8 TILPASNINGSPLIKTEN VED ERSTATNING FOR NATURRESSURSER
8.4 Tilpasningspliktens rekkevidde etter lovendringen
Grupos de homólogos foram criados para enzimas das vias biossintéticas dos aminoácidos essenciais (AEs) em humanos, através da metodologia SeedServer, tendo como objetivo o estudo de eventos de deleções gênicas. Para isso, foram utilizadas como Seeds enzimas de organismos sabidamente autotróficos, ou seja, capazes de sintetizá-los por vias de novo. Serina (S) e glicina (G), aminoácidos não- essenciais, estão presentes como controle. Como a busca reúne organismos de diversos níveis taxonômicos, que possuem ou não genomas completamente seqüenciados, os dados foram representados em nível de filo da seguinte forma, como visto na Figura 18: (a) círculos pretos para filos que possuem ao menos um genoma completo; (b) círculos cinza para filos que contem no máximo genomas em montagem, ou seja, sem genomas completos e (c) círculos vazios para filos com apenas genomas sem projeto de seqüenciamento. No intuito de detectar e incluir nas análises proteínas modeladas incorretamente e seqüências parciais, foi incluída uma busca BLAST adicional utilizando-se também as seqüências marcadas como
fragment na base UniProtKB (ver métodos, seção 9.2.2) e os alinhamentos com
qualquer membro do grupo formado com cobertura acima de 50%, sendo esses dados representados por triângulos para todos os filos (mesmo código de cor que dos círculos). Essa busca foi importante para investigar a ocorrência das enzimas em esponja, pois o genoma disponível era recente e as seqüências não estavam no UniProtKB.
As enzimas estão dispostas em ordem seqüencial anabólica da esquerda para direita, sendo que algumas vias estão representadas por vias alternativas, indicadas
por números, como a via da serina S(1): a partir de 3P-D-glicerato e S(2): a partir de piruvato.
Como esperado, as vias dos aminoácidos não-essenciais serina e glicina foram tidas como potencialmente presentes em diversos filos de eucariotos, com algumas exceções, a saber: (i) a via de serina esta ausente em Rhodophyta apesar do genoma completo de Cyanidioschyzon merolae estar presente, no entanto todas as vias estudadas mostraram-se incompletas nesse grupo. A busca adicional BLAST e inspeções manuais corroboram esse dado, mesmo tendo sido encontrado uma proteína parcial na via G1 de glicina; (ii) A biossíntese de serina parece ser ausente em Apicomplexa, um grupo que contém dois genomas completos de Plasmodium, sem as enzimas S1 e S4, similarmente a Rhodophyta os outros aminoácidos também se mostraram como AEs; (iii) Considerando os animais metazoários, falhamos em comprovar a não essencialidade de glicina para Mollusca, porém ainda não há genomas completos nesse grupo; (iv) Para Microsporidia, fungos intracelulares obrigatórios tendo E. cuniculi com genoma completo, foi comprovada a ausência quase total dos genes de biossíntese de aminoácido [46], sendo, portanto serina e glicina também AEs.
A Figura 18 mostra claramente as vias completas para fungos (Ascomycota e
Basidiomycota) e plantas (Chlorophyta e Streptophyta). Nesse estudo, tentamos
demonstrar quando e como uma provável Grande Deleção Genômica (GDG) ocorreu, ou seja, como se deu a perda de diversas enzimas responsáveis pela síntese dos aminoácidos, em diversos filos eucarióticos. As evidências mostram que já antes da origem dos metazoários (Choanozoa), a perda simultânea da capacidade de síntese dos nove AEs já se encontrava estabelecida. A esse fenômeno inicial, se seguem diversas perdas secundárias e independentes, fato evidenciado pela presença
de K14, M4 e M9 em Chordata e ausência delas em Arthropoda. Curiosamente, enzimas como VIL1 e M7 são mantidas em diversos grupos de metazoários apesar das respectivas vias estarem incompletas, o que pode ser explicado pela participação em vias secundárias. Particularmente, essas enzimas são muito importantes no catabolismo dos respectivos aminoácidos, e isso pode ser importante à luz da heterotrofia para nitrogênio, discutida adiante.
De fato, a GDG ocorre também em grupos não metazoários. Diferentes filos contendo genomas completos como Rhodophyta, Euglenozoa e Apicomplexa mostram padrões semelhantes ao fenótipo de essencialidade. Além disso, há evidências de vias incompletas para os fungos Microsporidia e Neocallimastigomycota, o que demonstra que a GDG ocorreu em eventos separados
em pelo menos outros três grupos taxonomicamente separados, no ancestral comum a Chromalveolates e Excavates, no grupo Fungi-Metazoa e nas plantas
Archaeplastida.
Similarmente a Choanozoa, grupos como Heterokontophyta e Rhizaria apresentam várias enzimas e até algumas vias completas. Em Heterokontophyta, somente a via de histidina (H) não está completa enquanto para Rhizaria, valina (V), isoleucina (I), lisina (K) e treonina (T) são vias potencialmente completas. O mesmo ocorre para metionina (M) em Euglenozoa e Amoebozoa. No entanto, quando mais genomas completos estiverem disponíveis, é possível que outras vias sejam revistas como completas em alguns grupos.
A perda secundária e gradual de genes parece já ter se estabilizado partir de
Placozoa, Porifera e Cnidaria.
Como o primeiro genoma de Porifera ainda é um projeto em andamento e suas proteínas não se encontravam disponíveis no UniProtKB, inspecionamos
manualmente o proteoma deduzido usando alinhamentos BLAST filtrados, sendo observado o mesmo quadro de essencialidade para os nove aminoácidos.
É importante observar que grupos sem nenhuma proteína amostrada não foram representados, como Apusozoa e Jakobida.
Figura 18: Representação esquemática para presença/ausência das enzimas biossintéticas dos nove
aminoácidos essências e dos não essenciais serina e glicina. Código de uma letra utilizado para representar os aminoácidos, sendo H:histidina, F:fenilalanina, W:triptofano, V:valina, I:isoleucina, L:leucina, K:lisina, M:metionina, T:treonina, S:serina, G:glicina. Árvore taxonômica eucariótica amostrada em nível de filos. Círculos representam detecção pela metodologia SeedServer e triângulos pela busca BLAST adicional incluindo proteínas parciais. Preto: presença de ao menos um genoma completo; Cinza: presença de genomas em montagem mas não completos; Brancos: sem genomas completos ou em montagem. Saccharomyces cerevisiae (Ascomycota) e Arabidopsis
thaliana (Streptophyta) foram usadas como Seeds. As 4 aminotransferases da via de fenilalanina são:
(i) aspartato aminotransferase (ii) histidinol-fosfato aminotransferase (iii) aminotransferase de aminoácido aromático (iv) tirosina aminotransferase. As 4 metiltransferases na via de metionina são: (i) 5-metiltetrahidropteroiltriglutamato--homocisteina metiltransferase (ii) homocisteina S- metiltransferase (iii) betaina-homocisteina metiltransferase (iv) 5-metiltetrahidrofolato--homocisteina metiltransferase. As 3 transaminases na via de glicina são: alanina-glioxilato transaminase, serina- glioxilato transaminase e serina-piruvato transaminase.