404 Oseanografi og klima
67 transport routes to the Barents Sea. Årsmøte 2004 for
A ideia de resistência a uma realidade posta é uma característica da história humana, que Gohn (2000) afirma ser o fundamento da existência dos movimentos sociais. Diante do conflito social existente, resultante de carências que se transformam em uma demanda social, que pode ser de diferente natureza, reivindica-se uma nova realidade. Em outros casos, o pensar e as ações de um movimento social pode se dá pela conservação de aspectos de uma realidade ou reposição de algo que foi alterado.
As características fundamentais de um movimento social são que este reflita um conflito social, a partir de uma demanda da própria realidade, se oriente por uma teoria que dialogue, constantemente, com as ações deste movimento, que o movimento constitua um poder político com a sua base, ou seja, com o grupo maior que reivindica o mesmo objetivo.
Esses fatores conferem às ações dos movimentos caráter reativo, ativo ou passivo. Não bastam as carências para haver um movimento. Elas têm que se traduzir em demandas, que por sua vez poderão se transformar em reivindicações, através de uma ação coletiva (GOHN, 2000, p. 13).
No que se refere às demandas dos camponeses anteriormente discutidas na perspectiva da questão agrária no Brasil, a partir do final da década 1970 e início dos anos 1980 o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST se consolida como um movimento com uma estrutura orgânica, de luta pela reforma agrária no Brasil. Representando uma síntese dos diversos movimentos que vinham travando essa luta no país. Tendo como marco inicial o I Encontro Nacional dos Trabalhadores Sem Terra,
realizado na cidade de Cascavel no Paraná em janeiro de 1984. Se consolidando então como um movimento, com hino, bandeira própria, diretrizes e lutas políticas mais definidas.
Para intensificar a luta pela reforma agrária, adotaram como estratégia principal, as ocupações de terras improdutivas, por meio de acampamentos, de trabalhadores rurais, exigindo do governo a desapropriação das terras ocupadas para construção dos assentamentos. Reafirmando a ocupação do latifúndio como principal estratégia de luta pela terra e a mobilização em massa dos Sem terras como o jeito de fazê-la.
Como afirma Caldart (2012) o MST tem na reforma agrária a bandeira fundamental e está presente nessa estratégia a defesa por uma sociedade igualitária, onde questões essenciais como a justiça social, a saúde e a educação fazem parte. Nesse sentido o Movimento tem o papel de articular a mobilização e a organização das famílias assentadas.
Com isso o MST, juntamente com outros movimentos sociais, as forças progressistas, propõem uma nova perspectiva a chamada Reforma Agrária Popular, que parte do debate de que o Brasil enfrenta um grave problema agrário, a concentração da propriedade da terra, e que, portanto, para resolver esse problema, é necessário realizar um amplo programa de desapropriações de terra, acrescentando uma série de elementos sociais para se adequar, ou dar conta de uma série de desafios que surgiram na nova conjuntura do campo e da cidade.
Integra relações amplas entre o ser humano e a natureza, que envolve diferentes processos que representam a reapropriação social da natureza, como negação da apropriação privada da natureza realizada pelos capitalistas. Implica em um novo modelo de produção e desenvolvimento tecnológico que se fundamente numa relação de co-produção homem e natureza, na diversificação produtiva capaz de revigorar e promover a biodiversidade e em uma nova compreensão política do convívio e do aproveitamento social da natureza (MST, 2014, p. 33).
Essa construção envolve diversas forças populares, oriundas da organização dos trabalhadores do campo e da cidade, se apresenta como uma forma de enfrentamento as investidas do capital nacional e estrangeiro no campo, ao passo que busca construir relações de trabalho e organizações sociais no campo com base nos aspectos anteriormente apresentados.
O MST (2014) apresenta, na atualidade como um dos grandes desafios para a construção da Reforma Agrária Popular, na atualidade seguintes aspectos: Resolver
problemas concretos de toda população do campo, democratizar a distribuição das terras ao mesmo tempo em que busca produzir alimentação saudável para toda a população.
Busca mudanças estruturais na forma de usar os bens da natureza, que pertencem a toda sociedade, na organização da produção e nas relações sociais no campo. Queremos contribuir de forma permanente na construção de uma sociedade justa, igualitária e fraterna (MST, 2014, p. 34).
Essa é a perspectiva atual que o Movimento vem buscando construir tanto na luta pela conquista da terra, quanto para organização social dos assentamentos de reforma agrária. Todos esses aspectos são referências, em tese, que orientam a organização dos assentamentos.
Pensar um projeto popular de reforma agrária é construir um Estado forte que intervenha para alterar a estrutura fundiária, que assegure a soberania alimentar, criando empregos produtivos, não a exploração dos trabalhadores do campo. Ao mesmo tempo gere renda, possibilitando “o desenvolvimento do mercado interno, a eliminação do êxodo rural e a proteção ambiental, que seriam políticas essenciais para um projeto de país” (STÉDILE, 2013, p. 15).
Compreender a organização social de um assentamento de reforma agrária é situar esse território, no âmbito dessas discussões, considerando, sobretudo, que estes assentamentos são frutos das políticas governamentais e que não estão isentos dessas disputas de projetos de organização de ordem capitalista, bem como reconhecer que o MST, tem buscado ser o agente de organização desses sujeitos assentados, de acordo com seu projeto de assentamento e consequentemente de sociedade. E que nesse projeto, em sua organicidade, como afirmam os próprios Sem Terra, a formação da base por meio de uma educação progressista, revolucionária é indispensável.
Segundo Dalmagro (2003) o MST tem se apresentado, na atualidade, como um importante movimento de enfrentamento ao capitalismo e de construção de novas formas de organização e convívio social, quando assume ao mesmo tempo a luta pela conquista da terra e a organização sociocultural dos assentamentos, buscando construir um projeto alternativo resistente as investidas do capitalismo no campo.
Nesta proposta incluem distribuição de terra, preservação ambiental, a agricultura camponesa acesso à educação entre outras coisas. Além de ampliar os debates em outros movimentos sociais, e universidades buscando cada vez mais apoio da sociedade.