9.1 Vedlegg 1: Transkripsjon av intervju;
9.1.2 Transkripsjon case 2
A partir do século XIX surgiram vários modelos de desenvolvimento urbano, em busca de solução para os problemas decorrentes do grande processo de urbanização das cidades europeias, na tentativa de se criar a cidade ideal, tidos como teorias, que se tornaram utópicas, a exemplo das ideias de Fourier, com o falanstério, de Howard que idealizava a Cidade-Jardim, e de Tony Garnier, com a teoria da cidade (Choay,1965).
O mesmo autor afirma que naquela época, grandes cidades como Londres e Paris, apresentavam crescimento populacional bastante acelerado, no período da Revolução Industrial, quando grandes contingentes populacionais migravam do campo para a cidade em busca de trabalho, e então se criaram grandes aglomerados populacionais nos quais as pessoas que pertenciam à classe operária viviam em péssimas condições de vida, principalmente de higiene, muitas delas sem ter onde morar, ou habitando em locais insalubres e desconfortáveis. Houve então a partir daí uma grande discussão em diversas áreas do conhecimento na busca por soluções para estes chamados ―problemas urbanos‖. Naquela época, da revolução industrial, dos movimentos sociais e dos racionalismos que emergiam ainda não se tinha um conceito de Urbanismo aprimorado, e nem o
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mesmo era considerado como uma área do conhecimento ou ciência de organização dos espaços urbanos, o que só acontece alguns anos depois, no início do século.
As primeiras cidades-industriais foram as vilas operárias construídas, no século XIX, junto às fábricas a partir do pensamento progressista de Owen, Fourier e Godin e da prática de Owen em New Lanark (Choay,1965).
De acordo com Andrade (2009), as primeiras iniciativas na Inglaterra de empreendimentos habitacionais em harmonia com a paisagem ocorreram na fase pré-urbanista do século XIX, e foram desenvolvidas por empresários filantrópicos, preocupados com a qualidade de vida de seus empregados.
Entre elas, a vila modelo de New Lanark de Robert Owen (1817) como mostra a Figura 18 e a Foto 2, o palácio social de Fourier (1822) e a vila de Saltaire de Sir Titus Salt (1851), Figura 19 e Foto 3.
Figura 18- Planta da Vila New Lanark de Robert Owen (1817).
Fonte: http://pt.scribd.com/doc/46955707/AULA- 2-IPOG-PRATICAS-URBANISTICAS-SECULO- XVIII-E-SECULO-XIX
Foto 2 - Vista aérea da Vila New Lanark Fonte: http://pt.scribd.com/doc/46955707 /AULA-2-IPOG-PRATICAS-URBANISTICAS -SECULO-XVIII-E-SECULO-XIX
Figura 19- Plano de Vila de Saltaire de Sir Titus Salt (1851).
Fonte:
http://greyink.com.au/2011/12/08/welfare- capitalism/
Foto 3 - vista geral da vila residencial da Vila de Saltaire
Fonte:
http://www.eesc.usp.br/nomads/SAP5846/mono_ Monica.pdf
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De acordo com Benévolo (1997), a experiência concreta do industrial se deu em 1825, com a fundação de uma comunidade modelo no Estado da Pennsylvânia, Estados Unidos. New Harmony, Figura 20, denominação dada pelo próprio idealizador, Robert Owen. Fora construída em 30.000 acres de terra sendo dotados de habitações, edifícios públicos, escolas, bibliotecas, armazéns, lavandaria, estabelecimentos industriais, matadouro e moinho entre outras edificações necessárias ao seu pleno funcionamento autónomo.
Figura 20 - Ilustração de New Harmony com as edificações residenciais contornando sua forma regular e as edificações que completavam seu programa de necessidades.
Fonte: Cunha (2008 ).
Choay (1965) refere-se à comunidade elaborada por Owen como um modelo de convivência ideal: uma cidadezinha para uma comunidade restrita, que trabalhe coletivamente no campo e na oficina e que seja autossuficiente, possuindo dentro de si todos os serviços necessários. Depois de várias tentativas surge New Harmony, em Indiana nos Estados Unidos. A mesma autora afirma que deste modo, Owen acreditou ser possível não apenas estabelecer uma ordem urbana, mas favorecer a formação de um ―homem novo‖ a partir de um ―novo habitat‖.
Benévolo (1997) lembra que concomitantemente, compartilhando da ideologia planejadora de Owen, o francês Charles Fourier propôs também um espaço inteiramente planejado como solução para a cidade industrial. Fourier, porém, baseou-se em um sistema filosófico e político desenvolvido por ele mesmo para propor um grande edifício onde as relações entre os homens pudessem ser otimizadas. Choay (1965) afirma que, Fourier ao entender a diversidade de posições sociais e de funções da cidade como um problema, projetou um edifício monumental onde um número máximo de pessoas – cerca de 1620 - deveria se alojar de forma a ativar um modo ideal de ocorrência das relações entre os diversos papéis exercidos por elas na sociedade. Propunha assim a coexistência das múltiplas funções em um espaço rigorosamente organizado ao qual deu o nome de Falanstério, Figura 21.
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Figura 21 – Ilustração do Falanstério de Fourier: um edifício regular onde seria possível desenvolver um modo de produção e consumo em que os homens desenvolveriam suas capacidades de maneira adequada e menos egoísta melhorando as condições de vida em sociedade.
Fonte: Cunha (2008 ).
Segundo Benévolo (1997), o modelo de Fourier constituiu-se como uma espécie de ―edifício- cidade‖ e não propriamente como uma aldeia de cooperação como no caso de Owen. O próprio Fourier descreveu-o minuciosamente como um palácio monumental em forma de ferradura tal como Versailles, com um pátio central e vários pátios menores. Nele, a vida deveria desenvolver-se ―como em um grande hotel, com os velhos alojados no térreo, as crianças no mezanino e os adultos nos andares superiores‖. Por meio de uma análise das funções humanas, seu idealizador teria chegado até mesmo a localizar separadamente as diversas formas de trabalho - industrial liberal e agrícola - em áreas setorizadas (Choay, 1965). A autora afirma que [...] o espaço urbano é traçado conforme uma análise das funções humanas. Uma classificação rigorosa instala em locais distintos o habitat, o trabalho, a cultura e o lazer. Assim, a forma de vida proposta através do Falanstério não só ―corrigiria os defeitos‖ da cidade real como ofereceria à sociedade industrial uma ordem material dotada de qualidade estética e funcional.
Muitas outras vilas operárias, vieram depois com o objetivo de melhorar a vida dos trabalhadores, entre elas estão Bourniville, Figura 22 e Port Sunlight Figura 23.
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Figura 22 - Bournville (construído a partir de 1894 pela fábrica de chocolates Cadbury). Fonte: http://www.british-history.ac.uk/report.aspx?compid=22961
Figura 23 - Port Sunlight (criado a partir de 1888 pela indústria de sabonetes Lever. Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.042/637
Para Choay (1965), Bourniville e Port Sunlight Village, foram assentamentos situados próximos às indústrias para proporcionar melhores condições de vida aos trabalhadores. Todas as implantações e construções foram custeadas pelos industriais sem expectativas de retorno financeiro.
De acordo com Newton citado por (Choay, 1965), o desenho de Port Sunlight Village foi pensado em moradias com jardins individuais e grandes áreas de espaços públicos abertos, com áreas de estacionamento, talvez a primeira ideia de superblocks identificados posteriormente em Radburn nos EUA, Figura 24.
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Figura 24 – Radbum, uma comunidade planeada, foi iniciada em 1929, desenvolvida por Clarence Stein e Henry Wright. O conceito de "cidade nova" cresceu a partir das comunidades mais antigas planejados na Europa e no trabalho de Ebenezer Howard e Geddes Patrick.
Fonte: http://www.radburn.org/geninfo/radburn-intro.html
Para Correia (2001), a incorporação dos padrões urbanísticos associados ao modelo Cidade-Jardim tem longa tradição na história dos núcleos empresariais criados por fábricas e empresas de minério. Os núcleos fabris ingleses de Bromborough Pool, Figura 25 (fundado em 1853 pela fábrica de velas e lubrificantes Prices's Patent Candle Company), Port Sunlight (criado a partir de 1888 pela indústria de sabonetes Lever) e Bournville (construído a partir de 1894 pela fábrica de chocolates Cadbury), com seu tamanho limitado, suas generosas provisões de espaços verdes, suas casas dotadas de generosos jardins e, no caso dos dois últimos, com traçado urbano solidário com as linhas do relevo, são precursores do modelo espacial adotado em Cidades-Jardim.
Figura 25 - Bromborough Pool (fundado em 1853 pela fábrica de velas e lubrificantes Prices's Patent Candle Company).
Fonte: http://www.francisfrith.com/bromborough-pool/maps/
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Figura 26, concebida por Unwin e Parker e edificado a partir de 1902 pela fábrica de chocolates Rowntree, é um exemplo relevante na Inglaterra. Kiruna - construído em 1900, na Suécia, com projeto do arquiteto Per Hallman - revela influências da tradição romântica e pitoresca de Olmsted e do movimento das Cidades-Jardim, configurando um plano que tem como ponto de partida a paisagem. Nos Estados Unidos, esta tendência encontrou expressão, por exemplo, nos projetos de expansão e reforma de núcleos fabris elaborados pelo arquiteto-paisagista Earl Draper, no período posterior à Primeira Guerra, dentre os quais o de Chicoppe, construído na Georgia, em 1925, pela Johnson & Johnson (Correia, 1998).
Figura 26 - New Earswick, concebido por Unwin e Parker e edificado a partir de 1902. Fonte: http://yorkutopias.blogspot.pt/2010/01/new-earswick-garden-village-1902_14.html
Essas vilas foram concebidas de modo a proporcionarem melhores condições de trabalho aos empregados, ao passo que se acreditava que os conjuntos habitacionais desenvolvidos junto às fábricas e implantados próximo ao campo poderiam ter um efeito saudável sobre os trabalhadores o quê, consequentemente, retornaria em benefícios para a indústria (Andrade, 2009).