• No results found

Transkribering HR-leder

In document “Digital Onboarding” BCR3103 (sider 78-94)

O núcleo abre suas portas à comunidade todos os dias de segunda à sexta feira. Este trabalho é feito há 17 anos, quase de modo ininterrupto e praticamente no mesmo endereço. Tendo atendido a mais de cinco mil casos, criou-se um sentido de continuidade e uma confiança de que os moradores podem contar com o núcleo a qualquer tempo. Diante do mal exemplo de políticas publicas passageiras e eventuais, este trabalho em mediação vem demonstrando ter efetividade; seriedade e confiabilidade, se constituindo em paradigma positivo dentro do espectro das políticas públicas para as comunidades.

As mediações realizadas no núcleo ao longo de sua existência formam um corpo de experiências ricas em transformação emocional e educação afetiva. O núcleo acolhe amorosamente a todos que lá chegam, proporcionando vivências em Cultura de Paz e plantando a semente da transformação interior. A mediação em Parangaba proporciona valorização da voz e dos sentimentos de todos os envolvidos. O trabalho do

núcleo é um testemunho positivo de que na Grande Parangaba há excelentes iniciativas em favor da solução pacífica dos conflitos.

A grande contribuição para o empoderamento e a autonomia da comunidade na resolução de suas próprias controvérsias é plenamente constatável. A experiência do trabalho comprova fartamente o pressuposto da Cultura de Paz de que, se bem estimuladas às pessoas conseguem resolver de modo pacífico e colaborativo suas controvérsias. É notório que seja qual for à classe social, escolaridade ou cultura, qualquer pessoa que seja acolhida no modelo de atendimento da mediação poderá desenvolver a capacidade autonomia na resolução de seus conflitos.

O trabalho em mediação na Grande Parangaba conseguiu e ainda consegue unir em torno de sim um significativo grupo virtuoso de pessoas dedicadas à causa da mediação e da Cultura de Paz. Estas pessoas aprendem e ensinam; deixam e levam saberes; se desenvolvem e também ajudam outros a se desenvolverem humana e afetivamente. Há dentre as várias figuras que compõem o material humano do núcleo exemplos, emblemáticos do poder benéfico da mediação, como Dona Pedrina Marta e senhor Francisco Avelino, pessoas de alma imensa e que põem um “tempero especial” na espiritualidade da mediação na Grande Parangaba.

É importante não pensar comunidade do núcleo apenas como a do entorno, mas de modo amplo, pois o publico do núcleo é a Grande Parangaba e não somente a comunidade mais próxima. Esta é uma lição que o núcleo precisou aprender para melhor servir ao povo, portanto o núcleo trabalha em parceria com órgãos e entidades publicas da Grande Parangaba. Esta parceria garante que em todo o bairro exista a divulgação e a indicação dos trabalhos do núcleo. Órgãos como delegacias, entidades de assistência social e outros, são os responsáveis por enviar casos para o núcleo. O núcleo desde seu inicio dependeu deste apoio e ainda continua precisando. Percebemos que é preciso um melhor trabalho de divulgação e acompanhamento junto a estes órgãos, já que percebemos defasagem neste trabalho de propaganda.

Durante a pesquisa percebemos um ponto que deve ser revisado pelos mediadores é a desvalorização dos casos que não se enquadram no padrão teórico da mediação que ressalta os casos emocionalmente complexos e com relações continuadas. A partir disto, os casos que não envolvem família, vizinhança, ou relações afetivas continuadas são considerados de menor importância. A teoria convencional estabeleceu

este Canon que precisa de revisão sob pena de não conseguirmos ver a beleza especial de cada caso em si. Não podemos fazer da complexidade emocional um fetiche. Mesmo casos que tratem de relações passageiras e pontuais lidam com pessoas humanas que precisam de apoio e acolhimento. Não podemos prejulgar e pré estabelecer um peso maior ou menor para os resultados da mediação, pois mesmo em casos de relações passageiras o beneficio da mediação pode trazer afeto, transformação, amor, cuidado e acolhimento.

O núcleo desenvolve uma atividade que pode e deve ser posta em relevo como uma iniciativa de educação popular em Cultura de Paz, neste sentido, pensamos que seja importante haver um educador no núcleo com a função de receber a comunidade, estudantes e pesquisadores. Este mediador/educador poderia ciceronear as visitas ao núcleo, facilitando o acesso às informações, dados e conhecimentos sobre a mediação ali realizada e em geral. O potencial educacional da mediação é abrangente e é preciso pensar e repensar novas ideias para melhor aproveitar e divulgar os saberes da mediação.

O programa através de sua coordenação geral poderia realizar uma reestruturação no processo de estatísticas, aperfeiçoando para o futuro e dando melhor organização as do passado. Organizar didaticamente os dados seria importante. Dar aos dados referenciais únicos ao longo dos anos permitiria melhor compreensão dos números ao longo da historia do núcleo.

O núcleo desenvolve um excelente trabalho construindo uma Cultura de Paz na Grande Parangaba e tudo indica que este trabalho continuará. Para o bairro de Grande Parangaba é uma experiência grandiosa ter este núcleo fomentando a resolução pacífica dos conflitos e ajudando a comunidade a evoluir social e afetivamente.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Escutatória. In: Rubens Alves Instituto [sitio].

<http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_03.php> Acessado em: 22/ 05/2013. ALMEIDA, Sinara Mota Neves. Avaliação da violência no espaço escolar e

mediação de conflitos. 2009. 190 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira Fortaleza-CE, 2009.

BECKER, Howard S. Métodos de pesquisa em ciências sociais. São Paulo: 14 Hucitec, 1997.

BIANCO, Fernanda Silva. As gerações de direitos fundamentais. In: Direito net [sitio]. <http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/3033/As-geracoes-de-direitos-

fundamentais> Acessado em: 02/03/2014.

BOFF, Leonardo. Como definir a paz. In: Leonardo Boff [sitio]. <www.leonardoboff.com> Acessado em: 07 de março de 2014.

BONAVIDES, Paulo. O direito à paz como supremo direito da humanidade. Folha de

São Paulo, São Paulo, 03 dez. 2006 Disponível

em:<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0312200609.htm> Acessado em: 10 de junho de 2013.

BOGDAN, Robert e BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em educação: uma

introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Ed, 1994.

BOURDIEU, Pierre et al. El oficio de sociólogo. 11. ed. Madrid, Espanha: Siglo Vientiuno, 1988.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1989. BUSSAB, 2006 Wilton. Estatística Básica. São Paulo:Saraiva, 2006.

BUSH, Robert A. Baruch; FOLGER, Joseph. Transformative Mediation: A Self- Assessment. In: My AccountContact UsAboutHome Scholarly Commons at

Hofstra Law [sitio]. <http://scholarlycommons.law.hofstra.edu/faculty_scholarship >

Acessado em: 16/01/2016.

BRANDÃO, Denise M. S.; CREMA, Roberto. O novo paradigma holístico: ciência,

filosofia, arte e mística. São Paulo: Summus, 1995.

BRITO, Gilton Batista. O acesso à justiça, a teoria da mediação e a resolução 125/2010 do CNJ. Revista da Ejuse. Doutrina , São Paulo, n. 20, 2014.

CARDOSO, Marcio Adriano; SILVA, Karine Quadros da. Paulo Freire: um referencial para a cultura de paz. Revista Praksis, Novo Hamburgo, v.2, p. 9-14, jul./dez. 2013..

<googleusercontent.com/

search?q=cache:szBISdX0mScJ:periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistapraksisr>. Acessado em: 04/09/2016

CALMON, Petrônio. Fundamentos da mediação e da conciliação. Rio de Janeiro: Forense, 2008.

CAPUTO, Stela Guedes. Sobre entrevistas. Petrópolis: Vozes, 2006.

CEARÁ. MINISTÉRIO PÚBLICO. PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA

Código de ética do mediador comunitário. Fortaleza, 2008.

CEARÁ. MINISTÉRIO PÚBLICO. PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA

Regimento Interno do Programa dos Núcleos de Mediação Comunitária do Ministério Público do Estado do Ceará. Fortaleza, 2008.

CEARÁ. MINISTÉRIO PÚBLICO. PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA

Regulamento do processo de mediação comunitária dos Núcleos de Mediação Comunitária do Ministério Público do Estado do Ceará. Fortaleza, 2008.

CHARMAZ, K. Constructivist and objectivist grounded theory. Handbook of

qualitative research. Thousand Oaks, Califórnia: Sage, 2000.

CONIMA. Código de ética para mediadores. Brasília, 2015. In: Conima [sitio]. <Phttp://www.conima.org.br/codigo_etica_med>. Acesado em: 20/06/2015.

CREMA, Roberto. Abordagem holística: integração do método analítico e sintético. O novo paradigma holístico: ciência, filosofia, arte e mística. São Paulo: Summus, 1991. D’AMBROSIO, Ubiratan. Cultura de paz e pedagogia da sobrevivência: palestra 26 abril 2008. In: ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA. Cultura de paz: da reflexão à ação: balanço da Década Internacional da Promoção da Cultura de Paz e Não Violência em Benefício das Crianças do Mundo. Brasília: UNESCO; São Paulo: Palas Athena, 2010. DEL PRETTE, Michelle Girade Pavarino Almir; DEL PRETTE Zilda A. P. O

desenvolvimento da empatia como prevenção da agressividade na infância. Revista da

Universidade Federal de São Carlos, São Carlos (SP), v. 36, n. 2, p. 127-134, maio/ago, 2005.

DESCARTES, René. Discurso do Método. In: Acrópolis [sitio]. <http://br.egroups.com/group/acropolis> Acessado em: 15/06/2009.

DOMINGUES, Renato Valladares. A paz perpétua de Immanuel Kant. Revista Jus

Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3651, 30 jun. 2013. Disponível em:

<https://jus.com.br/artigos/24799>. Acesso em: 26 out. 2016

ESCOLA SUPERIOR DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO CEARÁ (ESMEC). Núcleo de Mediação Comunitária de Parangaba completa 10 anos. In: ESMEC [sitio]. < http://esmec.tjce.jus.br/ nucleo-de-mediacao-da-parangaba-completa-10-anos-e- convida-para-festa/>. Acessado em: 20/05/2015.

NÚCLEO, de Mediação modifica a Parangaba. O Estado, Fortaleza, 01 jul. 2010. Disponível em: http://www.oestadoce.com.br/geral/nucleo-de-mediacao-modifica-a- parangaba. Acessado em: 20/05/2015.

FERRARI, Maria Helena; SODRÉ, Muniz. Técnica de reportagem. São Paulo, Summus, 1986.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da língua

portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

FELIPE, Ana Paula Faria. Mediação associativa: um caminho para a mudança social. In; Jus.Com.Br. [sitio]. <https://jus.com.br/artigos/56923/mediacao-associativa-um- caminho-para-a-mudanca-social>. Acessado em: 12/03/2017.

FEMOCOPI. História da criação da mediação na comunidade do Pirambu. In: Blog

Núcleo do Pirambu [sitio]. < http://nucleopirambu.blogspot.com.br/p/nossa-

historia.html > Acessado em: 20/03/2016

FREIRE, Ana Maria Araújo (Nita). Educação para a paz segundo Paulo Freire. Revista

Eletrônica da PUC-RS, Porto Alegre, v. 29, n. 2, 2006. <

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/449/345> Acessado em: 22/05/2015.

FREIRE. Paulo. Pedagogia da esperança. São Paulo: Paz e Terra, 2000. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação familiar. Salvador: Alvorada, 2008.

FOLEY, Gláucia Falsarella. A justiça comunitária para emancipação. In: SPENGLER, Fabiana Marion; LUCAS, Doglas César (org.). Justiça restaurativa e mediação: políticas públicas no tratamento dos conflitos sociais. Ijuí: Unijuí, 2011.

FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

GASPARETTO, Antonio, Junior. Neoliberalismo. In: Infoescola [sitio]. < http://www.infoescola.com/historia/neoliberalismo> Acessado em: 12/03/2016.

GATTI, B. A. Grupo focal na pesquisa em ciências sociais e humanas. Brasília, DF: Liber, 2005.

GALTUNG, Johan. Três formas de violência, três formas de paz. A paz e a guerra e a formação social indo-europeia. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra (PT), v. 71, p. 63-75, Jun. 2005. <http://www.ces.uc.pt/publicacoes/rccs/artigos/71/RCCS71- Johan%20Galtung-063-075.pdf> Acessado em: 06/06/2012.

GALTUNG, Johan. Entrevista sobre a mediação de conflitos. In: Mediação Brasil

[sitio]. Rio de Janeiro, março de 2012.Entrevista concedida a Professora Vivian Gama. <http://mediacaobrasil.com/entrevista-com-professor-noruegues-johan-galtung/>. Acessado em: 02/02/2017.

GIESBRECHT, Ralph Mennucci. Ferrovias do Ceará e Parangaba. In: Estações

Ferroviárias.Com [sitio], Fortaleza, 2016.

<http://www.estacoesferroviarias.com.br/ce_crato/parangaba.htm>. Acessado em: 08/05/2016.

GOHN, Maria da Glória. Teorias dos movimentos sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Loyola, 1997.

GRINOVER, Ada Pellegrini; SADEK, Maria Tereza; WATANABE, Kazuo;

GABBAY, Daniela Monteiro; CUNHA, Luciana Gross. (Coord.). Estudo

In document “Digital Onboarding” BCR3103 (sider 78-94)