O Ae. aegypti foi introduzido no Brasil durante o período colonial, provavelmente na época do tráfego de escravos. Devido a sua importância como vetor da febre amarela, foi intensamente combatido em nosso território, tendo sido
considerado erradicado em 1955. Contudo, países vizinhos como as Guianas e Venezuela, dentre outros sul americanos, como também os Estados Unidos da América, Cuba e vários países centro americanos, não o erradicaram. Esse descuido provocou a reinvasão do Brasil pelo Ae. aegypti, em Belém do Pará, em 1967, no estado do Rio de Janeiro, provavelmente, em 1977 e em Roraima no início da década de 1980. (Consoli & Oliveira, 1994).
Entre as décadas de 50 e 70 o risco de ocorrência da doença foi eliminado com a erradicação do Ae. aegypti no Brasil, após intensas ações da vigilância epidemiológica. Infelizmente, este risco voltou a estar presente em 1976, com a re- introdução do vetor nos Estados da Bahia e Rio de Janeiro (Schatzmayer, 2000).
No Brasil, os primeiros relatos sobre epidemia de dengue datam de 1845, com casos no Rio de Janeiro. Ainda nesse século foram registradas duas epidemias de dengue: uma entre 1846-1848 e outra no período de 1851-1853. Dessa época até 1981 foram registradas apenas duas epidemias: uma em 1916 e outra em 1923 (Nobre et al., 1994).
A primeira descrição de um surto de dengue no Brasil, com casos confirmados laboratorialmente, ocorreu na cidade de Boa Vista, Estado de Roraima, em 1982. Estima-se que aproximadamente sete mil pessoas foram infectadas. Naquela ocasião foi feito o isolamento do vírus em 13 amostras, sendo nove positivas para o sorotipo DEN- 1 e quatro para o sorotipo DEN-4. O vírus tipo DEN-4 também foi isolado no vetor A. aegypti (Osanai, et al., 1983). Acredita-se que logo após esta epidemia foram realizadas medidas de combate ao vetor; após isto, não se teve informação sobre nenhuma atividade de dengue nessa região.
No Brasil há relatos de epidemias de dengue com formas graves e mortes a partir de 1990, onde ocorreram 274 casos de FHD com oito mortes; em 1991 foram notificados mais de 97.000 casos de dengue, incluindo 188 de FHD; em 1995, 125.000 casos com 105 de FHD e duas mortes; 1996, 175.000 casos, dois de FHD e nenhuma morte; em 2000, foram notificados 230.000 casos de dengue, com circulação dos sorotipos DEN-1, DEN-2 e DEN-3, com 59 de FHD e três mortes; 2001, 413.000 casos com 679 de FHD e 29 mortes; em 2002 este número aumentou para 780.000 casos notificados com um total de 2.607 de FHD e 145 mortes; e, em 2003, o número reduziu
quase 50% atingindo um total de 324.000 casos com 618 de FHD e 33 mortes (PAHO, 2004).
A Secretaria de Vigilância em Saúde – S.V.S., do Ministério da Saúde registrou 345.922 casos de Dengue, dos quais 263.984 (76%) ocorreram entre os meses de janeiro a maio de 2006, o que confirma a manutenção do padrão de sazonalidade da dengue no Brasil, que acompanha a estação chuvosa. Neste período foram confirmados 628 casos de febre hemorrágica da dengue e a ocorrência de 67 óbitos (Tabela 2).
Tabela 1 – Casos notificados de Dengue Clássico e Confirmados para a Febre Hemorrágica
do Dengue e Óbitos por Unidade Federada na Região Norte, Brasil, 2006.
REG/UF JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ TOT ____FHD____ SORO CASOS ÓBITOS TIPO BRASIL 25806 35726 72836 69786 50830 23146 15331 12887 6020 6007 11402 7145 345922 628 67 NORTE 6725 5638 5247 3210 3544 1327 997 1161 947 885 1183 1833 33348 8 1 RO 2461 2088 787 237 125 55 30 33 16 45 99 312 6286 3 1 e 3 AC 460 375 498 353 158 97 137 96 58 104 211 159 2706 1 1, 2 e 3 AM 95 159 211 106 114 44 55 86 61 51 59 25 1066 1, 2 e 3 RR 147 101 77 78 257 240 349 399 309 128 348 160 2553 1, 2 e 3 PA 2075 1196 1521 963 904 394 186 286 248 201 274 335 8473 1, 2 e 3 AP 822 753 486 169 223 103 87 134 80 143 143 139 3292 1, 2 e 3 TO 685 976 1657 1404 1763 394 153 127 155 153 700 703 8570 3 1, 2 e 3
Fonte: SVS, SES (atualizada em 25/01/2007)
Ao compararmos janeiro a dezembro de 2006 com o mesmo período do ano anterior, observamos um aumento de 39% dos casos de dengue no País. Esse aumento é decorrente dos dados observados nas Regiões Sudeste (303%), Centro Oeste (60%) e Sul (9%). Por outro lado, houve redução do número de casos na Região Norte ( - 23%) e Nordeste ( - 17%).
O Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) caracteriza as áreas do País de acordo com os seguintes estratos:
* Áreas de baixa incidência: regiões, estados ou municípios com taxa de incidência menor que 100 casos por 100 mil habitantes.
* Área de média incidência: regiões, estados ou municípios com intervalo entre 100 a 300 casos por 100 mil habitantes.
• Áreas de alta incidência: regiões, estados ou municípios com taxa de incidência maior que 300 casos por 100 mil habitantes.
Tabela 2 – Taxa de incidência da Dengue por Região do Brasil
As taxas de incidência em 2006, por região, são as seguintes:
Regiões Taxas de Incidência/100.00habitantes Estratos
Centro-Oeste 453 Alta incidência Norte 222 Média incidência Nordeste 204 Média incidência Sudeste 178 Média incidência Sul 20 Baixa incidência Brasil 185 Média incidência
Fonte: SVS/SES
Fonte: SVS/SES
Figura 3. Distribuição dos Estados por áreas de incidência.
Baixa incidência
Média Incidência
A análise das taxas de incidências por região demonstra que 60% dos estratos se enquadram em média incidência. A situação mais detalhada do nível de transmissão por unidade federada que estão concentrando o maior número de notificações é apresentada abaixo, no descritivo por regiões.
Em outubro de 2006 a Secretaria de Vigilância em Saúde, planejou em 170 municípios a execução do Levantamento Rápido de Índice de Infestação de Aedes
aegypti (LIRAa). Esse levantamento forneceu, aos estados e municípios, o nível de
infestação pelo Aedes aegypti antes do período de maior risco de transmissão de dengue, possibilitando a intensificação das ações de prevenção. Dos municípios programados para realizar o LIRAa, 154 (91%) concluíram esse levantamento, com o envio dos resultados para a Coordenação Geral do PNCD, mas 14 deles (9%) não enviaram a informação. Os resultados do levantamento demonstraram que 33 (21%) municípios
encontravam-se com índices de infestação predial (IIP)1 satisfatório (< 1%); 108 (70%),
com IIP que caracteriza situação de alerta (de 1,0% a 3,9%); 13 (9%) municípios, com IIP em risco de surto (>3,9%); e 2 não realizaram a atividade. A análise dos resultados demonstra que houve um aumento de estratos satisfatórios e uma redução de estratos que indicam risco de surto, quando comparados os anos de 2005 e 2006 (Tabela 2).
Em nosso país está restrito às vilas e cidades, sempre ligado ao periodomicílio e ao domicílio humano. Nas cidades brasileiras é encontrado nos locais de maior concentração humana e raramente em ambientes semi-silvestres ou onde a população humana é rarefeita.
Como já se teve oportunidade de referir, Ae. aegypti cria-se preferivelmente em recipientes de origem antrópica. Por sua vez, a viremia dos indivíduos infectados dura cerca de uma semana. Assim sendo, na combinação desses dois fatores reside a eficiência da transmissão (Forattini, 2002).