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Transformatorer og isolatorer

In document BYGGING KONTAKTLEDNING (sider 40-122)

Um dos pontos centrais de estudo na presente dissertação está na vivência, na forma como esses jovens apreenderam tal experiência no Projeto Integrado. Dessa forma chama-se atenção para a inter-relação entre os aspectos cognitivos e afetivos, encontradas nos mapas de associações individuais.

Os jovens revelam em seus atos de fala vivências diversificadas, como: ocupar novos lugares, um dos quais é a UFPB, onde eles iniciaram o contato com o meio universitário, com estudantes universitários, conheceram novos espaços e novas possibilidades de futuro, sendo que alguns até chegaram a se imaginar como futuros universitários. Emerge nos atos de fala de um deles que “a universidade é uma cidade”, referindo-se às inúmeras possibilidades que ali encontrou e que naquele momento se distanciavam do cotidiano ao qual estava habituado.

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Outros se posicionam trazendo a universidade como um lugar importante, aparentemente difícil de ser acessado, mostrando-se surpresos com a possibilidade que lhes foi dada de ocupação daquele espaço, já que eram educandos do PETI. A ida para o curso preparatório e principalmente o fato de ele ter acontecido na universidade, trouxe uma vivência de possibilidades para esses jovens. O sentimento de poder estar nesse ambiente traz uma mudança qualitativa na forma como se viam daquele momento em diante..

Os jovens também trazem em seus atos de fala a vivência de terem sido educandos ou educandas do PETI como algo bastante significativo. Essa questão perpassou quase todas as entrevistas, trazendo dois sentidos: o de que educandos do PETI dificilmente ocupariam os espaços pelos quais eles passaram; e o sentido de que, “apesar de serem do PETI”, não foram tratados de forma diferente nesses lugares. Os jovens trouxeram em seus atos de fala o posicionamento de que a sociedade tem uma visão negativa a respeito dos meninos e meninas que participam desse programa.

O histórico de ter sido participante do PETI perpassa a forma que socialmente se entende pelo que é ser um educando do PETI, e a forma com que este lugar os constitui como sujeitos. Um dos critérios para ser inserido nesse programa é que a renda familiar deve ser de meio salário mínimo (Manual do PETI, 2002), logo, são meninos e meninas pobres que moram em bairros com baixos IDHs, muitas vezes com uma difícil relação com a escola.

Segundo Sposito e Carrano (2003), a conformação das ações e programas públicos sofre os efeitos de concepções e, ao mesmo tempo, provoca modulações nas imagens que a sociedade constrói sobre seus sujeitos. Assim, as políticas públicas não seriam apenas o retrato passivo de formas dominantes de conceber o sujeito, mas age também na produção de novas representações.

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Ao considerar o jovem constituído socialmente e através das relações que estabelece, admite-se que tal política também constitui esse jovem que dela faz parte. Dessa forma, as vivências enquanto um educando do PETI remete a suprir algumas necessidades, mas há também um descrédito, como se não pudesse esperar muito desses jovens, como se a vida não lhes reservasse grandes feitos.

Outras vivências que emergem nas práticas discursivas dos jovens dizem respeito à dificuldade com o transporte para a UFPB, que envolvia ficar esperando um ônibus que tinha que passar por praticamente toda a cidade para pegar os demais jovens participantes e ainda os dias em que o ônibus não aparecia.

Se por um lado o Projeto Integrado possibilita a oportunidade de inserção no mercado de trabalho, mesmo na condição de aprendiz, por outro lado esses jovens vivenciavam uma tripla carga horária para conseguir dar conta: de manhã curso profissionalizante, à tarde a prática na empresa e à noite a escola formal. Isso demonstra que, como também aponta Andrade (2008), estamos falando de uma juventude que não é liberada do trabalho para se dedicar aos estudos e ao lazer, e sim de um jovem que, quando busca elevar a escolaridade, precisa fazê-lo combinada com a atividade de trabalho.

Tais vivências produzem na maioria dos jovens entrevistados um processo de desenvolvimento maturacional (Vigotski, 2006), já que são colocados em um lugar que exige amadurecimento e responsabilidade. Para além do desenvolvimento maturacional, os atos de fala a respeito das vivências no Projeto Integrado trazem também mudanças no comportamento, mudança nos seus horários, rotina mais pesada, responsabilidade que precisaram adquirir, o aprender a trabalhar em equipe e o vestir a camisa da empresa.

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Essas vivências proporcionaram um salto no desenvolvimento desses jovens com o surgimento de novas formações qualitativas (Vigotski, 2006). Logicamente, nem todos desenvolveram da mesma forma, bem como não vivenciaram as experiências de forma exatamente igual. Mas de forma geral, pelo que emerge em seus atos de fala, de acordo com o ritmo de cada um e com suas histórias de vida, mudanças aconteceram através dessas mediações.

Na vivência na empresa as relações com os demais funcionários ganham destaque nos atos de fala desses jovens. A relação que constituíram com os funcionários e colegas na empresa traz, para a maior parte dos jovens entrevistados, um sentido de carinho e cuidado que um tinha ao outro. Em contrapartida, essa experiência também trouxe a vivência de se sentirem “criança no mundo de adulto”. Tais atos trazem à tona o sentido de despreparo para lidar com o que lhes aparecia e como o que era demandado, e até mesmo no aumento da responsabilidade que tinhamapós a entrada no Projeto Integrado.

Tais vivências proporcionaram a esses jovens a compreensão de algumas situações (Vigotski, 2006), como a visão de trabalhador que tinham. Tal visão é modificada a partir da entrada no SENAI e na empresa, e tais vivências modificam inclusive o comportamento desses jovens, que passam a compreender que para se manterem na empresa é necessária uma postura, uma forma de se comportar, é exigido deles que deixem alguns comportamentos de “criança” de lado e que passem a agir como “adultos”.

Dessa forma, percebem, interpretam e reagem (Vigotski, 2006) à experiência no Projeto Integrado como sendo valiosa, pois aprendem um ofício e o que é preciso fazer para que possam “se manter” em um emprego ou conseguir um. Potencialidades

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também são construídas a partir dessas vivências principalmente no que se refere ao desejo de chegar a ser um universitário.

Algumas características da experiência ganham centralidade como a convivência com os funcionários e o ganho da experiência de como agir no mercado de trabalho. A forma como se comportar e como se relacionar na empresa são questões que muitas vezes ganham mais notoriedade nos atos de fala dos jovens do que o próprio aprendizado de um ofício.

As mudanças resultantes dos processos psíquicos individuais, o acesso a outros meios (UFPB, SENAI e empresa), o contato com outros atores nesse meio (colegas, profissionais, professores) possibilitaram o surgimento de outros sujeitos, com a construção de novas identidades. Agora carregam também a identidade de ex-educando do PETI, ex-aluno SENAI e empregados da empresa, o que lhes proporcionou novas experiências e os deixarammais confiantes e familiarizados com o oficio e com isso se tornaram mais maduros.

Com essas vivências a forma de perceber o mundo também se modificou, alguns passaram a perceber o trabalho para além da atividade em si. Com a estruturação dos processos mentais superiores, a relação entre os aspectos internos e externos vai se complexificando. Logo, o trabalho assume uma complexidade que envolve mais do que cada indivíduo, envolve o conjunto, envolve os interesses da empresa, o incorporar o discurso do “vestir a camisa da empresa” e o prazer na atividade que realiza.

Se a cada idade o sujeito vivencia sua realidade de um modo superior com relação à idade antecedente, qualitativamente falando (Vigotski, 2006), a vivência no Projeto Integrado transformou-os também. Como eles mesmos sinalizam em seus atos de fala, tal vivência lhes proporcionou crescimento, amadurecimento e passaram a olhar o mundo pelo viés do trabalhador, daquele que deixou de ser criança.

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O cotidiano desses jovens foi modificado a partir dessas vivências. Segundo Vigotski (2006) uma nova estrutura de personalidade se constitui a partir de novas atividades e formação psíquica e social, estabelecendo novas relações sociais. A falta de experiência dá lugar, ao final do Projeto, a jovens que agora se sentem mais preparados para enfrentar o mercado de trabalho, que fazem um novo planejamento de futuro.

A nova consciência formada é de trabalhador, com responsabilidades muitas vezes de adultos. Esses jovens amadureceram a partir da relação estudo e trabalho, a partir dela se configuraram como sujeitos trabalhadores em busca de formação e crescimento profissional.

5.5. O sentido da experiência para os jovens egressos do Projeto Integrado

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