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4.1.1 Descrição geral da Rede de Águas Residuais da Costa do Estoril

A Rede de Águas Residuais da Costa do Estoril abrange 4 dos mais populosos municípios portugueses - Amadora, Cascais, Oeiras e Sintra, sendo o Cascais, o único concelho que drena as suas Águas Residuais Urbanas na totalidade para o Sistema de Saneamento da Costa do Estoril (Figura 4-1).

O Sistema de Saneamento da Costa do Estoril inclui 144 km de interceptores e emissários, dos quais, um interceptor geral, com cerca de vinte e cinco quilómetros de extensão total, de escoamento totalmente gravítico, dezassete emissários gravíticos, nove instalações elevatórias que bombeiam as águas residuais provenientes das zonas baixas junto à costa e que não apresentam possibilidade de ligação gravítica ao interceptor, uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) subterrânea e um emissário submarino com dois ramos difusores que lança as águas residuais tratadas a cerca de 3 km da costa à profundidade de cerca de 40 m, na zona da Guia, em meio receptor classificado como “zona menos sensível”, pelo Decreto-Lei n.º 198/2008, de 19 de Junho – Zona Menos Sensível do Cabo da Roca/Estoril (SANEST- Relatório e Contas, 2010).

A recolha, tratamento e rejeição final das águas residuais urbanas provenientes da Costa do Estoril abrange uma área de 220 km2, que corresponde à totalidade do Município de Cascais, uma grande parte dos Municípios de Sintra e Oeiras e uma pequena parte do Município da Amadora, servindo actualmente 300 879 alojamentos (Figura 4-2).

Figura 4-2 Evolução da População Servida pela ETAR ao longo dos últimos anos

A conformidade do funcionamento do Sistema de Saneamento da Costa do Estoril e a severidade dos impactes ambientais associados a sua actividade, onde a descarga do efluente no mar através do emissário submarino da Guia surge com a maior significância, são vigiados por entidades independentes, de acordo com as recomendações comunitárias, através de um programa de monitorização ambiental. A Qualidade do Serviço é avaliada anualmente pela ERSAR e auditada pelas Entidades Certificadoras Acreditadas pelo IPAC.

4.1.2 Localização da ETAR da Guia

A ETAR da Guia está situada, como o nome revela, na localidade de Guia, no Concelho de Cascais, junto as instalações da ETAR antiga, sendo repartida porém, por manifesta falta de espaço, em dois locais de operação distintos, contudo representando o elemento chave do Sistema de Saneamento da Costa do Estoril. A recente conclusão da obra de beneficiação do tratamento do

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Amadora Oeiras Cascais Sintra

Sistema de Saneamento da Costa do Estoril, cuja realização efectivou o cumprimento da Decisão 2001/720/CE, traduziu-se na ampliação da antiga ETAR da Guia, concepção da nova Estação de Tratamento da Fase Sólida, bem como na criação de uma ligação em conduta (4km) entre estas infra-estruturas, localizado próximo do final da auto-estrada A5 (Figura 4-3).

Figura 4-3 Localização das infra-estruturas da ETAR da Guia (Fonte: Google Maps)

Assim, as instalações do tratamento da fase líquida das águas residuais situam-se junto à antiga ETAR (ETFL, Fig.4-3, 4-4) num terreno designado por Muxacho, já as do tratamento da fase sólida, resultante deste processo, (ETFS/lamas), situam-se num outro local, designado por Outeiro da Lota, na freguesia de Alcabideche, também no concelho Cascais.

A Estação de Tratamento da Fase Sólida é constituída por vários edifícios distribuídos à superfície, os quais encerram todos os equipamentos de tratamento, contudo apresentando um óptimo enquadramento paisagístico (Figura 4-3, 4-5).

Figura 4-5 Estação de Tratamento da Fase Sólida (Fonte: Cortesia SANEST)

4.1.3 Esquema de Tratamento na ETAR

O Processo integral de tratamento na ETAR apresenta-se com o seguinte layout (Figura 4-6)

ETAR da Guia,

Linha de tratamento da Fase Líquida (ETFL)

 Pré-tratamento  Tamizagem

 Desarenamento-desengorduramento  Tratamento primário físico-químico

 *Coagulação-Floculação com adição de reagentes, (Cloreto de Ferro e/ou Polielectrólito Aniónico)

 Decantação primária lamelar

 *Filtragem, (filtros gravíticos em areia)  *Desinfecção, (radiação UV)

 **Tratamento secundário (biológico de reutilização)  Decantação secundária lamelar

 Filtração  Desinfecção

Linha de tratamento da Fase Sólida (ETFS)

 Bombagem, Recepção e Depósito com agitação para homogeneização das lamas  Espessamento por centrifugação com adição de polielectrólito

 Digestão Anaeróbia (mesófila), com agitação por lanças de gás, aquecimento exterior e dosagem de cloreto de ferro para dessulfuração + produção de Biogás

 Desidratação de lamas por centrifugação, com adição de polielectrólito

 Secagem térmica por Turbo-Secador VOMM, (90 %) sicidade, com Co-geração

O início de funcionamento, em 2010, em regime de pré-arranque, da obra de beneficiação, possibilitou a partir deste ano a execução na Estação de Tratamento da Fase Líquida (ETFL) do tratamento primário (desengorduramento e decantação lamelar), complementado com adição de reagentes nas etapas de mistura rápida e floculação, bem como, durante a época balnear (01 de Junho-30 de Setembro) a filtração gravítica em areia e desinfecção por radiação Ultra-Violeta.

Para assegurar a qualidade requerida na reutilização em usos compatíveis, de uma parte dos efluentes depurados (rega de campos de golfe e outros) na ETFL foi concebido um tratamento adicional para um caudal efluente fixo (9.000 m3/dia) através de um processo de tratamento biológico, complementado por decantação lamelar, filtração em pressão e desinfecção por radiação ultravioleta.

A linha integral de tratamento incluiu ainda bombagem de lamas e água do processo desde a ETAR da Guia até ao Outeiro da Lota (ETFS). As particularidades dos processos de tratamento da Fase Sólida serão analisadas no capítulo subsequente.

* Executado só durante a Época Balnear, (01de Junho -30 de Setembro)

4.1.4 Síntese dos principais Dados Técnicos da ETAR

Em continuação encontram-se descritas as características da ETAR da Guia com os parâmetros base, observados durante o período de estudo da Beneficiação do Tratamento do Sistema de Saneamento da Costa do Estoril, bem como as estimativas (em valores nominais) para o limiar de viabilidade do projecto.

A avaliação e análise destas características permitiu associá-las aos processos de tratamento e ao volume e qualidade do resíduo gerado (lamas), determinando a elaboração do modelo adequado de gestão (Quadro 4-1).

Quadro 4-1 Dados Base de projecto da ETAR da Guia (Adaptado de SANEST, 2010)

Parâmetros Período de Estudo (2010/2011) Ano Horizonte (2020)

População Servida (H.E.) 757.425 920.000

Caudal Médio Anual (m3/dia) 157.985 172.000

Caudal da ponta (m3/h) 14.400 14.400

Carga CBO5. (kg/dia), média

anual 45.446 50.300

Carga SS (kg/dia), média anual 44.330 45.780