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“Um dos recursos que contribui de forma definitiva para a estabilização das condições ambientais é a embalagem, que promove uma barreira contra o clima externo e um micro-clima interno, com efeito de termo-estabilização. Havendo uma oscilação climática no exterior, esta barreira fará com que internamente estas variações fiquem reduzidas.”72

No momento da escolha dos materiais e tipos de acondicionamentos para as provas albuminadas deve-se ter em mente que esses materiais ficarão em contato direto com as provas durante vários anos ou décadas. Logo, é necessário o estabelecimento de critérios para a escolha dos mesmos. Reações químicas que começam neles serão sentidas diretamente nas espécies fotográficas. “[...] nenhum material que libere gases prejudiciais deve ser colocado num sistema fechado com um artefato sensível, quer haja contato ou não.”73

As substâncias utilizadas na confecção dos papéis com fins de acondicionamento devem seguir princípios determinados como: nunca utilizar papel

71MUSTARDO; KENNEDY. op. cit., p. 22 72BECK. op. cit., p. 57-58.

73 TÉTREAULT, Jean. Materiais de construção, materiais de destruição. In: Conservação

– conceitos e práticas. Organizado por Marylka Mendes; tradução de Vera L. Ribeiro. Rio de Janeiro. Editora UFRJ. 2001. p.116.

que não especifique a matéria-prima (evitar papel confeccionado com pasta de madeira mecânica), não deve conter lignina, pH neutro ou alcalino, reserva alcalina ou tampão alcalino (é adicionado ao papel e ao cartão o carbonato de cálcio em uma solução de 3% para manter o pH 8 com o objetivo de compensar a acidez dos poluentes atmosféricos), colas neutras (metil celulose) nunca alumina, alto teor de alfa-celulose (acima de 87%), ser livres de enxofre, plastificantes e resíduos metálicos. É recomendado a utilização de papel branco ou levemente coloridos e devem ser evitados papéis branqueados (possuem peróxido de hidrogênio) e de texturas muito acentuadas, pois podem passar para as espécies fotográficas.

O papel de boa qualidade é um excelente material para a confecção de embalagens de acondicionamento sendo os envelopes em cruz confeccionados através de dobras os mais adequados. Pavão assinala que o papel “permite as trocas gasosas com o exterior, funciona como um filtro de poeiras, não é abrasivo, não cria eletricidade estática e seu preço é moderado.”74

Papéis e plásticos são os materiais mais utilizados na confecção de acondicionamento individuais. Em relação à utilização de plásticos para acondicionamento não existe um tipo ideal para todos os processos fotográficos. Pavão esclarece que há três tipos de plásticos que são utilizados na confecção de embalagens de conservação: poliéster, polipropileno e polietileno.

O poliéster, plástico utilizado para acondicionamento de fotos albuminadas, é o melhor plástico para acondicionamento. Tem o nome científico poli (tereftalato de etileno) e é produzido a partir do petróleo. Suas características principais são a resistência e a estabilidade química, não reagindo com as espécies fotográficas e não perde suas características com o passar dos anos, além de ter impermeabilidade, transparência, pode ser selado com calor e é de difícil combustão. O poliéster é

“totalmente transparente e quimicamente estável e não contém plastificantes ou outros aditivos presentes em outros plásticos. São esses aditivos que se deterioram ou se desprendem, causando degradação em objetos sensíveis.”75

O poliéster aconselhado para confecção de acondicionamento é o do tipo D uma vez que não tem revestimentos e apresenta transparência. Os problemas

74PAVÃO, op. cit., p. 10. 75

relativos ao poliéster advêm de criação da uma carga de eletricidade estática que acarreta atração para si muita poeira e pêlos. Outra observação importante realizada por Pavão é que o poliéster que é vendido no mercado pode ser revestido por compostos de cloro.

O polietileno é uma alternativa mais barata que o poliéster e também é quimicamente estável, maleável, mas não apresenta a mesma transparência que o poliéster e é permeável ao vapor d’água. Burgi e Baruki apontam como ponto negativo do polietileno o seu baixo ponto de fusão (torno de 120ºC) em caso de sinistro em zonas vizinhas o aumento da temperatura ocasionaria um derretimento e aderência às provas. Enquanto que o polipropileno também possui estabilidade química e transparência parecida com o poliéster, mas não possui muita resistência mecânica e não é aconselhado para acondicionamento de fotografias que são muito manuseadas.

Os plásticos que devem ser completamente evitados segundo Pavão, Burgi e Baruki são os que contêm cloro, sendo o mais freqüentemente utilizado o cloreto polivinílico (PVC). O PVC se decompõe, amarelece e produz gases ácidos que provocam acidificação. Sua decomposição resulta também em cloro que em ambientes de umidade elevada pode dar origem ao ácido clorídrico que é altamente corrosivo.

Pavão expõe que existe alguma polêmica a respeito de cartões de acondicionamento alcalinos em relação ao amarelecimento da camada de albumina. E há quem recomende apenas cartões neutros para o seu acondicionamento. A diferença entre papéis neutros e de reserva alcalina está na composição. Os papéis de reserva alcalina apresentam em sua constituição um componente, geralmente o carbonato de cálcio ou o magnésio, que têm com objetivo combater a deterioração causada pela acidez das fibras do papel, seu pH varia entre 7,5 e 8,5. Enquanto que os papéis neutros não possuem essa adição de produtos e seu pH é próximo ao 7,0.

Burgi e Baruki ressaltam que

“papéis “glassine”, cristal ou “manteiga”, além de acídicos, contêm também muitas vezes plastificantes que volatizam com o tempo. Não são, portanto, recomendados para o acondicionamento de fotografias e filmes.”76

É recomendado que todas as provas tenham três níveis de proteção conferida pelo acondicionamento primário, secundário e terciário. O acondicionamento primário é mais importante uma vez que fica em contato direto com a prova, é o acondicionamento individual. Ele a protege da poeira, da abrasão com as outras provas, impede a contaminação por migração, ao mesmo tempo em que confere organização. Seu formato deve ser determinado em função das necessidades da instituição. Um acondicionamento de plástico comum utilizado em provas de albumina é o tipo manga, conhecido também como sleeves, protege as provas que são consultadas com freqüência. É uma embalagem chegada em três lados, tipo um cartucho e um papel cartão alcalino que confere sustentação a prova. Essa embalagem pode ser confeccionada por um técnico através de dobras e selagem com calor. Mello e Pessoa também denominam esse tipo de embalagem de folder de poliéster. O acondicionamento realizado na Biblioteca Nacional tem o nome de jaqueta de poliéster onde dois lados são selados e um cartão de filifold alcalino é usado para conferir sustentação à prova. As caixas constituem o segundo nível de proteção, não devem ser totalmente fechadas impedindo a circulação de ar e devem ser confeccionadas sem a utilização de cola. Os armários, acondicionamento terciário, formam a ultima proteção contra a poeira e a luz.

As provas de albumina não montadas em cartão são frágeis e devem ser acondicionadas em passe-partout (dois cartões articulados sendo o da frente com uma janela para observação da prova e o fundo com cantoneiras para fixação da prova) ou embalagem de encapsulamento. Os cartões utilizados na confecção de caixas devem ter gramatura suficiente para ser capaz de suportar vincos sem partir- se.

Atualmente, ainda há a possibilidade de invólucros fabricados com material como carvão ativo que absorve poluentes. O carvão ativado, confeccionado a partir da queima de alguns tipos de madeira, em um baixo teor de oxigênio e altíssimas temperaturas, tem como característica principal o poder de absorção, para o interior de seus poros, gases e impurezas.

Há ainda o caso de fotografias albuminadas fixadas em álbuns. Por sua vez, tais materiais não devem ser desmontados, pois sua configuração representa por si só um objeto de valor histórico. Deve-se, então, entrefolhar as páginas com papel de salto neutro e acondicioná-lo dentro de uma caixa e armário.

3.7. Exposição

Provas albuminadas só devem ser expostas em situações extraordinárias, uma vez que, mesmo expostas à luz incandescente, deflagram na camada fotográfica transformações químicas irreversíveis que acentuam o amarelecimento. Em caso de exposição que se prolongam por um período limitado, essas provas devem ficar protegidas dentro de vitrines com filtros anti raios ultravioletas, índice de iluminação controlado, ambiente de umidade relativa e temperatura controlada e ar livre de poluentes. Os materiais constituintes da vitrine devem ser de qualidade. O grau de iluminância é medido em lux (lumens por metro quadrado) ou pés-vela (um pés-vela equivale a onze lux). Os níveis de lux considerados seguros para a exposição de provas em albumina é de no máximo 50 lux e um luxímetro deve sempre ser utilizado para medição do grau da iluminação. Os visitantes devem ser esclarecidos a respeito do motivo da baixa iluminação da exposição. E para que não haja um choque na percepção, é interessante a elaboração de salas ou corredores com iluminação baixa para adaptar a visão do visitante. Com o objetivo de limitar o tempo de exposição das provas à luz, é recomendado o uso de dispositivos acionados pelo visitante (timer, por exemplo) iluminando apenas no momento em que fotografia está sendo observada. As lâmpadas menos prejudiciais são as incandescentes de tungstênio e mesmo assim devem ser filtradas.

Provas já comprometidas pelo amarelecimento jamais devem ser expostas. Deve-se confeccionar cópias em negativos de poliéster e, a partir desses negativos, serem reproduzidas cópias para serem expostas ou fac-símiles.

3.8. Acesso, segurança, reprodução fotográfica

Uma possibilidade para dar acesso direto à coleção onde não haja necessidade de manipulação direta do original é a sua disponibilização para consulta pela

internet. Dessa maneira, a disseminação da informação se dá de maneira mais livre,

uma vez que pode ser rapidamente copiada, contribuindo, assim, para a democratização da informação. O problema, contudo, da utilização da tecnologia é a sua rápida obsolescência e demanda constante de atualizações freqüente das mídias. Entretanto, apesar da comodidade e rapidez do ambiente digital, a preservação em longo prazo dos originais deve ser encarada como prioridade máxima de qualquer instituição.

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