Polyacrylamide gel electrophoresis (SDS-Page)
5.4 Tobacco plant derived dengue antigens: what have we learnt?
A redução absoluta da área construída ocupada por usos comerciais por conta das desapropriações realizadas para a criação da nova esplanada, além de dificuldades de locomoção geradas pelas obras em si, teriam ensejado, na percepção de muitos comerciantes, uma diminuição acentuada no volume de pedestres circulando pelo Largo da Batata. Além disso, a reorganização dos pontos de ônibus e das linhas que atravessam a região, encetada pela remoção do terminal de ônibus, também prejudicou estabelecimentos que se beneficiavam do consumo por impulso de transeuntes e do cliente ocasional.
Nesse mesmo sentido, a inauguração da Linha 4 – Amarela do Metrô também foi citada como sendo prejudicial aos negócios de alguns estabelecimentos.
Entre os entrevistados há consenso quanto ao impacto negativo dos rearranjos viários e da interdição de calçadas. Desde o início das obras da estação de metrô, no segundo semestre de 2004, quem circula pela região em veículos motorizados — particulares ou coletivos — foi obrigado a conviver com sucessivas interrupções de tráfego e mudanças de direção de vias. A readequação de calçadas também afetou a circulação de pedestres pela área. Além disso, o pó levantado pelas obras adentrava as dependências dos estabelecimentos comerciais, prejudicando as atividades cotidianas. Segundo relatos, o movimento durante as obras chegou a cair pela metade para a maioria dos comerciantes.
Os fluxos de pedestres, que possuem relação intrínseca com a localização de pontos comerciais, estiveram prejudicados em diversas vias da região por conta das obras de drenagem e pavimentação que têm afetado o Largo da Batata há alguns anos. Durante as visitas de campo que realizei, encontrava-se em obras apenas o trecho da Rua Teodoro Sampaio entre a Avenida Faria Lima e a Rua Cunha Gago. Essa quadra, no entanto, era visivelmente a que apresentava a maior densidade de tráfego de pedestres.
A despeito dos relatos dos comerciantes entrevistados, para os quais durante e mesmo após as obras, o fluxo de pedestres na região teria se reduzido pronunciadamente, o tráfego de pedestres observado era intenso precisamente ao longo das vias que concentram as principais linhas de transporte coletivo — o binário formado pelas Ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio. O trecho da Cardeal Arcoverde entre Faria Lima e Cunha Gago, bem como as ruas Pedro Cristi e Claudio Soares, concentram pontos terminais de linhas de ônibus metropolitanos da EMTU29. Ao cair da tarde, suas calçadas são tomadas por passageiros à espera de sua condução. Também as vias que levam à estação Faria Lima do Metrô exibem um volume de pedestres
29 Estas linhas devem, contudo, ser transferidas para um futuro terminal intermunicipal
localizado junto à futura estação Vila Sônia do Metrô. Já as linhas municipais, geridas pela SPTrans, que tinham seu ponto terminal nas imediações do Largo da Batata foram concentradas no novo terminal da Rua Capri, inaugurado em julho de 2013.
significativo, principalmente em torno do acesso situado na margem leste da Avenida Faria Lima.
Está presente nas falas de alguns comerciantes a hipótese de que a circulação de pedestres pela região teria diminuído não só pelos empecilhos criados durante as obras, mas em consequência da inauguração da Linha 4 – Amarela do Metrô. Muitas das viagens que eram realizadas de ônibus, com baldeação no Largo da Batata, passaram a ter uma de suas “pernas” feitas de metrô, passando direto por baixo do Largo, sem qualquer conexão com a superfície30
. O metrô também teria facilitado o acesso a outras zonas comerciais, de grau mais alto de especialização ou com melhores ofertas, fator que também foi mencionado como prejudicial.
Um sapateiro na Rua Paes Leme, que afirma que muitos de seus antigos clientes eram pessoas que vinham de ônibus do Centro ou da Avenida Paulista até o Largo da Batata, de onde seguiam a pé até a estação Pinheiros da CPTM, passando, no percurso, em frente à sapataria. Já o proprietário de um mercado de produtos orientais afirmou que a chegada do metrô acirrou a concorrência com as lojas do bairro da Liberdade, que conseguem praticar preços mais competitivos. Como o trajeto de Metrô até a Liberdade dura aproximadamente vinte minutos apenas, este lojista relata ter perdido clientes.
A circulação de pedestres, intensa no Largo da Batata durante a existência do terminal de ônibus, era contingente às condições precárias de integração entre modos de transporte (por exemplo, trem e ônibus), e entre trechos de viagem pelo mesmo modo (ônibus-ônibus). Além do mais, até o ano de 2004, não havia integração tarifária entre modos (nem mesmo para viagens de ônibus que utilizassem mais de uma linha), estimulando que indivíduos cuja viagem teria destino final em regiões mais ou menos próximas ao Largo da Batata seguissem a pé a partir de lá. Uma pesquisa realizada pelo Metrô aponta que, enquanto 47% dos passageiros que desembarcavam no Largo da
30 Tal hipótese não pôde, no entanto, ser confirmada através dos dados das Pesquisas de
Origem e Destino – O/D produzidas pelo Metrô. A última pesquisa foi realizada em 2007, antes da inauguração da Linha 4. A pesquisa mais recente, a Pesquisa de Mobilidade 2012 é uma aferição da Pesquisa O/D com base em uma amostra menor e mais agregada. As zonas utilizadas na aferição são uma agregação de zonas de menor dimensão, não sendo possível a comparação exata entre as duas pesquisas.
Batata continuavam sua viagem transferindo para outro ônibus, 52% eram complementadas a pé. Desse total de viagens finalizadas a pé, 77% tinham como destino final locais mais afastados do Largo da Batata, alcançando mesmo o Hospital das Clínicas ou o bairro do Itaim Bibi (METRÔ, 1997, p. 34). Portanto, a diminuição do fluxo de pedestres poderia ter menos a ver com a inauguração do Metrô (como supõem alguns comerciantes) do que com o rearranjo das linhas e pontos de ônibus e com a remoção do antigo terminal e a demora na inauguração do novo.
De todo modo, na visão dos comerciantes,
para que a atividade comercial se instale e sobreviva é necessário que haja pedestres circulando. E não basta que o lugar apresente um grande fluxo de pessoas que só circulem. Se não for possível transformar o fluxo em parada não há tempo nem espaço para que o cidadão faça sua compra — “a
pessoa tem que circular, mas tem que ter um lugar para ela permanecer — se ela não der essa parada, não interessa ao comércio”, segundo os interlocutores da Associação Comercial
de São Paulo. No entendimento dos entrevistados essa é a razão que explica porque o comércio não sobrevive em vias de grande e rápido fluxo de veículos (METRÔ, 2010b, pp. 38-39. Grifos do autor).
Do lado do transporte motorizado individual, a supressão do estacionamento rotativo pago (a chamada “Zona Azul”) nas ruas Paes Leme e Fernão Dias, que estão entre as principais ruas comerciais da área a oeste da Avenida Faria Lima, fez parte do pacote de intervenções da reconversão urbana do Largo, e também foi menção constante entre os fatores que impactaram negativamente na atividade comercial. Já em algumas ruas de menor fluxo, relata-se que foi implantada a Zona Azul onde antes se podia estacionar sem custo.