Os entrevistados concordam entre si quando referem que, os alunos sentem muito mais motivação e interesse pelo que está a ser ensinado quando utilizam estratégias diversificadas e os envolvem no processo de aprendizagem. A maioria dos alunos acaba por desinteressar-se pelas aulas, porque os professores seguem um programa de aula, ou seja, as aulas são bastante rotineiras. A princípio apresentam o conteúdo da aula já sistematizado, sem qualquer
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oportunidade do aluno expor suas opiniões e participar da construção do seu próprio conhecimento. Por fim apresentam um exercício modelo, para que os alunos façam o mesmo com os outros exercícios propostos.
A contextualização do ser do saber, na busca de uma aproximação da escola à sociedade, como condição necessária da nova postura que deve assumir na formação de competências que possibilitem ao aluno uma participação cidadã ativa, favorecendo o crescimento da sua identidade e qualidade de vida. O sucesso ou o fracasso da escola sempre foram discutidos dentro do espaço escolar. Essa visão, atrelada a fortes conceções dos professores, exige uma rutura de hábitos, para aprender a educar junto com a sociedade, numa perspetiva complexa, do diálogo, do saber escolar com o quotidiano, com a diversidade. No sentido anterior, se explica o facto de os professores manifestarem necessidades para aprender referências acerca da contextualização do saber.
Nesta sequência, fazem parte desta categoria de análise, objetivos da contextualização, o que os futuros professores referiram sobre aumentar o interesse do aluno:
“E isso faz logo a diferença, porque se eu chegar à sala de aula com uma atividade que seja para fazer com palhinhas, e estou a trabalhar medição, é muito mais giro do que se abrir uma página do manual e disser – “façam aí a página do manual para preparar a medição” – isso cria logo, no mínimo, motivação para aprender, porque aquilo é diferente e divertido.” (E2)
“Sigo o programa curricular adaptando-o as necessidades dos alunos. Por isso mesmo, para tentar gerar… Por uma questão de motivação dos alunos e adaptá- los às necessidades deles.” (E3)
Bem como facilitar a aprendizagem, apassagem do discurso de E2 revela aquilo que em cima já foi referido. Não se pode deixar enganar e acreditar que o exemplo descrito é uma forma de contextualizar. A contextualização visa facilitar a aprendizagem, no entanto deve-se ter sempre presente que contextualizar não é utilizar aspetos do quotidiano para explicar ao aluno os conteúdos, mas fazer a transferência dos conteúdos a serem ensinados para o dia-a-dia do aluno:
“Agora estou a lembrar-me, por exemplo, das questões das grandezas e medidas que foi o que agora estivemos a trabalhar em matemática, estivemos a
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trabalhar com o dinheiro. Quer dizer, para um menino cigano posso muito bem pegar no exemplo da feira porque é uma coisa que lhe está muito próxima, não é?! E eu sei que aquela criança possivelmente aprenderá mais depressa assim do que se eu falar com o menino tendo por base um catálogo de brinquedos onde aparecem preços.” (E2)
Como refere E3 é importante ter presente que quando os alunos:
“[…] não vêm nenhum significado naquilo por muito que eu lhes queira ensinar, eles até podem aprender porque sabem que mais tarde serão confrontados com uma prova, com um momento de avaliação. Ou seja, ele até poderá reter, deter algumas coisas, mas logo a seguir irá se esquecer. Aquilo não serão aprendizagens significativas para o aluno. Ele nunca mobilizará aquilo.” (E3)
“[…] De modo a tornar aqueles conteúdos significativos para eles. Ao fim e ao cabo acho que nós não estamos ali a formar crianças, a ensinar para que eles cheguem ao momento da avaliação têm bons resultados, mas depois não mobilizam nada daquilo que aprendem.” (E3)
Para finalizar nos discursos também foi possível registar uma passagem em que o futuro professor refere, embora de uma forma subtil, que se deve libertar o aluno da sua condição de espetador passivo:
“E se calhar eram conteúdos do programa com materiais que já eram mais evoluídos ou trabalhando já outras coisas que já não era do programa do 1º ciclo. Mas que no entanto foi desafiante para eles e que os motivou para o tema e para aqueles conteúdos. Acho que isso tem que ser assim.” (E6)
É notável que a abordagem de um ensino contextualizado, propicia um melhor aprendizado aos alunos, onde, estes se sentirão mais motivados para os estudos quando o assunto trabalhado despertar o seu interesse, e isso, é manifestado com uma mudança de postura destes, através de uma maior participação na construção dos conceitos abordados em sala, contribuindo para a formação de indivíduos criativos e críticos. Dessa maneira o professor deve e pode ser mediador contribuindo, de maneira mais sistemática e orientada, para que o
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aluno consiga a ler o mundo e a interagir com ele. Devem também valorizar para a participação espontânea dos educandos.
No decorrer dos discursos dos futuros é visível que eles têm vontade de aplicar os conteúdos das suas disciplinas de forma contextualizada, porém não conseguem reconhecer este conceito. Diante disso, é importante salientar que qualquer mudança na educação, exige desde já uma capacitação dos professores, produção de material didático e de apoio diversificado, de modo a construir um processo educativo, onde se possa superar o ensino preso aos conteúdos dos livros didáticos, assim como o divórcio entre “escola-vida”, que é um dos principais motivos de desinteresse do aluno pelo que é ensinado em sala de aula.