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Tre-faktormodellen til Fama & French

3. EMPIRISK ANALYSE

3.4 M ETODER FOR Å UNDERSØKE KILDEN TIL MOMENTUMPROFITTEN

3.4.2 Tre-faktormodellen til Fama & French

Importa, num primeiro momento, reafimar nossa busca pelo fortalecimento de uma coremática dos processos intra-urbanos, haja vista que a maioria dos estudos que fazem uso do metodo estão voltados para a análise regional, além de serem os que têm maior visibilidade. Isto, aliado às nossas dificuldades iniciais de representação dos processos sociais que ocorrem nas cidades, fez-nos buscar formas de expressar a pobreza e a exclusão sociais muito pouco usuais, especialmente no Brasil, no que diz respeito à análise da realidade intra-urbana, em específico, das suas áreas mais carentes.

Antes de partir para análise dos dados das cidades tomadas como exemplo para essa pesquisa, é preciso retomar aqui e discorrer um pouco mais sobre a escala intra- urbana e os seus complexos processos sócio-territoriais, já mencionados em capítulos anteriores.

Certamente, a modelização gráfica, aplicada à realidade intra-urbana, pode revelar uma série de processos amplamente discutidos no ambito da geografia urbana. Esses processos, revelados em estruturas espaciais elementares, podem ser esclarecedores de como se dão a produção e a reprodução das cidades. Processos e conceitos como os de fragmentação urbana, segmentação e segregação sócio-espacial,

certamente podem ter uma expressão gráfica, evidenciando-os de uma maneira mais clara.

Vários autores têm atentado para essas dinâmicas presentes nas cidades brasileiras. Estão também de maneira muito forte nas cidades médias do interior do país, como é o caso de Presidente Prudente e São José do Rio Preto, cidades médias paulistas. A fragmentação do tecido urbano e a conseqüente segregação sócio-espacial, são questões já trabalhadas e desenvolvidas em várias teses e dissertações na Unesp de Presidente Prudente. Exemplos disso são os trabalhos de Marisco (2003), Vieira (2003) e Miño (2005), assim como de Guimarães, Vieira e Nunes (2005).

Sposito (1983, p. 203) aponta que duas condições foram essenciais para o desencadeamento de um amplo processo de segregação urbana que se desenvolveu na cidade média de Presidente Prudente. Segundo a autora, a partir da década de 1970 chega ao poder as denominadas “administrações empresariais”, as quais implantam duas políticas principais com grandes impactos no espaço urbano: o aumento do perímetro urbano e o aumento dos impostos territoriais. Nota-se aqui o papel fundamental desenvolvido pelo poder público no processo de gestação de iniquidades territoriais no âmbito da cidade. Esta relação está bem explicitada nos trabalhos de Marisco (2003) e Guimarães, Vieira e Nunes (2005), para os quais o poder público é um ator fundamental no processo de segragação sócio-espacial e, consequentemente, de acirramento dos processos de exclusão, em especial no que tange a sua dimensão territorial. Marisco (2005), por sua vez, procura deixar claro em seu trabalho as estreitas relações entre a exclusão social e a segregação sócio-espacial.

Essas duas políticas adotadas a partir da década de 1970, como apontado acima, tornaram-se fundamentais para o processo de fragmentação urbana. A respeito dos seus impactos Sobarzo afirma que:

o aumento do perímetro urbano foi fundamental para a materialização de uma política habitacional orientada para a implantação de loteamentos populares periféricos em áreas descontínuas ao núcleo compacto da cidade, mal equipadas e sem a provisão de serviços urbanos necessários. (MIÑO, 2004, p. 46)

Face aos loteamentos estabelecidos em áreas mais periféricas do perímetro urbano, agora mais extenso, houve então a constituição de inúmeros vazios urbanos, gerando a denominada especulação imobiliária, como aponta Miño (2004), com conseqüente valorização dessas áreas. Por sua vez, o aumento dos impostos territoriais

provocou realocação de parte da população que não conseguia pagar os novos tributos, tendo que sair dos bairros nos quais habitava para outros mais baratos e periféricos (SPOSITO, 1983).

Sintetizando sua análise, Miño (2004, p. 46) diz que “essas ações contribuíram para acentuar a diferenciação social no espaço urbano de Presidente Prudente e aumentar a segregação sócio-espacial da cidade”. Para o autor, a fragmentação urbana, especialmente em cidades médias, é um processo ainda em curso, diversamente do que acontece na metrópole e, por esta razão, prefere falar em segmentação.

O mapeamento da exclusão/inclusão social de Presidente Prudente, feito pelo SIMESPP (Sistema de Informação e Mapeamento da Exclusão Social de Presidente Prudente), atual CEMESPP (Centro de Estudos e Mapeamento da Exclusão Social para Políticas Públicas), mostrou claramente a forte presença de padrões nítidos de segregação e exclusão social no tecido urbano desta cidade, com clara diferenciação entre espaços de inclusão e exclusão social, ou ainda, entre territórios da cidade reservados às parcelas da população de maior poder aquisitivo e às de menor poder aquisitivo (MARISCO, 2003, p. 24).

Depreende-se de tudo isso que há estreitas relações entre a exclusão social e a segregação urbana. Além disso, os processos envolvidos nessa complexa dinâmica são, sobremaneira, alimentados pela atuação do poder público. O artigo de Guimarães, Vieira e Nunes (2005) evidencia as íntimas relações existentes entre os diversos atores do setor imobiliário e do poder público, geradoras de acirrados processos de exclusão social, assim como de segregação sócio-espacial.

Para Sposito (1976, p. 74), o acirramento da segregação significa o distanciamento entre ricos e pobres, em espaços de forte homogeneidade social, que leva ao rompimento da comunicação entre as pessoas, da circulação entre os subespaços, do diálogo entre as diferenças. Aos pobres, certamente, estão destinados os piores pedaços do espaço urbano, agentes passivos no processo de especulação imobiliária, freqüentemente sem voz e força política nas cidades médias. Uma das questões mais marcantes nas cidades médias diz respeito á fragilidade dos sujeitos sociais, uma vez que quase sempre não há contraponto às vontades das elites políticas e econômicas dessas cidades, que freqüentemente se confundem.

Sendo assim, a descontinuidade do tecido espacial intra-urbano, a fragmentação urbana em processo, ou a segmentação urbana e, por conseguinte, a segregação sócio- espacial como uma das dimensões da exclusão social, podem ser eficientemente

representadas por uma coremática intra-urbana que evidencie esses complexos processos sociais e espaciais da cidade.

Resumidamentes, procuramos apreender a escala intra-urbana, seus processos, dinâmicas e estruturas, através de uma análise coremática que passa, necessariamente, por uma cartografia mais tradicional.