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5.4 Ledelsesprosesser og ledelsespraksis

5.4.2 Forekomsten av kollektiv lederadferd - praksis

5.4.2.4 Tillitsstyrkende adferd internt i organisasjonen

O objetivo geral desta tese é verificar, com base em uma abordagem interpretativa-contextualista, como se desenvolve e ocorre o processo de sucessão na organização brasileira, excluindo-se aspectos associados a proprietários e herdeiros. Para a consecução desse objetivo geral, foram delineados os seguintes objetivos específicos:

1. compreender o processo de sucessão da organização a partir da visão de diferentes informantes organizacionais;

2. identificar os fatores que, conjuntamente e por suas relações, representam o processo de sucessão à luz do conjunto de percepções de sucessores, sucedidos, integrantes do comitê de sucessão e profissionais de recursos humanos;

3. analisar a relação entre os fatores categorizados durante a pesquisa de maneira a explicitar o processo sucessório na relação de categorias e variáveis intervenientes (based-process) em vez de correlações entre os fatores (variance-process); e

4. investigar a influência das circunstâncias nas políticas, ações e mecanismos que explicam o processo de sucessão na organização em determinado contexto.

1.5 JUSTIFICATIVA

A originalidade desta tese justifica-se por adotar um novo procedimento de análise do tema, fundamentando-se em métodos interpretativos (especificamente pela aplicação de práticas etnográficas e de Ground Theory), em vez de métodos positivistas centrados no paradigma funcionalista ou sistêmico, conforme definições no modelo apresentado por Burrell e Morgan (1979). Desse modo, a relevância da pesquisa se baseia no intuito de avançar no tema, propondo novas perspectivas de análise, e, assim, submeter a teoria sobre sucessão a novas abordagens, explorando as implicações práticas do objeto em estudo, o processo sucessório em organizações brasileiras. Em outros termos, busca-se apresentar proposições originais e novas hipóteses sobre o fenômeno de maneira a avançar – a partir da observação direta (in-vivo) – na teoria e sua respectiva aplicação na prática organizacional.

Segundo Corley e Gioia (2011), a contribuição de uma proposta teórica funda-se em sua originalidade e utilidade (cf. Figura 1). A originalidade se mede pelo avanço na teoria a partir de novas perspectivas que questionem o status quo por meio de novas questões, instigantes, plausíveis e razoáveis; a utilidade se verifica, na medida do possível, em termos práticos e científicos (practically useful and scientifically useful). Em termos práticos, a teoria deve contribuir para a identificação de fatores que devem ser estudados, de maneira a verificar como e por que estão associados, apresentando as condições necessárias e os limites das inter-relações entre eles; em termos científicos, a pesquisa deve ser epistemologicamente confiável e metodologicamente sustentável (Corley e Gioia, 2011; Gioia, Corley e Hamilton, 2012).

Figura 1: Dimensões correntes em contribuições teóricas Fonte: Corley e Gioia (2011, p. 15).

1" 2" 4" 3" Revelador" Incremental" Originalidade* Aplicação* Aplicação" Prá:ca" Aplicação" Ciência"

Para Hambrick (2005) e Corley e Gioia (2011), as observações sobre fenômenos do cotidiano devem basear-se no desenvolvimento de teorias fundamentadas, orientadas para a importância prática e com foco mais em prescrições estruturais e organizacionais circunscritas ao fenômeno do que no modo como a ciência delineia e compreende esse fenômeno. Tais considerações encontram ressonância nas provocações propostas por Kesner e Sebora (1994) e Karaevli e Hall (2003) ao observarem que as discussões sobre sucessão centram-se em efeitos financeiros e não na descrição de seu processo, de suas causas e dos efeitos dos significados e estratégias dos atores sociais envolvidos.

Apesar de se reconhecer a relevância da sucessão para diferentes organizações sociais, como as family-owned (sócio-proprietários), esta tese tem como foco processos sucessórios organizacionais que não tangenciem questões familiares. Ademais, analisa-se o processo sucessório a partir da visão integrada dos atores e grupos sociais, considerando-se o fenômeno e suas inter-relações no contexto corporativo. Entende-se como relevante a contribuição dessa abordagem para a execução da estratégia da área de recursos humanos e dos tomadores de decisão quanto ao alinhamento entre identificação, seleção, preparação e acompanhamento de potenciais sucessores e sucedidos, a fim de que possam gerenciar a prontidão e o excedente de candidatos à luz da estratégia definida.

Consoante Hall (1986; 1995), o planejamento sucessório ainda é um aspecto que se configura como a principal fragilidade dentre as atividades estratégicas das áreas de recursos humanos. Adiciona-se a isso que a visão situacional, específica e episódica por si só limita o avanço do conhecimento sobre o tema por não levar em conta a inter-relação e a interdependência entre o planejamento sucessório, a estratégia de RH e o propósito organizacional no médio e longo prazo, além de negligenciar os interesses e objetivos de sucessores e sucedidos. Logo, quanto maiores a distância e a ausência de decisões congruentes com a estratégia da organização e a estratégia de recursos humanos, mais o processo sucessório torna-se um fator dissonante, provocando consequências que repercutirão no futuro da organização e de seus atores sociais (Hall, 1986).

No entanto, pouco é tratado na teoria quanto aos efeitos das decisões organizacionais em relação à indicação de sucessores e daqueles a serem sucedidos, de analistas a diretores, e quanto à influência dessas decisões nas ações e reações destes e outros atores e grupos sociais no que diz respeito às políticas e à prática sucessória. O processo sucessório independe da formalização de uma política ou de um planejamento explícito, formal, pois a sua dinâmica está associada à dinâmica de ocupações de posições,

caracterizando o que Young e Collin (2004) e Young, Valach e Collin (2002) denominam de efeitos do contexto na carreira e na organização.

Torna-se relevante, portanto, adotar métodos de pesquisa que possibilitem investigar o processo sucessório sob uma nova perspectiva, envolvendo os demais atores e grupos sociais que o integram, uma vez que estão interligados ou, nas palavras de Young, Valach e Collin (2002), uma vez que estão ‘entrelaçados’3. Para tanto, busca-se levantar categorias relevantes no processo sucessório, bem como suas relações, propriedades, dimensões e aplicabilidade em outras organizações e contextos.

O método de Ground Theory é indicado por Strauss e Corbin (1990) para casos de investigação como aquele ora descrito. Dado que o domínio prévio da teoria sobre o objeto obscurece as novas categorias e fenômenos, induzindo o pesquisador a confirmar e testar categorias e fatores previamente discutidos, é importante a análise das relações entre o que emergiu do campo e as teorias reconhecidas e desenvolvidas, sendo essas relações utilizadas para ampliar o próprio estudo e a respectiva teoria, a qual pode “incorporar elementos aparentemente relevantes de teorias prévias, mas somente se comprovarem-se pertinentes aos dados obtidos no estudo” (Strauss e Corbin, 1990, p. 50).

Com base no exposto nesta seção, esta tese se justifica considerando-se as seguintes contribuições:

1. reconhecimento da visão do potencial sucessor em alinhamento com seus objetivos profissionais e pessoais;

2. inclusão da percepção, sentimento e perspectivas do potencial sucedido; 3. explicitação do planejamento e da gestão de pessoas na organização, com

vistas ao processo sucessório existente;

4. apreciação e registro da visão integrada dos atores e grupos sociais de maneira a analisar, interpretar e descrever o processo sucessório; e

5. mapeamento das principais variáveis influenciadoras na dinâmica do processo sucessório.