4 METODE
4.7 E TISKE BETRAKTNINGER
O pensamento científico se desenvolveu ao longo de alguns séculos e trouxe com ele o desenvolvimento tecnológico. Especialmente no período pós-guerra, os registros de conhecimento e seus suportes cresceram de forma exponencial, chegando a dimensões impensadas, sendo que também os suportes de registro destes conhecimentos vão ter suas possibilidades de produção e reprodução multiplicados. Baseando-se nessas questões, Saldanha (2008) afirma que “os problemas resultantes deste crescimento estão de um modo geral, diretamente ligados à impossibilidade de controle de produção, recuperação, reconhecimento, tratamento e disponibilização contextualizada de todo o conteúdo imerso nos suportes multiplicáveis.” (SALDANHA, 2008, p. 20).
Para atender a uma demanda por soluções dos problemas relativos ao acúmulo dos conhecimentos disponíveis, bem como de seus suportes cada vez mais diversificados, é que se faz necessário o surgimento de uma disciplina que trate dessas questões. Assim,
O surgimento da Ciência da Informação se localiza no movimento de pesquisadores e estudiosos de diversos campos do conhecimento que buscam aglutinar esforços iniciais para solucionar problemas decorrentes do boom bibliográfico e do caos documental. Pelo menos três perspectivas históricas procuram explicar as bases da origem da Ciência da Informação, fundamentadas no desenvolvimento de atividades e estudos em seus contornos práticos e teóricos: a Documentação de Paul Otlet (1868-1944), a Biblioteconomia de Jesse Shera (1903-1982) e a Recuperação da Informação de Vannevar Bush (1890-1974). A primeira na Europa e as duas últimas nos Estados Unidos. (SOUZA, 2008, p. 03)
Todavia, o surgimento do campo não se dá como uma área pensada epistemologicamente, ela resulta muito mais da prática de profissionais que buscam atender a essa nova demanda. Vê- se, assim, embora ainda em consolidação, “a Ciência da Informação emerge enquanto campo do conhecimento em resposta aos desafios colocados pela sociedade em função do desenvolvimento técnico-científico do século XX, principalmente em sua segunda metade.” (GOMES, 2008, p. 02). A autora afirma ainda que, apesar de atender a lógicas sócio- econômicas e culturais utilizando os meios técnicos disponíveis, a Ciência da Informação se articulará acadêmica e institucionalmente ao campo da Biblioteconomia e Documentação. (GOMES, 2008, p. 02).
Naturalmente, o que se chamava – ou se pretendia chamar – de Ciência da Informação nos anos 1960 e 1970, em geral, mesmo tendo por base a preocupação com o controle bibliográficoinformacional realizado pela Biblioteconomia, pela Bibliografia ou pela Documentação, por exemplo, era uma ciência da tecnologia, exata por orientação, voltada para formação de cientistas capazes de construir máquinas que realizassem o que seres humanos já não eram capazes de executar – ou, pelo menos, não conseguiriam executar com a velocidade e a precisão necessária (AUROUX, 1998). Esta ciência apreendia o fenômeno social da informação como objeto científico – tendo o conceito de fenômeno social bastante próximo da teoria de Comte e Durkheim, de cunho positivista, preocupada com o controle/conquista de uma ordem natural, ou seja, o documento e, por extensão, a informação, como entidades coisificadas. (SALDANHA, 2008, p. 23)
Nesse sentido, a busca por uma conformação teórica para o campo, e por uma aceitação desta enquanto disciplina científica, leva os pesquisadores da área a buscar suas origens, na tentativa de estabelecer aquelas que seriam as bases teóricas da Ciência da Informação.
A preocupação teórico-disciplinar está estampada na diversidade de opiniões de pesquisadores da Ciência da Informação que nela se detiveram e reconheceram a importância da obra do advogado belga Paul Otlet intitulada ‘Traité de Documentation’, de 1934, que seria a base para uma perspectiva européia da Ciência da Informação, em particular, em uma vertente francófona; e do artigo do cientista estadunidense Vannevar Bush, intitulado ‘As we may think’, de 1945, que definiria o marco teórico inicial da vertente anglófona da Ciência da Informação. (RABELLO, 2008, p. 20)
Entretanto, o autor destaca, ainda, que essa busca por parte de alguns teóricos não levou a um consenso entre aqueles que defendem uma delimitação do terreno teórico-disciplinar nas duas perspectivas apresentadas.
Por exemplo, autores como Wersig (1993) e Rayward (1991; 1994; 1995) defendem que a Ciência da Informação se originou com a perspectiva européia; já para Saracevic (1996) e Capurro (2003), esta disciplina surgiu na perspectiva estadunidense. Todavia, na opinião de Rodríguez Bravo (2002), ambas as perspectivas se complementam. (RABELLO, 2008, p. 20)
Há autores, no entanto, que defendem que, independentemente da origem, o fato é que “a Ciência da Informação surge, contudo, num movimento contradisciplinar amplo, como resposta ao esfacelamento da ciência, e numa agenda que se configura como resposta ao caos documental.” (SOUZA, 2008, p. 05). Saldanha, por exemplo, apresenta uma discussão importante, ao enfatizar que, num período marcado pela tentativa de novos entendimentos sobre o fazer científico, a Ciência da Informação se apresenta como campo propício ao desenvolvimento dos estudos de organização dos saberes.
É neste estágio, dentro da dinâmica de especialização na filosofia representacionista ocorrida nos estudos de organização do conhecimento, que a CI aparece como nomenclatura institucionalizada para representar uma prática chamada de “nova” em diferentes narrativas – a informação entra definitivamente para a epistemologia dos estudos voltados para organização dos saberes como objeto científico; a expressão “Ciência da Informação” é criada; na década de 1960, o American Documentation Institute altera seu nome para American for Information Science (ASIS); e em 1968, Borko define epistemologicamente o conceito do termo “Ciência da Informação” como significante que responde por uma disciplina científica. (SALDANHA, 2008, p. 24)
Alguns autores entendem, com base nessas questões, que as fronteiras teóricas e as possibilidades epistemológicas para o campo possam ser pensadas pelo prisma de várias abordagens existentes. Assim, Freire, citando González de Gómez, afirma que pesquisadores como Tefko Saracevic e Gernot Wersig tem visões semelhantes ao afirmar que a emergência do campo da Ciência da Informação ocorre na tentativa de dar respostas a problemas que, com existência preliminar ou não, acentuaram-se no período da II Guerra Mundial. Ocorre, então, que “a história dessa nova área do conhecimento institucionalizado [...] acompanha em seu último tramo a trajetória epistemológica do ocidente, a mudança de estatuto do conhecimento e as crises das principais concepções da ciência e da verdade.” (GÓMEZ apud FREIRE, 2002, p. 07).
Decorrente de sua institucionalização, vê-se que a área não nasce interdisciplinar e nem pós- moderna, ela é, nas palavras de Saldanha naquilo que concerne à sua construção social, “uma intensificação da especialização no trato da informação, uma especialização de cunho representacionista; no que se refere à sua movimentação institucional, uma transposição deste olhar representacionista epistemológico para o campo político.” (SALDANHA, 2008, p. 93). A Ciência da Informação, portanto, passa a se constituir ao longo dos anos em uma ciência voltada para um enfoque marcadamente social, pautado pela investigação da atividade humana em seus diversos contextos de produção de conhecimentos.
A Ciência da Informação é um produto da atividade humana que está sendo construído pelos agentes sociais (pesquisadores, profissionais, instituições de ensino e fomento, associações profissionais e científicas, estados e instituições multilaterais) envolvidos com o ensino, a pesquisa e as práticas de organização e recuperação da informação. (ALMEIDA, 2006, p. 170)
Nesse sentido, a Ciência da Informação estrutura-se, segundo Almeida, numa visão que pressupõe que sua preocupação científica deve ir além dos agentes sociais e fundar-se na
divulgação de seu papel junto à sociedade; “entende-se que a Ciência da Informação é um espaço social de produção de conhecimento.” (ALMEIDA, 2006, p. 170).