• No results found

4. PRESENTATION OF RESULTS

4.2 R EASONS FOR CHOOSING A TRANSPORT MODE

4.2.1 Time

Antes de iniciar a coleta de dados foi realizada uma visita ao campo por um enfermeiro mestrando e com experiência como observador em coletas de dados anteriores. Para a visita seguiu-se um check list de informações que deveriam ser levantadas nos campos de coleta (Apêndice AD).

O objetivo da visita ao campo foi apresentar a pesquisa aos trabalhadores das equipes das USF e realizar uma avaliação prévia das condições das USF (estrutura física, acesso da equipe, equipe disponível para a semana da coleta), bem como a logística de transporte, alojamento e alimentação para o grupo de observadores de campo.

Preconizou-se a obrigatoriedade da realização da visita,

anteriormente à entrada no campo, pois, dessa maneira, os trabalhadores passariam a conhecer o objetivo do trabalho e teriam maior clareza de como seria a coleta de dados e quais instrumentos seriam utilizados, sendo uma estratégia para diminuir a possibilidade de mudança de comportamento do profissional durante a observação e estimular um maior número de trabalhadores a participar da pesquisa (70).

Durante a visita, foi esclarecido aos trabalhadores das USF que, em nenhum momento seria realizada avaliação da qualidade do serviço prestado, pois partiu-se do princípio de que esta variável já tinha sido

avaliada pelo PMAQ e a unidade em foco era considerada de excelência. Durante toda a coleta, esta premissa foi reforçada.

Em estudo piloto de observação sobre como as enfermeiras distribuíam seu tempo clínico em atendimento domiciliar, os autores também lembravam aos participantes que o foco era apenas na frequência de desempenho das atividades de atendimento e não na avaliação de sua qualidade, para assim, minimizar a reatividade dos trabalhadores (79).

A visita prévia foi a fonte de informação que subsidiou o planejamento da escala dos observadores de campo, pois para sua elaboração foram considerados: número de profissionais disponíveis para serem observados, período de funcionamento da unidade e estrutura física (unidade plana ou com andares).

Assim, a escala mínima de observadores para o campo, considerando uma equipe mínima de trabalhadores da USF foi: um supervisor, um observador para seis e até 10 profissionais a depender da categoria profissional e um observador para o consultório dentário.

Na literatura, estudo piloto realizado em unidade de

neurorreabilitação, utilizando amostragem do trabalho, apontou ser considerada possível uma escala de 10 a 12 enfermeiros, por observador, com observação a cada 5 minutos (80).

Buscou-se priorizar escalas em que o observador acompanhava a mesma categoria profissional e os mesmos profissionais durante o período de coleta, em razão do grande número de observações que são tomadas na técnica de amostragem do trabalho, acredita-se que a utilização de poucos observadores diminui o risco de reatividade dos trabalhadores e desconforto pela presença dos observadores (79).

Para o presente estudo, optou-se por utilizar observações com intervalos fixos de 10 minutos em todo o período de funcionamento da USF, durante cinco dias de uma semana típica de trabalho.

Os observadores não estabeleceram contato prévio com os profissionais. As observações foram não participativas e o profissional somente era questionado sobre a atividade quando o observador não tinha clareza da atividade realizada pelo trabalhador.

Durante as rodadas de observação é recomendável que o observador deixe a área observada, imediatamente, após a conclusão de cada observação (79).

Assim, os observadores com frequência ficavam nos corredores das unidades, local considerado ideal para o distanciamento dos profissionais e ainda possibilitava o acompanhamento do fluxo dos profissionais, bem como a visualização da troca ou permanência do mesmo usuário durante mais de uma rodada.

Para as intervenções externas à USF, como a visita domiciliar ou grupos na comunidade, o observador não acompanhou o trabalhador, apenas registrou o período em que permaneceu na intervenção realizada. Para melhor controle foi solicitado ao trabalhador que comunicasse a seu observador, o momento em que iria se ausentar da unidade e o momento de retorno.

Outro aspecto estabelecido, assim como em outros estudos, foi que para a situação em que o profissional estava caminhando pelo corredor no momento da anotação, o observador deveria acompanhar o profissional até a realização da atividade subsequente ou interação com outro profissional, ou equipamento, pois não foi considerado andar pelo corredor como uma atividade (80,89).

Para identificar as subcategorias da intervenção - documentação, em alguns momentos foi necessário abordar o trabalhador para o esclarecimento sobre no que consistiu o registro em execução. Outra intervenção que requereu maior atenção do observador foi durante o momento de troca de informações entre os profissionais da unidade.

Para atividades de grupos, reunião e consulta, o observador não participou da atividade, ou seja, não ficou dentro da sala com o trabalhador, pois considerou-se a informação fornecida pelo trabalhador, checando a cada rodada de observação se o trabalhador mantinha-se na mesma atividade relatada.

Conversas entre os profissionais dentro dos consultórios foram assumidas como de natureza profissional (89).

Outro aspecto importante foi a identificação quando a intervenção mantinha-se em realização no mesmo usuário em mais do que uma rodada de observação, para tanto, utilizou-se da letra U, com a codificação da intervenção. Isso possibilitou uma análise mais próxima das variações de tempos mínimos e máximos despendidos nas intervenções.

O material disponibilizado aos pesquisadores e de uso obrigatório foi

composto por: avental com identificação “pesquisador”, crachá e tablet.

Estudo aponta a importância do uso de grandes botons, indicando que eles são pesquisadores em coleta de dados (67).

Todos os observadores de campo tinham direito a uma hora de almoço e coberturas do supervisor para lanches durante o período de coleta. Além disso, o número de trabalhadores observados foi pensado considerando que entre as rodadas de observação é possível um breve descanso.

Toda equipe de coleta foi composta por um supervisor. O supervisor foi um observador que participou do treinamento e que já havia participado da coleta de dados com amostragem do trabalho, apresentando habilidade com o instrumento, bem como na aplicação da técnica de coleta de dados e liderança do grupo.

No campo de coleta, o supervisor atuou como facilitador, pois foi responsável pela reapresentação da pesquisa no primeiro dia de campo, bem como pelo esclarecimento de dúvidas dos profissionais e inserção dos observadores na rotina da equipe. Além disso, foi responsável por realizar o

relatório da coleta na unidade, levantar dados de produção da USF, assegurar o bom andamento da coleta, gerenciar conflitos entre os observadores e realizar o teste de confiabilidade ( Apêndice AE ).

O papel do supervisor também foi utilizado em outros estudos, em que um membro da equipe de coleta de dados foi designado, como líder da equipe de pesquisa para cada unidade. Esta pessoa era responsável por analisar se todos os instrumentos de coleta de dados estavam completos e garantir que a coleta de dados ocorresse no horário (67).

Realizou-se o teste de confiabilidade entre os observadores diariamente, no mínimo por uma hora com cada observador. Para isso, o supervisor acompanhava simultaneamente com o observador a rodada de observação e cada um anotava em seu tablet o código da intervenção. Quando o supervisor notou que o observador não estava com a compreensão e interpretação correta da intervenção/atividade foi realizada a discussão, orientação e esclarecimento, após finalizada a anotação. A mesma técnica de confiabilidade com verificação no local foi utilizada em estudo na Austrália ao longo da coleta de dados (72).

3.2.1.2.5 Produtividade

A produtividade dos enfermeiros e técnicos/auxiliar de enfermagem foi analisada considerando:

 Produtividade real (PR): O percentual de tempo de trabalho que

o profissional despende em intervenções de cuidado direto e indireto e em atividades associadas ao trabalho.

PR = frequência de intervenções (cuidado direto e indireto) + frequência das atividades associadas ao trabalho

 Tempo potencial (TP): Tempo de trabalho no qual o profissional

não está utilizando em benefício do usuário/família/comunidade, mas tem o potencial para ser utilizado.

TP = frequência do tempo de espera + frequência do tempo de ausência

 Produtividade potencial (PP): é a produtividade que poderia ser

atingida pelo profissional, considerando o tempo potencial.

PP = PR + PT