3.2 Utfordringer ved TBL som konsept
3.2.2 Trade offs
Paralelamente ao reconhecimento dos objetos a serem estudados, in loco e via web, um levantamento bibliográfico foi feito a respeito das mulheres portuguesas, na busca por conhecer mais a respeito de sua posição política ou não, mediante a insurreição da Revolução Francesa. A intenção nesse momento era, de alguma maneira, encontrar qualquer vestígio que
relacionasse as damas da corte com o contexto político, seja por adentrarem as assembleias, conviverem no âmbito público, atuarem como escritoras anónimas, enfim, para que o olhar da autora estivesse atento, durante a visita ao museu, em pequenos detalhes.
Contudo, apesar de ter sido averiguado informações de cunho teórico, ao observar as roupas tanto no Museu Nacional do Traje quanto em retratos, a indumentária não dava indícios de uma certa “emancipação” feminina das portuguesas fidalgas. A partir desse momento, percebeu-se que as lusitanas realmente se mantiveram reclusas em seus recintos domiciliares, cuidando da casa e do marido. Raras eram as que estudavam, porém, revelou-se que a beleza era essencial, e que muitas eram criticadas pelos trajes à francesa que usavam. Nesse ponto inicia-se o processo investigativo do tema pela relação da mulher portuguesa com a moda estrangeira - averiguada nas semelhanças dos trajes entre os três museus.
Após a visualização e registro das vestes no museu de Lisboa, complementou-se o processo através do levantamento bibliográfico, dando início à escrita dos capítulos que tratam do panorama histórico de Portugal. Como Andrade (2014) sugeriu, aplicou-se primeiro o levantamento dos objetos a serem analisados, no caso os trajes datados de 1789 a 1807, para só então iniciar a construção do conhecimento, ou a “historização” destes. Com o conhecimento do vestuário ao estilo Império e demais acessórios que fazem parte do período da investigação, observando seus pormenores e atentando para os detalhes, essas peças nortearam e deram direção para a pesquisa bibliográfica.
Para compreender e se chegar ao objetivo da investigação, foi imprescindível conhecer o contexto histórico. Primeiramente para entender a conjuntura do período, e na intenção de relacionar os acontecimentos aparentemente dissociados, mas que ao fim se ligam e dão embasamento a pesquisa, como sugere Pesavento (2008) no seu “método da montagem”. Como já menciondo na metodologia, o propósito de averiguar sobre o contexto histórico, contemplando as consequências do Iluminismo e da Revolução Francesa em Portugal, além de abordar a representação da mulher no tempo determinado, é inserir o objeto da pesquisa, os trajes, para dentro do cenário social na intenção de compreender a interação das roupas e da moda com a conjuntura da época, como sugere Meneses (1998). Sem esse aporte, as mudanças e transformações desenvolvidas no vestuário da época, não teriam sentido algum, além de negar a moda como documento de pesquisa e expressão da conjuntura sócio-político-econômica de sua época, conforme sugere Roche (2000) e Andrade (2008).
Após formular os capítulos referente à conjuntura histórica, ao Iluminismo e às mulheres em Portugal, o próximo passo foi iniciar o quinto capítulo que detalha a respeito da moda em vigor de 1789 a 1807, pontuando alguns detalhes relevantes no decorrer do texto, como as mudanças que aconteceram.
Nesse capítulo específico, o primeiro desafio foi encontrar uma bibliografia que abordasse a moda em Portugal durante o século XVIII e início de XIX. Para espanto, não se achou nenhum registro sobre, salvo os autores que tratam da indumentária tradicional, que neste trabalho não objetivou-se tratar. Como Taylor e Miller ressaltaram sobre tal equívoco, infelizmente é comum nas descrições de uma História da Moda, universalizar os costumes e as práticas, especificamente nesta investigação, da moda européia pelo viés francês (2004;1998, apud ANDRADE, 2006).
Essa dificuldade em encontrar obras que abordem sobre a moda em Portugal, possivelmente foi resultado de uma generalização da moda dita europeia, provinda principalmente de Paris, desde o reinado de Luis XIV. Em virtude da vasta influência da França em Portugal, assim como noutros países europeus, há grande dificuldade em encontrar autores que tratem de pesquisar os vestuários de cada localidade, examinando e analisando as diversas relações possíveis entre os costumes e as modas.
Até o momento, já havia sido encontrado algumas referências bibliográficas, da qual alegam as interferências estrangeiras nos hábitos e costumes portugueses, inclusive na moda. Sendo assim, na ausência de bibliografias mais objetivas do que foi a moda em Portugal e, em virtude do forte estrangeirismo em solo lusitano, a descrição da moda francesa foi tomada como base para o desenvolvimento do subcapítulo 5.1 intitulado “A moda consumida em Portugal de 1789 a 1807”.
Após a análise das imagens feitas nos museus, constatou-se as semelhanças estéticas entre os trajes portugueses, franceses e ingleses, claramente visíveis pois inúmeras peças de vestuário possuíam várias similaridades, principalmente na modelagem. Ainda no decorrer desse processo de investigação, algumas abordagens bibliográficas alegaram que a moda que vinha do estrangeiro para Portugal era adaptada conforme os costumes locais. Contudo, materialmente essas argumentações não foram percebidas nos trajes da coleção Império exposto no museu. Concretizou-se a finalização do capítulo, reunindo e detalhando a moda usada de 1789 a 1807, representando essa evolução com as imagens dos trajes e de pinturas que retrataram ou o sujeito mencionado ou sua vestimenta. Também na medida que aconteciam fatos determinantes na história de Portugal, em que se sugeriria mudanças pertinentes na sociabilidade e nos costumes, ponderou-se escolher os trajes que mais expressaram tais transformações. Alguns trajes representaram de maneira mais completa, o que se abordou textualmente.