A aposta do Governo Regional no turismo, assume como paradigma a sustentabilidade ambiental, económica e social, no quadro de um modelo de desenvolvimento do turismo que privilegie a qualidade, tanto em termos de ambiente do destino turístico, como no que refere aos empreendimentos e serviços turísticos (Silva et al., 2007). A visão para o turismo apontada pelo POTRAA consubstancia-se no desenvolvimento e afirmação de um sector turístico sustentável, que garanta o desenvolvimento económico, a preservação do ambiente natural e humano e que contribua para o ordenamento do território insular e para a atenuação da disparidades entre os diversos espaços constitutivos da Região (GEOIDEIA
et al., 2007). Este modelo de desenvolvimento turístico vem ao encontro das motivações
dos turistas. Segundo o “Estudo sobre os turistas que visitam os Açores” (SREA, 2001), os cinco factores mais importantes para a escolha do destino Açores, foram: beleza natural, ambiente calmo, novidade e exotismo das ilhas, clima e segurança. Este estudo prova que a atractividade turística dos Açores está muito relacionada com a beleza natural e a possibilidade de se realizar férias tranquilas, activas e exóticas.
Também a nível nacional, o Governo, através do PENT, aponta para o turismo de natureza, saúde e bem-estar e o turismo náutico, como os produtos prioritários para os Açores. Esta é mesmo a região de Portugal onde o turismo na natureza é mais expressivo, representando 36% das motivações primárias dos turistas que visitam esta região, valor que é bastante significativo comparado com a média nacional de 6% (MEI, 2006). Os Açores são
igualmente a região em que o turismo náutico apresenta maior peso, com 6,2% das motivações dos turistas. Notório ainda, é o reconhecimento internacional da grande potencialidade da região para o turismo na natureza. Segundo a revista National Geographic Traveler (Tourtellot, 2007), o Arquipélago dos Açores é o segundo melhor destino insular em termos de turismo sustentável (Tabela 10).
Ordem Ilha / Arquipélago País/Reg. Ordem Ilha / Arquipélago País/Reg.
1 Ilhas Faroe Dinamarca 6 Ilha de Skye RU/Escócia 2 Arquipélago Açores Portugal 7 Ilha Kangaroo Austrália 3 Ilhas Lofoten Noruega 8 Ilha Mackinac Michigan
4 Ilhas Shetland Escócia 9 Islândia Islândia
5 Arquipélago Chiloé Chile 10 Ilha Molokai EUA / Havai Tabela 10 – Os melhores destinos insulares para o turismo sustentável (Tourtellot, 2007) Embora os Açores continuem a ser uma das regiões com menor peso do turismo à escala nacional, esta actividade económica afirma-se cada vez mais como sector estratégico para o desenvolvimento do Arquipélago. Entre 2000 e 2006, esta foi a região do país que teve maior acréscimo nas dormidas na hotelaria tradicional (78%). Em 1990, essas dormidas corresponderam apenas a 1,5% do total nacional, tendo aumentado para 3,1% em 2007 (INE, 2007a). O crescimento do turismo nos Açores fez-se sentir essencialmente a partir de 1995 (Moniz, 2006)
Embora o destino Açores continue a apresentar grande potencial de crescimento, e o PENT aponte para taxas de crescimento prospectivas para as dormidas de 6,5% ao ano até 2015, em 2007 verificou-se uma diminuição na dinâmica do sector, com crescimentos inferiores à média registada no país (Tabela 11).
Hóspedes Dormidas Proveitos
Total nacional 7,0 % 5,3 % 9,0 %
Açores 5,4 % 2,4 % 2,9 %
Tabela 11 – Variação homóloga de Janeiro a Setembro de 2007, em relação ao mesmo período de 2006 (INE, 2007)
Dos aspectos mais relevantes do turismo dos Açores, destacam-se os seguintes: - Destino emergente com grande potencialidade para o turismo na natureza; - Estada média baixa e forte sazonalidade;
- Peso significativo do turismo nacional;
- Distribuição muito heterogénea do turismo pelas ilhas;
A estada média baixa e a sazonalidade bastante marcada, concentrando-se nos três meses de Verão, 42% do total das dormidas dos turistas, são os principais pontos fracos do turismo dos Açores (Figura 28).
0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Do
rm
id
as
Figura 28 – Sazonalidade: dormidas na Hotelaria Tradicional nos Açores em 2006 (SREA, 2007) Comparativamente com os principais destinos insulares concorrentes, o turismo dos Açores é caracterizado principalmente por se encontrar num estádio de desenvolvimento mais jovem, configurando-se com um destino emergente mas ainda com fluxos reduzidos. Alguns destes aspectos são patentes numa análise comparativa com a realidade nacional e com destinos concorrentes insulares, situados na mesma região biogeográfica (Tabela 12).
Indicador Açores Madeira Canárias Portugal
Emprego no sector Turístico (% total emprego) 6,1 10,7 14,1 10,0 Densidade da oferta turística (capac. Alojamento/km2) 3,9 35,5 53,0 2,8 Turismo em espaço rural (% cap. aloj. em rel. oferta total) 5,8 1,8 0,6 4,1
Estada média dos turistas na região (dias) 3,6 6,5 9,8 3,1 Densidade da procura turística (n.º turistas/km2) 149 1072 1712 124
Sazonalidade da procura turística (turistas/meses21) 0,47 0,15 0,12 - Evolução nº de hóspedes (% de variação entre 2001 e 2005) 44,0 3,2 - 12,6
Proporção de hóspedes estrangeiros (%) 41,6 75,3 - 51,9 Capacidade de alojamento (n.º camas/1000 hab.) 34,8 114,6 - 25,0
Tabela 12 – Caracterização da actividade turística em 2005 (SREA et al., 2006; SREA, 2006; INE, 2007b) Comparativamente com a Madeira e as Canárias, as densidades da procura e da oferta turística nos Açores são bastante inferiores, o que demonstra um peso bastante menor do sector na economia local e um estádio de desenvolvimento mais jovem. Outro indicador pouco favorável é a dependência excessiva do mercado nacional que, em 2005, era
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responsável por 58,4% do total de hóspedes, contra apenas 24,7% na Madeira. Em termos de visitantes estrangeiros, em 2006 os mercados com maior peso foram a Dinamarca a Alemanha e a Suécia (Tabela 13).
País Dinamarca Alemanha Suécia R.Unido EUA Finlândia Espanha Noruega Qt. 23.390 18.560 17.503 12.861 12.314 10.270 8.452 8.010
% 15,9 12,6 11,9 8,8 8,4 7,0 5,8 5,5
Tabela 13 – Principais mercados emissores de hóspedes em 2006 (SREA, 2007b)
No seu conjunto, entre Janeiro e Setembro de 2007, o mercado nórdico foi responsável por cerca de metade das dormidas dos estrangeiros (SREA, 2007). Em média, o turista estrangeiro apresenta maior tempo de permanência que o nacional, excepto em 3 das ilhas mais pequenas: Santa Maria, Flores e Corvo (Figura 29).
0 20 40 60
Açores Sta Maria S. Miguel Terceira Graciosa S. Jorge Pico Faial Flores Corvo
%
% Hóspedes estrangeiros % Dormidas estrangeiros
Figura 29 – Distribuição mensal das dormidas, nos Açores em 2006 (SREA, 2007)
Os hóspedes estrangeiros (39,8%) continuam a ser substancialmente menos que os nacionais, mas representam mais de metade das dormidas (Tabela 14).
Hóspedes Dormidas Fonte: SREA, 2007 n.º (%) n.º (%) Estada média (dias) % Hóspedes estrangeiros % Dormidas estrangeiros Total Açores 368.960 100 1.277.598 100 3,5 39,8 54,3 Santa Maria 9.058 2,5 23.895 1,9 2,6 21,2 18,9 Grupo
Oriental São Miguel 215.398 58,4 883.546 69,2 4,1 48,9 64,8 Terceira 62.846 17,0 156.094 12,2 2,5 24,0 26,2 Graciosa 4.119 1,1 10.372 0,8 2,5 8,0 9,9 São Jorge 7.271 2,0 17.568 1,4 2,4 35,0 40,1 Pico 21.673 5,9 54.187 4,2 2,5 29,5 36,6 Grupo Central Faial 43.652 11,8 113.186 8,9 2,6 30,3 37,7 Flores 4.885 1,3 18.522 1,4 3,8 40,7 28,7 Grupo Ocidental Corvo 58 0,0 228 0,0 3,9 31,0 29,4
Tabela 14 – Hóspedes, dormidas e estada média por ilha em 2006 (INE, 2007b)
Nos últimos anos o crescimento do turismo nos Açores tem sido mais expressivo relativamente ao mercado internacional, que passou de 35% das dormidas, no ano 2000,
para 56% em 2007 (SREA, 2007). Essa é uma tendência que se prevê vir a acentuar-se, à medida que se alarga o mercado internacional, muito dependente de ligações aéreas directas e da promoção do destino, que é pouco conhecido no mercado externo.
Relativamente à distribuição interna do turismo, verifica-se uma distribuição bastante heterogénea da procura, com forte concentração na Ilha de São Miguel, a qual foi, em 2006, responsável por 69,2% das dormidas, seguida da Terceira com 12,2% e o Faial com 8,9% (Figura 30 e Tabela 14). 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900
Sta Maria S. Miguel Terceira Graciosa S. Jorge Pico Faial Flores Corvo
M il h ar es 0 1 2 3 4 5 nº d ia s Hóspedes Dormidas Estada
Figura 30 – Hóspedes, dormidas e estada média por ilha em 2006 (INE, 2007b)
A excessiva concentração da actividade turística em São Miguel é ainda acentuada por apresentar bastante melhor desempenho, quer em termos de estada média 4,1 dias em São Miguel comparando com 3,5 dias de média nos Açores, quer do peso dos hóspedes e dormidas dos estrangeiros que é substancialmente superior ao das restantes ilhas.