Vedlegg 2: Nåværende aktivitet og satsinger innenfor klimaforskning
2. Faglige og tematiske forskningssatsinger
2.4. Tilpasning til klimaendringer – behov og beredskap
De modo geral, o clero no Brasil, na sua maioria, enxergava as igrejas quase que apenas sob a ótica de uma de suas funções principais: a celebração da missa e da adoração ao
457 CONSTANTINI, Mons. Celso. In: Arte Sacra: Instrução da Suprema Congregação do Santo Ofício e
Comentários. São Paulo: Cúria Metropolitana, 1952, p. 39.
Santíssimo Sacramento. É o que se depreende do artigo escrito por D. José Carlos de Aguirre, bispo de Sorocaba:
[...] Jesus requisitou para instituição da Santíssima Eucaristia – a única razão de ser de nossos Templos – um tabernáculo luxuoso (Coenaculum magnum, stratum), e isto, contrariando seus hábitos de simpleza e modéstia, conquanto fosse humilhar-se sob mesquinhas espécies sacramentais459.
A questão da igreja, edifício para reunião de uma assembleia, normalmente era encarada de modo muito secundário, ficando quase sempre em segundo plano. Havia pouca inovação quando o quesito era a construção de uma igreja. Normalmente se apelava para os estilos históricos, isto é, aqueles de acordo com a tradição aparentemente exigida pelo cânone 1.164, do CIC 1917. Havia algumas exceções, como por exemplo, o artigo de Mons. Joaquim Nabuco, onde fica clara a grande sensibilidade do autor na percepção do problema:
Era ideia geral, alguns anos atrás, que o estilo gótico era o estilo cristão por excelência – por que eu não sei; talvez por causa das linhas verticais que levam para o alto; mas a Igreja, em matéria de estilo arquitetônico é universal, e Roma não conhece o gótico. [...] Antes de mais nada, será necessário evitar que o estilo seja falso e mentiroso. Mentir em arquitetura é tão grave quanto mentir na vida [grifos meus]. Uma igreja gótica, por exemplo, em cimento armado, além de ser impossível, será necessariamente falsa. O arquiteto irá fingir por toda parte suportes falsos (porque desnecessários) para suas abóbadas, suportes que não suportam nada. [...] O melhor estilo será o que permitir maior comodidade para as funções litúrgicas e maior acomodação para os fiéis. E por esse lado, o estilo bizantino e suas modalidades modernas será classificado em primeiro lugar. O estilo gótico irá para o último, pela razão muito simples de que grossas colunas, ocupando grande parte do espaço interior, não só tapam a vista do altar, como reduzem de um a dois terços o espaço a ser aproveitado pelos fiéis460.
Em relação à arquitetura moderna, o clero geralmente se posicionava de forma bastante negativa, ou até mesmo contrária. Não obstante isso, a influência da arquitetura moderna civil se fazia sentir também nos meios eclesiásticos, criando fato e exigindo discussões em torno do tema dentro da perspectiva religiosa. É o que se denota na leitura no artigo do Pe. Dinarte Passos:
Podem reduzir-se a poucos os princípios radicais da arte, e, portanto, da arquitetura moderna: a) Independência completa e ódio, em relação a todos
459 AGUIRRE, D. José Carlos de. “A Obra dos Tabernáculos e a arte Litúrgica”. In: REB 3 (1943) 2. 460 NABUCO, Mons. Joaquim. “Igrejas para o Nosso Tempo”. In: REB 2 (1942) 15.
os estilos passados, baseada num rompimento proposital com tudo que representa tradição. b) Domínio do individualismo, ligando a arte à exclusiva inspiração subjetivista, que leva, não raro, à busca de originalidades inaceitáveis. c) Supressão absoluta da curva sinuosa e flexível, substituída pela rigidez da linha reta. d) Abolição de toda ornamentação, que é considerada como artificial na construção. O monumento deve apresentar limpidamente suas grandes superfícies, unidas e delimitadas pelas arestas angulosas.461.
Como consequência das discussões, o autor tentando buscar uma posição de imparcialidade, alerta para os perigos da arquitetura moderna e, ao mesmo tempo, sublinha algumas vantagens de tal estilo:
Para a arte religiosa, [a arquitetura moderna], o efeito é desastrado: o fiel, esperançoso de encontrar na casa de Deus as belezas delicadas e suaves de sua enlevante religião, constrange-se ao penetrar num edifício, que lhe deixa a impressão de pesada materialidade, de dureza ou frialdade. E com razão se afastará de igrejas que mais se assemelham a cines, fábricas ou estações ferroviárias, do que mesmo a casas de oração. Proscreva-se, portanto, embora sob pretexto de atualidade, toda forma materializada de modernismo extremado. [Por outro lado] A arquitetura religiosa moderna é um fruto de nossa sociedade, dos progressos da técnica, da mentalidade nova: condiz, portanto, com o pensamento do homem moderno, na sua faina de afirmações positivas, na busca de respostas claras e incisivas aos problemas que o torturam. Eliminá-la seria um erro462.
Apesar de não ter caráter normativo, outros textos sobre o tema da arquitetura foram publicados à época, muitos com a finalidade de estabelecer princípios463 e contribuir na discussão. No Rio de Janeiro, vários números da revista Vozes, continham artigos tratando o problema da arte e da arquitetura modernas464. Em São Paulo, o Órgão oficial de comunicação da Arquidiocese, o Boletim Eclesiástico, não ficou de fora das discussões, trazendo numa edição de 1955, mais um texto do Cardeal Costantini465.
Embora não houvesse uma condenação explícita - até porque, o pronunciamento do Papa Pio XII na Encíclica Mediator Dei não o permitia466 -, de modo geral, a partir dos textos
461PASSOS, Pe. Dinarte. “A Moderna Arquitetura Religiosa”. In: REB 4 fasc. 3 (1944) 592. 462 PASSOS, Pe. Dinarte. “A Moderna Arquitetura Religiosa”. In: REB 4 fasc. 3 (1944) 599.
463 Apesar de alguns títulos mais incisivos, como o artigo do Pe. Dinarte D. Passos, publicado na. Revista
Eclesiástica Brasileira. Cf. PASSOS, Pe. Dinarte Duarte. Normas Gerais Para a Construção de Um Templo. REB vol. 7 fasc. 1 (1947) 94-106.
464 Cf., por exemplo, as edições de Vozes, 11 (1953) 168-175; 11 (1953) 393-398; 12 (1954) fasc. 3, 244-252; 12
(1954) fasc. 5, 473-479; 12, (1955), fasc. 1, 29-35; 13 (1955) fasc. 4, 389-397.
465 COSTANTINI, Cardeal Celso. Arte Sacra Moderna e Seus Problemas. Documentation Catholique, 28-XI-
1954. In: Boletim Eclesiástico, 1 (1955) 43-48.
466 “A Igreja não quer que as artes choquem os fiéis, porém não recusa ‘uma nova sensibilidade’ mesmo se no
começo possa parecer estranha. O ‘insólito’, [...] é relativo à comunidades determinadas de fiéis. O que seria escândalo na Itália não é ‘insólito’ na Alemanha. A Capela de Vence não é insólita às religiosas para as quais
da época, nota-se uma atitude mais negativa do que positiva em relação à arquitetura e à arte moderna por parte do clero, não obstante as vantagens apresentadas por essa arte e arquitetura, como nota o Pe. Damião Prentke, de Jundiaí – SP:
Vejamos brevemente quais os pontos positivos que acompanharam a era da arquitetura nova [moderna]. São eles, 1° o cristocentrismo, orientado pela ideia do sacrifício da comunidade e expresso pela colocação do altar, bem à visibilidade do povo. Para destacar o mais possível a mesa sobre a qual se efetua o sacrifício, evitaram-se os retábulos de então. A igreja, de um vão apenas, circunda o povo todo de tal maneira que a palavra “circumstantes” se tornou mais real (funcionalismo primário). 2° Garantiu-se a digna administração dos sacramentos em lugar e espaço convenientes, e tudo o mais que ficou enumerado sob o funcionalismo secundário. Da aplicação destes dois pontos programados resultou uma ampla atividade artística, dirigindo o interesse dos artistas de todos os ramos à arte sacra. O artista viu novas possibilidades. Houve e há ainda aberrações que sempre soem acompanhar épocas de efervescência. Mas a obra manufaturada conseguiu expulsar do recinto sagrado os produtos de máquina, cheios de sentimentalismo e, tratando-se da representação de Cristo e dos Santos, banir aquele aspecto femíneo de estátuas ou pinturas que deixavam dúvida quanto ao sexo das respectivas imagens467.
Debalde alguns esforços consistentes, a implantação desse tipo planta de igreja, apoiada por uma mentalidade mais litúrgica e mais relacionada à arquitetura moderna no Brasil, a quanto parece, não teve uma grande repercussão, em boa parte devido à uma mentalidade mais fechada e mais apegada a devoções de caráter piedoso, como continua o texto do Pe. Damião Prentke, de Jundiaí – SP:
No livro do Êxodo (capítulos 25-28) possuímos descrições pormenorizadas acerca de tudo que era necessário para o culto do Antigo Testamento. Ao confrontá-las com o que os templos na Nova Aliança apresentam ao visitante, aqui no Brasil, com exceção das vetustas igrejas coloniais e algumas poucas de tempos recentes, percebe-se uma inferioridade entristecedora quase imperdoável. O clichê é que domina, a repetição estandardizada, tanto na arquitetura como nos utensílios destinados ao culto divino. Quanto padre que, embora de boa vontade (mas esta não basta em questão de arte eclesiástica), se baseia no gosto pessoal, sem saber se é bom ou mau. Agindo com temeridade, pode correr risco de pôr a escárnio o clero em peso! Uma obra artisticamente mal feita exerce uma influência perniciosa sobre os indivíduos e pode, em certos casos, produzir uma espécie de desequilíbrio religioso. A carolice de muito católico encontra, ao
Matisse a pintou: mas o seria para qualquer outra paróquia. Pretendeu-se que o S. Padre tinha condenado a arte ‘não-figurativa’ (abstrata) na Encíclica ‘Mediator Dei’ [...]. Nada disto, diz o Pe. Régamey, se opõe à arte ‘não- figurativa’; o S. Padre proíbe simplesmente o realismo exagerado e o exagerado simbolismo, e a arte abstrata não é nem uma coisa, nem outra”. OSWALD, Carlos. Arte Sacra no Século XX. In: Vozes, 11 (1953), 397.
menos em parte, a sua explicação, pela igreja mal arranjada e mal
decorada que frequenta [grifos meus]468.
Certamente, a aceitação de um determinado tipo de arquitetura ou de um determinado tipo de arte, vai muito da sensibilidade presente no clero e nos vários segmentos da sociedade.
De fato, o que o ML propunha enquanto espaço litúrgico ideal está descrito em um artigo de Mons. Joaquim Nabuco, e que nos servirá como prisma pelo qual nos orientar na individuação da influência do ML na arquitetura religiosa paulistana. Mons. Joaquim Nabuco, diz que a igreja ideal deve apresentar os seguintes elementos:
Nave e altar central. É importante, para acomodar um maior número de fiéis, que a nave central seja o mais largo [sic] possível e que o altar mor, à vista de todos os fiéis, a domine, como ponto cardial [sic] de toda a construção. E neste particular o material moderno, aço e concreto, permitem realização que os antigos não podiam conseguir. A igreja é construída por causa do altar, é esta sua razão de ser. Um arquiteto que constrói um altar que não esteja à vista dos fiéis, faz mais ou menos o equivalente dum arquiteto que fizesse um grande teatro com um belo palco, visível, porém, só da metade dos espectadores.
Naves laterais são muito úteis, principalmente para facilitar a circulação dos fiéis, entrando e saindo da igreja, como para procissões, que constituem importante elemento da liturgia. Sem naves livres e desimpedidas, as procissões litúrgicas ficam impossibilitadas de circular, perdendo assim a liturgia romana um dos seus elementos mais distintivos. Capelas laterais. A celebração de missas rezadas e, mais ainda, as inúmeras devoções a santos, introduziram nas nossas igrejas as capelas ou altares secundários [...] Poucas coisas têm contribuído tanto para arruinar a arquitetura das igrejas católicas quanto os altares laterais. [...] As igrejas orientais, ortodoxas ou unidas, estão, neste ponto, muito adiante de nós, e só permitem um altar em cada igreja. A razão é lógica – o Sacrifício Eucarístico é um, e só um, e o altar único que domina a nave central, mostra a unidade do sacrifício ao mesmo tempo que permite ao arquiteto centralizar o altar único. É evidente que altares laterais são muitas vezes necessários, mas sejam feitos, quando possível, em forma de capela independentes, construídas de propósito e fora da nave central.
[...] Lugar do órgão e dos cantores. A escola, ou cantores executam uma parte importante das funções litúrgicas; é portanto, de absoluta necessidade que estejam colocados o mais perto possível da capela mor, devendo formar com os celebrantes e seus ministros um quid unum.
[...] Capela mor. A capela mor é parte tão importante duma igreja quanto o clero que ela deve comportar. É também santuário ou presbitério, por ser lugar particularmente sagrado pelo altar e ocupado pelos presbíteros. As múltiplas cerimônias do Rito Romano exigem uma capela mor bem grande em qualquer paróquia, maior ainda em se tratando de uma catedral. Infelizmente, um dos grandes erros de todas, ou quase todas as igrejas antigas do Brasil e muitas das modernas, é o tamanho mínimo da capela mor, que mal permite a celebração duma simples missa cantada, sem falar de
outra funções mais difíceis, como as da Semana Santa, tornadas quase impossíveis.
[...] A mesa da comunhão será a separação entre a nave e a capela mor, mas será uma mesa baixa e larga, não mais de oitenta centímetros de alto e não mais de trinta de largo [...].
Altar. [...] Um dos objetivos do ML, e não dos menores, é fazer o altar voltar a ocupar o lugar que durante séculos fora pacificamente o seu, e que todas as rubricas continuam a lhe atribuir. O Altar, quanto mais simples, melhor, principalmente porque segundo as rubricas (tão desprezadas) deve ser vestido com toalha (de linho) por cima e dos lados, e com antipêndio ou frontal na face, segundo a cor do dia.
[...] Púlpitos. A pregação da palavra de Deus segue em importância à Ação Litúrgica. A ideia original era que o bispo, principal pregador da diocese, pregasse sentado na sua sede, sede da autoridade e da doutrina. A cátedra episcopal era colocada de modo que o bispo pudesse ser visto e ouvido. Dos dois lados da capela mor havia dois ambones (púlpitos) onde os ministros liam, virados para os fiéis, as lições sagradas da missa, epístola dum lado, evangelho do outro. Quando outros, que não o bispo, catequizavam os fiéis, serviam-se também destes ambones. O cerimonial dos bispos supõe sua existência, e eles estão sendo reintroduzidos com muita vantagem em diversas igrejas modernas.
[...] Batistério. O lugar mais usual do batistério, sendo o batismo a porta de entrada para a Igreja, é à direita de quem sai, de modo que se possam observar fielmente as rubricas do Ritual Romano, que mandam começar a cerimônia na porta; só depois dos exorcismos prévios é que o catecúmeno entra na igreja. Os antigos batistérios, em forma de piscina, ficavam alguns degraus abaixo do nível da igreja. Pelo menos, não se ponham degraus para subir ao batistério, o que na liturgia é um privilégio do altar com seu presbitério.
Confessionários constituem um sério problema nas nossas igrejas. Em geral são feios e, mesmo que sejam bem trabalhados, ocupam grande espaço, impedem o trânsito dos fiéis e das procissões e quebram as linhas arquitetônicas. Os meios modernos de construção permitem ao arquiteto prever de antemão o lugar dos confessionários e imbutí-los [sic] nas paredes, o que resolve muito bem o problema, havendo neste ponto diversas soluções muito felizes, inteiramente de acordo com as exigências do direito canônico. [...] A imagem do titular da igreja, de acordo com a melhor tradição, deve ser colocada à entrada da igreja, ou num nicho na fachada principal, e não no altar mor. [...] O tabernáculo ou sacrário, pela sua importância, deve ser uma peça livre e independente, coberta toda em volta com seu conopeu, de fazenda preciosa, e da cor do dia. É abuso encaixar o tabernáculo no retábulo do altar onde desaparece, e mais ainda fazer com que sirva de pedestal para se colocarem estátuas. [...] Como o Sacramento só pode ser conservado num altar, vê-se como é errado o costume moderno, tão generalizado, de por tabernáculos em todos os altares. Como, porém, na Semana Santa e em certas ocasiões extraordinárias é necessário por o Santíssimo num altar lateral, um tabernáculo portátil, a ser usado quando necessários, resolve muito bem o problema.
Sacristias. Uma igreja necessita de duas sacristias – uma para o clero dar início e terminar as funções, a sacristia propriamente dita, e outra, para serviço e depósito, e para os coroinhas. [...]As sacristias devem ser estudadas pelo arquiteto e pelo pároco em todas as suas minúcias, para que cada coisa tenha o seu lugar. É importante que haja, além duma pequena porta que dá diretamente para a capela mor, uma maior, para as entradas processionais.
[...] Decoração. Decoração é útil quando faz ressaltar o principal, mas quando o oculta, ou afasta, não é mais decoração e sim obstrução. Decorar, com pintura, estuque, ou qualquer outra coisa, é muitas vezes mais difícil que construir. A decoração obedece a inúmeras leis de linhas e proporções. O meio mais certo de não errar é de reduzir a parte decorativa ao mínimo possível. Um edifício ou um móvel bem lançado encontra só nas suas linhas e proporções uma decoração que agrada a vista, e que elementos superpostos só poderão prejudicar. A simplicidade será sempre irmã da beleza.