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Trecellens oppbygning. (Dinwoodie 1989:13)

Após definido o delineamento experimental, definiu-se o procedimento para realizar os testes no simulador, tal que cada condutor realizou uma única vez esse procedimento. Vale a pena relembrar que antes de realizar o experimento definitivo no simulador, convidaram-se 8 condutores para dirigir no simulador e realizar sugestões, que permitiram melhorar a sensibilidade dos pedais e do volante do

cockpit, assim como o realismo dos retrovisores e o tamanho do painel de

velocidade, apresentados através da tela central do simulador; esses condutores não foram considerados nas análises de percepção da sinalização vertical. Segue a descrição do procedimento experimental, ilustrado na Figura 18.

3.4.1. Instruções ao participante

O primeiro passo realizado foi ler e explicar para cada condutor convidado as instruções sobre o experimento, cientes de que, por questões éticas, cada participante deve entender e aceitar livremente sua participação no experimento. Nesse sentido, informou-se o objetivo – falso – da pesquisa, a motivação para realizar o experimento, o procedimento para realizar os testes, os possíveis riscos e benefícios ao participar do teste, a liberdade de recusar-se a continuar no experimento quando quiser e a garantia de sigilo sobre a sua identidade na publicação de resultados. Todos os condutores convidados aceitaram livremente essas condições e continuaram participando do experimento.

Sobre essas instruções é importante esclarecer os seguintes aspectos: primeiro, os condutores não souberam o objetivo real da pesquisa porque isto poderia ter gerada um viés no comportamento deles/delas; nesse sentido, informou-se que o objetivo do experimento era avaliar a capacidade a fidelidade e a sofisticação do simulador, e testar um equipamento de monitoramento do olhar do condutor. Segundo, os participantes foram informados de que o principal risco no experimento era experimentar algum tipo de desconforto – enjoo – e que se isto acontecia de forma severa o condutor poderia interromper o experimento; para não criar um viés no comportamento do condutor falou-se de desconforto e não de enjoo. E terceiro, os participantes receberam uma pequena lembrança como compensação pelo tempo de participação no experimento. Instruções ao participante Caracterização do participante Teste de adaptação Teste no trecho em estudo Avaliação do simulador Fase de pré-teste Fase de teste Fase de pós-teste Monitoramento do participante

3.4.2. Caracterização do condutor participante

Posteriormente, cada participante preencheu o “Questionário para a caracterização do condutor” para coletar informações como a idade, experiência e gênero do condutor, e analisar possíveis correlações entre essas características e seu comportamento no simulador. Adicionalmente, no caso de condutores com enjoo, esse questionário permite identificar fatores de risco para sentir enjoo e monitorar com maior atenção futuros participantes com características semelhantes.

3.4.3. Adaptação no simulador de direção

Ao concluir o formulário de caracterização, cada participante foi convidado a entrar no simulador para ajustar a altura e a distância do volante, com o intuito de garantir o maior conforto possível enquanto participava do teste. Adicionalmente, para cada condutor calibrou-se o sistema SmartEye devido às variações fisiológicas dos condutores e o possível uso de óculos. Para realizar a calibração o condutor tinha que fixar quatro pontos na tela central de coordenadas conhecidas, as quais são comparadas com as coordenadas estimadas pelas câmeras para retornar a acurácia e a precisão do rastreio do olhar. Para todos os condutores obtiveram-se erros inferiores a 2º.

Cientes de que a direção do simulador é distinta à de um veículo real, e de que os participantes não tinham dirigido previamente no simulador, definiu-se um período de adaptação à direção do simulador. Para isto, cada condutor dirigiu em um cenário de adaptação até conseguir controlar a direção do veículo e a velocidade, sem que essas tarefas de controle demandaram muito esforço, como acontece regularmente na direção de um veículo real.

O cenário de adaptação foi um circuito semiurbano onde o condutor teve que realizar as seguintes tarefas: atingir e manter uma velocidade determinada, seguir um veículo por um determinado período de tempo, ultrapassar um veículo, frear para evitar uma colisão traseira e, finalmente, estacionar o veículo. O tempo de simulação durante está fase de adaptação variou segundo as capacidades de adaptação do condutor, mas em nenhum caso ultrapassou os quinze minutos para diminuir as chances de sentir enjoo.

Ao longo deste primeiro teste rastreou-se o olhar do condutor e mediram-se as seguintes variáveis sobre a direção do veículo: velocidade, aceleração, ação dos pedais e ângulo de direção do volante. Esses dados não foram analisados na presente pesquisa, mas contribuirão ao desenvolvimento de futuras pesquisas sobre a adaptação dos condutores ao simulador de direção.

3.4.4. Monitoramento do participante

O principal risco ao qual estão expostos os participantes durante os experimentos no simulador é sentir alguns sintomas de enjoo. Apesar de ser um risco menor para a saúde do condutor, este deve ser controlado porque afeta o conforto do condutor durante e depois dos testes, assim como seu desempenho no simulador e seu desempenho tanto no simulador quanto na direção de um veículo real, logo depois de concluir o experimento.

Durante o experimento utilizaram-se três estratégias para diminuir as chances de sentir sintomas severos de enjoo: em primeiro lugar, durante os testes os condutores foram monitorados continuamente pelos pesquisadores para identificar sintomas como tontura ou sudoração. Em segundo lugar, limitou-se a duração do teste de adaptação a quinze minutos e o teste no trecho em estudo não ultrapassou os dez minutos; o uso de períodos curtos de simulação diminui as chances de enjoo nos participantes. E terceiro, foi usado o questionário Simulation Sickness Questionnaire para avaliar o grau de enjoo dos condutores através de dezesseis questões, onde os condutores expressaram se estavam experimentando sintomas como dor de cabeça, tontura, sudoração e salivação excessiva, entre outros, assim como o grau de severidade desses sintomas.

3.4.5. O teste no trecho em estudo

Nenhum condutor manifestou sintomas de enjoo durante o teste de adaptação e, por conseguinte, todos passaram a dirigir o simulador no ambiente virtual do trecho em estudo. Antes de começar o teste os pesquisadores solicitaram a cada participante atender as seguintes instruções para dirigir no trecho: dirigir como faria normalmente quando está percorrendo um trecho rural que não conhece, evitar trafegar pela faixa da direita – reservada para os veículos pesados, respeitar a sinalização do trecho e

evitar qualquer tipo de acidente no simulador, pois o experimento seria finalizado nesse momento. Essas instruções visaram recriar, de forma aproximada, as motivações, regras e penalizações que teria o condutor dirigindo no trecho real.

3.4.6. Avaliação do simulador de direção

Finalmente, por ser este o primeiro experimento realizado no simulador, considerou- se importante conhecer a percepção dos participantes sobre o grau de realismo do experimento no simulador. Para isto, cada participante preencheu o “Questionário para a avaliação do simulador” para avaliar a fidelidade dos seguintes elementos do simulador, em relação à direção de um veículo real: o sistema de direção do veículo, a percepção da velocidade, e o comportamento do tráfego, o realismo da pista, do entorno e das placas de sinalização. O questionário utilizado é uma adaptação do questionário desenvolvido por Witmer e Singer (1998) para avaliar a imersão das pessoas em ambientes virtuais.