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35 MW) of the total exergy input to the system. The amount of electricity that enters the dry ice production process upon grid

Desde os anos 1970 os países americanos observam realidade controversa onde a decisão de se proibir e reprimir a produção, tráfico e consumo de grande número de psicoativos coexiste com a disposição de milhões de pessoas em transgredir sistematicamente essa proibição. Esse cenário está de certa forma na origem de várias mazelas nos países amazônicos: da escalada da violência rural e urbana, das conseqüências negativas para a ecologia e a economia advindas das fumigações na floresta amazônica e do grande número de refugiados colombianos.

A escalada de violência nos meios rural e urbano dos países amazônicos é efeito, em parte, das ações de grupos criminosos e dos métodos estatais de contenção desses

grupos. Nesse sentido, um dos fatores centrais são as práticas violentas das redes narcotraficantes – seqüestros, roubos, intimidações e guerras por poder e controle de área.

Os métodos de repressão às redes narcotraficantes nos centros urbanos e nos campos impulsionam espiral de conflitos e retaliações entre as partes. Por isso, argumenta-se que os esforços estatais para combater o narcotráfico além de não dissolver as redes criminosas têm intensificado a violência nos países amazônicos nas últimas décadas250. A realidade violenta dos países amazônicos torna possível uma comparação com a época da Lei Seca nos Estados Unidos. No período o tráfico de álcool financiava grupos criminosos que se imbricavam em outras atividades ilícitas, e cooperaram para um período de violência exacerbada em alguns centros urbanos estadunidenses251.

Outra prática a acarretar sérias conseqüências ecológicas e econômicas na Região Amazônica são as fumigações às plantações ilícitas realizadas pelos agentes estatais. As fumigações, ou aspersões aéreas com herbicidas, para a erradicação de cultivos ilícitos iniciaram-se na Colômbia em meados dos anos 1970. Desde 1986 utiliza-se oficialmente o agente Glifosato para tais fins nesse país252. Ao fim da década de 1990 Washington pressionou Bogotá a desenvolver ações com venenos mais poderosos tendo em vista os resultados inexpressivos alcançados com o Glifosato253.

Em INESC254 analisa-se o alerta de especialistas e ambientalistas para os riscos ambientais e sócio-econômicos das fumigações com o agente Glifosato:

“Segundo a American Cancer Society, a exposição ao glifosato pode causar um tipo de câncer conhecido como Non-Hodgkin’s Lymphoma. A Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA adverte também que produtos à base de glifosato podem causar vômito, pneumonia e danos aos pulmões, olhos e pele. O aumento do número de pessoas com problemas de intoxicação e respiração nos hospitais das regiões fumigadas parece confirmar os efeitos nocivos do herbicida. As fumigações aéreas estão igualmente colocando em perigo o frágil ecossistema da Região Amazônica [...] Segundo o ecologista Ricardo Vargas, a situação é muito alarmante já que

250

ANZOLA, 2000; TOKATLIAN, 2002; INESC, 2002; MEZA, R. “Cultivos ilícitos, conflito e processo de paz na Colômbia”. Política Externa. Vol. 9, n° 4, 2001.

251

Cf. 3.4, pp. 53-4.

252

MEZA, 2001, p. 74.

253

Em Meza (2001, pp. 75-6) encontram-se dados sobre a área fumigada na Colômbia na década de 1990, os gastos usados para isso e a previsão de hectares erradicados. Os números que o autor apresenta sobre o resultado da estratégia de fumigação e derrubada forçada de cultivos ilícitos são retrato claro de seu fracasso na década de 1990: a área inicial da coca mais que triplicou entre 1994 e 1999 (ver Tabela 6, p. 104), “o que quer dizer que cerca de US$ 41,5 milhões de dólares que foram gastos somente com a operação [de fumigação da coca entre 1994 e 1998] e grande parte dos US$ 625 milhões de ajuda militar [orçamento do governo da Colômbia às forças de segurança; dados do Departamento de Estado e Defesa colombiano] por quase uma década perderam-se totalmente, se calcularmos seu uso em face de um dos objetivos propostos como era a redução das áreas”.

254

plantas, pássaros, mamíferos e a vida aquática de uma região com incrível biodiversidade estão sendo eliminados sem possibilidade de recuperação.

“[...] A erradicação das plantações de coca e papoula através de fumigação aérea, além de afetar o ecossistema, traz conseqüências negativas para as comunidades indígenas e camponesas. Como o glifosato não é um herbicida seletivo — destrói tanto as folhas de coca como outros tipos de plantas — as comunidades rurais de camponeses e indígenas são forçadas a mudarem-se para novas áreas. [...] Sem poder plantar nas terras fumigadas, os camponeses tendem a vendê-las a fazendeiros ou criadores de gado — los gamonales — aumentando dessa forma a concentração oligárquica de terra no sul da Colômbia”.

Além dos perigos que as fumigações representam à floresta amazônica e suas populações há indícios de que a prática resulte no deslocamento das plantações ilícitas para novas regiões. Muitas vezes para áreas mais elevadas da floresta aumentando os impactos negativos. Segundo Meza255:

“As aspersões aéreas de herbicidas [...] conseguiram apenas na melhor das hipóteses, obstaculizar temporariamente a produção ilegal. [...] Essas ações não conseguiram, de maneira nenhuma, incidir sobre a demanda de matéria-prima para produzir psicotrópicos. A política de erradicação forçada não tem efeito nem sobre os preços no final da cadeia, nem sobre a disponibilidade das drogas nos países consumidores”.

O fenômeno dos desplazados (pessoas que se deslocam forçadamente para outros países ou regiões) é outra chaga social presente na Colômbia e países vizinhos. Nos últimos anos número expressivo de camponeses colombianos têm sido obrigados a abandonar seus lares originais para escapar da espiral de violência nos campos ou da contaminação do solo e dos rios decorrentes das fumigações.

Em fevereiro de 2006, o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) estimava em meio milhão o número de colombianos refugiados para países vizinhos. Desses apenas 50.000 foram registrados pelas autoridades. Os principais países receptores são o Equador, a Venezuela e o Panamá. Ainda segundo o ACNUR, o governo da Colômbia avaliava que entre 2 e 3 milhões de colombianos haviam sido obrigados a fugir de suas casas para abrigar-se em outras regiões do país256.

255

MEZA, 2001, p. 74.

256

Para mais informações acessar a página da Internet do ACNUR: http://www.unhcr.org/country/col.html, último acesso em: 20/02/2006.