5.2 Observasjoner
5.2.1 Torsk som ikke fores spiser
O trabalho de campo aqui descrito foi desenvolvido em duas favelas cariocas, uma na zona sul e outra na zona norte. A zona sul do Rio de Janeiro é destacada como a região mais rica da cidade, principal zona de residência da elite carioca. A zona norte, por sua vez, destaca-se como uma região mais pobre, com um custo de vida mais baixo. Com vistas a controlar possíveis interferências desta diferença social entre as regiões da cidade, optei por me inserir em favelas em regiões diferentes. Inicialmente acreditava que seria importante acompanhar favelas nas diferentes regiões, porque tinha a crença de que favelas da zona Sul eram diferentes de favelas da zona Norte. Aos poucos percebi que cada favela é muito particular, e que estas diferenças vão além de uma simples separação entre zona Sul e zona Norte. Entretanto, minha escolha inicial acabou assumindo um novo sentindo. Percebi que os próprios agentes do campo burocrático do Estado adotam como premissa que favelas de zonas diferentes da cidade são diferentes entre si, e por isso tais favelas parecem receber tratamentos diferenciados, intensificação suas ações nas favelas da zona Sul.
3.3.1.1A Favela da Zona Sul
A favela com a qual estabeleci meu primeiro contato foi, naturalmente, a favela que comecei a pesquisar. Localizada na zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, essa favela tem bem delimitada sua separação do asfalto, e é bem fácil perceber o momento em que se dá o primeiro passo para dentro do morro. Como está entre dois bairros nobres da cidade, o contraste entre morro e asfalto torna-se especialmente acentuado.
A favela em questão é na verdade um conjunto de favelas composto por duas favelas distintas que compartilham o mesmo morro e a mesma UPP. O número de moradores ainda não é um consenso. Embora as autoridades afirmem que ali há um total de 10 mil habitantes, os moradores discordam, e apontam que só nos registros do posto de saúde há mais de 20 mil. Provavelmente em decorrência de sua visibilidade e da “boa” localização, a favela tem como
53 característica de destaque a enxurrada de projetos sociais que oferecem serviços ali – mais de 60 organizações estão ali com este fim. Os projetos ou organizações oferecem atividades muito variadas como aulas de luta, ballet, música, natação, circo, dentre outras. Também em decorrência de sua localização, há grande circulação de pessoas do asfalto, dentre turistas, pesquisadores ou voluntários das ONGs. Esse fluxo acentuado pode ser uma explicação para a desconfiança que os moradores apresentam com pessoas de “fora”, especialmente com a figura do pesquisador. Olham com desconfiança para quem tira fotografias e reclamam de serem com frequência tratados “como macacos no zoológico”.
Como já havia estabelecido ali alguns contatos, foi fácil marcar as primeiras entrevistas com alguns moradores, ainda em 2011, para levantar informações iniciais. Mas o desenvolvimento das entrevistas, naquele primeiro momento, mostrou-se penoso, e percebi que muitas dificuldades ainda precisavam ser superadas.
Embora eu e os entrevistados falássemos a mesma língua, a comunicação em si era muito difícil. Percebi que eu usava um vocabulário muito “acadêmico”, e que muitas vezes minhas perguntas eram incompreensíveis, não importava o quanto eu tentasse repeti-las e explicá-las. Por outro lado, o vocabulário do local era, algumas vezes, incompreensível para mim. Como lembra Cardoso de Oliveira (1996), a maior dificuldade da entrevista está, possivelmente, em uma diferença entre “idiomas culturais”, que decorrem da diferença entre o mundo do pesquisador e do nativo. Essa dificuldade revelou-se para mim.
Também se despontou, logo de início, uma agressividade muito grande diante da figura do pesquisador. No caso mais representativo desta questão, uma entrevistada me perguntou o que ela ia “ganhar com isso”, e afirmou, de forma incisiva, que não aguentava mais “ser pesquisada”. Respondi, com minha ingenuidade de costume, que os resultados da minha pesquisa poderiam contribuir para as discussões em torno da questão das favelas e das intervenções estatais em favelas. Ela riu e me disse que eu não era nem a primeira nem a última pesquisadora a passar por ali, e que minha pesquisa só ia servir para me dar um título de doutora e, portanto, só traria benefícios para mim.
Aquela fala, severa e convicta, me fez repensar a pesquisa, mas não abalou minhas crenças na relevância de meus resultados – afinal, eu também tenho minhas próprias convicções. Conclui que as entrevistas não eram a melhor estratégia para entrar no campo. Primeiro era preciso me inserir, aprender a linguagem, aprender sobre as relações, e depois disso as entrevistas poderiam se tornar naturais e até secundárias. Faltava-me, ainda, o “anthropological blues” (DA MATTA, 1978).
54 Em janeiro de 2013, com meu objetivo melhor delimitado, voltei a me inserir no campo, com uma nova estratégia. Passei a fazer algumas visitas àquela primeira senhora que ajudei a se mudar. Paralelamente, estabeleci contato com estudantes de uma organização, sem fins lucrativos, que auxilia projetos sociais em favelas por meio de ações de empreendedorismos. O grupo estava inserido na favela que eu estava a pesquisar, e passei a acompanhá-los em algumas visitas. Por meio deles também fui me aproximando de outros moradores. Fui, aos poucos, criando uma rede de contatos.
Mas o meu interesse maior de pesquisa estava nos agentes do campo burocrático do Estado inseridos na favela, e foi por meio dos meus contatos com moradores ou trabalhadores locais que busquei identificá-los e estabelecer contatos, com vistas a acompanhar o trabalho que realizavam ali. Talvez os mais óbvios, os policiais da UPP foram desde o início acompanhados em meu trabalho, tendo em vista que os policiais de rua estavam por toda a parte e sua relação com os moradores sempre pode ser observada. Fui informada por moradores que o comandante daquela unidade havia sido recentemente alterado, e que por isso a UPP local estava passando por uma reorganização interna. Aguardei esse primeiro momento de reestruturação para estabelecer o contato com o novo comandante, que ainda não havia se apresentado aos moradores.
Por meio dos alunos da organização estudantil e de moradores que atuavam em ONGs, fui convidada a participar de um evento na favela da Rocinha, organizado pelo programa Territórios da Paz, programa social vinculado à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), de nível estadual, que tem por objetivo criar redes nos territórios em que atua, a partir do protagonismo dos moradores neste processo. Para tal, o programa contava com um gestor e um assistente em quase todas as favelas pacificadas. Esse evento se mostrou de extrema importância para o desenrolar da pesquisa.
Lá conheci a gestora do Territórios da Paz da favela da zona Sul. Apresentei-me para ela e para o superintendente do programa. Expliquei a minha pesquisa e pedi permissão para acompanhar o trabalho. Os dois se mostraram muito dispostos a ajudar. A gestora local passou a me informar das atividades que desenvolvia na favela, e comecei a ser convidada com muita frequência a participar. Embora não tenha tido resistência em me deixar acompanhar seu trabalho, inicialmente foi muito cuidadosa com o que falava na minha presença e lembrava sempre a todos, em tom de brincadeira, que eu era uma pesquisadora. Com o tempo, consegui criar uma forte relação de confiança, e ela passou a ser uma das minhas principais informantes no campo.
55 Ainda no mês de janeiro, alguns moradores me avisaram que havia sido convocada a primeira reunião da UPP sob novo comando e me chamaram para participar. Nessa reunião, o novo comandante pretendia se apresentar aos moradores. Cheguei mais cedo, para me apresentar ao comandante, mas ele ainda não havia chegado. Apresentei-me ao sub- comandante, que já estava no local, e este se mostrou muito receptivo e se disponibilizou a me apresentar todo o prédio da UPP. Ele deu início à reunião sem a presença do comandante, que só se apresentou no meio do encontro. Ao final da reunião, quando o comandante já estava presente, me apresentei, expliquei minha pesquisa e falei do meu interesse em acompanhá-los. Ele concordou sem resistência, me deu seu e-mail e o número do seu celular, e me apresentou à soldado responsável pelas relações públicas da UPP, pedindo que ela me desse a assistência necessária. A partir daí passei a ser informada por e-mail sobre todos os eventos e reuniões realizados pela UPP. No início o sub-comandante não me autorizava à gravar as reuniões. Depois de alguns meses, acostumado com a minha presença, passou a autorizar a gravação. Pude perceber que uma relação de confiança foi sendo estabelecida.
Além de participar de eventos e reuniões, solicitei que me deixassem passar alguns dias de trabalho com eles, para realizar observação. Embora tenham concordado com a minha solicitação, nunca chegaram a formalizar uma visita apenas com o intuito de observação, se não houvesse nenhuma atividade formal sendo realizada, como reuniões, UPP Mirim ou Caravana da Saúde. Percebi que se sentiam mais confortáveis com entrevistas e que o objetivo destas era sempre melhor compreendido. Assim, comecei a agendar algumas entrevistas, com o intuito de ir até o local, mas estas acabaram sempre se seguindo por longos períodos de observação a partir do meu envolvimento em alguma atividade.
De início os moradores também mencionavam com frequência a atuação da UPP Social, mas nunca souberam me dizer exatamente em que atividades seus gestores estavam envolvidos. A UPP Social é um programa social que entrou após a “pacificação”, e tem como proposta integrar as áreas “pacificadas” ao restante da cidade. É vinculado ao Instituto Pereira Passos (IPP), de nível municipal. Uma moradora que se declarou amiga da gestora da UPP Social no local, me passou o seu contato. Conversamos, e ela insistiu que eu entrasse em contato com um setor responsável por autorizar a realização de pesquisas, pois só eles poderiam autorizar que eu acompanhasse seu trabalho. Mandei e-mail e, inicialmente, não obtive retorno. Liguei algumas vezes, mas não encontrei o responsável. No mês seguinte recebi a notícia, por meio de moradores, de que a UPP social estava saindo do campo, e surgiram rumores de que o programa tinha chegado ao fim. Não obstante as informações
56 fornecidas pelos moradores, insisti em meu contato com a UPP social. O funcionário responsável por autorizar a pesquisa respondeu ao meu e-mail informando que não estava mais vinculado ao programa. Consegui falar, por telefone, com outra funcionária, que informou que ela agora era a responsável por autorizar as pesquisas, mas que eu precisaria aguardar, pois o programa passava por uma fase de reformulação. Informou-me que a gestora na favela de meu interesse tinha saído do programa e que em breve entraria outra em seu lugar.
Quase um mês depois, participei de uma reunião no IPP com uma funcionária da UPP Social para quem expliquei novamente a minha pesquisa e minhas intenções de realizar observações e entrevistas. Ela me forneceu uma entrevista inicial para uma compreensão geral do programa. Retornou-me informando que eu poderia acompanhar os gestores em campo, e agendou uma primeira reunião com os quatro representantes do programa – dois responsáveis pela favela da zona Sul e dois responsáveis pela favela da zona Norte. A partir daí, os gestores começaram a me inserir em suas atividades em campo, convidando-me para acompanha-las.
Foi uma surpresa quando percebi que a UPP Social, de tamanho destaque na mídia, não tinha tanto destaque no campo, a ponto do próprio comandante da UPP compará-la com uma “cabeça de bacalhau”. Embora na mídia e na literatura a UPP social apareça como um programa relacionado à UPP, ela não tem nenhuma ligação formal com a UPP em si e na prática o comandante da UPP nem mesmo conhecia a gestora da UPP social. Além disso, é importante ressaltar que os moradores queixavam-se com frequência da ausência da UPP Social, mas não sabiam explicar o porquê de seu afastamento. Após o retorno oficial do programa às favelas, estas queixas foram amenizadas, embora os moradores ainda se questionassem a respeito do papel da UPP Social nas favelas.
Os moradores também me apontaram a presença de um outro agente importante: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O PAC, de âmbito federal, está voltado para a realização de obras de infraestrutura urbana, social e logística. Embora o PAC já estivesse atuante antes da pacificação, os representantes do programa relatavam que suas ações foram facilitadas com a instalação da UPP na medida em que passaram a circular com maior liberdade pela favela, sem a necessidade de crachás de identificação ou de serem acompanhados por moradores. Na favela investigada, o programa se dividia em duas frentes: uma frente social, gerenciada por uma empresa privada selecionada por meio de um processo de licitação, e uma frente de obras, gerenciada por uma empreiteira que também passou por
57 um processo de licitação. Além disso, havia dois agentes do governo, um referente à frente de obras e outro referente à frente social, que supervisionam todo o trabalho no campo.
Um morador, responsável por uma organização de sociedade civil voltada para o problema do lixo, me informou que trabalhava em parceria com o PAC, realizando mutirões de limpeza, e me passou o contato do responsável pela frente social do programa. Consegui, rapidamente, fazer o contato. O gestor foi muito receptivo, passou a me informar de todas as reuniões do programa, e me explicou, detalhadamente, todo o seu funcionamento. Passei a acompanhá-los de perto, sem maiores dificuldades. Entretanto, em junho, a empreiteira licitada, responsável pela frente de obra, pediu o desligamento do programa, e as obras, assim como o trabalho da frente social, foram paralisadas. Quando saí de campo, ainda estavam aguardando a entrada de uma nova empreiteira no campo e a entrega de apartamentos sofreu grande atraso, ainda que algumas Áreas de Reassentamento (AR) já estivessem prontas, o que foi motivo frequente de reclamação dos moradores.
Vale ressaltar que, embora com menor frequência, também acompanhei o trabalho de outros agentes do campo burocrático do Estado inseridos na favela que têm uma relação menos frequente com os moradores em geral, como os representantes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou do Centro de Referência da Juventude (CRJ). Algumas vezes tive a oportunidade de acompanhar eventos ou cursos oferecidos por essas organizações. Entretanto, o CRAS foi apontado pelos moradores como um órgão quase sem função. Uma evidência da baixa interação entre os representantes do CRAS e os moradores é o fato de ter sido recentemente criado, por um grupo de adolescentes moradoras da favela, um programa com o objetivo de auxiliar egressos do tráfico. O CRAS tem um programa com o mesmo objetivo, que nunca recebeu nenhum egresso. As adolescentes já estão trabalhando com três destes jovens, em poucos meses de atuação, e ficaram surpresas ao saber que o CRAS também oferece esse auxílio. Ainda assim, consegui, por meio de um pedido de autorização formal na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SDS), acompanhar mais de perto algumas ações do CRAS e realizar entrevistas com alguns de seus funcionários. O CRJ, por sua vez, atendia a um grupo restrito de jovens. Participei de um novo programa voltado para jovens, organizado por moradores de uma outra favela também da zona sul, que está entrando na favela que pesquisava por meio de uma parceria com o CRJ e com o Territórios da Paz. Este programa tem um potencial para ampliar o número de jovens que frequentam o CRJ.
58 Como os diversos agentes do campo burocrático do Estado também costumavam interagir entre si, participar de eventos e reuniões uns dos outros, e até realizar eventos em parceria, mesmo que eu não acompanhasse com a mesma frequência todos os agentes, acabava também interagindo com eles. Além disso, algumas vezes tive contato, por meio dos moradores, com agentes como representantes da Light, da Comlurb ou da CEDAE, mas a interação entre os moradores e os agentes representantes destas organizações era restrita, embora os moradores, muitas vezes, buscassem representantes em cargos superiores para fazer reclamações ou estabelecer parcerias. Em geral, eles não eram bem sucedidos.
As características dos principais agentes do campo burocrático do Estado, com os quais tive mais interação e os quais se mostravam mais presentes nas favelas, e que portanto também foram mais explorados em minhas análises de dados, estão sintetizadas na Tabela 4 a seguir.
Tabela 4. Características dos principais agentes do campo burocrático do estado em ação nas favelas
Nome do Programa Vínculo Institucional Objetivo5
Unidade de Polícia Pacificadora Secretaria Estadual de Segurança Pública (Estadual)
Retomar dos territórios das favelas
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
Ministério do Planejamento (Federal)
Ampliar a infraestrutura das favelas
UPP Social Instituto Pereira Passos - IPP (Municipal)
Encaminhar demandas dos moradores de favelas a outros
órgãos públicos
Territórios da Paz
Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos
Humanos – SEASDH (Estadual)
Fortalecer redes
Centro de Referência de Assistência Social (CRAS)
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social – SDS (Municipal) Antecipar demandas; Possibilitar o acesso a benefícios.
3.3.1.2A Favela da Zona Norte
A favela na Zona Norte do Rio de Janeiro, que acabou por também se tornar meu campo de pesquisa, é localizada em um bairro onde moram classes mais baixas, e por isso o
5 Os objetivos apontados nesta tabela estão baseados nos objetivos declarados pelos representantes dos
59 contraste entre morro e asfalto não é tão acentuado aqui. É difícil perceber o exato momento em que se está adentrando a favela, pois as casas localizadas em suas proximidades, também são, em geral, habitadas por pessoas de classes sociais mais baixas.
A favela da Zona Norte é, oficialmente, considerada parte de um complexo de favelas, embora muitos moradores relutem em aceitar esta definição. O complexo é composto por 7 favelas com um total de 30 mil habitantes, e a favela específica que é o foco de estudo aqui possui em torno de 7 mil habitantes, segundo informações de uma gestora local. Os dados oficiais mais uma vez são outros – em torno de 2.000 na favela em questão e 10 mil no total. Esta favela não é considerada uma favela de grande visibilidade, e fui recebida com estranheza quando disse que estava realizando minha pesquisa lá. Moradores e gestores me questionaram inúmeras vezes “por que você escolheu fazer sua pesquisa aqui?”. A circulação de pessoas externas lá ocorre muito pouco: raramente recebe turistas, pesquisadores não se interessam em estudá-la, e, oficialmente, não há nenhuma ONG no local, embora alguns gestores afirmem ter no máximo duas, não muito reconhecidas enquanto ONGs. Ouvi relatos de que algumas ONGs tentaram atuar lá, mas não conseguiram apoio financeiro e tiveram que sair.
Foi também no evento realizado na Rocinha que conheci uma moradora desta favela da zona norte. Ela fazia um trabalho em sua favela para conscientizar a população local a respeito do problema do lixo, contando-os sobre a história do rio que corta o morro. Além disso, em parceria com um professor universitário, ela estava organizando um eco-museu na favela. Ela me convidou para fazer uma visita na favela onde mora e conhecer o seu projeto.
Fiz a minha primeira visita e fiquei encantada com o lugar. A moradora que conheci na Rocinha me levou para conhecer toda a favela, e foi me contando a história do rio enquanto caminhávamos. As casas eram maiores, assim como as ruas, e havia áreas florestais ao redor. Lá as pessoas pareciam mais receptivas com pesquisadores, com os quais ainda não haviam tido muito contato. Quando contava aos moradores que estava lá com propósito de pesquisa, alguns prontamente se ofereciam para me conceder entrevistas. Foi possível, inclusive, tirar fotos sem problemas. Os moradores pareciam até gostar.
Quando perguntei a alguns moradores sobre representantes do Estado que atuavam ali, eles me informaram ter contato apenas com a UPP, com a gestora do Territórios da Paz e com os representantes da UPP Social, mas não souberam me passar os contatos. Com a gestora do