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Veiga (2010) advoga que a sustentabilidade não é e nunca será uma noção de natureza precisa, discreta, analítica ou aritmética e sim contraditória, pois nunca será encontrada em estado puro. Todavia este mesmo autor aponta para certa convergência quanto aos seguintes aspectos que devem abarcar os indicadores de sustentabilidade: busca de vida longa e saudável, conhecimento, acesso aos recursos necessários para um padrão de vida digno e ainda participação na vida da comunidade. Nesta esteira, o desenvolvimento sustentável foi definido como uma gestão que leva em consideração um equilíbrio entre os aspectos econômicos, sociais e ambientais e cuja interação garanta a prosperidade da empresa, qualidade de vida para a sua cadeia de

e ainda uma gestão adequada de seu impacto ambiental.

Sobre esses aspectos é que foram, para este trabalho, aplicados indicadores os quais tomaram como base três outros conjuntos, já em uso em pequenas e médias empresas: 1) “Indicadores Ethos Sebrae de Responsabilidade Social Empresarial para Pequenas e Médias empresas”38 , 2) “Diretrizes para relatório de Sustentabilidade do GRI”, versão 2007; 3) 2

< (2007)39

38

Disponível em http://www.ethos.org.br/_Uniethos/documents/IndicadoresEthos

SEBRAE_2009_port.pdf Acesso em 21 de agosto de 2009.

39

Disponível em http://www.hp.com/hpinfo/globalcitizenship/environment/pdf/ICT_Self

152

3.4.2.1 Aspectos econômicos

"+ #" ;> / " ,$ ! ! "!8 .& ! . %G5 . ! " ,$ # - % 49 % ." ! & ! 5 %& " . 58 & & $ "

Habilidade de produzir bens e serviços de alta qualidade de maneira eficiente e inovadora de modo a ultrapassar seus competidores através do uso racional de capital humano e de recursos naturais

Percentual de expansão da empresa (6)*

Pereira (2005); Fernandes e Balestro (2006): Hagstrom, Hornby e Farrel (2010); Veiga (2010), Porter (1998)

Aumento da capacidade de competir no mercado (17)*

Aumento do nível de exportações (11)*

"%!8" N%. " %"! "4@ ! . 5 . " !

Cumprimento dos aspectos éticos e legais na vida comercial da empresa

Grau de transparência nas atividades comerciais da empresa

Sen (2000), Hoff (2007), Zadek

(2003), Blowfield e Murray (2008), Santos (2006)

Grau de transparência da vida comercial da empresa com empregados e acionistas

Cumprimento legal e ético da empresa para e rede %&"49 - %. " " " 8 49 %$ !& 5 %& Produção e investimento diferenciados buscando qualidade de vida e gerenciamento ambiental

Principal orientador da produção (24)*

Clayton e Bass (2002), Blowfield e Murray (2008)

Frequência de processos utilizados na produção (25)*

Grau de influência da sustentabilidade para a aquisição de insumos (27)*

Tipo de ênfase dos investimentos (23)* Clayton e Bass (2002) 49

. !& !

. %& " %& " "

Monitoramento permanente de custos na transação da produção de bens e serviços em função da presença na rede

Percentual de diminuição dos custos em função da presença no APL (7)*

Cassiolato e Szapiro (2003), Pereira (2005), Balestrin e Vargas (2004), Portes (1998) Kim

(2010), Nahapiet e Ghoshal (1998); Hagstrom, Hornby e Farrel (2010)

153

3.4.2.2 Aspectos sociais

"+ #" ;; / " ,$ ! ! "!8 .& ! ! . " ! " ,$ # - % 49 % ." ! & ! 4@ ! . 5 %& % !

Aplicação discricionária e mais justa de recursos entre

empregados

Relação entre o menor e o maior salário (30)*

Ballkytè e Tvaronaveicienè (2010), Krajnc e Glavic (2003), Tencati e Zsolnai (2009), Blowfield e Murray (2008), Prahalad e Hammond (2002), Santos (2006)

Tipos de benefícios para empregados (33)*

Desenvolvimento profissional dos empregados

Tipos de oportunidade de treinamento e desenvolvimento profissional (34)* Ações de promoção de políticas

afirmativas na empresa

Grau de compromisso com políticas afirmativas na empresa (31) *(32)* Portilho (2005); Santos (2006) 4@ ! . 5 O& % ! Aplicação discricionária de recursos entre externos

Tipos de ações com a comunidade (35)*

Blowfield e Murray (2008), Prahalad e Hammond

(2002), Santos (2006)

Tipos de ações com os clientes Estabelecimento de parcerias para

realizar ações de caráter social e/ou ambiental

Tipos de parcerias para ações sociais e

ambientais, sobretudo com a comunidade local (28)*

Promoção do desenvolvimento de fornecedores da região

Frequência de relação comercial preferível com fornecedores locais (26)*

Lee (2009), Santos (2006)

154

3.4.2.3 Aspectos ambientais

"+ #" ;B / " ,$ ! ! "!8 .& ! "5+ %&" ! " ,$ # - % 49 % ." ! & ! # 5 -E! . -# O 5"& " % "

Volume utilizado na produção de bens e serviços

Percentual de redução de consumo dos insumos de produção (39)*,

Lee (2009), Arida (2010), Almeida (2007), Clayton e Bass (2002), Portilho (2005),Krajnc e Glavic (2003), Van Bellen (2005)

Percentual de aumento do consumo de fontes sustentáveis (40)* "% M 58".& "5+ %&"#

Alteração das propriedades do meio ambiente, causada por matéria ou energia resultante das atividades da empresa e que afetam: a saúde, a segurança, o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; as condições e a qualidade dos recursos ambientais

Frequência de atividades para diminuir o impacto ambiental (41)*

Almeida (2007), Portilho (2005)

155 3.4.3 Instrumentos aplicados

Os instrumentos foram elaborados entre setembro de 2009 e janeiro de 2010 e sua aplicação completa ocorreu entre março de 2010 e agosto de 2010.

Para a composição dos 24 itens referentes ao capital social em redes foi levado em consideração exclusivamente o confronto entre teoria (capítulo 2), o modelo de Nahapiet e Ghoshal (1998) e ainda o modelo de questionário aplicado no Brasil para Arranjos Produtivos Locais40 de Helena Lastres e José Cassiolato (2003). Apenas três dos 24 itens não apresentam uma escala do tipo Likert, ao que se referem à identificação do tipo de associação e participação da rede (um item) e ao desempenho percentual quanto expansão da empresa e diminuição de custos (dois itens). Os itens restantes estão distribuídos em escalas do tipo Likert de quatro ou de cinco pontos mensurando a intensidade do item. O instrumento aplicado está nos anexos deste trabalho.

Da mesma forma, para a composição dos 26 itens referentes ao desenvolvimento sustentável, foi levado em consideração o confronto entre teoria (capítulo 1) e os indicadores apontados nos seguintes guias: F

5 > 2 3 2 < "

" , J 41, Indicadores Ethos Sebrae de

Responsabilidade Social Empresarial para Micro e Pequenas Empresas42 e ainda o Inquérito às práticas de Responsabilidade Social em PME apresentada

40 Disponível em http://www.redesist.ie.ufrj.br/nt_count.php?projeto=ar2&cod=1 Acesso em 10 de janeiro de 2010 41 Disponível em http://www.gesi.org/LinkClick.aspx?fileticket=iO1yj3DYYOo%3d&tabid=133 Acesso em 28 de novembro de 2009. 42 Disponíivel em http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0 A

763IndicadoresEthos SEBRAE_2010_PORT_atualizado.pdf Acesso em 27 de novembro de 2009

156

no livro 5 " -A 3 - de Santos .

(2006).

Depois dos itens referentes ao capital social e aos aspectos do desenvolvimento sustentável, o questionário ainda contém dados demográficos das redes e também do respondente. Foram 11 itens elaborados para este fim. O instrumento aplicado está nos anexos deste trabalho.

Ressalta se aqui que todo esse instrumento foi disponibilizado pela internet. Em função da facilidade de utilização, adequação ao ambiente on line e outras ferramentas de acompanhamento de preenchimento (fornecimento do dos respondentes, fornecimento de dados estatísticos, entre outros), o sítio escolhido para hospedar o questionário final foi o http://www.surveymonkey.com. Para as empresas que, a partir do contato inicial, apontassem falta de habilidade com a ferramenta virtual, foi enviado também o mesmo questionário impresso.

A aplicação dos questionários resultou na coleta de 201 questionários completos. Destes, 102 são de empresas de Tecnologia de Informação (10 APLs de TI).

As entrevistas foram coletivas e individuais (instrumento qualitativo de coleta de dados) e semi estruturadas. Foram realizadas doze entrevistas, sendo dez individuais e duas coletivas em outubro de 2010. Nessa oportunidade, foram realizadas visitas técnicas a algumas das empresas e ainda às sedes dos APLs em Londrina e em Maringá.

A entrevista semi estruturada centra se na pessoa e com a qual, o entrevistador, numa atitude de empatia, utiliza técnicas de reformulação para coleta dos dados. Desenvolve se segundo a lógica do entrevistado, a partir de temas diretamente relacionados ao estudo. O foco do conteúdo centra se na relação subjetiva do entrevistado com o objeto do discurso (Bardin, 1977). A comunicação, portanto, deve ser vista como um processo, a palavra como mediadora do sentido e o discurso como um processo de elaboração no qual se confrontam motivações, desejos e investimentos do sujeito.

157

As entrevistas (tanto individuais quanto coletivas) tiveram como objetivo o aprofundamento de questões que não foram contempladas no questionário aplicado (as que não possuíam o sinal * nas tabelas apresentadas nas seções 3.4.1 e 3.4.2). Foram critérios para a entrevista: tempo de participação no APL, participação anterior da aplicação do questionário, desenvolvimento de alguma atividade de natureza sustentável (econômica, social ou ambiental) na empresa e disponibilidade em colaborar (caso fosse necessário a oferta de algum documento).

As entrevistas coletivas foram orientadas pela metodologia de grupo focal que se caracteriza como uma discussão objetiva, conduzida ou moderada que introduz um tópico a um grupo de respondentes e direciona sua discussão sobre o tema, de uma maneira não estruturada e natural. A metodologia se mostrou adequada porque segundo Nery (1997, apud Kind, 2004) se tratava do teste de conceitos e questões para investigações quantitativas.

As questões das entrevistas foram divididas em quatro grandes temáticas:

1) Estrutura da empresa e da rede: histórico da empresa, relação da empresa com a rede e infraestrutura da rede.

2) Capital social: benefícios em participar da rede, estabelecimento de parcerias na rede, avaliação para aumentar a cooperação e diminuir comportamento oportunista, identificação com outras empresas, antecedentes da confiança, canais de comunicação e aprendizagem, melhoria

na relação com .

3) Desenvolvimento Sustentável. Grau de conhecimento sobre o que é desenvolvimento sustentável, transparência nas atividades comerciais da empresa, percepção do aumento da competitividade da empresa em função da participação na rede, principais ações sociais com os e seus reflexos na empresa, contribuição da rede para as ações com os ções de natureza ambiental na empresa, contribuições da rede para ações de natureza ambiental.

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As entrevistas foram realizadas apenas com os gestores das empresas e que já haviam preenchido o questionário. Ressalta se que dois desses gerentes de empresas eram também gerentes do Arranjo (um de cada arranjo). Essas entrevistas duraram em média 90 minutos.

O roteiro completo das entrevistas está nos anexos.