Provavelmente a obra de língua inglesa que tem a melhor desenvoltura argumentativa é Of the Leaven of Pahrisees. Wycliffe utiliza a figura dos fariseus para explicar a igreja de seu tempo:
Cristo ordenou a seus discípulos e a todos os cristãos que entendessem e fugissem das palavras dos fariseus, que eram a hipocrisia. Os primeiros fariseus eram homens de fundamento religioso singular, e pecadores. Ensinavam além da palavra de Deus que é o que está escrito. E na época de Jesus eles estavam divididos em três ordens, Fariseus, Saduceus e Essênios104. (...) Eles eram poderosos
inimigos de Cristo e de sua lei, desviando as pessoas de Deus por sua hipocrisia, e eram cheios de avareza. Desta forma São João Batista e Cristo os chamaram de hipócritas e serpentes ardilosas, e Jesus os amaldiçoou oito vezes como dizem os evangelhos. Mas Jesus amava e salvou alguns destes homens, como Nicodemos e Paulo, pois a eles foi dada a ordem de se libertar pelo evangelho e Deus destruiu aquelas ordens, como a Bíblia nos diz.
104 O termo “essênio” não aparece nos relatos bíblicos e é incomum entre os argumentos cristãos da época. O mais provável é que este termo indica que Wycliffe tenha, de alguma forma direta ou indireta tido contato com a obra “Guerras Judaicas” de Flávio Josefo, onde este historiador judeu na época do Império Romano descreve essas três correntes de pensamento dentro do judaísmo da época de Jesus.
E hoje, nossas novas ordens religiosas produzem os mesmos pecados, a mesma avareza e hipocrisia. Esforçam-se contra a liberdade do evangelho, a vida de Cristo e seus apóstolos, eles foram então amaldiçoados por Deus e deve-se trazer à tona a sua ordem doentia e de homens pecadores, trazer todos à clareza do evangelho e liberdade da lei de Cristo(...).105
Wycliffe utiliza vários elementos comparativos para ligar os fariseus à Igreja Católica. Primeiramente o profundo conhecimento religioso. Os fariseus são sábios religiosos judeus, que acreditavam não somente na Torá escrita (livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Deuteronômio e Números), mas também na chamada Torá oral, um conjunto de ensinamentos que Deus teria passado ao povo hebreu enquanto caminhava com esse na fuga do Egito e no deserto do Sinai. Este conhecimento teria sido passado de geração em geração e posteriormente na Idade Média compilado no Talmude106 e coletâneas de Midrashim107.
Assim sendo o profundo conhecimento religioso é unido à utilização não somente do texto sagrado escrito, mas uso da tradição oral. Uma vez que a Igreja Católica se coloca na condição de possuidora de uma tradição que se mantém na igreja institucionalizada e que guia esta igreja. Os fariseus tinham como principal diferença dos saduceus, outra corrente de pensamento da época de Jesus, a crença na tradição oral, enquanto os últimos a negavam, crendo apenas estritamente no que estava escrito na Torá.
Wycliffe compara a avareza dos fariseus com a avareza dos religiosos de sua época. Tal comparação não é completamente perfeita. Na verdade ele se utiliza muito mais de um estereótipo criado em sua época, do judeu
105 WYCLIFFE, John. Off the Leaven of Pahrisees, cap. 1
106 O Talmude possui essencialmente duas partes, a Mishná que seria o compêndio das leis orais, compiladas de forma escrita por volta de 200DC e a Guemará que é a discussão da Mishná sendo esta parte compilada por volta de 550DC. Igualmente existem duas compilações distintas do mesmo, o
Talmude Yerushalmi compilado nas proximidades de Jerusalém, sendo que esta compilação é um pouco
mais antiga, sendo datada do final do século IV, enquanto a outra compilação, o Talmude Bavli produzida na Babilônia, tendo sua data final de produção o século VI ou VII.
107 O termo midrashim é o plural de midrash, sendo um conjunto de interpretações exegéticas, com certa liberdade literária, dos livros da Torá, sua produção inicia-se no século I e a primeira importante
coletânea das mesmas é o Midrash Rabbah que inicia-se pela produção do Bereshit Rabbah (Coletânea de
midrashim referentes ao livro do gênesis – Bereshit) no século VI e é composto por várias outras
coletâneas individuais, como Shemot Rabbah, referente ao livro do Exodus e Vayyiqra Rabbah referente ao livro de Levítico.
avarento, do que realmente de pesquisas sobre os fariseus. A prova disso é que segundo o seu texto os fariseus se dividiriam em três grupos, entre os quais estavam presentes os próprios fariseus, os saduceus e os essênios. Então podemos entender que ele utiliza o termo “fariseu” não somente para falar da corrente dos fariseus, mas para definir judeus em geral. Desta forma transpondo o estereótipo criado do judeu avarento para os membros da própria igreja108.
Wycliffe faz questão de definir os três “tipos” de fariseus, entretanto em momento algum em todo o decorrer do texto ele irá voltar a falar especificamente dos saduceus ou dos essênios. Fica então a dúvida de porque citar uma divisão que não se pretende aprofundar. Especialmente quando se leva em conta que embora os fariseus e saduceus estejam presentes na Bíblia e sejam então de maior conhecimento dos estudiosos de sua época, o grupo dos essênios109 não era de conhecimento do senso comum por não ser citado em nenhum dos livros da bíblia.
Talvez Wycliffe pretendesse falar posteriormente sobre essa divisão em outros estudos e apenas introduzia a ideia, tendo em vista que este é um de seus últimos trabalhos. Porém isso não é certo. O fato é que a única real comparação que feita é que, assim como a Igreja Católica se dividia em várias ordens, e que nem todas essas existiam há muito tempo, também os “fariseus” ou judeus, dividiam-se em várias ordens que surgem em momentos diferentes da história.
Caso a comparação fosse aprofundada, talvez Wycliffe pudesse ligar a ordem franciscana com os essênios, por seu apego à pobreza, vida fora dos grandes centros urbanos, regras relacionadas a se livrar as posses materiais, vestimentas rudimentares, etc. No entando tal possibilidade é apenas especulativa110.
108 Muito embora, parte deste esteriótipo esteja contido na própria Bíblia, como no fato de Judas ter traído Jesus por 30 moedas de prata ou o comércio feito no Templo, certamente apenas com base nos textos bíblicos seria impossível estabelecer um esteriótipo como esse, de modo que, muito provavelmente, Wycliffe recebeu influências externas ao texto bíblico para criação deste esteriótipo.
109 O termo “essênios” também pode se referir aos sectários de Qumran, conforme demonstrado por Clarisse Ferreira da Silva em O Comentário (Pesher) de Habacuc, A Comunidade de Qumran
reinterpreta o passado.
110 E para tanto seria necessário fazer a divisão entre os franciscanos e os espirituais franciscanos que faziam oposição aos mesmos.
Outra curiosidade deste texto de abertura é o fato de Wycliffe dizer que São João Batista e Jesus chamaram os fariseus de hipócritas e de serpentes ardilosas. Uma vez que Jesus os havia chamado de hipócritas, qual a necessidade de que ele citasse João Batista, uma vez que Jesus seria o próprio Deus e que sua decisão e julgamentos seriam, portanto, incontestáveis? Aparentemente o motivo pela citação de João Batista é justamente o mesmo argumento citado acima. Se Jesus é considerado o próprio Deus, então ele teria o direito de julgar a instituição religiosa vigente de sua época, mas isso não daria a um simples homem tal poder de julgamento. Mas, quando Wycliffe cita que não somente Jesus, mas também João Batista havia realizado tal ato, colocando inclusive o nome de João Batista na frente, Wycliffe demonstra que não somente Jesus havia julgado, mas que também seus seguidores, ou os seguidores de Deus111, também haviam percebido os erros nos fariseus e alertado a todos. Obviamente há então a identificação de Wycliffe com o próprio João Batista112.
Wycliffe, na continuação do texto, fala por três vezes seguidas da liberdade do evangelho, ou então liberdade da lei de Cristo. De que liberdade ele estaria falando?
Uma das grandes discussões de Jesus com os fariseus, segundo os quatro evangelhos, era a questão da lei. Jesus realizava curas no sábado e era criticado por isso, ao que respondia que os fariseus eram hipócritas. Igualmente a questão do local de adoração, quando perguntado se o local certo de adoração era o Templo, reformado com a ajuda de Roma, ou se eram os lugares altos, Jesus respondia que haveria um tempo e que esse tempo era agora, onde os verdadeiros adoradores adorariam em espírito e verdade. Por fim, temos na Torá 613 mandamentos presentes. Estes ainda possuem seus diversos desdobramentos, mas Jesus vai em caminho inverso, resumindo
111 Uma vez que João Batista não é propriamente seguidor de Jesus.
112 Neste ponto é importante ressaltar que Wycliffe está fazendo uma relação de continuidade, onde ele pertenceria a uma mesma linha de ação de João Batista, ou, conforme podemos perceber mais adiante, uma mesma linha de ação onde estariam diversos outros profetas e santos. Não sendo assim uma relação específica entre João Batista e Wycliffe pontualmente. Ou seja, assim como João Batista era verdadeiro adorador de Deus e denunciava a hipocrisia dos falsos religiosos de sua época, também Wycliffe sendo verdadeiro adorador de Deus deveria denunciar a hipocrisia dos falsos religiosos de sua época.
todos os mandamentos em dois: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo113.
Desta forma a liberdade dada por Jesus seria a liberdade de não se guiar pela lei como um código de pontos específicos, mas como um princípio, o amor. Sendo assim haveria esta outra semelhança entre os fariseus que são criticados por Jesus e os religiosos da época de Wycliffe, se preocupam com as leis, detalhes destas leis, e não com a essência do cristianismo em si. Veja que Wycliffe fala em “e mais caridosa forma, pois Jesus a fez e nos deu através de sua nova lei.” Ou seja, o foco realmente é a nova lei do amor.
Continua o texto:
Blasfêmia, pois esses novos religiosos pecam ao dizer que Jesus não deveria, não poderia ou não iria ensinar os cristãos qual a melhor religião, pela qual pudessem chegar ao paraíso. Se assim fosse ou Jesus não seria Deus, ou Ele não traria seu amor. E desta mesma forma eles pecam ao dizer que um pecador idiota era mais sábio e cheio de caridade do que Jesus Cristo, dizendo que este pecador idiota tem e vive uma religião melhor do que aquela que viveu o nosso senhor Jesus Cristo, o todo poderoso. A hipocrisia é a quebra de tudo o que é sagrado, pois ela não se lança diante de Deus, assim a hipocrisia é totalmente contrária a Cristo, pois ela é lançada como se fosse o próprio evangelho sendo ensinado, mas é o mais comum e maldoso de todos os pecados.
Ora, neste momento a discussão deixa de ser teológica. Não importa mais se é permitido ou não pela Bíblia a riqueza da igreja, não importa mais se o papa é infalível ou não, ou se ele deveria ou não estar no controle de toda a igreja. Wycliffe não entra em confronto com os ensinamentos e bulas papais, ele usa a própria figura de Cristo para que a simples justaposição destas duas figuras, Jesus e o Papa, criem uma dicotomia facilmente visível. E apenas deixa claro às pessoas que o lêem qual o resultado de preferirem a figura papal à figura de Jesus.
113
Aqui pode haver algumas pequenas varições. Segundo Lucas 10, 27 temos “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.” e ainda, segundo o presente em João, 13, 34 temos a ideia de amar o próximo como Jesus amou as pessoas
Se Jesus realmente era Deus, se Ele realmente, portanto, tinha todos os atributos divinos, onisciência, onipotência e onipresença, então seria impossível que isso coexistisse com a Igreja Católica conforme esta se punha e, especialmente seria impossível que isso coexistisse com o papa da forma como este vivia114. Jesus vivia no meio dos pecadores e dos pobres, Jesus não tinha posses, não vivia com roupas luxuosas ou com livros caros. Ele tampouco vivia no Templo, o texto sagrado aponta duas únicas vezes onde Jesus teria ido ao Templo, uma delas quando criança e outra quando pegou o chicote para expulsar os mercadores que faziam comércio em nome de Deus.
Ora, essa justaposição de figuras deixava o papa em uma situação de difícil defesa. Especialmente, pois Wycliffe já prevendo possíveis respostas já se antecipa a elas. Caso fosse feito o argumento que na época de Cristo a igreja ainda era pequena e pobre, mas que com o tempo ela deveria crescer e que o tamanho da igreja no século XIV seria um exemplo do poder de Cristo. Isso já estava rebatido com o atributo “não poderia” utilizado, se Jesus realmente desejava que a igreja crescesse em riqueza e em rituais, então porque Ele em seu infinito poder não levou essa riqueza aos seus contemporâneos? Outro argumento é que na verdade o culto prestado pelos primeiros cristãos era muito simples, mas que com o passar do tempo e sob orientação divina conseguiram evoluir o culto ao patamar que se encontrava no século XIV. Mas Wycliffe responde isso com o atributo “não iria”. Se realmente a forma perfeita da religião era a atual (século XIV) e não a da época de Jesus, então por que motivo ele não iria ensinar a forma correta de uma vez? Por que permitir que os primeiros cristãos prestassem um culto menos eficiente e defectivo para que esse só fosse melhorado no decorrer dos séculos? E por último poderia ser utilizado o argumento que Jesus queria que os homens fossem aprendendo pouco a pouco como seria o melhor culto, por isso mesmo podendo dar a eles as condições materiais e mesmo podendo ensinar, não gostaria de ensinar. Entretanto isso é respondido pelo atributo “não deveria”, afinal por que motivo Jesus não deveria ensinar a religião correta? Porque motivo ele deveria ensinar algo defectivo? Para responder a isso seria
114 É importante destacar que isso não vai contra a existência de um sumo pontífice, apenas contra as atitudes dos papas de sua época. A origem da contextação de Wycliffe a ideia de um sumopontificado está em outras passagens.
necessário que a Igreja Católica admitisse que coisas novas foram criadas após Cristo para tornar o culto mais perfeito, mas isso demonstraria que adições foram feitas, logo o culto foi modificado.
“Se assim fosse ele não seria Deus ou não teria o seu amor”. Ou seja, a única forma de justificar tal comportamento de Jesus seria que ele não tivesse os atributos de Deus, logo não saberia qual o melhor culto, e assim sendo realmente a Igreja Católica poderia ter sido inspirada por Deus posteriormente para melhorar o que Jesus teria falado, entretanto isso seria a própria negação da fé católica que se baseia na divindade de Jesus. Ou então teriam de admitir que Jesus não agia pelo amor ao ensinar algo de forma parcial ou incompleta, porém isso também iria completamente contra a base da fé católica, que é baseada não somente na divindade de Cristo, mas também na ideia de que Deus por amar o mundo de tal forma deu o seu filho a nós115.
Por último, ao colocar lado a lado a figura do papa (pecador idiota) e Jesus, Wycliffe dá sua cartada final. Quando dizem que a forma do culto da igreja atual (século XIV) é melhor do que a dos primeiros cristãos, isso em si já é um pecado. Pois, ou o papa teria de ser mais sábio do que Jesus para conseguir instruir os homens a um culto mais perfeito do que o que Jesus instruiu, ou então o papa terial que ser mais amoroso, uma vez que Jesus mesmo sabendo o culto perfeito não o haveria ensinado, eagora, o papa, mais amoroso ou mais sábio que Jesus o estaria esinando. Obviamente ambas as afirmações são absurdas mesmo ao maior dos seguidores do papa, que apesar de sua infalibilidade jamais poderia se declarar maior do que Jesus. E a única forma de negar tal comparação seria dizer que o culto na época de Jesus era, portanto, mais perfeito que o culto medieval. Isso logo recairia em uma nova pergunta, porque então não retornar ao culto da igreja primitiva? Isso era igualmente inaceitável pela igreja católica, pois destruiria toda a sua base de poder.
Por fim Wycliffe define a hipocrisia como um terrível mal em comum, pois se utiliza do próprio evangelho para fazer algo oposto a ele. Verdades são pregadas em nome de Cristo, mas que são totalmente contrárias à sua própria
vida e ensinamento. Desta forma toda a igreja, forma de culto e mesmo a figura do papa são comprovadamente hipócritas, segundo o pensamento de Wycliffe.
Continuando o texto:
Então toda essa novidade das ordens é suspeita de hipocrisia e orgulho luciferiano e blasfêmia da hipocrisia do anticristo. Por último os homens fizeram essa novidade para sua vã glória e para atingir mais plenamente o que pertence aos deuses mundanos, pelo hábito e outros símbolos sagrados. Desde então eles podem viver como se estivessem agradando a Deus ao mesmo tempo em que dão lucro à santa igreja, e podem se dedicar de corpo e alma para limpar a religião que o próprio Cristo fez para seus discípulos. Por isso os sacerdotes fizeram essas novidades de idiotas pecadores através das misérias do orgulho de Lúcifer. Pois eles são tidos por homens mais santos e detentores de mais valor em si por essas novas ordens de suas cabeças tolas, deixando a eles uma ocupação melhor para limpar a lei de Cristo. Por isso eles nunca servem perfeitamente Cristo em sua vida sagrada e ensinando sem essas novas profissões e cerimônias, as quais Cristo e seus apóstolos nunca fizeram na escritura sagrada.
Wycliffe acusa os membros da Igreja Católica de quererem ser deuses terrenos, por isso precisam se diferenciar dos outros homens. Para que possam parecer mais santos e mais perfeitos, por isso precisam se encher de símbolos de uma roupa específica, o hábito. Desta forma, o objetivo inicial, que é enriquecer a igreja e alimentar seu próprio orgulho, é conseguido. Entretanto para que esse objetivo se cumpra é necessário que limpem de sua religião o que Jesus realmente ensinou; é necessário que a lei de Cristo seja apagada, assim como a sua forma de viver, pois somente então poderão estar livres para fazerem o que bem quiserem.
É um orgulho fendido uma criatura pecadora colocar padrão na lei de Cristo, vista na palavra ou fazer com que Cristo não tenha ensinado aos seus discípulos e sacerdotes a melhor lei e religião, mas deixado a melhor lei para trás umas centenas de anos, e mais, até que Satanás fosse solto para enganar os homens pelos seus prazeres e
hipocrisias. Mas desde que Jesus fez e ensinou a melhor religião, somente o que está presente no orgulho dos filhos de Lúcifer é deixar o que há de melhor, e convencer os homens a deixarem o que é melhor e fazê-los sentir a necessidade de se segurarem no que é o pior.
A questão da Igreja Católica como detentora da tradição cristã milenar era colocada em xeque, com uma inversão de pensamentos, onde não haveria qualquer necessidade de explicação da forma certa como agir, não havia a necessidade de tratados de patrística sobre esse assunto, e muito menos tratados tomistas, uma vez que o próprio Jesus, ao viver, teria dado o exemplo da forma certa de se viver. E não aceitar que Jesus viveu da melhor forma possível, forma esta que deveria ser seguida por todos, era como aceitar que ou ele não seria o próprio Deus, ou senão que ele seria mau, ensinando aos homens de sua época algo que não era o melhor, e que somente seria acessível aos homens do futuro, através da tradução patrística e tomista católica. Com esse discurso simples, Wycliffe enfrenta diversas das perguntas enunciadas na Suma Teológica, uma vez que bastaria olhar para Jesus e comparar a figura de Jesus com a de um padre, ou do próprio papa, para ver as gritantes diferenças e entender que a Igreja estava errada.
Uma vez que a Igreja Católica estaria fazendo novas inserções, e que