Kap.4 ANLEGG
MASKINKJØP 1 981 . MASKINPARKEN FORDELT PÅ MASK INGRUPPER
9.8 TRAFIKKOPPLÆRING/FØRERPRØVER
A conformação da ordem moral doméstica tem se caracterizado como uma importante ação socializadora nas famílias de camadas populares, propagando-se para os domínios escolares, apesar de não se caracterizar como uma prática com fins pedagógicos. (DIAS, 2010; LAHIRE, 1997; PORTES, 2001; SOUZA, 2009). Assim, em sua atuação periférica ela se mostra influente no tocante à formação do aspecto moral da conduta, em que a preocupação em se ter bons modos de agir; o respeito à autoridade escolar; a docilidade evidenciada em ações como escutar com atenção, preocupar-se em estudar, ser o bom filho e bom aluno; moral do esforço, entre outros, revelam o trabalho familiar cotidiano que, ao propiciar uma educação abrangente, para a vida, favorece o trânsito escolar dos alunos de camadas populares (PORTES, 2001).
No conjunto das entrevistas realizadas percebeu-se, igualmente, a presença da ordem moral doméstica como algo estruturante da atitude desses indivíduos nos ambientes educativos, aproximando-os do universo escolar. Pois, demonstram ter internalizado noções como respeito ao professor, serem bons filhos, conformismo diante de dificuldades financeiras, colaborar para manutenção da ordem escolar, moral do esforço, entre outros.
Essa nos pareceu, portanto, uma intervenção positiva da família, que, apesar de não fazê-la em sua finalidade pedagógica, contribuiu sobremaneira para a constituição de características pessoais e condutas morais exigidas e valorizadas pela escola. Facilitando, por conseguinte, o percurso escolar de seus filhos.
Na biografia de Carlos, por exemplo, percebe-se claramente a presença da avó materna e seus valores, suficientemente fortes, ao ponto de contribuírem para a constituição de suas condutas sociais, que parecem ter lhe sido rentáveis no domínio escolar. Pois, essa preocupação familiar, tal qual descrito por Lahire (1997), em constituir-se como um lugar decente, fechado sobre si mesmo e, portanto, próprio a afastar influências não condizentes com o conjunto de princípios valorizados por ela, pode ter servido para mantê-lo no trajeto escolar, afastando-o de situações danosas ou desviantes.
Ah! Os valores morais. Acho que esses são os mais fortes. Religião nem tanto não. Mas acho que, minha avó principalmente, os valores morais dela foram mais fortes pra mim. (Você consegue me dizer alguns desses valores?) Não vou saber diferenciar não morais de éticos, mas eu acho que, por exemplo, a ser honesto. Acho que foi a coisa que eu mais aprendi com a minha avó. Que é bom a gente ter o que é da gente e não dos outros. Entre outras coisas. Foram muitas coisas. Caráter... (Você quer falar mais um pouco delas?) Então, é que eu não fui criado com pai, então minha avó sempre foi o braço forte lá de casa mesmo. Nunca fez falta. Tirando a
parte mais da adolescência, quando a gente vai crescendo, chega uma hora que o pai da gente faz falta. Mas, tirando isso, minha avó sempre deu conta do recado mesmo. Os valores dela são muito forte mesmo. (Você fala de orientação...) Orientação... por exemplo, que o mundo das droga não dá futuro pra ninguém, que roubar não é vantagem. Que é melhor pedir do que roubar. Que mais vale um pobre honesto que um pobre preso. Era as coisas que ela falava com a gente. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
[...] (Você tinha horário pra voltar pra casa?) Naquela época até tinha porque a avó era rigorosa. Até que naquele tempo a gente podia ficar andando na rua toda hora, à vontade assim. E aí como eu falo, nunca teve aqueles problema não. Hoje não. Hoje é complicado. A gente não pode ficar tanto tempo na rua. (Então não tinha essa cobrança de horário?) Não. Não. Até tinha. Só que no caso era menos perigoso. Hoje é muito perigoso ficar na rua. A gente até ia para casa numa tranquilidade. Muitas vezes dava sete horas. E no caso quando passava muito da hora, minha mãe ia buscar. Ela era bem...Nossa, Meu Deus! Eu não gosto nem de pensar. (E ela escolhia seus amigos?) Não. Ela sempre falava pra gente tomar cuidado com os amigos da gente. Alguns ou outros ela falava assim que não, mas acho que até era errado o julgamento. Outros era até acertado. Uns amigos meus mesmo eu até afastei por causa disso. Porque eu achei que ela realmente tinha razão. Mas eu sempre consegui conciliar muito bem, entendeu? Eu consegui porque eu sempre achei que amizade só interfere até onde a gente quer. Porque o primeiro medo mesmo quando eu saí de Piranga lá, que é cidadezinha pacatinha e todo mundo conhece todo mundo, foi o medo de drogas. Minha avó morria de medo. Só que eu falei com ela: ôh, mãe! Pra fazer isso, eu não precisava sair daqui. E desde que eu saí de Piranga até hoje eu nunca experimentei nada de muito diferente. Porque eu não quero. Ninguém vai me obrigar a fazer nada. Então, eu conversei muito com ela. Muitas vezes eu acho que o problema nem era comigo, era com os outros. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
Essa estratégia de fechamento familiar, já discutida por Terrail (1990) e Viana (1998) como propícia ao sucesso escolar em camadas populares, e que retrata a atuação familiar se priorizando enquanto núcleo formador, evitando o contato social deliberado, a fim de evitar influências externas, com outros indivíduos da mesma idade ou localidade, foi identificada nos relatos de outros alunos, como Andréa. Nesse caso em específico, o fechamento familiar, em sua perspectiva de ordem moral estabelecida, configurou-se como uma forma de controlar o tempo e não deixá-la sozinha à mercê de influências desconhecidas pelos pais.
Desde pequena eu ajudava meu pai nas tarefas do curral. (Você fazia o quê?) Tirava leite. Ajudava a cortar cana. (Mas porque você queria ou porque ele te pedia?) É que quando eu era pequena não tinha ninguém pra tomar conta de mim, então, a minha mãe ia pra escola e eu ficava com ele e ele me levava pra onde ele tava indo. No começo eu sempre ficava num cantinho vendo ele fazer as coisas e depois eu comecei a querer ajudar. Ele sempre pedia faz isso, faz aquilo. Aí acabou que a medida em que o tempo foi passando eu peguei prática nas coisas. (Mas você fez
isso sempre?) Fiz sempre. Aí depois que a minha aula, até então ela era à tarde,
ajudava nas tarefas da tarde. (Então você chegava da aula, almoçava...) Almoçava, arrumava cozinha, fazia dever e depois eu ia ajudar ele. (Andréa, Direito)
[...] Meu avô ele morava a poucos metros da minha casa, aí, nesse início assim, quando os meus pais não tavam, todos os dois trabalhando, aí eu ficava com ele. Depois que ele faleceu aí eu passei a ficar em casa sozinha. [...] (Andréa, Direito)
Essa mesma forma de zelar pela integridade dos filhos/netos, afastando-os de influências externas aparece nas falas dos alunos Fabrício, Mariana e Daniela:
(E ela verificava suas amizades?) Verificava. Verificava muito mesmo. Porque no meu bairro também tinha...é pouca gente, mas alguns lá que mexia com droga, entendeu? Aí minha mãe não queria que eu ficasse perto deles. Não queria amizade com eles. Ficava longe deles, entendeu? Ela falava: “fica longe dele.” Não podia nem conversar porque já dava problema. (Fabrício,Ciência da Computação)
[...] minha avó fazia um curso de corte e costura. Aí ela me levava pro curso e lá tinha uma escolinha. [...] Eu ia quando a minha avó ia pro curso e ela não tinha com quem me deixar, aí ela me levava. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)
[...] Meu vô me levou na escola até quarta série assim...todo dia. É...eu e meu irmão. Tive muito contato com meus avós mesmo. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)
Porque assim quando eu fiz nove anos, mais ou menos, eu e o meu irmão a gente brincava junto na horta. Quando eu fiz nove anos, meu irmão foi brincar pra rua com os meninos e minha avó não deixava. Que que eu tinha que fazer? Brincar de escolinha. Então tinha quadro, eu pegava uns livros antigos. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)
[...] É...minha mãe não gosta que eu bebo, eu fumo e eu gosto de sair de madrugada. Então ela fala assim: “Minha filha, não tem pessoas de bem onze horas da noite na rua. ” Eu falei: mamãe, a senhora já ficou na rua até onze horas da noite? “Nunca! ” Então. A Senhora não sabe. “Não. Cê tem que ficar em casa, quetinha, bonitinha”. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)
[...] Por exemplo, esse negócio até mesmo de você...eles são muito livres, mas, por exemplo, eu quando era mais nova eu podia sair o quanto eu quisesse, mas todos os meus amigos freqüentavam a minha casa. Eu não podia sair com alguma pessoa que eles não conhecessem. Meus pais são assim: se eu andasse com um estranho, que que cê tá fazendo...isso sabe? Acho que eles têm muito medo de qualquer envolvimento com drogas, com pessoas estranhas. Então eles sempre olharam muito esse lado e em casa mesmo...respeito. [...] (Daniela, Engenharia Ambiental)
[...] (Você tinha horário pra voltar pra casa?) Não. Eu nunca fui de sair, mas quando eu ia falar que ia sair, por exemplo, eu tinha que falar onde ia, com quem ia. Mas meus pais nunca estipularam horário, sabe? Às vezes, eles ligavam...”ah! já tá tarde? Cê não acha não?” “Cê já tá voltando?” “Quando cê vai voltar?” Até hoje tem. Até quando eu saio aqui em Ouro Preto eu falo com a minha mãe que eu vou sair ela liga: “cê já chegou em casa?” “Tá tudo bem?” É. Mais eles nunca colocaram horário. (E eles colocavam alguma regra quando você era criança em relação a
brincar fora de casa?) Até os dez anos eu morei numa casa e depois é a casa que
eu moro. Aí até os dez anos era uma...no centro, assim. Era amigos. Aí eu sempre podia brincar até tarde. E não tinha isso...era uma rua muito tranqüila. Então minha mãe sempre deixou a gente livre ali. [...] (Daniela, Engenharia Ambiental)
[...] Eu sempre me relacionei com pessoas que eram conhecidas, sabe? Então o estilo de vida que eu levava era o estilo de vida que meus amigos levavam, também. Eu nunca me relacionei com pessoas muito diferentes. Eu tinha horário pra estudar, eles também tinham. Eu não podia sair em tal horário, os pais deles também não deixavam em tal horário. Era uma cidade pequena. Então eu conhecia e meus pais conheciam. (Daniela, Enegnharia Ambiental)
Convém ressaltar que apesar da prática do fechamento familiar ser algo mais propenso a acontecer em camadas médias, ela também está presente na dinâmica intrafamiliar de nossos entrevistados, porém, de modo mais brando. Pois, essa restrição ao contato externo não se faz tão veemente em relação ao contato com avós ou com os pares como grupos de amigos e até mesmo vizinhos. Isso se confirma a partir de Bernstein (1960; 1961; 1973) citado por Nogueira (2011), ao relatar que nas camadas populares a dinâmica da educação intrafamiliar se dá de modo mais aberto, ou seja, os pais "autorizam", mais inconsciente do que conscientemente, que outras pessoas participem mais diretamente da educação dos filhos.
Observou-se, ainda, na narrativa do aluno Carlos, a presença da moral da conformidade, evidenciada a partir de sua relação passiva diante da instituição escolar. Condição essa que pode ter lhe propiciado a confiança de estar em um bom local de formação,
contribuindo para que nela permanecesse e a valorizasse.
Então. Até mesmo por condições financeiras assim, essas coisas, a gente ficava só lá em Piranga mesmo, que tinha escola lá. A escola era até boa. Aí dava pra gente estudar lá até formar, entendeu? Aí como eu disse depois disso ninguém pensava em nada, né? (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
Aí eu fui pra Viçosa. Fiz Física lá um tempo em Viçosa, na UFV. Que antes era uma particular e depois eu fui pra UFV. E aí eu não me dei bem com o pessoal lá do alojamento e não tinha condição nenhuma de morar lá por minha conta. Porque o estudo lá não é que nem aqui. Que aqui eu ainda conseguia trabalhar de dia, se precisasse. Mas, lá não. O estudo lá era de dia, integral. Costumava ter aula às sete horas da manhã e a última de tarde. Bem puxado. E como lá no alojamento eu
conseguia morar de graça...eu entrei no mesmo sistema de cota lá, eu não me dei bem. O negócio é bem diferente. Aí não deu certo. (Você achou que não
compensava insistir?) Não, não. Porque mais do que esforço, que nem diz...a gente
tem que batalhar pelas coisas, mas...muitas vezes tem que engolir sapo. Mas muitas vezes eles começa a mexer muito na integridade da gente. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
Essa mesma conformidade, em seu sentido de pôr-se de acordo, de concordância revela-se diante do respeito ao professor, do reconhecimento da relação de hierarquia, de autoridade do educador com a classe.
[...] Por exemplo, no primeiro ano, teve uma vez que a minha professora de química, ela achava minha mãe todo dia. Não sei como ela conseguia. Mas, todo dia ela achava minha mãe pra falar de mim. Porque ela ficava indignada comigo, entendeu? Porque eu conversava demais. E sempre uma das melhores notas era a minha. Como é ele que faz isso, entendeu? Nó direto ela me beliscava. (Quem? A professora?) A professora. Na terceira série também tinha uma professora que era meio nervosinha. Puxava a orelha da gente direto. Isso é normal. Nunca considerei agressão não. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
(E como era sua relação com os professores?) Ah, não. Sempre foi muito bom. Não que eu fosse um aluno excelente não, mas sempre foi muito legal. Dificilmente, que ninguém é perfeito, né, tinha uns atrito assim, mas foi muito pouca coisa. (Mas você fala atrito que terminasse na sala da diretora, por exemplo?) É. Isso foi algumas vezes, mas mais por brincadeira mesmo. Nunca por desrespeito. Nunca diretamente era com o professor não. Era sempre outra coisa. Porque conversava demais. Conversava muito. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
[...] Quando eu fui pro Industrial eu senti um baque muito grande, porque eu fui estudar à noite. Então foi um baque muito grande porque aí cê vê pessoas fumando que antes eu não via. É...aluno respondendo professor, que era uma coisa inadmissível pra mim. Minha mãe: “o professor sempre tem razão, tem que respeitar. ” [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)
[...] Eu falava muito. Então, era isso mais a bagunça. (E o professor chegava a chamar a sua atenção?) É. Então. Por conversar. Agora, tipo, tacar bolinha de papel, essas coisas, eu nunca fiz. Era só conversa mesmo. Conversava com o da frente, do lado, mas nunca...é responder professor nunca. [...] (Daniela, Engenharia Ambiental)
De outro modo, os alunos Carlos, Fabrício, Tiago, Daniela, Mariana, José e Andréa retrataram, por meio de suas histórias, mais uma faceta da ordem moral familiar, que aparece agora a partir do princípio de contribuir para as atividades domésticas, de tal forma a não sobrecarregar os demais membros familiares. Nesse tipo de conduta, denominado por Zago (2011) como mobilização familiar voltada para a sobrevivência, o rendimento coletivo do
grupo, decorrente do trabalho de seus integrantes, colabora para assegurar suas necessidades básicas. Lahire (1997), por outro lado, considera que o estabelecimento de rotinas diárias pode contribuir para a organização cognitiva, de tal modo a contribuir para a ordenação do mundo externo. Identifica, portanto, uma relação entre as práticas domésticas regulares desempenhadas e a consequente construção de uma organização cognitiva, podendo auxiliar os alunos de camadas populares em suas atividades escolares. Pois, o tipo de atitude esperado pelas escolas costuma guardar semelhança com o que foi desenvolvido nessas famílias, como atitudes de demonstração de ordem e autodisciplina.
Ah...antes não tinha não, porque quando eu morava lá no interior, morava também minhas duas tias. Então, era muita gente lá em casa. Então, sobrava pouco ou nada pra gente fazer. Mas quando mudou pra qui, eu geralmente faço muita coisa. Arrumo cozinha, arrumo casa. Só não faço comida. (E como é essa divisão entre você, seus irmãos e sua mãe?) A comida mesmo é minha mãe. Aí eu mais meus irmãos, a gente vai dividindo a cozinha, no resto da casa assim, a gente vai dividindo sempre assim, pra não ficar muito apertado pra ninguém. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)
É...limpava o quintal lá de casa, fazia a limpeza. É...também ajudava na parte da construção. Porque tinha uma parte da casa que tinha que construir. Aí tinha que trabalhar. Ajudava o meu pai. Também arrumava meu quarto, né? Isso também é importante, né? (Mas havia uma cobrança ou era uma regra que você tinha que seguir? Sua mãe tinha que te cobrar ... seu pai?) Não. Eu já sabia que tinha que fazer aquilo. Não tinha escapatória. Nem precisava de cobrar. (Fabrício, Ciência da Computação)
Então, teve uma época que eu sempre lavava louça. Lavava louça todo dia do almoço. Foi uma época que eu acho que eu era mais novo e minha mãe tava trabalhando na escola. Acho que eu tava com uns...dez, onze anos também. E ela trabalhava como merendeira que eles falam lá. E ela chegava cansada. Aí eu lavava louça pra ajudar ela. Teve uma época que eu até acostumei. Ela saía pra trabalhar, pra poder ajudar eu lavava. E, final de semana. Que geralmente ela arrumava a casa no sábado, eu fazia alguma coisa pra ela, pra ajudar. Ou lavar banheiro, ou passar pano ne guarda roupa, rack, essas coisas assim. Tirar uma poeira. (Mas era uma coisa que você já sabia que era rotina sua ou ela tinha que te pedir...como que era?) Ah....não era rotina, sabe? Se eu não quisesse fazer, ela não ligava. Ela mesma fazia, sabe? Se ela tivesse muito cansada ela pedia. “Ah! Faz isso pra mim?” Aí eu fazia. Mas se ela pedisse e eu não fizesse também, ela não me xingava, não me dava bronca nem nada não. Ela sempre foi tranqüila. (Tiago, Ciências Biológicas)
[...]Só alguma tarefinha em casa, que precisava capinar alguma coisa ou tirar um matinho de canto. Aí eu fazia tranqüilo. [...] (Tiago, Ciências Biológicas)
[...] Quando eu morava com a vovó era tipo, encerar, passar escovão, essas coisas. Tinha que ajudar. Eu e meu irmão. Não era só eu não. Meu irmão também. Cozinhava...Ah! Faz o molho do macarrão. Todo dia na casa da minha avó era
macarrão. E quando tava com a minha mãe tinha que ajudar também, ainda mais quando a minha imã tava menor assim. Às vezes eu ia final de semana ou ia passar a semana na casa da minha mãe, tinha que cuidar da Robertinha. Tinha que ajudar também. (Então era uma divisão já estipulada? Você já sabia o que tinha que fazer?) Não. Não era estipulado assim não. Elas pediam: “hoje você vai arrumar cozinha!” Resmungando, resmungando... Ah não, mãe. Aí era assim, minha mãe: “você vai arrumar cozinha” E eu não! Ah não, mãe. Aí meu irmão ria, ria. E minha mãe: “e você vai limpar a mesa. Limpa a mesa e varre o chão só porque cê riu, sabe? Mas num gostava não. Nunca gostei. (Mariana, Licenciatura em Letras)
[...] eu tive...a partir dos doze anos mais ou menos que eu comecei. Porque até os dez anos minha tia trabalhava lá na minha casa. Porque minha mãe sempre trabalhou, meu pai também. Aí depois ela teve que sair. Aí eu comecei a ajudar, né? Aí tinha que lavar vasilha, a cozinha do almoço era minha. Era umas coisas assim. (Era uma divisão entre você e sua mãe? Ou havia participação dos seus irmãos, do seu pai?) Meu irmão do meio eu acho que ele tinha algumas coisinhas pequenininhas pra ele não ficar à toa, mesmo. Mas não era nada...porque lá em casa cada um tem diferença de cinco anos um pro outro. Então, ele era bem novinho ainda, né? E o outro era recém-nascido. E...era mais entre eu minha mãe mesmo. Minha mãe acho que ela fazia a maioria das coisas mesmo. Era só essas coisas de dia-a-dia, tipo vasilha até ela chegar e ajeitar tinha muita coisa. Mas, o resto, faxina, era sempre ela nos finais-de-semana. (E era uma divisão que ela fazia?) É. Ela estabelecia. (Daniela, Engenharia Ambiental)
Então...eu tenho uma irmã que é um ano mais nova que eu. A minha irmã tá muito mais ligada a minha mãe nesse sentido de atividades domésticas e eu ligado ao meu pai. Só que meu pai trabalhava fora, né? Então as coisas domésticas básicas eram cuidar da horta. Que eu acredito que era. Que era ter contato com planta, que era o que meu pai fazia, também, no início. Hoje em dia ele não faz isso, mas ele trabalhava numa cooperativa de plantação de rosas, que...Barbacena é a cidade das rosas, né? Então, meu pai trabalhava nisso e ele trazia pra casa e eu ficava lá. Porque ele não podia, por exemplo, tá aguando sempre e tal. (Então era uma atividade sua?) Era uma atividade minha rotineira. (E as outras atividades domésticas....)