• No results found

TRANSKRIBERING AV INTERVJU MED BOGARTS REPRESENTANTER

O anúncio e a denúncia, a defesa constante da vida são características marcantes na poesia de Patativa do Assaré. Seu posicionamento político em relação à vida do povo nordestino não deixa dúvidas do papel que exercia na sociedade.

Vários são os significados para a palavra profeta. Aqui, serão atribuídos ao poeta de Assaré aqueles que mais se aproximam de sua visão de mundo, de povo, de Igreja e de compromisso social. Tais significados estão intimamente ligados ao seguimento de Jesus de Nazaré, afinal ele próprio viveu dentro da história dos seres humanos, e ocupou por assim dizer, seu lugar determinado.

O Segundo Testamento124 nos diz que os grandes profetas foram Moisés, Elias João

Batista e, sobretudo Jesus de Nazaré. Jesus, sendo a Palavra em pessoa, realiza em si mesmo, em sua vida, atitudes, gestos e pregação, a plenitude da profecia. Sua existência histórica, sua morte e ressurreição devem ser entendidas não só como cumprimento das profecias, como testemunho permanente do mistério de Deus, como anúncio de seu desígnio de amor, como convite à conversão, como luz que revela o segredo de toda a história e de cada momento. O profeta é um intermediário entre Deus e o seu povo, um enviado de Deus ao povo e representante do povo junto a Deus. Os profetas são os que corrigem e exortam o povo de

123ASSARÉ, Patativa do. Cordéis e Outros Poemas. Fortaleza: Editora UFC, 2008, p. 83. 124

Deus, denunciam os erros, os pecados e mostram os caminhos do Evangelho e da conversão, não somente por sua palavra, mas sobretudo, por sua vida.

A respeito de Jesus profeta, José Comblin125 diz:

Jesus tinha consciência de ser um profeta. Entendeu sua missão dentro das categorias da religião de Israel e identificou-se com os profetas. Entre ele e os profetas do Antigo Testamento, embora havendo diferenças, as semelhanças eram tão grandes que ele atribuiu a si próprio o título de profeta – do mesmo modo que lhe foi atribuído também pelo povo.

[...] Jesus era profeta. Como profeta podia ser reconhecido e identificado pelo seu povo. Sem essa identificação, ele não teria sido nada.

Jesus estava em continuidade com os profetas de Israel. Não somente era um profeta semelhante a eles, mas realizou o modelo – o exemplo perfeito de profeta. Desse modo os profetas da antiga Lei foram vistos como precursores, como preparações do papel profético de Jesus. Nessa condição, Jesus inaugurou um novo jeito de ser profeta – que passa a ser modelo desde então e que perdura até hoje. Jesus está no centro da história do profetismo. Ninguém foi igual a ele, mas todos se referiram ou se referirão a ele como profeta.

[...] A missão de Jesus não era política, no sentido de que não queria restaurar a antiga teocracia que havia em Israel antes do exílio. Mas era política, no sentido moderno da palavra, porque questionava toda a estrutura da sociedade. Hoje o problema político fundamental não é a guerra e sim a estrutura da sociedade. Hoje, o profeta é político no sentido de Jesus: critica os governantes que querem manter as estruturas estabelecidas que são injustas.

O povo identificou Jesus como profeta, porque suas manifestações eram as de um profeta. Os evangelistas, ao escreverem entre 40 e 50 anos depois da morte de Jesus, sabiam e proclamaram que Jesus era mais do que um profeta, pois depois da ressurreição aconteceu todo um processo de reinterpretação de Jesus pela fé dos discípulos e discípulas.

Mas, durante a sua vida terrestre, Jesus ficou conhecido como profeta. Os evangelhos sugerem que sim, em primeiro lugar, por causa dos milagres – nos quais se manifestam os sinais da presença ativa de Deus. Jesus foi sobretudo identificado com os profetas Elias e Eliseu. Em verdade, os profetas escritores não deixaram a memória de grandes milagres. Elias, porém, era muito popular em Israel nos tempos de Jesus e os evangelhos lhe atribuem um grande valor.

Um segundo elemento que assemelha Jesus aos profetas é a perseguição. Jesus identifica-se com eles porque foi perseguido como eles.

Jesus coloca-se na categoria dos profetas pelas perseguições sofridas. Jesus, como profeta, anuncia, denuncia e ameaça.

125

Jesus não faz uma oposição direta às autoridades civis ou militares, ao imperador, ao procurador ou ao exército romano. No tempo de Jesus, o imperador estava longe e não havia recebido nenhum mandato para conduzir o povo de Deus, como os antigos reis de Israel. Porém, a proclamação da chegada do reino de Deus não podia não ser entendida como uma crítica radical do reino de César. Jesus foi denunciado ao procurador romano como um perigoso subversivo e foi condenado à morte pelo procurador romano. Pôncio Pilatos, ao condená-lo, não podia deixar de descobrir em Jesus um perigo para a segurança do Império Romano. O novo sempre causa temor e tremor.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil126, em uma conceituação mais ampla,

definirá que os profetas são todos aqueles por meio dos quais a revelação de Deus foi comunicada na história da salvação. Os profetas viveram uma profunda experiência de Deus, origem de sua vocação, a partir da qual, iluminados pelo Espírito, interpretavam os acontecimentos e proclamavam os juízos de Deus sobre eles, revelando as intenções divinas sobre a história, denunciando os pecados e infidelidades do povo e de seus dirigentes, chamando à conversão e apontando os caminhos a serem percorridos na fidelidade aos desígnios divinos. São pessoas tomadas pela Palavra.

José Comblin127 afirma que:

O profeta transmite as palavras de Deus, que são palavras com autoridade e força para destruir o pecado do povo, o pecado de sua infidelidade e traição à sua missão, para enfrentar os falsos profetas, os falsos pastores que são os chefes do povo. Os profetas são a “consciência viva do povo”, a presença do juízo de Deus condenando os falsos pastores que enganam o povo e o afastam de sua vocação.

[...] O profeta é a pessoa que se responsabiliza pelo povo, que se identifica com o povo real e autêntico. [...] Ao mesmo tempo se identifica com seu povo e é rejeitado por ele.

[...] O profeta é a pessoa que se aproxima de Deus e conhece seus segredos na medida em que um homem pode conhecê-los. Ele se aproxima de Deus em nome de seu povo e Deus o chama para conhecê-lo em nome de seu povo.

No vocabulário de notas temáticas da Bíblia do Peregrino128 encontra-se a seguinte

definição:

126CNBB. Evangelização e missão profética da Igreja – novos desafios. 3.ed. São Paulo: Paulinas, 2006, p.

22-24.

127 COMBLIN, José. Jesus Cristo e sua missão – breve curso de Teologia – tomo I. São Paulo: Edições

Paulinas, 1983, p. 48.

128

O profeta é um homem de Deus, um homem do espírito, um homem da palavra. Confidente e mensageiro de Deus, capacitado e inspirado pelo espírito para a sal missão de proclamar a palavra de Deus. Escolhido, nomeado e enviado por Deus, deve transmitir apenas a mensagem de Deus dando-lhe sua forma e estilo próprios. É também intercessor em favor do povo; sentinela que lança o brado de alarme, fiscal que denuncia, defensor de inocentes. Por possuir esse nome, está fora da pura instituição, enfrenta sacerdotes e reis, é testemunha e agente da soberania de Deus acima das instituições que Deus mesmo criou ou consagrou.