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Com o objetivo de compreender os textos do corpus analisado – capas, artigos e cartas de leitores da revista Caros Amigos - descrevemos, inicialmente, as condições sócio-históricas e ideológicas de criação e consolidação da revista, além da esfera de circulação e recepção.

Lançada em 1997, a revista Caros Amigos é o carro-chefe da Editora Casa

Amarela que edita, também, outras revistas, fascículos e livros. É uma revista

mensal, de circulação nacional, distribuída em todo o país, direcionada a um público de elevado nível de conhecimento, de politização e de consciência crítica, já que 91% de seus leitores têm curso superior completo. Tem como distribuidor o DINAP (Distribuidora Nacional de Publicações) e seu lançamento se dá na segunda semana do mês. É editada em papel Off set 90 gramas, apresenta-se em um formato de 27 x 33 cm (fechado), 54 x 33 cm (aberto) e contabiliza, em média, uma tiragem de 48.000 exemplares, dos quais 20 mil são vendidos em bancas e os demais distribuídos aos assinantes.

A organização geral da revista constitui-se da seguinte forma: a capa, que já é contabilizada como a primeira página, apresenta-se por meio de uma linguagem verbo-visual e compõe-se sempre de: uma imagem, as manchetes (chamadas de capa), os nomes dos articulistas, data, créditos.

No interior, logo que se abre a capa, encontra-se já a página 3 ( a contracapa é a página 2), onde estão o editorial, à esquerda, e o sumário, à direita. Abaixo, ficam os dados da Editora Casa Amarela, a citação dos nomes completos dos integrantes do corpo editorial e a editoria a que cada um pertence.

O sumário não apresenta seções: de modo geral, primeiramente traz o número da página, em segundo lugar o nome do articulista e à frente deste, o assunto que será abordado. Não há propriamente citação do título da matéria, mas sim um relato, uma transposição do título para o comentário de algum verbo

discendi, como em: Ana Miranda lembra um dia de 1968; Frei Betto fala de um novo

imperialismo; O doutor José Róiz diz que não sabemos comer; Ricardo Soares narra um drama de rua. Na página 4 há sempre uma performance art da autoria de Guto

132 Lacaz, reconhecido como um “gênio da criatividade”. Esse desenhista expôs sua obra em Paris (MAM), Nova York e nas Bienais de São Paulo e da Coreia. Premiado também como ilustrador, teve bolsa de estudos na Fundação Guggenhein para

performance art. Publicou livro de poesias, criou e apresentou programa de TV.

Geralmente nas páginas 5 e/ou 6 há a seção de cartas dos leitores, a qual é denominada de Caros Leitores.

Sem uma determinação fixa para o número da página, a revista traz quase sempre na mesma sequência, com pequenas variações, as seções com as respectivas assinaturas: Janelas Abertas, por Leo Gilson Ribeiro; Desenhos falados, por Jorge Arbach; um ensaio fotográfico, por assinaturas diferentes em cada mês; entrevistas, sendo uma delas maior e mais importante que é a denominada

Entrevista Explosiva, concedida por uma personalidade de destaque em

determinado campo de atividade, como o econômico, o político, o religioso, o artístico, o esportivo, o filosófico etc.; reportagens e artigos de opinião, pelos repórteres e articulistas da revista; Enfermaria, por Mylton Severiano; O Caso do

Milênio, por Gilberto Felisberto Vasconcellos; República, a seção dos universitários; O caseiro, por Carlos Castelo Branco; tirinhas de humor, por Adão Iturrusgarai; e

sempre na extensão total da última página interior, a de número46, uma charge por Claudius.

Atualmente, seu corpo editorial é formado pelos seguintes profissionais: editor: Sérgio Souza, já descrito anteriormente, editora executiva: Marina do Amaral; editor especial: José Arbex Jr.; secretário de redação: Renato Pompeu; editora de arte: Veruscka Gírio; projeto gráfico: Rafic Farah, Flávia Castanheira e Fernando Valdetaro; editor de fotografia: Walter Firmo; assistente de redação: Thiago Domenici.

Além desses profissionais, há outros que são repórteres e outros que cuidam do setor comercial, da circulação, da publicidade, da assessoria de comunicação, dos correios e da assessoria jurídica. Atualmente, são colaboradores: Ana Miranda, José Arbex Jr., Frei Betto, Emir Sader, Renato Pompeu, Gershon Knispel, Guilherme Scalzilli, Carlos Castelo, Glauco Mattoso, Marilene Felinto, Mylton Severiano, Claudius, Guto Lacaz, Georges Bourdoukan, Gilberto Felisberto Vasconcellos e muitos outros que são considerados “amigos”, segundo palavras dos próprios editores.

133 O número de colaboradores varia de edição para edição, mas há seções assinadas e fixas, entre elas. A revista foge daquilo que é considerado padrão e convenção em termos de estrutura e cotidiano de empresa de jornalismo, isto é, transgride a regra geral. Nas palavras do jornalista Pereira Filho:

Nela as funções se misturam, a cobrança não se faz nem se dá em cima de cargos, salários e produtividade, horas que se passa sentado na cadeira ou quantidade de linhas escritas por mês, não há avaliações ou relatórios mensais de desempenho, as críticas e broncas não são pregadas nos murais de cortiça da redação para que todos possam ver, não existem as políticas de qualidade total, trabalha-se em clima de confiança naquilo que o outro está produzindo e de que ele vai cumprir bem o seu papel, para que então tudo possa sair a contento e a revista vá para as bancas com qualidade e respeito ao leitor. (PEREIRA FILHO, 2004, 121)

Uma pesquisa quantitativa, realizada em agosto/2001, aponta os seguintes resultados quanto ao perfil dos leitores: 72% são homens com idade entre 20 e 49 anos; 91% têm curso superior completo; 19% pós-graduados. Esse nível de escolaridade se reflete nas classes econômicas: A (17%), B (49%) e C (30%). Além disso, 55% - pouco mais da metade - são solteiros e trabalham (67%); 75% têm acesso à internet, 22% recebem o Correio Caros Amigos semanalmente; 32% visitam o site com certa regularidade.

No que diz respeito a como a revista Caros Amigos é encarada pelos leitores, obtiveram-se os seguintes resultados: 89% a consideram uma publicação "objetiva“; 87% a avaliam como "independente“; 86% como "verdadeira“; 79% como "indispensável“. Uma média de 16% dos respondentes declarou passar a revista para outras pessoas após a leitura, evidenciando a importância que ela tem, tanto do ponto de vista mercadológico, quanto institucional.

Segundo opinião da própria revista, os leitores são mais que formadores de opinião – são cidadãos que têm participação ativa nas comunidades em que trabalham e vivem: são vereadores, prefeitos, deputados, professores, profissionais liberais, lideranças estudantis e sindicais, diretores de ONG‟s, enfim, pessoas preocupadas e atuantes em busca de um Brasil melhor, mais justo e feliz.

No que concerne ao formato da revista, Caros Amigos é bem maior do que as revistas comuns: 27 centímetros de largura por 33 de altura – um tamanho grande na esfera editorial. Há componentes que ocupam partes da cenografia cristalizada da capa dessa revista: o nome da revista na parte superior, com variações de cores em cada mês, os nomes dos articulistas e colaboradores na

134 parte inferior. No canto direito, bem no alto, os dados do ano de edição, número e data, valor (créditos da revista). Na parte central, ora mais para a direita, ora para a esquerda, a imagem que sempre é o foco da visão. Os títulos das chamadas de capa parecem constituir um segmento-síntese da revista como um todo.

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