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6.2 Further Work

6.2.2 Training Data

Há uma preocupação que incomoda as professoras, em geral, que está ligada às situações de alunos especiais e a diversidade, surgida com a inclusão de alunos portadores de deficiência nas escolas.

Penso que toda esta inclusão social que vem sendo discutida nos meios de comunicação, nos encontros de professores, e presente nas nossas realidades escolares, enfrenta um dispositivo de insegurança e dificuldades, que deixa o grupo de docentes confuso até com o conceito de diversidade. Não estamos praticando adequadamente estratégias diferenciadas para alunos diferenciados. Ainda homogeneizamos e desconhecemos formas de aplicar atividades e propostas que atendam aos interesses de todos.

A Lei de Diretizes e Bases- LDB, em seu artigo 59 estabelece: 9 Os sistemas de ensino

assegurarão aos educandos com necessidades especiais:

I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;

II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;

III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular, capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;

Mesmo constando em lei no item III acima citado, a necessidade de um professor capacitado para integrar os alunos especiais nas classes comuns, percebe-se nas falas das professoras que o que tem ocorrido nas escolas públicas municipais é simplesmente o depósito destes discentes nas escolas. Vem ocorrendo um desrespeito ao professor, que não possui a

devida capacitação, ao próprio aluno, e um descumprimento da lei. A insegurança demonstrada no grupo foi contemplada por diversas falas das docentes, como segue: Tenho um aluno que tem várias síndromes. Aos três anos de idade ele não falava, mas ele escuta. Aos dez anos de idade ele decorou o guia telefônico de Pelotas. Ele tem uma memória para algumas coisas fantástica. Agora pergunta para ele quanto é dois mais dois? Foi o único que tirou zero na prova de Matemática. Só que é uma criança pelo que eu tenho estudado, na gravidez da mãe teve toxoplasmose. Nós recebemos uma menina também ela ouve, mas não fala. Tem um aluno com 17 anos na quinta com todas as síndromes.

As políticas de inclusão social são teoricamente eficientes na medida que, compreende a educação como direito humano fundamental, base para uma sociedade justa, com ações voltadas para o acesso e permanência de todas as crianças na escola. Na prática diária, estas idéias são difíceis de serem efetivadas por diversos fatores ocorridos nas escolas públicas do nosso município, entre eles: os professores contam com turmas cada vez mais numerosas, junto com alunos incluídos e portadores de várias síndromes diferenciadas; as escolas não possuem rampas para cadeirantes e nem banheiros e salas térreas suficientes, uma vez que, não há elevadores. O problema complica tanto na questão de capacitação docente quanto infra-estrutura adequada. Contudo, nossas realidades escolares já estão recebendo uma gama significativa de alunos especiais, sem os apoios previstos em lei. É possível estarmos traçando um referencial tanto para o aluno com inteligência subnormal, quanto para o superdotado. Estamos pecando enormemente em ambos os casos, e isso angustia o profissional de Educação, que acaba aprendendo com a prática e dispondo da sua intuição para contornar situações, como aparece a seguir: Já o outro com inteligência além do normal da idade. No computador, ele digita, digita, se tem um 9 Lei disponível no site do MEC, no endereço:

erro ele corre rápido corrige, volta. São dois extremos. Eu estou estudando síndrome de Daw, Síndrome de Ainsperti. Quando ele chegou tinha uma menina que fazia tudo por ele. Ele tem uns gritos, ah,ah,ah...Quem o leva para o banheiro é o representante de classe. Ele sai colocando a calça no corredor. Tem 17 anos, todos reparam. Como nós vamos fazer quando colocarmos estes especiais todos juntos?Até podem nos capacitar para trabalhar com eles? Mas nós vamos deixar os “normais” de lado, isso é exclusão, a menos que se tenha um apoio de outro professor junto, para desenvolver outras habilidades juntas.

Esta situação reporta-nos à necessidade do professor, no caso o de Matemática, estar continuamente pesquisando, e como fica explícito na fala, esta investigação está assumindo patamares que vão além do componente curricular, estão sendo estudadas as síndromes, o histórico da vida do aluno e as suas possibilidades. Conclui-se que são vários aprendizados juntos desenvolvidos em cada comunidade escolar, e que o professor muitas vezes não atinge melhores resultados em suas pesquisas de ressignificação da Matemática devido à quantidade de afazeres e atribuições que a ele compete.

Tentando responder à questão formulada nesta categoria: Alunos especiais como trabalhar na diversidade? Podemos estar utilizando uma fala bastante pertinente da colega do grupo que diz: A forma de trabalhar em sala de aula são tuas estratégias.

Estas estratégias incluíram o convívio da mãe do aluno especial em sala de aula, a forma serena de uma das professoras gerenciar as questões relativas à sexualidade, a paciência em relevar e compreender o desinteresse dos alunos, as suas histórias de vida precária, buscando

http://portal.mec.gov.br/seesp/index.php?option=content&task=view&id=63&Itemid=192

estratégias, e o contínuo estudo e pesquisa realizados pelos professores, de maneira a reconstruir a cada momento, com muita sensibilidade e dedicação, o trabalho na diversidade.