comunicação. Obviamente que alguns se tornaram empresários de sucesso, mas não pela apropriação dos direitos de propriedade da inovação tecnológica cooperativa. Outros, como Linus Torvalds, tornaram-se famosos, embora essa fama advenha do respeito e reconhecimento da comunidade hacker.
A maioria dos hackers vive no anonimato, mas através da prática da inova- ção cooperativa, obtiveram o reconhecimento da única autoridade deste mundo paralelo: a própria comunidade global hacker. Esta comunidade paralela con- tagia o ciberespaço, tornando-se crucial para a inovação e desenvolvimento da sociedade de informação.
Dentro da comunidade hacker existe, ainda, o submundo dos crackers. São indivíduos criticados pelos hackers, que semeiam o pânico na sociedade de informação e desprestigiam a comunidade global hacker. Os crackers utilizam os conhecimentos e as invenções tecnológicas para violar processos informáti- cos. Alguns crackers entram em redes ou em computadores pessoais para roubar
243 CASTELLS, Manuel – CASTELLS, Manuel – Hackers, Crackers, Seguridad y Liberdad. http://www.uoc.edu/web/esp/launiversidad/inaugural01/ hackers.html. (16/09/2004).
informação. Segundo Castells, estes indivíduos não são hackers, são ladrões de colarinho branco que perpetuam uma velha tradição criminal.
Os crackers script kiddies são outro subgrupo dentro do submundo cracker. Grande parte dos script kiddies são adolescentes que entram sem permissão em sistemas ou criam e alastram vírus informáticos para se sentirem poderosos e desafiarem o mundo dos adultos com impertinências e piadas de mau gosto. São marginais do mundo paralelo hacker, na medida em que, não criam, não inovam e, normalmente, não têm grandes conhecimentos técnicos (comparativamente à comunidade hacker).
Os crackers mais sofisticados tecnicamente,violam sistemas informáticos de instituições poderosas ou governamentais, numa atitude desafiadora em relação ao sistema estabelecido, ou enquanto forma de protesto político. Outro exemplo de ataque cracker político, é a guerra informática paralela entre crackers islâmi- cos e crackers israelitas.
A privacidade do indivíduo e o funcionamento das instituições e da sociedade não podem ser violadas por acções individuais. Mas, segundo Castells, estas acções também não podem servir de desculpa para o crescente controlo sobre a livre circulação de informação.“La vulnerabilidad de los sistemas informáticos plantea una contradicción creciente entre seguridad y libertad en la red”244
.
A maioria das grandes empresas e instituições adquiriu sistemas de segurança capazes de neutralizar qualquer tentativa de violação (desde que essa tentativa não utilize uma tecnologia à altura desse sistema). Assiste-se, actualmente, a uma guerra virtual constante entre ataques e protecções informáticas.
Segundo Castells245, os sistemas informáticos e as redes de comunicação na
Internet estão a converter-se no sistema nervoso da sociedade contemporânea. Assim, a interferência nas operações dos sistemas informáticos tornou-se uma arma extremamente eficaz e poderosa. A utilização e a finalidade destas acções terroristas varia conforme o subgrupo em questão. Esta é a actividade cracker
244 CASTELLS, Manuel – CASTELLS, Manuel – Hackers, Crackers, Seguridad y Liberdad. http://www.uoc.edu/web/esp/launiversidad/inaugural01/ hackers.html. (16/09/2004).
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que, como refere Castells, tem de ser dissociada da actividade hacker, embora os crackers integrem o mundo paralelo dos hackers.
Em suma, os hackers, que estabelecerem uma ética específica inerente à sua actividade, acreditam, acima de tudo, na partilha de informação e no benefício social dessa partilha. Essa partilha de informação e saber é dinamizada, em grande parte, através da disponibilização de software livre. Além disso, conde- nam a invasão de sistemas em casos de vandalismo e usurpação.
O termo hacker, também pode ser empregue fora do ciberespaço, referindo- se à paixão, à inovação e à especialização profunda de indivíduos noutras áreas. É, também, neste sentido que o hacking foi praticado por Aimé Pairel no filme de Servais.