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TNT-water problem

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6 Numerical tests

6.7 TNT-water problem

A realização da função ideacional da linguagem ocorre no sistema de transitividade, por meio da representação de ideias e experiências.

Os significados relativos à representação da experiência são manifestados por meio da metafunção ideacional, a qual representa os eventos das orações em termos de fazer, sentir (processamento simbólico) ou ser. Essa metafunção refere-se ao uso da língua como representação da experiência relacionada ao conteúdo, às ideias e à lógica – a relação entre as ideias. Tais representações são modelos ou padrões de experiência que, segundo Halliday (1994:106), constroem “um quadro mental da realidade para fazer sentido no que acontece ao redor e no interior do falante”. Halliday e Matthiessen (2004:170) afirmam que, ao criar uma representação de mundo, o falante põe ordem no fluxo infinito e contínuo de eventos, segmentando esse fluxo em acontecimentos distintos.

Cada acontecimento identificado pelo falante é modelado na oração por um construto nomeado figura, que é constituído por elementos tais como: um processo que se desenrola no tempo (tipicamente realizado por grupos verbais, podendo porém ser também materializado como substantivo, como em casos de nominalização); o(s) participante(s) do processo (tipicamente realizado(s) pelos grupos nominais); e as circunstâncias (tempo, espaço, causa e modo, dentre outras (Idem, p.107)), associadas ao processo (tipicamente realizadas pelos grupos adverbiais ou sintagmas preposicionados).

Halliday (1979:211) esclarece que a representação da experiência humana, em termos semânticos, pode ser descrita de duas maneiras distintas: a experiencial e a lógica. A função experiencial representa a linguagem como organização de experiências de mundo de participantes dos processos, ao passo que a função lógica expressa relações lógicas entre complexos oracionais e grupos nominais.

No que tange à função experiencial, Halliday e Matthiessen (2004:177) afirmam que as figuras, representações do mundo do falante, são realizadas em

orações compostas por elementos tais como o processo, os participantes (envolvidos no processo) e as circunstâncias (associadas ao processo), como podemos observar na figura 2.

Figura 2: Elementos centrais e periféricos na estrutura experiencial da oração (adaptado de Halliday e Matthiessen, 2004:176)

Os autores definem o processo como o elemento central na oração; os participantes situam-se próximos ao centro, ou seja, estão diretamente envolvidos no processo, praticando a ação ou sendo afetados por ela; os elementos circunstanciais adicionam informações de cunho temporal, espacial, causal etc., porém seu status é mais periférico na estrutura experiencial pois, ao contrário dos participantes, as circunstâncias não estão diretamente envolvidas no processo.

A seguir, passo a descrever os elementos da transitividade mais detalhadamente, especialmente os processos verbais por serem estes um dos focos do presente estudo.

circunstância

grupo adverbial;

oração preposicional

sobre a composição política e cultural da Nigéria

participantes grupo nominal processo grupo verbal ... pode ... dizer nós você

A) Os tipos de processos e os participantes

O falante interpreta o mundo da experiência por meio de um conjunto de tipos de processos. O processo é representado por verbos ou grupos verbais, e corresponde à ação propriamente dita. Halliday (1994) identificou seis tipos de processos:

A.1) Os processos materiais8 representam a nossa experiência no mundo

exterior, isto é, expressam variações provocadas por ações físicas, que podem ser a criação ou transformação de algo (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004:179) – são processos de fazer. Dois são os seus participantes principais: o Ator e a Meta. O Ator é quem realiza a ação propriamente dita, com presença é obrigatória: todo processo tem um Ator, mesmo se não mencionado na proposição (THOMPSON, 1996:78). A Meta é o participante efetivamente modificado pelo processo e a quem ele é dirigido, como mostra o exemplo a seguir:

(1) LADEL9 025

Mario comprou o livro de Paulo10 por dez reais

Participante:Ator Processo:.material Participante:meta Participante Circunstância

Há, contudo, outros participantes que podem estar relacionados aos processos materiais, tais como o Escopo, o Recebedor e o Cliente (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004). O Escopo é uma entidade que existe de forma independente do processo e que não é afetada por este (p.192), indicando o seu domínio de atuação. No exemplo 2, observa-se que o verbo fazer é dependente da palavra discussão para fins de complementação do significado:

(2) LADEL 031

Coudry (1986/1988) faz uma discussão acerca das relações dos sujeitos

com a linguagem

Participante:Ator Processo:material Participante:Escopo Circunstância

8

Os exemplos utilizados foram retirados do corpus de análise.

9 A sigla LADEL refere-se aos textos aqui analisados: LA – Linguística Aplicada e DEL – revista DELTA. 10

A meu ver (o que significa que não é uma interpretação definitiva, mas a ser discutida), essa oração pode ser interpretada de duas maneiras: Mario comprou | o livro de Paulo | por dez reais. Neste caso, Paulo faz parte do grupo nominal, não parece fazer parte do processo da compra. Sua função experiencial fica sendo a de identificar o livro (Classificador, no grupo nominal). Porém, se a ideia for "comprou algo de alguém", Paulo passa, então, a fazer parte do processo de compra – mas, mesmo assim, parece ter função circunstancial nesse processo. O processo da oração principal tem a ver com "comprar" e Paulo não foi comprado, o que foi comprado foi o livro. Paulo faz parte de um processo que descreve melhor a compra do livro, em uma relação lógica de intensificação (enhancing), que nos dá mais informações sobre a compra – pode ser Maneira:Meio.

Lopes (2008) esclarece que, em português, o Escopo é muitas vezes responsável pela própria significação do grupo verbal, como por exemplo em verbos como fazer, tomar, dar etc. O autor ressalta que, embora esses processos pareçam estar vazios, a diferença entre seus significados reside no próprio Escopo o qual, uma vez substituído, especifica o sentido trazido pelo processo. Vejamos o exemplo 3 abaixo:

(3) LADEL 031

Coudry (1986/1988) discute acerca das relações dos sujeitos com a linguagem

Participante:Ator Processo:material Circunstância

No exemplo 3, é possível observar que processos seguidos de Escopo podem ser substituídos por outros processos. Por exemplo: fazer uma discussão equivale a discutir.

Halliday e Matthiessen (2004:191) esclarecem que Recebedor e Cliente ocorrem em contextos diversos, e são identificados na gramática tradicional, comumente, como o objeto indireto (EGGINS, 1994:35). O Recebedor é o participante que recebe um produto, como podemos ver no exemplo 4.

(04) LADEL 039

O incidente de Horan [11] deu lhe um gás a mais.

Participante:Ator Processo:

Material Participante:Recebedor Participante:Meta Circunstância

Por sua vez, o Cliente é o participante com maior tendência de ocorrer em processos materiais que indicam criatividade. Esse participante representa a entidade para quem alguma coisa é feita, criada ou transformada. Vejamos o exemplo abaixo:

(5) LADEL 039

As línguas naturais recebiam tratamento semelhante ao das línguas mortas.

Participante: Cliente Processo:Material Participante:Meta Circunstância

A.2) Os processos mentais são os processos de sentir e estão relacionados à representação do nosso mundo interior (inner world) (THOMPSON,1994:82). De acordo com Halliday e Matthiessen (2004:197), as ações realizadas não ocorrem no mundo material, mas no fluxo do nosso pensamento. Os autores dividem esses processos em quatro subtipos (p.208-210): (1) processos mentais de cognição, relacionados a questões de decisão e compreensão, que incluem processos como

saber, entender, decidir; (2) processos mentais de percepção, voltados para a observação de fenômenos (sentir), que compreendem processos como ver, perceber e notar; (3) processos mentais de afeição, relacionados a sentimentos, que abrangem processos como gostar, temer, odiar; e (4) processos mentais de desejo, que incluem processos como querer, desejar.

Ainda segundo Halliday e Matthiessen (2004), os processos mentais contam com dois participantes: o Experienciador (senser, o ser consciente, em cuja mente o processo se realiza) e o Fenômeno (aquilo que é sentido, o elemento percebido/sentido pelo Experienciador).

(6) LADEL 031

“...as crianças gostam de esporte.”

Dêitico

Modificador Participante: Experienciador Processo: mental Participante: Fenômeno

Thompson (1998:82) ressalta que os processos mentais são gramaticalmente distintos dos processos materiais pelas quatro características apresentadas a seguir: (1) A primeira característica refere-se à diferença entre os processos materiais e mentais no que diz respeito ao tempo verbal. Nos processos materiais, o tempo não marcado é o presente contínuo; as ações que podem ser caracterizadas como processos materiais normalmente têm começo e fim, enquanto nos processos mentais o tempo não marcado é o presente simples;

(2) A segunda característica está relacionada às orações de processos mentais – o que é sentido, pensado ou percebido pode ser uma coisa, um fato ou algo que é construído como participante por projeção;

(3) A terceira característica é a natureza do Experienciador: o participante do processo mental é sempre uma entidade dotada de consciência. O que parece ser diferente é que nos processos materiais não há atribuição de consciência às entidades personificadas, isto é, o agente pode ser algo não provido de consciência;

(4) A quarta característica está relacionada aos processos mentais que, diferentemente dos processos materiais, podem manter o significado (a voz do verbo) pela utilização de um processo de significado semelhante.

Ao contrário dos materiais, os processos mentais não são processos de fazer; portanto, não cabe a pergunta “o que fez x?” posto que não podem ser substituídos pelo processo fazer.

A.3) Os processos relacionais são os processos de ser, utilizados para definir, classificar, caracterizar, generalizar e identificar. Os processos relacionais deixam em evidência uma relação de natureza estática entre dois participantes.

Segundo Halliday (1994), todas as línguas apresentam construções de processos relacionais, que podem ser de três tipos principais:

(1) intensivos, em que “x é a”;

(2) circunstanciais, em que “x está em a” (podendo ser também “x” está sobre “a”, com “a”, dentro de “a” etc.); e

(3) possessivos, em que “x tem (ou possui) a”.

Os tipos de processos relacionais mencionados acima podem ser expressos de dois modos: (a) atributivo, em que “a é um atributo de x”, e (b) identificativo, em que “a é a identidade de x”.

Os processos identificativos são reversíveis, ou seja, podem ter a ordem dos participantes alterada sem mudança de sentido. Já os processos atributivos não podem ter a ordem dos elementos alterada, do contrário a construção ficaria semanticamente diferente do sentido original.

Nas orações com processo atributivo, alguma qualidade é atribuída a uma entidade. O Portador é o participante que recebe as qualificações, sendo sempre representado por um nome ou sintagma nominal, enquanto o atributo é tipicamente realizado por um adjetivo ou sintagma adjetival.

Outros processos, além de ser, ter e estar, também podem ser relacionais, tais como ficar, permanecer, transformar, tornar, parecer, entre outros. Seis são as categorias de processos relacionais: processos intensivos de modo atributivo; processos intensivos de modo identificativo; processos circunstanciais de modo atributivo; processos circunstanciais de modo identificativo; processos relacionais de modo atributivo e processos relacionais de modo identificativo, de acordo com o

quadro 2 abaixo11:

Tipo/Modo (a) Atributivo (b) Identificativo

(1) Intensivo (66) 036”

“..a ocorrência de RILCO em português brasileiro é rara e apresenta marcas de despreferência.”

(44) 026

“ ...anáfora é o nome dado a esta relação ou processo no qual um termo anafórico, em uma instância de discurso dada, se vincula a um elemento identificável chamado de antecedente.

(2) Circunstância (58)007

Amigues (2003) ainda afirma ainda afirma que, ao contrário do que ocorre em outros domínios de atividade profissional, as prescrições para o trabalho do professor são bastante vagas e imprecisas, o que é também ressaltado por Faïta (2003).

(64)001

Gêneros como a carta de promoção de vendas (Bhatia, 1993) e o artigo científico (Swales, 1990) estão na esfera da ação individual, podendo ser vistos como elementos para a formatação da ação de linguagem.

(3) Possessivo (52) 038

Se a gramática adulta tem categorias funcionais, estas podem ou não estar disponíveis na gramática inicial.

(54)006

Sendo a interdiscursividade e a intertextualidade, aspectos relevantes em qualquer análise de discurso que se empreenda ao discurso pertence papel privilegiado na constituição do social.

Quadro 2: Tipos de processos relacionais

Processos intensivos de modo atributivo

Há quatro características que distinguem orações atributivas de identificativas. As particularidades dos processos atributivos são:

(1) O grupo nominal que funciona como atributo é tipicamente indefinido nos processos de modo atributivo. O núcleo da oração pode ser um adjetivo (ou um particípio) ou um substantivo comum – algumas vezes acompanhado de um artigo indefinido –, mas nunca um nome próprio ou pronome;

(2) O verbo que realiza o processo pertence à classe “ascriptiva”. No caso de o atributo ser um substantivo comum sem adjetivo, ele pode ser precedido por uma preposição, dependendo do verbo em questão;

(3) Fazemos as perguntas “o que é x?”, “como é x?” ou “x é como o quê?” para sabermos se determinada oração é de modo atributivo. Se obtivermos respostas a essas perguntas trata-se, então, de uma oração relacional de modo 11

atributivo;

(4) Orações no modo atributivo não são reversíveis, ou seja, não há formas passivas para esse tipo de oração.

Processos intensivos de modo identificativo

Nos processos de modo identificativo, algo tem uma identidade assegurada para si. Em outras palavras, uma entidade é usada para identificar uma outra: “x” é identificado por “a”. O elemento “x” é chamado de identificado e o elemento “a” é chamado de identificador. Nesse modo, não se trata de pertencer a uma classe, uma vez que isso não provê identidade a uma entidade.

Quatro características distinguem os processos de modo identificativo dos processos de modo atributivo. São elas:

(1) O grupo nominal que realiza a função de identificador é geralmente definido. Usualmente, o núcleo é um substantivo comum acompanhado de artigo definido, um substantivo próprio ou um pronome. O superlativo é o único caso em que um adjetivo é o núcleo de um processo no modo identificativo;

(2) O verbo que realiza o processo que aparece nesse modo é do tipo “equativo”;

(3) Fazemos as perguntas “qual é x?” ou “quem é x?” para saber se se trata do modo identificativo. Se obtivermos respostas a essas perguntas, trata-se então desse tipo de processo;

(4) Esse tipo de oração é reversível. Exceto com os verbos ser, estar, transformar e permanecer – além daqueles acompanhados por preposição, tais como ‘agir como’ –, todos os processos identificativos podem apresentar formas passivas. Vale ressaltar que os elementos ‘identificador’ e ‘identificado’ podem vir em qualquer ordem.

Processos relacionais circunstanciais

Nas orações relacionais de tipo circunstancial, a relação entre as duas entidades (os dois participantes) da oração é de tempo, lugar, causa, maneira, acompanhamento, papel, assunto ou ângulo.

Processos circunstanciais de modo atributivo

Nas orações circunstanciais atributivas, o elemento circunstancial é um atributo assegurado a alguma entidade. Esse tipo de oração pode assumir duas formas: a circunstância é apresentada como um atributo; ou a circunstância aparece como um processo. A relação circunstancial é expressa por uma preposição e o atributo é um sintagma preposicional – quando a circunstância é expressa na forma de um atributo. Vejamos o exemplo: Ele está na casa da mãe dele. Quando a circunstância é expressa como um processo, ela aparece na forma de um verbo que expressa uma relação circunstancial. Neste caso, o atributo é um grupo nominal: Ela ficou aqui mesmo.

Processos circunstanciais de modo identificativo

Nas orações relacionais circunstanciais de modo identificativo, a circunstância é expressa como uma relação entre duas entidades: uma dessas entidades está sendo relacionada a outra por um traço circunstancial (que pode ser de maneira, tempo etc.).

Esse tipo de oração pode se apresentar de duas maneiras: a relação circunstancial é expressa na forma de um traço dos participantes; ou a relação circunstancial vem na forma de um traço do processo.

Quando a circunstância é expressa como participante, identificador e identificado são elementos circunstanciais, como no exemplo: Ontem era dia de jogo. A ordem dos participantes pode ser trocada sem que se altere o sentido, como ocorre em outras orações identificativas. No caso da oração relacional circunstancial no modo identificativo, é o processo – e não os participantes – que expressa o traço circunstancial como uma relação entre os participantes. As orações desse tipo são metafóricas, como no exemplo: A casa era cercada por várias estradas.

Processos relacionais possessivos

Nas orações com processos relacionais possessivos, uma entidade possui outra, isto é, a relação entre os participantes é de pertencimento. Nesse tipo de oração relacional, a relação de posse pode ser expressa no modo atributivo ou no modo identificativo.

Nas orações relacionais possessivas de modo atributivo, a relação de posse pode ser expressa como um atributo ou como um processo. Quando a relação é expressa como um atributo, ela aparece como um grupo nominal de posse. Normalmente, em português, o grupo nominal atua como pronome possessivo (meu, minha, nosso etc.) ou é precedido das preposições de, da(s) ou do(s), como nos exemplos: A bolsa é minha / A bolsa é dela. O verbo da oração indica a relação de posse quando esta é expressa por um processo. Vejamos o exemplo: A mãe tem a guarda da filha mais nova. Neste caso, o portador pode ser o possuidor e o atributo, o possuído, ou o contrário: o portador pode vir como o elemento possuído e o atributo como o possuidor.

Nas orações relacionais possessivas de modo identificativo, a posse aparece na forma de uma relação entre entidades. Nesse caso, a relação de posse pode ser expressa como uma marca dos participantes ou como uma marca do processo. Quando a posse vem na forma de uma marca dos participantes, a relação entre eles é de identidade. Esse tipo de oração pode ser classificada como atributiva ou como identificativa, dado que a forma é exatamente a mesma. Voltemos a dois exemplos já citados: A bolsa é minha / A bolsa é dela.

Nas orações relacionais possessivas identificativas, quando a relação de posse aparece como uma marca do processo, o verbo típico que a realiza é possuir. Segundo Halliday (2004), a categoria dos processos relacionais possessivos, além dos processos que indicam posse no sentido usual, abarca processos que sugerem relações mais abstratas, as quais indicam algum tipo de posse ou pertencimento – por exemplo, com os verbos consistir, incluir e conter. Vejamos, em mais detalhes, quais são os participantes dos processos relacionais:

• Portador: entidade à qual foi assinalada uma classe (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004:219), como em: Laura é bonita. Laura está na classe de pessoas bonitas. Como foi dito anteriormente, em processos relacionais possessivos o Portador é o participante Possuidor, como no exemplo: Carlos tem um carro.

• Atributo: uma classe atribuída ao Portador. Voltemos aos exemplos acima: o Atributo de Laura é bonita. Já em processos relacionais possessivos, o Atributo é o participante Possuído; neste caso seria o carro, como no exemplo: Carlos tem um carro.

• Identificado: é o elemento ao qual se atribui uma identificação (p.227), como por exemplo o condor em: O condor-dos-andes é a maior ave de rapina do mundo.

• Identificador: é o elemento que identifica um participante. No exemplo acima – O condor-dos-andes é a maior ave de rapina do mundo –, o identificador seria a maior ave de rapina do mundo.

(A.4) Os processos comportamentais estão na fronteira entre os processos material e mental, com características comuns aos dois tipos de processo. Tais processos representam as manifestações do nosso mundo interior, a externalização de processos de consciência e de estados fisiológicos. Há processos comportamentais como olhar, assistir, encarar etc. que estão mais próximos de ações mentais, enquanto outros situam-se mais próximos de ações materiais, como dançar, respirar, deitar etc. O participante desse tipo de processo é o Comportante, um ser tipicamente dotado de consciência – assim como o experienciador dos processos mentais. É o Comportamento que define o escopo do processo (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004). No entanto, o processo comportamental é gramaticalmente mais parecido com os processos de fazer, como no exemplo abaixo:

(7)

Maria pôde assistir ao filme Matrix.

Participante:comportante Processo:Comportamental Participante:Comportamento

(A.5) Os processos existenciais, como o nome diz, referem-se à existência, possibilitam que fenômenos de todos os tipos sejam reconhecidos como ser, existir ou acontecer que se encontrem entre os processos relacionais e materiais. Esses processos relacionam-se a qualquer tipo de fenômeno reconhecido como existente. As proposições existenciais são realizadas tipicamente pelos processos haver e existir. Outros processos como emergir, surgir e ocorrer podem ser considerados existenciais, dependendo do contexto onde se inserem. O processo existencial tem um só participante, o Existente, que pode ser uma pessoa, um objeto, uma instituição, uma abstração, uma ação ou um evento, como mostra o exemplo 8:

(8) LADEL 019

Existe ato físico não convencional?

(A.6) Os processos verbais situam-se entre os mentais e os relacionais e são processos de dizer – dizer, aqui entendido como qualquer tipo de troca de significado expresso verbalmente. Esses processos de dizer são relações simbólicas construídas na consciência humana e realizadas por meio da linguagem (cf. HALLIDAY & MATTHIESSEN, 2004). Os processos verbais apresentam característica semelhante aos processos mentais no que se refere à capacidade de projetar fenômenos de segunda ordem. Já em relação aos processos relacionais, a particularidade que os aproxima é a possibilidade de serem considerados processos simbólicos, uma vez que aceitam como participante um dizente não dotado de consciência, destituído da capacidade de se expressar, de falar. O conteúdo que está sendo dito pode ser uma citação direta ou um discurso reportado. Muitas vezes, encontramos o que é dito em uma oração secundária de um complexo oracional – chamada, nesse caso, de oração projetada.

Os processos verbais contam com quatro participantes: o Dizente – aquele ou aquilo que diz alguma coisa, e que não precisa necessariamente ser dotado de consciência. O dizente e o processo (prototipicamente realizado por um grupo

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