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Transekt: Strandkaien

Após a apresentação das dimensões, os autores descrevem os estágios nos quais a cidadania pode se desenvolver. Dentre os estágios de desenvolvimento em cidadania estão: elementar, engajado, inovativo, integrado e transformador. Cada um deles apresenta características próprias e algo que dispara a organização para outro estágio, como pode ser percebido na Figura 2. Apesar disso, as dimensões são variáveis, ou seja, uma organização pode apresentar propriedades de diferentes estágios, podendo fazê-la estar à frente em algumas dimensões e atrás em outras (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

Figura 2 – Características que disparam o desenvolvimento

Fonte: Adaptado pelo autor a partir de Mirvis e Googins (2006).

Para Mirvis e Googins (2006), diversos fatores moldam a trajetória específica de desenvolvimento dentro de uma organização: forças externas, tais como fatores

Credibilidade Capacidade Coerência Comprometi- mento Elementar Engajado Inovativo Integrativo Transformador

socioeconômicos e sociopolíticos, leis e regulamentos, a origem nacional da organização; estratégia e competitividade; tradições e cultura; reputação; e incentivos internos.

O estágio elementar, segundo Mirvis e Googins (2006) caracteriza-se pela baixa frequência de atividades de cidadania; pelo não desenvolvimento de seus programas; pela baixa conscientização sobre o conceito de cidadania; tratamento indiferente pela alta administração; interações limitadas com stakeholders externos, principalmente no âmbito dos setores sociais e ambientais; adição de uma postura defensiva frente às pressões externas. Para os autores, as organizações que se adequam a esse estágio, preocupam-se com o atendimento às legislações e aos padrões industriais.

Para lidar com as questões preliminares e básicas desse estágio, Mirvis e Googins (2006) determinam que as empresas atribuam a responsabilidade para os chefes funcionais, garantindo que a organização obedeça às legislações e evite qualquer conflito que prejudique sua reputação. Algumas organizações contentam-se apenas em atender aos requisitos mínimos, tais como saúde e segurança no trabalho, regulações ambientais, despendendo poucos esforços para o desenvolvimento da cidadania, seja por limitações de recursos ou meios (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

As organizações são cada vez mais desafiadas pelas expectativas da sociedade, tendo a sua credibilidade e reputação, e algumas vezes até o status competitivo, postos à prova ao cumprir apenas o que é exigido pelo regulamento. Logo, Mirvis e Googins (2006) concluem que o desafio desse estágio está no ganho de credibilidade.

Uma organização que permite a transição de uma postura apenas destinada ao cumprimento de regulações, para uma que possibilita o desenvolvimento de uma agenda de cidadania, está tendo uma mudança de atitude, determinando, assim, o seu deslocamento para o estágio seguinte, pois a organização passa a priorizar a cidadania (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

O estágio engajado de desenvolvimento de cidadania caracteriza-se, principalmente, pela percepção da alta administração sobre a importância do papel da organização na sociedade, e pelo seu envolvimento e compromisso com atividades de cidadania (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

Uma organização engajada em cidadania apresenta políticas que estão além das obrigações legais; dão atenção a outros assuntos relevantes dentro da organização, além do respeito ao emprego e à saúde, segurança e práticas ambientais, tais como comunidade, meio ambiente e questões sociais; os principais líderes envolvem-se na questão; as unidades organizacionais possuem maiores responsabilidade, com políticas amplas e padrões elevados;

há a expectativa de que os líderes organizacionais atendam aos padrões determinados, tornando-se mais instruídos sobre a evolução de sua indústria e entre seus competidores; o compromisso de longo prazo com seus stakeholders, estabelecendo comunicação com grupos comunitários, entidades de investimento socialmente responsáveis, e ONGs; os funcionários passam a lidar com questões específicas que podem envolver questões como as necessidades dos parentes de funcionários, minorias étnicas e homossexualidade; profissionais ou consultores dirigem-se às organizações para aprimorar o conhecimento pela introdução de novos conceitos e padrões (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

Apesar da evolução nas questões citadas acima, Mirvis e Googins (2006) afirmam que as organizações mantêm sua postura reativa frente às questões sociais e ambientais.

A garantia de desenvolvimento nesse estágio pode ser comprometida se houver uma falta de energia e uma quebra de ritmo no atendimento às demandas, por isso, segundo Mirvis e Googins (2006), as organizações devem ampliar seus conhecimentos e construir a sua capacidade para atender a uma variedade de interesses e necessidades, gerindo, assim, a cidadania corporativa. Com o cumprimento dessas exigências, o próximo estágio é alcançado, iniciando-se a fase inovativa, com os executivos sêniores tornando-se mais envolvidos, os funcionários participando de programas mais extensos, o acompanhamento mais próximo de seus stakeholders e a transparência de suas atividades (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

Uma maior compreensão do conceito de cidadania corporativa, altos níveis de inovação e aprendizado, o aumento do contato junto aos stakeholders (comunicação bidirecional), o estabelecimento de contato com empresas de ponta e especialistas, organização lidando com um caso de negócio específico para cidadania, origem e implantação de programas de cidadania, monitoramento e transparência na emissão de relatórios sobre o desempenho social e ambiental corporativo; são propriedades típicas do estágio inovativo (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

Para os autores, apesar de todo o desenvolvimento, nesse estágio, uma organização terá que criar coerência, ou seja, integrar suas atividades estrategicamente, alinhando cidadania e propósitos organizacionais, institucionalizando-a; para assim seguir para o próximo estágio de desenvolvimento.

Segundo Mirvis e Googins (2006), as falhas que se fazem presentes, cujas consequências impedem essa coerência, são: falta de trabalho em equipe; maiorias dos gerentes de linha não veem a importância e relevância da institucionalização da cidadania; e

ainda não existe uma visão articulada de cidadania, sem vinculação estratégica ou incorporação à cultura organizacional.

Uma organização que tramita pela fase de integração inclui a cidadania como parte central de sua estratégia de negócios, voltando seus esforços para os valores corporativos fundamentais (MIRVIS; GOOGINS, 2006).

No estágio integrado, Mirvis e Googins (2006) descrevem que as organizações enfrentam um desafio transitório, que consiste na mudança de coordenação para colaboração nas atividades com esforços de cidadania, ou seja, as organizações aqui incluídas empenham- se em aprofundar o seu comprometimento com cidadania.

Segundo os autores (2006), o desempenho é monitorado e padrões são estabelecidos, determinando medidas que conduzam a cidadania em alinhamento com seus negócios, tais como a fixação de metas, e de indicadores de desempenho e de monitoramento (balanced scorecard). Logo, o acompanhamento e controle dos esforços de cidadania, para Mirvis e Googins (2006) tornam as organizações, que se encontram nesse estágio, mais abertas e suscetíveis à divulgação de falhas.

As organizações que se situam no estágio transformativo de desenvolvimento apresentam maiores aspirações, com a intenção estratégica de mudar o jogo de seus negócios por meio da fusão da cidadania e de sua agenda empresarial.

Aqui, as organizações inovam, e não imitam; os valores corporativos institucionalizados são aplicados com compromisso; e são instituídas diferentes parcerias, internas e externas, para a sua atuação nos campos social e ambiental, seja com outras empresas, ou mesmo grupos comunitários, ONGs, entre outros.

Então, a partir do conhecimento das dimensões e dos estágios de desenvolvimento destacados, é possível identificar como as empresas estão gerenciando a cidadania.

3. PROCESSO DE RESSOCIALIZAÇÃO DE APENADOS DO SISTEMA