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matriz orgânica de mel e pólen comparados com curvas com matriz aquosa, foi observada interferência da matriz orgânica na concentração final dos elementos. Especificamente na determinação dos elementos As, Bi, Cs, In, La, Sn e Zn na matriz orgânica de mel e da matriz orgânica de pólen na determinação dos elementos As, Bi, Cd, Pd, Th e U em um nível de significância de 0,05. Contudo o método desenvolvido e utilizado nas análises do mel e pólen de jataí diminuiu o efeito da matriz orgânica, aumentando a confiabilidade dos resultados. As faixas de determinação dos elementos traço em mel e pólen variaram de 0,001 a 10,30 µg g-1 e 0,0004 a 1.16 µg g-1, respectivamente. As taxas de recuperação dos Spiked variaram nas análises do mel de 91,63% a 104,60% e do pólen 92,77% a 115,59%.

O elemento químico mais abundante nas amostras de mel e pólen das abelhas jataí nesta pesquisa foi o potássio. Na sequência, os elementos químicos mais abundantes foram: o cálcio, fósforo, sódio, enxofre e o magnésio. Embora não existam limites máximos estabelecidos para contaminantes inorgânicos em pólen, os valores máximo de As, Ni e Pb determinados foram acima dos limites máximos estabelecidos para o mel apícola. Os valores considerados tóxicos para o mel apícola são referentes apenas para o mel apícola, confirmando a necessidade de legislação própria para o mel e pólen meliponícolas.

As diferenças entre os perfis gerados dos locais de coleta no mel indicaram uma possível assinatura química quando avaliado os elementos terras raras (ETR). Os locais estudados baseados nas curvas dos diagramas de normalização foram agrupados. O primeiro grupo foi constituído pelas amostras de Sabará (1), Raposos (2), Nova Lima (5), Mineradora de Minério de Ferro (7) e Mineradora de Pedra Sabão (8), e o segundo grupo foi constituído pelas amostras da Pampulha (3), Brumadinho (4), Mineradora de Brita (6) e a Mineradora de Calcário Dolomítico (9). Interessante observar que as amostras se agruparam de acordo com o contexto geológico dos locais de coleta. Os locais 1, 2, 5, 7 e 8 inseridos no contexto geológico do SuperGrupo Rio das Velhas, sendo os locais 1 e 7 também inseridos no contexto geológico SuperGrupo Minas e os locais de coleta 3, 4, 6 e 9 inseridos no contexto geológico do Complexo metamórfico, sendo o local 3 também inserido no contexto geológico SuperGrupo Rio das Velhas.

A separação dos perfis dos locais formados na normalização foi também observada nos agrupamentos formados na análise de PCA, acenando para uma possivel assinatura química no mel e no pólen. Os agrupamentos formados nos diagramas de loadings correspondem aos agrupamentos formados

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nos diagramas da normalização. Nas normalizações e nas PCA os ETR foram o grupo de elementos que mais contribuiram para a separação e agrupamento dos locais nos diagramas. De maneira geral, os elementos químicos determinados no mel e o pólen possuem grande potencial para serem utilizados como bioindicadores, capazes de fornecer dados que possibilitam correlacionar os produtos com a geologia das áreas de coleta. Os resultados químicos aliados às análises estatísticas indicaram o mel de jataí com maior potencial para ser utilizado como bioindicador de origem geológica que o pólen de jataí. Os valores determinados dos elementos químicos no pólen foram maiores que os valores determinados em mel, indicando uma maior biacumulação no pólen; e um maior potencial para ser utilizado como bioindicador de poluição ambiental, entretanto são necessárias pesquisas posteriores para validar essa hipótese.

Dentre as análises estatísticas os diagramas de loadings associados aos diagramas de scores da PCA forneceram uma possível explicação para o agrupamento das amostras. A PCA foi considerada como uma técnica viável para relacionar as amostras com os locais de coleta, especialmente para o mel. Entender a origem da amostra também é importante para atingir a relação de qualidade do produto que o mercado globalizado exige. A exatidão pode ser uma ferramenta ideal para garantir a qualidade das etapas até o produto final podendo ser uma oportunidade de agregar valor aos processos e ao produto. Além da relação de bioindicação e exatidão, o conhecimento nutricional do mel e principalmente do pólen são fundamentais para se estabelecer parâmetros de comparação com o alimento proteico fornecido pelos meliponicultores às abelhas na época de seca, que podem favorecer o desenvolvimento da meliponicultura.

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