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4. Research Methods

4.2 Model Parameters

De acordo com Ripoli e Ripoli (2004), os principais fatores relacionados à qualidade da cana-de-açúcar são Pol (sacarose aparente), pureza, ATR (açúcares redutores totais), teor de açúcares redutores, percentagem de fibra e tempo de queima e corte, conforme definições abaixo:

Pol (p, %): teor de sacarose aparente na cana e que, portanto, varia durante a safra. Para a indústria canavieira, quanto mais elevados os teores de sacarose, melhor. Para os autores, materiais com valores superiores a 14% são aptos, em termos de qualidade, à industrialização. Pureza: é determinada pela relação (p/Brix.100). Quanto maior a pureza da cana, melhor a qualidade da matéria-prima para se recuperar açúcar. Todas as substâncias que apresentam atividade óptica podem interferir na Pol, como açúcares redutores (glicose e frutose), polissacarídeos e algumas proteínas;

ATR (Açúcares Redutores Totais): indicador que representa a quantidade total de açúcares da cana (sacarose, glicose e frutose). O ATR é determinado pela relação p/0,95 mais o teor de açúcares redutores. A concentração de açúcares na cana varia, em geral, dentro da faixa de 13,0 a 17,5%. Entretanto, é importante lembrar que canas muito ricas e com baixa percentagem de fibras estão mais sujeitas a danos físicos e ataque de pragas e microrganismos;

Açúcares redutores: é a quantidade de glicose e de frutose presentes na cana, que afetam diretamente a sua pureza, já que refletem em uma menor eficiência na recuperação da sacarose pela fábrica;

Porcentagem da fibra da cana: reflete na eficiência da extração da moenda, ou seja, quanto mais alta a fibra da cana, menor será a eficiência de extração. Por outro lado, é necessário considerar que variedades de cana com baixos teores de fibra são mais susceptíveis a danos

mecânicos ocasionados no corte e transporte, o que favorece a contaminação e as perdas na indústria;

Tempo de queima/corte: é o tempo entre a queima do canavial e a sua moagem na indústria (no caso da colheita manual) ou o tempo entre o corte mecanizado e a moagem. Quanto menor o tempo entre a queima/corte da cana e a moagem, menor será o efeito de atividades microbianas nos colmos que ocorrem e melhor será a qualidade da matéria-prima entregue á indústria. Além de afetar a eficiência dos processos de produção de açúcar e álcool, o tempo de queima/corte também afeta a qualidade dos produtos finais e o desempenho dos processos. Em relação à remuneração, até 17 de agosto de 1982 o Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar, açúcar e álcool, ainda utilizava o antigo método de pagamento por peso. Somente a partir desta data que o Ato 25, publicado no Diário Oficial da União, estabeleceu que todas as usinas e destilarias com mais de três anos de funcionamento, a partir do ano-safra 1983/84, teriam que pagar a cana aos fornecedores pelo teor de sacarose (Pagamento de Cana pelo Teor de Sacaroses - PCTS). Quando da entrega dos carregamentos na unidade industrial eram feitas as análises e determinado o preço da tonelada de cana. O governo fixava o preço da cana, o qual poderia ter um ágio caso a cana entregue apresentasse uma qualidade superior à cana padrão do estado e, um deságio, caso a cana entregue apresentasse uma qualidade inferior à cana padrão do estado (SACHS, 2007).

Segundo a mesma autora, a cana padrão era determinada pela Comissão Regional de Pagamento de Cana pelo Teor de Sacarose de cada estado, que era composta por representantes dos fornecedores de cana, dos industriais e do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). No caso do Estado de São Paulo, uma tonelada de cana padrão continha 122,57 kg de sacarose por tonelada, o que equivalia a uma Pol% cana (PC%, teor de sacarose contida na cana) de 12,257% e a pureza do caldo igual a 83,87%. Quanto maior a pureza do caldo da cana, melhor a sua qualidade. Portanto, só se conseguia preço melhor para as canas mais ricas, isto é, para as que apresentassem PC% superior a 12,257% e pureza do caldo acima de 83,87%.

Em 1997 foi constituído um grupo técnico e econômico formado por representantes dos produtores de cana, indicados pela Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) e por representantes do setor industrial, indicados pela União da Agroindústria do Açúcar e do Álcool do Estado de São Paulo (UNICA), formando assim o Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (CONSECANA- SP). A principal atribuição desse grupo foi o desenvolvimento de um novo

sistema de pagamento pela qualidade de cana entregue pelos produtores às unidades industriais denominado Sistema de Remuneração da Tonelada de Cana pela Qualidade/CONSECANA.

Nesse sistema, o valor da cana-de-açúcar se baseia no ATR (concentração total de açúcares recuperáveis no processo industrial) contido em uma tonelada de cana e nos preços do açúcar e etanol vendidos pelas usinas nos mercados interno e externo. O ATR é determinado, também, pelo mix de produção de cada unidade industrial, ou seja, a quantidade produzida de açúcar e álcool, e pela participação da matéria-prima nos custos de produção do açúcar e do álcool (CONSECANA, 2006). Adotado pelas unidades produtoras desde o ano- safra 1998/99, esse método consiste em um conjunto de regras de “livre adoção”, empregadas para o cálculo do preço da tonelada da cana-de-açúcar durante o ano-safra.

A produção de cana-de-açúcar visando à sua industrialização é um enorme desafio ante os inúmeros fatores de produção, de ambiente e de mercado em que o setor está inserido (BEAUCLAIR, 2004). Nesse tocante, é importante implementar um planejamento “estratégico” da colheita que busque otimizar o retorno econômico da cultura baseado no conceito de máxima concentração de sacarose nos colmos, ou seja, considerando não só a máxima produção mas, também, a época mais propícia para a colheita (pico de maturação).

A elaboração de um planejamento estratégico deve envolver os diferentes setores da empresa, ou seja, a integração entre a área agrícola, industrial, comercial e financeira. A complexidade do problema torna sua solução dependente de modernos recursos de Pesquisa Operacional, como modelos de gestão que, entretanto, são extremamente dependentes da capacidade de construir estimativas e cenários confiáveis (BEAUCLAIR, 2004). Assim, modelos de previsão da qualidade da matéria-prima são ferramentas importantes na lavoura canavieira, objetivando suprir estimativas de rendimento ao longo dos meses de safra, visando à caracterização das alternativas de manejo, aumentando a eficácia das decisões gerenciais e estratégicas (SCARPARI; BEAUCLAIR, 2004).