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Transcendental Hénon maps

In document Dynamics of transcendental Henon maps (sider 22-36)

E eu sempre prezei um professor, sempre dei valor a um professor, sempre quis ter professor. (CER - p. 4)

Nos relatos de Felipe, Rodrigo e Paulo a figura do professor aparece com destaque, sendo-lhe atribuída grande importância com relação à orientação que ele pode oferecer ao estudante de bateria. Para Rodrigo, ter um professor sempre foi algo importante: “eu sempre prezei um professor, sempre dei valor a um professor, sempre quis ter professor” (CER - p. 6). E sustenta sua posição:

(...) eu sempre dei importância pra professor, nunca desprezei. (...) o professor te orienta, vê o que você... como é que tá, você tocando, te orienta a fazer os exercícios certos, a maneira de sentar, a maneira de pegar na baqueta, eu acho isso importante. Até porque, tem pessoas que vão aprender sozinhas e, às vezes, começa a ter dores porque não tá sabendo se posicionar direito. E basicamente é isso, a importância do professor pra mim, é essa. (CER - p. 7)

Rodrigo considera que o professor pode orientar a aprendizagem do aluno, pode passar a sua experiência para o estudante de bateria. Em certos momentos na fala de Rodrigo, a figura do professor de bateria se confunde com a do baterista, numa relação em que a performance do baterista dá lastro à sua atuação com professor.

Cara, porque, o professor te orienta de uma forma... Eu não vou falar de uma forma correta, porque, o cara pode aprender sozinho, pode aprender vendo, etc. Mas o professor, além de cada um ter uma coisa diferente pra passar, são pessoas, também, que têm experiência. Eles não vão te passar, não vão só te ensinar a tocar bateria. Eles vão te passar a experiência deles, vão te passar coisas do estilo deles, vão passar coisas diferentes. (CER - p. 6)

Na perspectiva de Rodrigo, o baterista que estuda por conta própria, por não ter a orientação de um professor, pode levar mais tempo na busca pelo seu desenvolvimento no instrumento. Dessa forma, haveria uma dificuldade maior em focar

77 aquilo que se está estudando, inclusive com relação ao estilo musical que se está buscando.

(...) sem orientação talvez seja mais difícil você canalizar aquilo que você tá vendo. Às vezes você canaliza pra um lugar que não tá sendo muito proveitoso, então, você não tem uma certa orientação, até mesmo, pro estilo do cara. Às vezes o cara tem um estilo X, e tá perdendo tempo com outra coisa, às vezes por falta de orientação, mesmo, entendeu? (CER - p. 11)

Outra consideração importante no relato de Rodrigo diz respeito à sua atuação como professor de bateria e à importância que ele atribui ao fato de ter um professor para ser um professor. Em sua perspectiva, o baterista que tem a orientação de um professor pode tirar um proveito maior como professor.

Outra questão importante: o fato de você ter um professor é tão importante, também, pra você ser um professor. Eu acho que um cara... Não, tudo bem, o cara pode dar aula sem ter feito aula? Pode. Mas, o cara que tem aula, pra mim, ele pode tirar mais proveito como professor, entendeu? (CER - p. 13)

Com relação à importância figura do professor, Paulo compartilha a perspectiva de Rodrigo. Neste sentido, o professor pode fazer com que o baterista tenha um maior aproveitamento, orientando-o de uma maneira que, para Paulo, é a maneira ‘correta’ de se estudar.

(...) ele pode até estudar, mas, pra mim, da forma errada. Não é uma forma correta. É da orientação do professor, que eu falei, a orientação de uma escola, estudar da maneira correta. Pode até estudar, mas, não vai chegar... Vai chegar em algum lugar, que ele tá estudando, mas não acho que seria o melhor aproveitamento, seria estudando numa escola, com programa e tal. Pegando aula com professor você pode ter uma boa orientação. (CEP - p. 8)

Assim como Rodrigo, Felipe também considera que a orientação de um professor pode tornar a aprendizagem da bateria mais rápida. Ele utiliza o termo ‘informal’ para se referir àquele baterista que estuda por conta própria. Com relação a esta forma de aprendizagem, Felipe utiliza a expressão ‘testando na bateria’, numa perspectiva que remete à aprendizagem por tentativa e erro.

(...) eu acho que teria coisas que ele poderia aprender (...) mais rápido, se um professor ensinasse, tivesse alguém pra guiar ele e falar: “não, ó, você pode fazer assim.”, do que ele estar lá testando na bateria, ali, de um modo informal. (CEF - p. 7)

78 Felipe menciona no trecho abaixo, algumas situações em que seu professor o orientava com relação às eventuais dificuldades que ele encontrasse em seu percurso como estudante de bateria. Alguns exemplos destas intervenções de seu professor são citados por Felipe, tais como: 1) dicas quanto à busca de uma ‘limpeza’ do som quando se está tocando, o que pode ser entendido como uma referência à clareza e precisão impressas na realização musical; 2) os benefícios de se praticar determinados estudos com o auxílio de um metrônomo, como forma de melhorar o domínio sobre o ‘beat’, sobre o tempo musical e suas possibilidades; 3) a orientação para que Felipe tirasse músicas de ouvido como forma de aprendizagem; e 4) a ênfase dada pelo professor ao recurso de ‘tocar junto’ com música, utilizando várias gravações da mesma música, como processo que contribui para o aprimoramento do baterista.

(...) às vezes, eu estudava muito solto, sentava lá e ficava estudando, daí o som ficava um pouco sujo. Aí o professor: “Não, não estuda assim, não. Estuda com o metrônomo, que com o metrônomo vai melhorar teu som, vai melhorar tua técnica, vai sair legal”. E também, eu já tirava as músicas, não é, mas o professor também enfatizou bastante: ‘tira música’. Que até uma vez eu falava pra ele: ‘eu to perdendo muito o beat’, aí ele falou: “você quer melhorar o beat, então, estuda assim: pega gravação e toca junto. Toca junto, sempre. Pega várias gravações de vários estilos e começa a tocar junto”. (CEF - p. 28)

3.5 A busca pela profissionalização como uma busca por ser mais do que um

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