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In document Konflikt eller samarbeid (sider 54-66)

Uma outra categoria de codificação encontrada foi os recursos da instituição e a articulação entre eles. Quando questionados sobre as entidades e instituições com quem trabalham, a maioria dos educadores identificou-as sem problemas, demonstrando que são conhecedores dos recursos que têm disponíveis para resolver estas situações, apesar de nem todos saberem como articular, como movimentar-se nesse meio, remetendo essa responsabilidade para a coordenadora pedagógica da instituição.

(...) p’ra já são todos os recursos que temos dentro da instituição, desde a técnica social, desde a educadora dos apoios educativos, eventualmente alguma estagiária psicóloga (...) procuramos recorrer depois a órgãos oficiais que existem, portanto a nível da negligência tratamos com as assistentes sociais das juntas de freguesia das zonas de residência das crianças (...) normalmente depois se as situações de impõem de uma forma muito rápida claro que as situações são depois sinalizadas à Comissão de Protecção de Menores. (Sílvia:4)

(...) Nós articulamos com a Comissão de Protecção de Menores, quando há algum caso de risco em que precisamos de solicitar a intervenção deles, em relação à Câmara de Cascais há também alguns apoios, áreas, gabinetes que a Câmara tenha, Segurança Social, nós também trabalhamos muito com eles, assistentes sociais. Tudo neste âmbito. Estas são as instituições com quem trabalhamos, provavelmente estou a esquecer-me de algumas, porque quem faz normalmente esses contactos, não somos nós, passa sempre pela coordenação, é a coordenadora da instituição que procede aos contactos, nós fazemos os relatórios, muitas vezes temos de estar nas reuniões, mas quem faz esta parte de articulação é a coordenadora da instituição. (Célia: 5 e 6)

(...) temos uma educadora de ensino especial que está disponível para trabalhar connosco e ajudar-nos a encaminhar para outras entidades (Cidália: 2)

(...) Articulamos com a Comissão de Protecção de Menores, a Segurança Social…e são instrumentos valiosos para que a situação tenha algum encaminhamento (Filipa:3)

(...) Trabalhamos em parceria com o Centro de Saúde da Parede, com os Centros Comunitários à nossa volta, aliás, temos um grande número de crianças na nossa instituição precisamente porque vieram sinalizadas pelos Centros Comunitários à nossa volta e depois a partir daí, por exemplo a criança já está na nossa instituição, e sabemos que o Centro Comunitário tem uma bolsa de emprego, encaminhamos a mãe para lá de forma a conseguir organizar a família. Sabemos que a mãe tem problemas a nível psíquico e precisa de apoio específico, falamos para o Centro de Saúde e tentamos encaminhar a mãe, ou o pai, para consultas de psiquiatria ou de psicologia. No fundo tentamos trabalhar no seu todo criança- família com as respostas que estão ao nosso alcance, que são entidades públicas e algumas semi-privadas, IPSS. Depois articulamos também com a Câmara de Cascais, com as juntas de freguesias, com a Segurança Social, entre outros organismos. (Carmo: 6)

Apesar de considerarem importante o trabalho em rede, quando questionados sobre a eficácia da articulação com as instituições de protecção à infância e órgãos do próprio Estado, a maioria foi unânime em afirmar que essa articulação não é facilitadora do andamento das situações, sendo mesmo um entrave à acção da própria instituição.

(...) Agora se me perguntarem se as entidades funcionam, responderia que não. P’ra já porque normalmente as entidades funcionam com pessoas que são voluntárias, que não estão disponíveis ou motivadas para agir com rapidez e pronto, acaba por ser complicado. Claro que não se pode atropelar depois a legislação, nem fazer uma série de coisas que dá vontade de fazer, às vezes em detrimento da própria criança não é? Se as coisas não funcionam, se as entidades não funcionam, isso acaba por reflectir-se na situação da própria criança. (Sílvia:5)

(...)A articulação é sempre positiva porque todos nós precisamos uns dos outros e nunca podemos dizer “eu consigo fazer tudo sozinho”, portanto considero fundamental essa articulação. (Célia: 5)

(...). Depois daqui é que as coisas complicam um bocadinho, demoram muito tempo, é complicado, não são assim tão eficazes, as coisas demoram um bocadinho até vir a resolução

do problema. (...) não há assim tanta disponibilidade. Acho que o principal problema nos órgãos públicos é a rapidez, é necessária rapidez. A Comissão de Protecção de Menores às vezes não actua tão rápido como gostaríamos e achamos que é necessário para o bem das crianças. (Cidália: 2)

(...) Eu acho que as coisas demoram muito tempo a acontecer. Na intervenção precoce não, nós sinalizávamos e aquilo tinha um andamento rápido e víamos que as coisas aconteciam. Nas demais instituições eu acho que as coisas demoram muito tempo, as crianças são sinalizadas então marca-se uma reunião, então vai-se lá e varia um pouco a nível dos sectores, porque se tem de passar por mais do que um as coisas demoram muito tempo, e a situação da família fica na mesma e os apoios não chegam (Deolinda: 4)

(...) Por vezes dificultam um pouco o trabalho, temos o caso do Ambrósio, que se não fosse a associação a mexer-se um bocadinho mais e a pressionar esses órgãos, as coisas continuavam na mesma. Na última reunião, a Coordenadora e a Técnica Social repararam que as coisas não estavam a fazer muito, não havia um empenho da parte delas… tem que se fazer para melhorar as situações destas crianças desfavorecidas e em perigo. (Filipa: 4)

(...) É fundamental, cada vez mais temos a noção e sentimos que não faz sentido trabalharmos sozinhos. (Carmo: 6)

Neste ponto devemos salientar uma constatação importante: ao falarem da articulação com outras instituições de solidariedade social é dito que a situação se resolve mais rapidamente do que quando nalgum momento têm de articular com serviços do Estado. Aqui tudo anda mais lentamente, talvez em parte devido à pesada máquina do Estado, e à própria estrutura em que assenta. Um dos entrevistados deu até o exemplo de uma articulação muito bem sucedida, neste caso com um projecto com um tempo limitado, que nasceu numa Instituição de Solidariedade Social. Infelizmente quando o projecto chegou ao fim, não houve condições para continuar por não haver entidade financiadora.

(...) Tive uma criança que nós sinalizámos e teve intervenção precoce, uma equipa que tomou conta do caso e realmente foi muito positivo, e estamos a colher os frutos desse trabalho. (Deolinda: 3)

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