• No results found

4.4 Regresjonsanalyse av ulike typer innovasjon

4.4.1 Tjenesteinnovasjon

O nosso organismo possui uma extraordinária capacidade de adaptação às situações – adaptabilidade (Frade, 1990). Esta capacidade compreende o desenvolvimento, a aprendizagem, a mudança, por via da interação com o meio ambiente (Capra, 1996, 2002). Treinar consiste em colocar em prática essa

24

capacidade, ou seja, transmitir ao organismo (sistema jogador e/ou equipa) que deverá reorganizar-se, preparando-se para situações futuras que poderá enfrentar, de acordo com uma determinada intenção (Frade, 1990). Este fenómeno tem sido largamente estudado nas diversas áreas da ciência como a Fisiologia, a Sociologia, o Treino, a Aprendizagem, as Neurociências, entre outras.

Na área do treino esse fenómeno é comumente designado de sobrecompensação12, referindo-se à fase em que após um estímulo sobre o

organismo e um período subsequente de fadiga resultante desse estímulo, dá- se a fase de exaltação para um nível de organização superior ao anterior – ciclo de auto-renovação. Este facto remete-nos para uma visão da homeostasia como impulsionadora da evolução, defendida por Damásio (2017). O autor refere que, ao contrário do que nos indica a visão tradicional, o processo homeostático do nosso organismo procura ir além do estado de equilíbrio. Procura resistir e projetar o organismo para o futuro por meio de estados de regulação interna de nível superior, mais eficazes, logo capazes de conduzir ao florescimento (Damásio, 2017). Nos organismos sociais, sob a perspetiva sistémica, como são exemplo as equipas de futebol, este fenómeno é denominado de auto- organização, e segue a mesma lógica dos exemplos anteriores. Ou seja, o processo de auto-organização é caraterizado pela criação ou emergência de novas estruturas e de novos modos de comportamento nos processos de desenvolvimento, de aprendizagem e de evolução, que ocorre apenas quando o sistema está afastado do equilíbrio (Capra, 1996).

No fundo, o que se pretende com o processo de treino é que a auto- organização eleve os jogadores e a equipa para níveis de organização estrutural e funcional próximo do projeto coletivo pretendido e que possibilitem uma melhor preparação para a competição. Para que tal aconteça, importa que os contextos de prática sejam sempre específicos e o mais representativos possível (G. Silva, 2016). No primeiro caso significa que os contextos de prática sejam criados em função do modo como se pretende resolver os diferentes problemas de jogo, isto

12 Numa perspetiva sistémica, Taleb (2014) esclarece que um sistema que sobrecompensa está em modo de superação. Ou seja, cria capacidade e força extras em resposta a uma situação ‘stressante’ e na expectativa de uma situação igual / pior ou de um perigo.

25

é, congruentes com o projeto coletivo de jogo. No segundo, que sejam representativos da natureza ambiental do contexto real de competição (P. Silva, 2014), ou seja, que permitam a criação de informação semelhante às exigências da competição. Deste modo, promove-se um desenvolvimento adequado das capacidades e competências cognitivas, percetivas, decisionais e motoras dos jogadores (Guilherme, 2014). Em suma, a reorganização estrutural e funcional do jogador / equipa será a mais adequada, pois haverá uma adaptabilidade Específica.

Contudo, importa salientar que o processo de adaptação do organismo ou sistema (jogador / equipa) é caraterizado por uma progressão não linear e complexa. A progressão é complexa porque, ao longo da(s) semana(s) de treino e competição, são tidos em conta múltiplos aspetos relevantes do processo que, em interação, contribuem para a dita progressão complexa (Reis, 2018). A forma como estamos a jogar, o que vimos treinando e deixando de treinar, a distribuição semanal dos conteúdos em função dos dias entre jogos, a dimensão estratégica em relação ao próximo jogo ou mesmo um jogador que está entrando na equipa (Reis, 2018), são alguns dos aspetos que tornam a adaptabilidade um fenómeno progressivo complexo e não-linear.

Fruto da complexidade do processo, uma equipa pode evoluir para novas estruturas ou retomar à inicial (Reis, 2018). Para que a equipa continue evoluindo qualitativamente, é necessário que, no plano metodológico, procuremos ter em conta este fenómeno de progressão complexa da adaptabilidade. Portanto, durante o processo importa, primeiramente, que a complexidade seja crescente, ou seja, que se desenvolva do menos complexo para o mais complexo, sempre em função da Especificidade da equipa. A progressão complexa deve ocorrer em três níveis: ao longo de cada unidade de treino, de cada semana e de toda época.

Ao longo da época, o foco principal é o desenvolvimento da Ideia Coletiva. Em virtude desse motivo, o treino deve ser direcionado para tal desde o início do período preparatório (Reis, 2018). Desde o primeiro dia da época, importa hierarquizar e priorizar princípios para que se introduza uma ideia global do jogar pretendido – menos complexo – e, consoante a progressão, acrescentar

26

princípios para um jogar mais complexo (Tamarit, 2013). No entanto, é relevante atender a alguns aspetos circunstanciais durante este período da época (Reis, 2018). Visto os jogadores retornarem de um período de férias (transitório ou off- season), o máximo solicitado aos jogadores será relativo, ou seja, será em função daquilo que é o seu máximo naquele momento. Isto quer dizer que nos primeiros treinos, os jogadores irão apresentar uma intensidade13 máxima

inferior à intensidade máxima das semanas seguintes; irão tolerar menor duração dessa intensidade máxima relativa; irão necessitar de maior tempo de pausa / recuperação entre exercícios / treinos. Portanto, para que esteja sempre presente a máxima qualidade e intensidade durante os contextos de prática – fatores determinantes na aquisição do jogar –, é necessário que o tempo de repouso e recuperação sejam maiores no início, bem como a complexidade dos exercícios / treinos menores, e ir progredindo gradualmente. Assim, resultado do processo de sobrecompensação orgânica, haverá uma melhoria estrutural e funcional ao longo das semanas. Este facto possibilitará que os exercícios em intensidade máxima relativa sejam mais frequentes durante o treino, ou seja, que a recuperação seja mais rápida entre exercícios, havendo uma maior densidade destas intensidades máximas no treino.

Ressalvamos também que, neste período, existe a necessidade de respeitar o processo de adaptabilidade ou resiliência orgânica (Reis, 2018; Tamarit, 2013), não procurando ajudas externas para ‘facilitar’ a recuperação. Naturalmente que, no início, o processo de adaptabilidade é mais moroso. Mas, importa que seja o próprio corpo, de forma livre, a se ajustar. Caso contrário, a adaptabilidade será em função dessas ajudas externas e quando for efetivamente necessário esse facilitador externo não terá o efeito desejado, devido à habituação (Reis, 2018).

13 A intensidade, nesta perspetiva sistémica, engloba a concentração tática exigida no desempenho, e não apenas o esforço muscular. Ou seja, a necessidade constante do jogador antecipar, ajustar e solucionar as situações-problema, reconsiderando e interpretando constantemente um conjunto de variáveis imprevisíveis no contexto. A intensidade surge da implicação da totalidade sistémica dos jogadores/equipa, ou seja, da Tática, e está relacionada com os desempenhos (não com cargas) com incidências pluridimensionais (Reis, 2018).

27

Ao longo da semana, também é necessário regular a complexidade dos treinos de modo a que a relação desempenho-recuperação tática14 seja

adequada e coerente ao jogar pretendido (Tamarit, 2013). O desgaste emocional aumenta com o incremento da complexidade, pelo que a gestão apropriada da complexidade é determinante para que os jogadores cheguem ao jogo no seu nível ótimo de desempenho. O ponto mais alto de desgaste emocional, durante a semana, deve coincidir com o treino mais afastado das competições (anterior e seguinte), visto o jogo ser o momento de maior impacto emocional, logo maior tempo de recuperação será necessário. Portanto, à medida que nos aproximamos da competição devemos reduzir a densidade das exigências de concentração, da complexidade dos exercícios, de forma a garantir a recuperação dos desempenhos máximos para o jogo.

Na unidade de treino, e nos respetivos contextos de prática criados, importa, também, atender à complexidade do desempenho, ao desgaste emocional daí resultante e à respetiva recuperação necessária entre desempenhos. A complexidade aplicada depende da interação entre diferentes variáveis, das quais Tamarit (2013) destaca: a) a complexidade do princípio ou subprincípio ou da articulação entre princípios e subprincípios; b) a subdinâmica dominante do esforço e do padrão de contração muscular dominante que estão implicados; c) a quantidade de jogadores envolvidos e a sua qualidade; d) o espaço de jogo; e) o tempo de duração.

Em suma, para que a adaptabilidade seja Específica do jogar pretendido, o Tático que representa a Identidade da equipa, importa compreender toda a complexidade do processo e gerir adequadamente a relação desempenho- recuperação ao longo de toda a época, desde o primeiro dia, em função das circunstâncias. Um processo que, como refere Reis (2018), pela interação entre o cérebro, o físico e o mental, desenvolve-se cheio de turbulências, de saltos e de descontinuidades.

14 Desempenho-recuperação tática está relacionada com a dimensão pluridimensional do desempenho. Um mau dosear deste binómio poderá levar a um acumular de fadiga (também) tática, ou seja, central. Esta tem a ver com a incapacidade de concentração, por estar cansado de o fazer (Reis, 2018).

28