Um estudo desta natureza só faz sentido se conhecermos a problemática de fundo, os objetivos a que nos propomos, assim como o espaço onde se desenvolveu o estudo e os seus intervenientes. Igualmente importante é considerar as opções tomadas e o caminho percorrido. Desta forma, no primeiro capítulo começamos por fazer uma contextualização do estudo no que diz respeito às questões orientadoras, à caracterização da escola, e ao universo de análise.
Relativamente às opções tomadas, no segundo capítulo apresentamos um esquema elucidativo da metodologia aplicada ao qual chamamos “Passos para construção de uma aula de dramatização”, e a partir dele explicaremos cada instrumento que utilizamos para a preparação das aulas, assim como a metodologia utilizada em todo o processo, desde a recolha até o tratamento e análise dos dados.
Capítulo 1. Contextualização do estudo
1. Escola Básica Gomes Teixeira: localização e caracterização
Não podemos deixar de fazer referência à escola, onde se desenvolveu o estágio profissional, e que serviu de “palco” a este estudo. Assim, quanto à localização, a EBGT insere-se na freguesia de Massarelos, a oeste no prolongamento de centro histórico da cidade do Porto. Faz fronteira com Lordelo do Ouro a poente, com Cedofeita a norte, e a nascente com Miragaia. A sul esta freguesia estende-se pelo Rio Douro por 2km.5
Situada, numa zona central da cidade do Porto, concretamente na parte ocidental, entre a Praça da Galiza e a Rua do Campo Alegre, é dominada por serviços (comércio, banca, seguros, faculdades) e de fácil acesso através de transportes públicos.
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Mapa 1. Localização da freguesia de Massarelos, Concelho do Porto
Fonte: Google É uma das quatro escolas que constituem o Agrupamento Infante D. Henrique, sendo as outras três: JI Barbosa du Bocage (ensino pré-escolar), EB Bom Sucesso (1º ciclo) e ES Infante D. Henrique (3º ciclo regular e CEF’S e secundário regular e cursos profissionais).
Quanto às instalações, a EBGT evidencia marcas claras de acentuada degradação física e de carência de equipamentos. Por exemplo, o edifício principal, constituído por três pisos, apresenta salas, na sua maioria, húmidas, com mobiliário antigo e equipamentos obsoletos. Não existe um verdadeiro laboratório para o ensino experimental, o bar dos alunos/professores funciona numa sala ampla, e é o único espaço interior de convívio conjuntamente com uma área de passagem. Dispõe ainda de uma biblioteca recentemente renovada, duas salas de informática, uma reprografia com serviço de papelaria, e espaços dedicados à prática de educação física. Sendo uma escola que recebe crianças com NEE de carácter temporário, na sua maioria com deficiências mentais, apresenta um conjunto de salas (unidades de apoio especializado) dedicadas a estes alunos.
Relativamente à comunidade escolar, a maioria do corpo docente pertence ao Quadro de Escola, com uma situação profissional estável e não residindo longe do local de trabalho. No entanto, verificamos a entrada de professores contratados que preenchem as necessidades residuais e que efetuam as substituições temporárias.
52 Quanto ao pessoal não docente, são cerca de quarenta pessoas entre administrativos, auxiliares, técnicos, tarefeiros, e outros serviços.
Sobre os alunos, os últimos dados de que dispomos apontam para cerca de 700, entre o 5º e o 9º ano de escolaridade, número que se crê ter diminuído nos últimos dois anos, devido à desertificação da cidade, ao desemprego, e à concorrência de escolas públicas, objeto de requalificações profundas pela Parque Escolar. Podemos referir que são, na sua maioria, provenientes das áreas envolventes, mas verificamos um número significativo que a frequenta pela proximidade com os empregos dos pais. E provêm de várias camadas socioeconómicas e culturais.
Salientamos também algumas das principais linhas orientadoras desta escola, tais como a democraticidade e a participação de todos os intervenientes no processo educativo, e a primazia de critérios de natureza pedagógica e cientifica sobre critérios de natureza administrativa. Valorizando ainda a promoção da interação entre escola e comunidade, a formação pedagógica e profissional de professores e funcionários, e a participação dos pais/encarregados de educação no processo educativo.6
2. Universo de análise: seleção e caracterização
Na EBGT tivemos oportunidade de trabalhar com várias turmas do 8º e 9º ano de escolaridade. Apesar de termos desenvolvido trabalho, praticamente, com todas elas, para o estudo em questão foram selecionadas apenas duas, uma de cada orientador.
Como já referimos anteriormente, um dos objetivos do estudo é perceber de que forma turmas com dinâmicas distintas trabalham esta estratégia e quais os resultados que podemos obter. Tendo em conta que esta pesquisa tem um carácter qualitativo, procuramos atender à máxima de que “se deve procurar a diversidade e não a homogeneidade” (Guerra, 2006, p.41), constituindo-se, assim, uma “amostragem por contraste” (Pires, citado por Guerra, p.44).
Desta forma, depois de uma cuidada observação, e de trabalho desenvolvido com as turmas ao longo de vários meses, foram selecionadas as duas que mais se diferenciavam ao nível do aproveitamento, do comportamento, e das formas de
6 A Informação que consta da caracterização da escola foi recolhida do Regulamento Interno AEIDH, Plano de Intervenção da EBGT, e ainda do Projeto educativo 2007/2010. O novo projeto ainda se encontra em fase de elaboração, pelo que os dados obtidos não estão totalmente atualizados.
53 aprendizagem em contexto de sala de aula. Para além disso, tivemos também em conta os diferentes anos de escolaridade. Assim, em História, selecionamos uma turma de 8º ano, e em Geografia uma turma de 9º ano.
Apesar de serem níveis muito próximos, a média de idades das turmas também apresenta alguma disparidade. Assim sendo, a turma do 8º ano ronda os 12/13 anos, já a turma do 9º ano tem uma média superior a 15 anos, o que contribui também para a escolha das turmas. Totalizando todo o universo de análise, de um total de 37 alunos, contamos com 23 raparigas e 14 rapazes. Verifica-se um claro desequilíbrio entre rapazes e raparigas, mas consideramos que não influencia o estudo em questão.
Como já referimos as turmas têm características diferentes. Quanto ao comportamento na disciplina de História, a turma de 8º ano revela-se calma, e adota uma boa postura na sala de aula, cumprindo, de uma forma geral, com as regras estabelecidas pela professora. É uma turma participativa, e interessada, com bons resultados ao nível do aproveitamento. Apenas dois ou três alunos não estão atentos, revelam dificuldade em expressar-se, mesmo quando solicitados, e têm também os piores resultados nos testes. Para além disso, é uma turma habituada a trabalhar os conteúdos de forma mais tradicional, digamos assim, pela via da exposição. Na sua maioria participam quando solicitados, e dois alunos acabam por monopolizar o diálogo professor/aluno.
Já a turma de Geografia de 9º ano, é bem mais agitada. Chega a ser uma turma complicada ao nível do comportamento. Alguns alunos não adotam uma postura correta na sala de aula: estão desatentos, conversam paralelamente à aula, e dão-se casos de indisciplina, sobretudo o desrespeito entre colegas, e a falta de compreensão e cooperação. Em geral a turma apresenta um bom aproveitamento, no entanto são resultados bastante dispares entre si. Quanto ao estilo de aprendizagem, o manual revela-se a prática mais recorrente.
Assim, uma turma calma, homogénea e com facilidades de aprendizagem, mas habituada a um ensino mais tradicional e de transmissão. Por outro lado, uma turma extremamente agitada, heterogénea, e que à partida apresenta dificuldades para trabalhar em grupo e aceitar propostas. No fundo, duas turmas muito diferentes, uma mesma atividade e o mesmo objetivo: tirá-los da zona de conforto.
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