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Os blogs escolares permitem a socialização dos assuntos trabalhados em sala de aula, da opinião dos alunos sobre as atividades e suas aprendizagens, bem como, possibilita a troca de ideias entre os professores das diferentes turmas. Essas trocas são possíveis de maneira on-line e de forma assíncrona, ou seja, cada um no seu tempo e espaço, essa é uma das vantagens dos ambientes virtuais na busca da construção coletiva do conhecimento.

Na aprendizagem colaborativa a participação, tanto de professores como de alunos, é que permite que o conhecimento seja construído na interação. Nesse sentido, o blog configura-se como um local onde o processo de ensino e aprendizagem pode ser fruto da ação coletiva. E a escrita colaborativa no blog da escola possibilita que todos os envolvidos aprendam a conviver com as diferentes ideias entre o grupo.

De acordo com Dillenbourg (apud Torres e Irala, 2007, p.70), a aprendizagem colaborativa pode ser entendida como “(...) uma situação de aprendizagem na qual duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender algo juntas. (...)”, ainda de acordo com Torres e Irala (op. cit., 2007, p.70):

esse conceito geral pode ser interpretado de várias maneiras: o número de sujeitos pode sofrer grandes variações, podendo ser duas ou milhares de pessoas; aprender algo também é um conceito muito amplo, pois pode significar o acompanhamento de um curso ou também a participação em diversas atividades como, por exemplo, as de resolução de problemas; o aprender “em conjunto” pode ser interpretado de diversas maneiras, como situações de aprendizagens presenciais ou virtuais, síncronas ou assíncronas, esforço totalmente em conjunto ou com divisão de tarefas.

As teorias que contribuem para a compreensão da aprendizagem colaborativa fundamentam-se na hipótese de que os sujeitos procuram e constroem o conhecimento num contexto significativo por meio das interações sociais. Dentre elas, destacam-se, a teoria sociocultural, baseada na intersubjetividade e na zona de desenvolvimento proximal (ZDP) de Vygotsky e o construtivismo de Piaget.

Para Vygotsky (1998), a mediação está presente em todas as atividades e relações humanas, e é no ambiente escolar onde a criança inicia suas relações humanas com pessoas diferentes dos seus familiares.

[...] a relação do homem com o mundo não é uma relação direta, pois é mediada por meios, que se constituem nas “ferramentas auxiliares” da atividade humana. A capacidade de criar essas “ferramentas” é exclusiva da espécie humana. (REGO, 2000, p.42)

Na concepção Vygotskiana, “o desenvolvimento do sujeito humano se dá a partir das constantes interações com o meio social em que vive, já que as formas psicológicas mais sofisticadas emergem da vida social”. (Rego, op.cit., p.60)

Na aprendizagem colaborativa, à medida que o conhecimento vai sendo construído, o/a aluno/a participando ativamente, vai procurar fazer relações

com aquilo que ele/ela já sabe, ampliando e formulando suas próprias respostas.

O trabalho colaborativo é um “fazer junto” e por isso está centrado na interação entre os envolvidos, nesse sentindo, destacamos que:

 Pode contribuir para a convivência em grupo entre os alunos, a troca de ideias e o respeito ao pensamento divergente;

 Permite alcançar objetivos mais ricos, resultantes de propostas e soluções de vários alunos do grupo;

 O conhecimento é partilhado e essa troca possibilita que os alunos se integrem na discussão e tomem consciência da sua responsabilidade no processo de aprendizagem.

Na aprendizagem colaborativa os alunos têm objetivos e trabalham em grupo para alcançá-los, dessa forma:

Ao professor não basta apenas colocar, de forma desordenada, os alunos em grupo, deve sim criar situações de aprendizagem em que possam ocorrer trocas significativas entre os alunos e entre estes e o professor (TORRES, op. cit, p.71)

Nesse ínterim, destacamos o blog como um ambiente virtual colaborativo em potencial, uma vez que os comentários visam colaborar com a discussão levantada pelo autor nas postagens e quando acontece uma resposta aos comentários estabelece-se uma rede de trocas de conhecimentos e/ou ideias. Conforme dito anteriormente, na análise do ponto de vista estrutural, o editor de blogs utilizado pelas escolas pesquisadas permite que se tenha até 100 autores cadastrados, o que viabiliza esse “fazer junto”, a escrita e a aprendizagem colaborativa.

Nos blogs estudados, essa possibilidade de múltiplos autores está sendo pouco explorada, uma vez que os alunos não foram adicionados à lista de colabores, ou seja, não podem postar, apenas comentar. E se os alunos não realizam postagens, ou seja, não publicam, o potencial interativo do blog não é aproveitado na sua plenitude.

Os professores das turmas das escolas poderiam, por exemplo, organizar os alunos em grupos de colaboradores e gerar discussões no blog e assim criar situações de aprendizagens significativas. Outra possibilidade que destacamos é que os blogs podem servir como um espaço de intercâmbio e colaboração entre escolas, e assim as trocas podem ser inúmeras e entre toda a equipe pedagógica e também entre os alunos de outras instituições escolares da rede.

Essas são apenas possibilidades para que o trabalho com os blogs seja ainda mais produtivo, interativo e colaborativo. Destacamos a iniciativa do Núcleo de Tecnologia Educacional pela criação das Salas Informatizadas e o incentivo aos professores para a elaboração e manutenção dos blogs das turmas, afinal com projetos dessa natureza e com:

[...] metodologias mais participativas, que tornem os alunos pesquisadores, ativos; com atividades em outros espaços que não a sala de aula, mais semipresenciais, e on-line [...] podemos aprender sozinhos e em grupos, podemos aprender no mesmo tempo e ritmo ou em tempo, ritmos e formas diferentes (MORAN, 2007. p.10).

“Metodologias mais participativas” fazem do espaço escolar e da sala de aula um ambiente aberto a discussões em que o aluno se envolve ao realizar as atividades e reflete sobre o que faz, sendo-lhe dada a oportunidade de

pensar por si mesmo, contribuindo para o pensamento crítico e a aprendizagem colaborativa. Portanto, os blogs contribuem para a construção da ambiência comunicativa nas escolas, uma vez que possibilitam esse espaço de troca, de cooperação e de encontro entre os sujeitos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.”

Paulo Freire

Hoje a discussão acerca das tecnologias da informação e da comunicação, bem como a relação entre mídia e escola faz parte do cotidiano escolar.

O educador Paulo Freire12, entre outros, fazia essa discussão em 1975 e afirmava que a tecnologia era uma das “grandes expressões da criatividade humana” (FREIRE, 1975 p. 98). Naquela época a tecnologia à qual o autor se referia ainda não era o computador ou a Internet, mas sim o retroprojetor, o rádio, a televisão e o videocassete que eram as tecnologias mais atuais daquele período. Em 1984, em um artigo publicado na revista BITS, numa discussão sobre os avanços tecnológicos, Freire inicia a discussão afirmando que:

em primeiro lugar, faço questão enorme de ser um homem de meu tempo e não um homem exilado dele, o que vale dizer que não tenho nada contra as máquinas. De um lado, elas resultam e de outro estimulam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que, por sua vez, são criações humanas. O avanço da ciência e da tecnologia não é tarefa de demônios, mas sim a

12Já disse em outro blog que nosso educador maior, se tivesse vivido um pouco mais, seria um blogueiro do primeiro time. Esta minha certeza se deve a dois motivos: 1. Blogs são espaços de conversa. 2. Paulo tinha grande interesse pelo ciberespaço” (BLOG BOTECO ESCOLA, 2009)

expressão da criatividade humana. Por isso mesmo, as recebo da melhor forma possível. (FREIRE,1984, p.1).

O educador estava preocupado em refletir sobre como as tecnologias eram utilizadas, principalmente nas escolas e pelos professores, segundo ele de nada adiantaria a utilização desses recursos se as aulas continuassem baseadas na memorização de datas e conteúdos para a prova. “Será que vai se continuar dizendo aos educandos que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil? Que a revolução de 64 salvou o país? Salvou de que, contra que, contra quem? Estas coisas é que acho são fundamentais.” (FREIRE, p.1 op. cit.). Diante dessa afirmação e, é claro da preocupação do educador brasileiro, faz-se necessário refletir sobre as práticas pedagógicas e as novas formas de aprender e ensinar na sociedade digital.

Certamente o processo de ensino e aprendizagem exige flexibilidade tanto por parte de quem ensina quanto de quem aprende. Por isso, destacamos que:

Aprender é uma tarefa árdua, na qual se convive o tempo inteiro com o que ainda não é conhecido. Para o sucesso da empreitada, é fundamental que exista uma relação de confiança e respeito mútuo entre professor e aluno, de maneira que a situação escolar possa dar conta de todas as questões de ordem afetiva (PCN, 1998, p.94).

Assim como aprender é uma „tarefa árdua', ensinar também exige muito do professor, pois todo processo de ensino e aprendizagem envolve afeto, dedicação, respeito, conhecimento e participação, tanto de quem aprende, quanto de quem ensina.

Paulo Freire (1987, p.77) gostaria que todos os educadores e educadoras fizessem:

A prática educativa que, coerente com o ser que estamos sendo, desafia a nossa curiosidade crítica e estimula o nosso papel de sujeito do conhecimento e da reinvenção do mundo. Esta, no meu entender, é a prática educativa que vem sendo exigida pelos avanços tecnológicos que caracterizam o nosso tempo.

As palavras de Freire ainda se mantêm atuais, em nossa realidade continuamos a perseguir o desafio de construir uma prática educativa que contribua para tornar a aprendizagem significativa.

Na sociedade digital cabe ao educador fornecer aos educandos ferramentas e conhecimentos válidos para que eles possam saber escolher e avaliar esse turbilhão de informações a que têm acesso diariamente, afim de que consigam eleger as que realmente são importantes e mais uma vez significativas.

As novas práticas de leitura e escrita, por meio do hipertexto, por exemplo, quebram com as narrativas circulares e repetidas da oralidade e com a continuidade da escrita, e se apresentam de maneira mais dinâmica, rápida e aberta.

O aluno deixa de ser o receptor de informações para tornar-se o responsável pela construção de seu conhecimento, usando o computador para buscar, selecionar, inter-selecionar informações significativas na exploração, reflexão, representação e depuração de suas próprias ideias, segundo seu estilo de pensamento ( SANTOS, 2005, p.328).

O blog como um dispositivo de comunicação pode contribuir para a construção e partilha do conhecimento por meio da escrita colaborativa entre alunos e professores. É uma maneira de professores e alunos exercitarem a escrita e escrever sobre algo, implica em reflexão e crítica, e isso é fundamental para a aprendizagem. Esse exercício da escrita ajuda a desenvolver, selecionar e gerenciar a informação, além de transformar a

É o que muda na prática docente, uma vez que essa mudança na construção do conhecimento implica, também, uma alteração na estrutura do pensamento, tornando-o diferenciado e por vezes mais rápido. Ou seja, quando lemos um livro, temos um tempo, uma forma de abstração e de organização das ideias diferente de quando lemos um hipertexto, de acordo com o exemplo citado acima.

Para Kenski ( op. cit., p.41):

Na era da informação, comportamento, práticas, informações e saberes se alteram com extrema velocidade. Um saber ampliado e mutante caracteriza o estágio do conhecimento na atualidade. Essas alterações refletem-se sobre as tradicionais formas de pensar e fazer a educação. Abrir-se para as novas educações, resultantes de mudanças estruturais nas formas de ensinar e aprender possibilidades pela atualidade tecnológica, é o desafio a ser assumido por toda a sociedade.

Ensinar e aprender na sociedade da informação leva-nos ao movimento de inovar a nossa maneira de conhecer, de conviver, de comunicar-nos, de relacionar, enfim de integrar o humano ao tecnológico de forma que possibilite uma integração no âmbito individual e social. O educador, neste contexto virtual, precisa de elementos como: o dinamismo, a criatividade e a diversidade presentes em sua prática pedagógica, a fim de que consiga conectar aquilo que ensina com a vida do aluno e assim produzir significados.

Segundo Daniela Mellaré (2007, p. 96):

La virtualidad, para la educación, se estructura en formas específicas para los objetivos de educar, que están establecidos en actitudes y acciones, flexibilidad, comunicación, diversidad y visión global. Los elementos que deben ser considerados son el tiempo, el movimiento, la información actual y el proceso de abstracción simulado.

A autora aponta, ainda, que as competências e habilidades pedagógicas virtuais devem contemplar os âmbitos cognitivos, interpessoais e as motivações dos alunos. Os mesmos precisam saber relacionar e avaliar as informações que acessam nas mídias em geral; devem saber interpretar a

realidade e assim julgar os acontecimentos de acordo com os seus princípios e saberes, sem correr o risco, assim, de serem influenciados de maneira errônea.

Dessa forma:

Conhecer significa compreender todas as dimensões da realidade, captar e expressar essa totalidade de forma cada vez mais ampla e integral. Conhecemos mais e melhor conectando, juntando, relacionando, acessando o nosso objetivo de todos os pontos de vista, por todos os caminhos, integrando-os da forma mais rica possível. (MORAN, 2003, p. 18)

O uso das novas tecnologias mostra-nos que há outras maneiras de ter acesso a situações de aprendizagem, além de possibilitar a criação de novos recursos didáticos, por meio da multimídia, som e imagem. Nesse sentido,

[...] um aspecto interessante que as novas tecnologias podem permitir, especialmente através da internet, é a formação de redes e de (auto) formação participada, troca de experiências e partilha de saberes que possam consolidar espaços de formação mútua, nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e de formado ( JACINSKI, 2001, p.112)

Dessa maneira, o trabalho docente poderá ser mais coletivo, uma vez que a utilização de computadores e da Internet possibilita uma troca maior entre outros/as professores/as, tanto de material didático elaborado como de outras informações de diferentes focos de conhecimento e pesquisa.

Quando os/as professores/as utilizam das TIC no planejamento e execução das suas aulas, o que se mostra é que:

A sala de aula se abre para o restante do mundo e busca novas parcerias e processos para ensinar e aprender. Comunicações entre alunos e professores se tornam comuns fora da sala de aula. Professores e alunos são contatados via e-mail em qualquer lugar, a qualquer hora (KENSKI, op. cit., p.93).

De acordo com a citação, percebemos que utilizando as novas tecnologias, em especial a Internet, é possível que a comunicação entre os professores e destes com seus alunos seja maior e mais flexível.

Sartori e Roesler (2007,p.9) afirmam que:

Os meios de comunicação são mais do que recursos de ensino, são agentes sociais que abrem espaço para discussões a respeito da produção de sentido em nossa sociedade, ou seja, do modo como sentimos, entendemos e agimos no mundo em que vivemos, ampliando os horizontes da discussão sobre a formação de cidadãos capazes de agir no contexto social vigente.

Assim, aprender torna-se uma ação mediada por computadores, Internet, professores e colegas. A construção do conhecimento modifica-se cada vez mais, pois com as mídias digitais não temos apenas as palavras organizadas em frases escritas, mas com sons, imagens, cores, animações, enfim um mundo de linguagens diferenciadas, complexas e ricas de possibilidades criativas.

O blog pode contribuir para a construção do conhecimento utilizando a escrita, com sons, imagens, cores, enfim uma infinidade de possibilidades criativas. No entanto, se a participação dos alunos fica limitada a comentários isolados como nos blogs observados, essa construção fica limitada a recepção de mensagens apenas.

Conforme dito anteriormente, o blog é um dispositivo de comunicação potencialmente interativo, porque permite a coautoria, a troca de papéis entre emissor e receptor e a mensagem se torna uma construção conjunta entre ambos. Até o momento da pesquisa, constatamos que a maneira pela qual o blog tem sido administrado, com um autor apenas e sem postagens de alunos, a sua potencialidade interativa está sendo comprometida, assim como a construção da ambiência comunicativa pelas escolas. Nesse sentido fizemos alguns apontamentos: como uma estratégia de potencialização do uso de blog pelas escolas, o NTE poderia promover mais cursos de capacitação para os professores, visando explorar mais as ferramentas interativas que um blog possui; promover discussões acerca da educação e a teoria dialógica de Paulo Freire e a concepção de interatividade em Marco Silva, na busca de maior

fundamentação teórica; chamar os alunos e a comunidade para participar do blog como autores, ampliando os espaços comunicativos e promovendo uma maior participação.

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