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3.3.1. Aspectos toxicológicos dos HPA

A toxicidade está relacionada à capacidade de uma substância produzir efeitos nocivos a um ser vivo.

A determinação da composição e concentração dos Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA) decorre da sua ação tóxica sobre o meio ambiente, isto é, das suas propriedades carcinogênicas e/ou mutagênicas. O conhecimento de suas fontes, comportamento e distribuição no meio ambiente é um requisito importante para gerenciar as atividades antropogênicas responsáveis pela contaminação por HPA (Stout; Uhler; Mccarthy, 2001).

HPA de baixo peso molecular, de 2 e 3 anéis, significa toxicidade aguda, enquanto que alguns HPA de alto peso molecular, entre 4 e 6 anéis, apresenta um grande potencial carcinogênico e mutagênico (Witt, 1995).

A busca por evidências de carcinogenicidade em humanos permite a utilização do banco de dados IRIS (Integrated Risk Information System) para identificar compostos individuais de HPA estabelecidos pela USEPA usando orientações para avaliação de riscos cancerígenos do ano de 2005 (Tabela 3.3).

O IRIS é um banco de dados que contém informação sobre efeitos adversos para a saúde humana que possam resultar da exposição crônica de determinadas substâncias químicas encontradas no meio ambiente. O banco de dados (disponível na Internet em http://www.epa.gov/iris/search_keyword.htm) contém informações qualitativas e quantitativas sobre os efeitos a saúde para mais de 540 substâncias químicas. O IRIS foi inicialmente desenvolvido em resposta a uma crescente demanda por informações consistentes sobre as substâncias para uso em avaliações de riscos, tomada de decisões e atividades regulatórias.

Capítulo III – Aspectos Teóricos Dissertação de Mestrado PPGCEP-UFRN

Tabela 3.3.Classificação dos HPA de acordo com seu potencial carcinogênico segundo IRIS, USEPA, 2005.

Compostos N Acl Ace F Fe An Fl Pi

Carcinogenicidade C D - D D D D D

Compostos BaAn C BbFl BkFl BaPi IPi DBAn BPe

Carcinogenicidade B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 D

A (Carcinógeno humano); B1 (Provável carcinógeno humano - com base em evidências limitadas de carcinogenicidade em humanos e evidência suficiente de carcinogenicidade em animais); B2 (Provável carcinógeno humano - com base em provas suficientes de carcinogenicidade em animais); C (Possível carcinógeno humano); D (Não classificável quanto à carcinogenicidade humana); E (Não há evidência de carcinogenicidade em humanos).

O IARC (International Agency for Research on Cancer) coordena e conduz

pesquisas sobre as causas de câncer humano. Em seu banco de dados de monografias sobre a avaliação de riscos carcinogênicos aos seres humanos, destaca-se o volume 92

de 2010 que contém avaliações do potencial cancerígeno para o homem de 60 HPA.

Esses dados podem ajudar as autoridades nacionais e internacionais na tomada de avaliações de risco e na formulação de decisões sobre quaisquer medidas preventivas necessárias. A Tabela 3.4 apresenta a classificação de acordo com o potencial carcinogênico dos 16 HPA considerados prioritários pela USEPA.

Tabela 3.4.Classificação do potencial carcinogênico dos 16 HPA prioritários segundo IARC, 2010.

Compostos N Acl Ace F Fe An Fl Pi

Carcinogenicidade - - - 3 3 3 3 3

Composto BaAn C BbFl BkFl BaPi IPi DBAn BPe

Carcinogenicidade 2A 3 2B 2B 2ª 2B 2A 3

1 (Carcinógeno para humanos); 2A (Provável carcinógeno humano); 2B (Possível carcinógeno humanos); 3 (Não há classificação quanto à sua carcinogenicidade para humanos); 4 (Provavelmente não carcinogênico para humanos).

Dentre os HPA, o benzo(a)antraceno, o benzo(a)pireno e dibenzo(a,h)antraceno são considerados os mais tóxicos, classificados como “provavelmente cancerígeno” ao homem pela IARC (International Agency for Research on Cancer) e pelo IRIS (Environmental Protection Agency), seguidos pelo benzo(b)fluoranteno,

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22 Maria Sara Maia de Queiroz, Fev/2011

benzo(k)fluoranteno e ideno(1,2,3-cd)pireno, classificados como “possivelmente cancerígeno” ao homem.

3.3.2. Padrões de qualidade ambiental: valores orientadores

No Brasil, ainda não existe na legislação padrões de qualidade para avaliar os efeitos biológicos adversos relativos às concentrações de HPA em sedimentos. No entanto, órgãos governamentais como o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos Estados Unidos estabeleceu valores orientadores e de referência para os HPA em diversos compartimentos ecológicos (solo, sedimento, água e atmosfera). A tabela de referência da NOAA é uma ferramenta que apresenta as concentrações de contaminantes inorgânicos e orgânicos em vários ambientes e serve de comparação para avaliar os possíveis efeitos toxicológicos sobre a biota. Porém, deve-se utilizar esses valores de referência propostos pela NOAA com atenção, pois são estabelecidos para regiões de clima temperado, onde os processos de degradação para os compostos individuais de HPA são, geralmente, mais lentos que o observado em climas tropicais.

A Tabela 3.5 mostra valores de concentração que são limitantes para os compostos de HPA prioritários em sedimentos marinhos e de água doce, admitidos pela NOAA.

De acordo com a Tabela 3.5, para sedimentos marinhos, a NOAA estabelece a concentração total de HPA 1684 ng g-1 como TEL (threshold effects level), abaixo da qual não há risco de efeitos tóxicos à biota marinha e a concentração total de HPA 16770 ng g-1 como PEL (probable effects level), acima da qual se espera que ocorram frequentemente efeitos adversos. Concentrações entre 4022 e 44792 ng g-1 representam uma faixa na qual efeitos adversos biológicos poderiam ocorrer em sedimentos marinhos e estuarinos (Long et al., 1995).

Para sedimentos de água doce, a NOAA estabelece a concentração total de HPA 264,1 ng g-1como TEL e não define nenhuma concentração de HPA total como PEL.

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Tabela 3.5. Valores orientadores de concentrações de HPA em sedimentos marinhos e de água doce (NOAA Squirts, 2008). Compostos Sedimento de água marinha (ng g

-1

) Sedimento de água doce (ng g-1)

TEL ERL AET PEL TEL1 PEL UET

Ace 6,71 16 130 88,9 - - 290 Acl 5,87 44 71 128 - - 160 An 46,9 85,3 280 245 10 - 260 BkFl - - 1800 - 27,2 - 13400 BaPi 88,8 430 1100 763 32,4 782 700 BbFl - - 1800 - - - - BPe - - 670 - - - 300 BaAn 74,8 261 960 693 15,72 385 500 C 108 384 950 846 26,83 862 800 DBAn 6,22 63,4 230 135 10 - 100 Fl 113 600 1300 1494 31,46 2355 1500 F 21,2 19 120 144 10 - 300 IPi - - 600 - 17,32 - 330 N 34,6 160 230 391 14,65 - 600 Fe 86,7 240 660 544 18,73 515 800 Pi 152,66 665 2400 1397,6 44,27 875 1000 *HPA2-3 312 552 1200 1442 76,42 - 5300 *HPA4-6 655 1700 7900 6676 193 - 6500 *HPAtotal 1684 4022 - 16770 264,1 - 12000

TEL (threshold effects level): limiar de concentração abaixo do qual não há risco potencial de efeitos adversos; PEL (probable effects level): nível acima do qual se espera que efeitos adversos ocorram frequentemente; ERL (effects range-low): concentração mínima acima da qual efeitos adversos começam a serem observados na biota marinha (abaixo da qual efeitos adversos raramente ocorrem); AET (apparent effect threshold): limiar de concentração acima da qual se espera que sempre ocorra impacto biológico adverso no ambiente marinho; UET (upper effects threshold): concentração acima da qual espera-se que sempre ocorra impacto biológico adverso no ambiente dulcícola. 1Hyalella azteca bioassay. *HPA2-3: concentração de HPA de baixo peso molecular; HPA4-6: concentração de HPA de alto peso

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