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As alternativas metodológicas de indicadores de sustentabilidade agrícola no âmbito internacional são inúmeras, mas em geral algumas dessas iniciativas se restringem a apenas uma dimensão, e em geral, a ambiental é a mais explorada.

Uma dessas iniciativas é o “Framework for the Evaluation of Sustainable Land Management – FESLM” (Smyth e Dumanski, 1993), ainda que disponha de uma ênfase ambiental, apresenta uma estratégia de análise abrangendo as dimensões econômica e social.

O “Marco para la evaluación de sistemas de manejo de recursos naturales mediante indicadores de sustentabilidad – MESMIS”, foi elaborado em 1995 com base na metodologia do FESLM. Este método (Costa, 2010) é um guia conceitual e metodológico bastante flexível que objetiva, além de qualificar, identificar os problemas de maneira integrada, centrando-se nos fatores que influenciam a capacidade dos sistemas se sustentarem (Masera el al., 2000) no tempo.

O Indicator of Sustainable Agricultural Practice – ISAP (Rigby et al., 2001) usa, como base, a utilização de práticas agrícolas específicas, excluindo aspectos econômicos de sustentabilidade por não estarem disponíveis. Os autores desenvolvem o indicador a partir de pesquisa com questionários estruturados, durante entrevistas presenciais, com 80 produtores orgânicos e 157 convencionais no Reino Unido em 1996. Os aspectos sociais considerados no ISAP dizem respeito à melhoria da equidade e ao atendimento às necessidades da sociedade para os alimentos e as fibras.

O método “ Indicateurs de durabilite des exploitations agricoles” – IDEA (Zahm et al., 2006) é baseado na avaliação quantitativa das práticas agrícolas consideradas favoráveis para o ambiente e o desenvolvimento social a partir de um sistema de pontos proporcional ao seu impacto.

de sustentabilidade.

Passos (2003) identifica o grau de sustentabilidade socioeconômico e ambiental de Sistemas Agroflorestais (SAF) de unidades de produção agrícola no município de Una, Bahia, a partir de desenvolvimento metodológico para mensuração da sustentabilidade de SAF típicos do Sul baiano. O estudo é desenvolvido a partir de 15 indicadores agregados distribuídos entre os cinco critérios (produtividade, estabilidade, equidade, resiliência e autonomia), nas dimensões ambiental, econômica e social, e segundo o autor, o método utilizado mostrou-se apropriado em termos estruturais e operacionais à realidade analisada.

Zampieri (2003) propõe uma metodologia para selecionar indicadores de sustentabilidade, para avaliação de sistemas agrícolas de Santa Catarina. Foram selecionados 31 indicadores, abrangendo as dimensões ambiental, econômica e social. O método consistiu em determinar um índice de sustentabilidade, representado em forma de biogramas. Segundo os avaliadores, os indicadores propostos são apropriados, já que permitiram inferir os diferentes níveis de sustentabilidade dos sistemas agrícolas catarinenses, entretanto, não é recomendável sua utilização sem a devida validação para escalas mais detalhadas, pois pressupõem que as unidades espaciais não são homogêneas.

Gomes (2004) ao investigar os indicadores de uma possível sustentabilidade social e ambiental nas lógicas produtivas da agricultura familiar das comunidades de Pedra Branca, Bocaína e Bom Retiro, localizadas em Caldas-MG, constata que as técnicas utilizadas na agricultura e na pecuária são bastante tradicionais. O rebanho bovino não possui padrão genético selecionado e a agricultura apesar da diversificação de cultivos, é usuária de defensivos químicos. A mão de obra é essencialmente familiar e de modo geral, os produtores apresentam baixa escolaridade. A migração dos filhos desses produtores é elevada e não significa retorno econômico para as famílias. O autor conclui que embora tenham sido encontrados indicadores de sustentabilidade nos sistemas produtivos, estes não foram suficientes para garantir a sustentabilidade social, ambiental e econômica.

Ambrósio et al., (2005) avaliaram a sustentabilidade econômica e ambiental de sistemas de produção agrícolas representativos de três regiões brasileiras: campos do estado do Rio Grande do Sul; cerrados do estado de Mato Grosso e Amazônia do estado do Pará, considerando custos de produção a longo prazo e receitas líquidas médias anuais. As sustentabilidades ambientais dos sistemas foram avaliadas através de tabelas de emergia, para calcular a incorporação de energia dos sistemas. O método de quadrantes de referência foi usado para comparar as médias estimadas da sustentabilidade ambiental com as receitas

líquidas. Os resultados indicaram problemas em longo prazo nas sustentabilidades econômica e ambiental dos sistemas estudados.

Barreto et al.,(2005) analisaram a importância da sustentabilidade em três assentamentos beneficiados pelos programas de reforma agrária no município de Caucaia-CE, tanto na área federal como estadual, mediante a criação de um índice de sustentabilidade (IS), agregando um índice de desenvolvimento econômico-social, um índice ambiental e um índice de capital social. Os valores do Índice de Sustentabilidade sugerem o médio nível de desenvolvimento para os três assentamentos.

Aragão (2006) apresenta uma proposta teórica de adaptação de indicadores de sustentabilidade para a unidade de produção agrícola familiar (UPAF) a partir do método “Indicateurs de Durabilité des Exploitations Agrícoles – IDEA”, considerando as escalas de sustentabilidade: agroecológica, socioterritorial e econômica e do método MAIS, compreendendo as dimensões social, ambiental, econômica e cultural.

Lopes et al.,(2009) propõem um índice de sustentabilidade (IS) para analisar os fatores determinantes da sustentabilidade dos irrigantes do Perímetro Irrigado Baixo Acaraú- Ceará, utilizando estatística multivariada, análise fatorial/análise de componentes principais (AF/ACP) na elaboração do (IS). Os resultados indicaram que a sustentabilidade está, principalmente, relacionada à falta de conhecimento e do uso correto de técnicas de produção agrícola. Apenas 9,0% das unidades produtivas estudadas encontram-se numa situação de sustentabilidade equilibrada, enquanto o valor do índice médio para todo o perímetro (0,54) expressa uma situação preocupante, já que 27,3% das unidades produtivas apresentam condições de insustentabilidade.

Além das dimensões já mencionadas, Maia (2012) em estudo sobre a sustentabilidade em assentamentos no Ceará, inseriu a Político Institucional, onde são avaliados os fatores institucionais face aos impactos sob a geração, implementação e efetividade de uma política e a interação entre os poderes federal, estadual e municipal. No entanto, Damasceno (2009) sintetiza o índice político-institucional, como um indicador destinado a mensurar a efetividade de uma política pública.