Fortin (2003) define amostra como sendo um subconjunto de uma população ou de um grupo de sujeitos que fazem parte de uma mesma população. Por sua vez, população é entendida como o conjunto de todos os indivíduos ou outros elementos de um grupo bem definido, que têm em comum uma ou mais características semelhantes, na qual
48 assenta a investigação sendo que, as características da população devem estar presentes na amostra selecionada de forma a ser representativa da população que se pretende estudar.
Quanto à seleção dos participantes numa investigação qualitativa, Carpenter & Streubert (2011), referem que os mesmos são selecionados de acordo com a sua experiência em relação ao fenómeno em estudo. Neste estudo, não é necessário selecionar os participantes aleatoriamente, uma vez que, a manipulação, o controlo e a generalização dos resultados não são o objetivo deste tipo de investigação. Trata-se por isso de uma amostra não probabilística que se define como “um procedimento de seleção segundo o qual cada elemento da população não tem uma probabilidade igual de ser escolhido para formar a amostra” (Fortin, 2003, p. 208). Na seleção da amostra, devem ser tidos em conta os constrangimentos inerentes ao contexto e a possibilidade de acesso à população em estudo (Fortin, Côté & Filion, 2006).
De referir também neste contexto que, o objetivo do estudo vai determinar o tamanho da amostra. Fortin, Côté & Filion (2006) prevêem para os estudos de cariz qualitativo um número de seis a dez participantes, sendo que, “o número de participantes é determinado pela saturação dos dados, uma situação na qual estes já não trazem novas informações” (Sandelowski, 1995, cit. por Fortin, Côté & Filion, 2006, p. 299).
Nesta sequência, uma vez que o presente estudo pretende descrever/explorar os cuidados que são valorizados pela família cuidadora da pessoa com esquizofrenia, são participantes do estudo dez pessoas de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 53 e os 80 anos, membros de dez famílias, prestadores de cuidados a pessoas com esquizofrenia, diagnosticadas como tal e utentes de um centro de saúde de um ACES do distrito de Braga. O número de participantes foi condicionado pela saturação dos dados.
No que diz respeito aos critérios de inclusão que definem a população em estudo, Fortin, Côté & Filion (2006, p. 311), referem que “estes correspondem às características essenciais dos elementos da população”. Desta forma, para o atual estudo definiram-se com critérios de inclusão:
49 - A pessoa com esquizofrenia: ser utente de uma das unidades funcionais de um ACES do distrito de Braga, estar ou ter estado, a receber cuidados de enfermagem ao nível dos cuidados de saúde primários;
- O familiar: ser prestador de cuidados de pessoa com esquizofrenia, ter contacto, ou ter tido, com a equipa de enfermagem ao nível dos cuidados de saúde primários e manifestar interesse em colaborar no estudo, mediante aceitação expressa;
Em relação aos critérios de exclusão, que irão ser determinantes na exclusão dos participantes para o estudo, são eles:
- Familiares com alterações no processo comunicativo; - Familiares com patologia do foro mental.
Na operacionalização do estudo, procedeu-se ao pedido de autorização junto do Conselho Clínico do ACES pretendido (Anexo I). Esse mesmo pedido foi acompanhado de um projeto elaborado com vista à concretização do estudo, onde estavam devidamente identificados os objetivos, procedimentos e expectativas, tendo sido anexo, um exemplar do guião de entrevista semiestruturada (Anexo II) e dos consentimentos informados dirigidos ao utente (Anexo III) e aos familiares (Anexo IV).
O Conselho Clínico do ACES, remeteu o pedido de autorização para a Comissão de Ética (CE) da ARS do Norte. Após onze meses (de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014) foi obtida a autorização expressa da CE (Anexo V). Com o conhecimento do ACES onde era pretendido realizar o estudo, bem como, com a autorização dos coordenadores das diferentes unidades funcionais, foi pedido aos interlocutores dos sistemas de informação de cada unidade (ISI), que procedessem à identificação de todas as pessoas com diagnóstico de esquizofrenia através da base de dados disponíveis, nomeadamente o Sistema Informático da Administração Regional de Saúde (SIARES). Os ISI, são nas USF´s, os enfermeiros responsáveis no seu setor pelo acesso e gestão da informação de cariz estatistico, entre outras e dos utentes inscritos na respetiva unidade, nas diferentes bases de dados e sistemas de informação.
Numa primeira fase foram identificadas 115 pessoas com esquizofrenia. Foi pedido aos interlocutores que, dessas 115 pessoas, identificassem os familiares que cumprissem os critérios de inclusão. Segundo os ISI, 18 familiares respeitavam os critérios definidos.
50 Os interlocutores procederam à codificação dos dados obtidos, através de números de forma a manter o seu anonimato.
Após a referida codificação, foram-nos fornecidos os dados (codificados) e procedeu-se à seleção das pessoas prestadoras de cuidados à pessoa com esquizofrenia para integrar o estudo. Foram selecionadas dez familias, sendo que, a amostra é constituída por dez famílias cuidadoras, sendo coincidente com a população.
As familias selecionadas para o estudo foram referenciadas aos ISI para que fossem realizados os contactos com os as mesmos, pelo secretariado clínico das diferentes unidades. Nesse contacto, o secretário clínico informou sobre a realização do estudo, dos seus objetivos e questionou sobre o interesse em participar no mesmo. No caso de resposta positiva, foi pedida autorização para que os seus dados e o seu contacto nos fossem fornecidos para que procedemos ao contacto direto com a família. Houve resposta positiva de todas as famílias primeiramente selecionadas, sendo-nos fornecidos pelos ISI os dados e os contactos das famílias que aceitaram participar no estudo.
Efetuou-se um contacto direto com as dez familias, mantendo todas elas disponiblidade em participar no estudo. Nesse contacto, foram explicados os objetivos do estudo e avaliada a disponibilidade em participar no mesmo. Procedemos ao agendamento de uma visita domiciliária ou um contacto no Centro de Saúde, de acordo com a sua preferência e disponiblidade para que não decorresse qualquer prejuízo nem para a familia, nem para o utente. Aí procedeu-se aos consentimentos informados junto às pessoas com esquizofrenia e aos familiares, bem como, à realização da entrevista. No processo de agendamento das entrevistas, dois familiares efetuaram contacto no sentido de reagendar as entrevistas, o que foi feito.
Todo este processo de obtenção de dados quanto a população em estudo e amostra decorreu entre fevereiro e abril de 2014.
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