As medidas de emergência foram eficientes para mostrar o comportamento das plântulas de Ceiba speciosa, Genipa americana, Myracrodruon urundeuva, Plathymenia reticulata e Sterculia striata, estudadas em condições de campo (Tabelas 50 e 51; Figuras 16 a 27). Das cinco espécies analisadas, plântulas de G. americana e S. striata foram as mais lentas para a emergência (Tabelas 50 e 51, respectivamente).
A porcentagem de emergência das plântulas variou entre as espécies de 15,4 a 76,7% no interior da floresta (Tabela 50) e de 14,2 a 74,4% no seu entorno (Tabela 51). Sterculia striata apresentou alta porcentagem de emergência, em relação às demais espécies, tanto no interior como no entorno da floresta e Genipa americana, que também teve valor alto para esta medida no interior, reduziu o número de plântulas no entorno da floresta (Tabelas 50 e 51). Ceiba speciosa teve maior número de plântulas no entorno da floresta em relação ao interior e não alterou o padrão de emergência, que foi rápido e sincronizado (Tabelas 50 e 51).
A maioria das espécies estudadas no interior da floresta apresentou homogeneidade em relação ao tempo, mas a emergência ocorreu com assincronia (ver valores de CVt abaixo de 20% e os valores das medidas de I e Z, Tabela 50). No entorno da floresta, plântulas da maioria das espécies estudadas apresentaram maior heterogeneidade em relação ao tempo para emergirem, com valores do coeficiente de variação do tempo acima de 20% (Tabela 51).
Genipa americana e Sterculia striata apresentaram a maior porcentagem de emergência no interior da floresta, apesar das sementes de S. striata terem sido predadas em algumas áreas (E = 76,7 e 73,3%, respectivamente, Tabela 50). No entanto, estas espécies foram as mais lentas e as mais incertas para a emergência do que as demais (t0 = 35,0 e 29,2; tf = 85,2 e 43,2; t = 46,2 e 35,2 dias; v = 0,022 e 0,029 dia-1; Tabela 47; Figuras 26 e 27). Para Myracrodruon urundeuva, as plântulas foram mais rápidas para emergirem; entretanto, apresentaram baixa porcentagem de emergência (Tabela 50; Figuras 20, 26 e 27).
Para os diásporos semeados no entorno da floresta, as unidades de dispersão de Sterculia striata apresentaram a maior porcentagem de plântulas emergidas (E = 74,4%, Tabela 51), enquanto a menor porcentagem foi registrada para as sementes de Plathymenia reticulata (E = 14,2%). As sementes de Genipa americana mostraram maior tempo e assincronia de emergência (t0 = 38,5; tf = 77,0; t = 51,7 dias; I = 2,1 bits e Z = 0,191; Tabela 51; Figuras 26 e 27). As sementes desta espécie também apresentaram baixa porcentagem de emergência em ambiente controlado (Tabela 41), provavelmente em decorrência de danos
causados pelos insetos nas sementes, durante o tempo do armazenamento, diminuindo o seu potencial fisiológico para emergir.
Tabela 50. Medidas de emergência de plântulas (média ± desvio padrão) oriundas de diásporos coletados no Vale do Rio Araguari, MG e semeadas no interior da floresta semidecidual na Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG, em janeiro de 2008.
Espécies E (%) todia
4
tfdia t dia CVt (%) v dia-1 I bit 5Z Ceiba speciosa 69,3 ± 1 a 14,0 ± 0,0004 a 21,0 ± 0,0 16,0 ± 2,4 a 19,2 ± 5,3 bc 0,063 ± 0,008 b 0,655 ± 0,115 ab 0,706 ± 0,066 a Genipa americana 76,7 ± 5, a 35,0 ± 0,0004 b 85,2 ± 16,8 46,2 ± 3,4 d 29,6 ± 4,6 c 0,022 ± 0,002 d 2,002 ± 0,408 b 0,253 ± 0,072 a Myracrodruon urundeuva 28,3 ± 19,2 b 14,0 ± 0,0004 a 14,0 ± 0,0 14,0 ± 0,0004 a 0,0002 ± 0,0004 a 0,071 ± 4,080 a 0,0002 ± 0,0004 a 0,253 ± 0,072 a Plathymenia reticulata 15,4 ± 13, b 19,6 ± 3,1 ab 25,2 ± 3,8 23,2 ± 1,8 b 18,6 ± 17,4 bc 0,043 ± 0,003 c 0,677 ± 0,413 ab 0,662 ± 0,396 a Sterculia striata 73,3 ± 12,6 a 29,2 ± 2,8 ab 43,2 ± 6,9 35,2 ± 3,4 c 15,7 ± 3,5 b 0,029 ± 0,003 d 1,274 ± 0,350 b 0,400 ± 0,104 a 1 F (P) 3,783 (0,067) 0,360 (0,557) 30,02 (0,000) 0,389 (0,542) 0,489 (0,495) 1,753 (0,205) 0,242 (0,630) 0,051 (0,825) W (P) 0,971 (0,0617) 0,870 (0,001) 0,947 (0,162) 0,939 (0,1103) 0,950 (0,0203) 0,926 (0,043) 0,975 (0,722) 2 F (P) 1,421 (0,256) 5,530 (0,002) 2,933 (0,042) 3,456 (0,023) 3,308 (0,027) 4,789 (0,005) 22,784 90,0001) 3 F (P) 32,515 (0,0001) 152,4 (0,0001) 11,369 (0,0001) 169,6 (0,0001) Ȥ2r(P) 18,484 (0,001) 16,768 (0,002) 11,242 (0,024)
E: porcentagem de emergência; t0 : tempo para a primeira emergência; tf: tempo para a última emergência; t: tempo médio de emergência; CVt: coeficiente de variação do tempo; v : velocidade média de emergência; I: incerteza; Z: sincronia; médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelos testes de Tukey ou Dunn a 0,05 de probabilidade; 1
F: estatística do teste de Tukey para não aditividade dos blocos; W: estatística do teste de Shapiro-Wilk; valores em negrito indicam que os resíduos seguem distribuição normal (P > 0,01); 2
F: estatística do teste de Levene; valores em negrito indicam homogeneidade entre as variâncias (P > 0,01); 3
F: estatística do teste de Snedecor; valores em negrito indicam diferença significativa entre as espécies (ANOVA; P < 0,05); Ȥ2
r: estatística do teste de Friedman; valores em negrito indicam diferença significativa entre as espécies (P < 0,05); P: probabilidade;
4não atendeu a pressuposição de não aditividade entre os blocos e tratamento (comparação não realizada); 5apesar do teste de Friedman ter detectado diferença significativa, a comparação feita pelo teste de Dunn não foi sensível para registrá-la.
Tabela 51. Medidas de emergência de plântulas (média ± desvio padrão) oriundas de diásporos coletados no Vale do Rio Araguari, MG e semeadas no entorno da floresta semidecidual na Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG, em janeiro de 2008.
Espécies E (%) todia tfdia t dia
4 CVt (%) v dia-1 5I bit Z Ceiba speciosa 57,6 ± 19,3 ab 14,0 ± 0,0004 a 24,5 ± 3,8 a 16,2 ± 1,8 a 20,8 ± 5,8 a 0,062 ± 0,007 a 0,834 ± 0,390 ab 0,636 ± 0,198 a Genipa americana 47,5 ± 33, 5 ab 38,5 ± 3,8 b 77,0 ± 14,7 c 51,7 ± 3,4 d 21,3 ± 5,4 a 0,019 ± 0,001 c 2,139 ± 0,236 c 0,191 ± 0,077 bc Myracrodruon urundeuva 41,7 ± 26,5 ab 16,8 ± 3,8 a 18,2 ± 3,8 a 15,5 ± 3,0 a 2,6 ± 4,8 a 0,066 ± 0,010 a 0,111 ± 0,152 a 0,962 ± 0,053 ab Plathymenia reticulata 14,2 ± 23,7 a 21,0 ± 4,4 ab 28,0 ± 14,0 a 22,8 ± 3,0 b 10,9 ± 21,9 a 0,044 ± 0,005 b 0,330 ± 0,810 a 0,814 ± 0,372 ab Sterculia striata 74, 4 ± 13,6 b 31,5 ± 3,8 ab 53,3 ± 7,2 b 36,7 ± 3,3 c 30,0 ± 12,5 a 0,027 ± 0,002 c 1,208 ± 0,443 b 0,263 ± 0,108 c 1 F (P) 0,922 (0,349) 1,616 (0,223) 0,302 (0,591) 0,274 (0,609) 3,871 (0,680) 1,145 (0,301) W (P) 0,979 (0,811) 0,939 (0,098) 0,945 (0,150) 0,927 (0,046) 0,823 (0,0002) 0,904 (0,010) 0,932 (0,066)) 0,874 (0,003) 2 F (P) 2,452 (0,072) 4,73 (0,006) 1,120 (0,370) 0,476 (0,753) 3,287 (0,030) 3,437 (0,023) 2,023 (0,123 4,936 (0,005) 3 F (P) 4,644 (0,008) 36,3 (0,0001) 173,9 (0,0001) 76,339 (0,0001) 13,719 (0,0001) Ȥ2r(P) 18,957 (0,0008) H (P) 11,526 (0,021) 26,0 (0,0001)
E: porcentagem de emergência; t0 : tempo para a primeira emergência; tf: tempo para a última emergência; t: tempo médio de emergência; CVt: coeficiente de variação do tempo; v : velocidade média de emergência; I: incerteza; Z: sincronia; médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelos testes de Tukey, Duunn a 0,05 de probabilidade; 1
F: estatística do teste de Tukey para não aditividade dos blocos; W: estatística do teste de Shapiro-Wilk; valores em negrito indicam que os resíduos seguem distribuição normal (P > 0,01); 2
F: estatística do teste de Levene; valores em negrito indicam homogeneidade entre as variâncias (P > 0,01); 3
F: estatística do teste de Snedecor; valores em negrito indicam diferença significativa entre as espécies (ANOVA; P < 0,05); Ȥ2
r: estatística do teste de Friedman; H: estatística do teste de Kruskall-Wallis; valores em negrito indicam diferença significativa entre as
espécies (P < 0,05); P: probabilidade; 4estatística de Kruskall-Wallis devido não existir valores para algumas medidas entre os blocos, apesar do teste de Kruskal-Wallis ter detectado diferença significativa , o teste de Dunn não foi sensível para registrá-la; 5 comparações múltiplas e binárias efetuadas com dados transformados em raiz x + 0,5.
Figura 16. Plântulas de Ceiba speciosa oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no interior da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântulas aos 14 (a) e aos 20 dias (b), plantas jovens danificadas pela umidade aos 54 dias após a semeadura (c, d).
a b
Figura 17. Plantas de Ceiba speciosa oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no entorno da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântulas aos 40 dias (a); planta jovem clorótica, na área sem cobertura vegetal, aos 83 dias (b) e com cobertura vegetal, aos 136 dias após a semeadura (c).
a
b
b c
Figura 18. Plântulas de Genipa americana oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no interior da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântulas aos 40 e 47 dias após a semeadura (a, b) e plantas jovens aos 62 e 136 dias (c, d).
a b
c
Figura 19. Plântulas de Genipa americana oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no entorno da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântulas aos 40 e 47 dias (a, b), plantas jovens aos 69 e 114 dias após a semeadura (c, d).
a
d
b
Figura 20. Plantas de Myracrodruon urundeuva oriundas de diásporos coletados no Vale do Rio Araguari e semeados em janeiro de 2008 no interior da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plantas jovens intactas (a) e danificadas (b) aos 20 dias após a semeadura.
a
Figura 21. Plantas de Myracrodruon urundeuva americana oriundas de diásporos coletados no Vale do Rio Araguari e semeados em janeiro de 2008 no entorno da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plantas jovens aos 14 dias após a semeadura (a) e aos 46 dias (b), ambas sob cobertura vegetal; aos 20 e 44 dias (c, d), sem cobertura vegetal.
b
c
a
Figura 22. Plântulas de Plathymenia reticulata oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no interior da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântulas emergidas aos 27 dias após a semeadura (a, b) e morrendo, aos 33 dias (c).
c
b a
Figura 23. Plântulas de Plathymenia reticulata oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no entorno da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântulas aos 10 dias (a); plantas jovens aos 40 (b) e aos 69 dias após a semeadura (c).
c
b a
Figura 24. Plântulas de Sterculia striata oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no interior da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântula aos 27 dias (a); plantas jovens aos 62 dias (b) e danificada pelo excesso de umidade, aos 69 dias após a semeadura (c).
c
Figura 25. Plântulas de Sterculia striata oriundas de sementes coletadas no Vale do Rio Araguari e semeadas em janeiro de 2008 no entorno da floresta semidecidual da Fazenda Experimental do Glória, Uberlândia, MG. Plântula aos 21 dias após a semeadura (a); plantas jovens aos 27 dias (b) e aos 74 dias, ambas sob cobertura vegetal (c); plantas jovens aos 94 dias, sem cobertura vegetal (d).
c d
b