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1. Innleiing, metode og perspektiv

3.2. Tillitssone og motsatt argumentasjon

As ações dedicadas a atrair os usuários para a biblioteca estavam intimamente ligadas à promoção da leitura, buscando “desenvolver atitude favorável diante da leitura” (D 8/176), “despertar e fortalecer o interesse pela leitura” (D 5/129; D 14/162), “despertar o gosto pela leitura e escrita” (D 14/156) e “incentivar o prazer da leitura” (D 1/7), utilizando inúmeras estratégias para convencer o estudante a ler (grifos nossos).

Pode-se observar, a convicção na possibilidade de a biblioteca desempenhar o que Perrotti (1990, p. 65) criticou como “papel redentor [da escola e da biblioteca] na luta para vencer a crise de leitura”. Na maioria dos casos, não são mencionados “problemas

estruturais intrínsecos ao modelo social vigente” e abstraem-se condições históricas que, na concepção do referido autor, estariam na origem da “crise de leitura” no país.

Alguns informantes acreditavam que seria possível conquistar leitores, desde que se possuíssem as qualidades certas e se utilizassem as estratégias adequadas.

Existem várias estratégias que podem ser utilizadas para apresentar o livro como objeto de prazer e está nas mãos dos educadores a tarefa de manter o encantamento natural da criança pelo livro, a fim de formarmos leitores (D 11/106).

Cabe ao profissional da informação, mesmo diante de realidades pouco favoráveis, comprometer-se com sua responsabilidade social, ser ousado, criativo, ter capacidade de liderança e ser inovador, disponibilizando a informação de forma atrativa (D 9/216).

Poucos informantes mencionaram a influência de outros fatores nas deficiências de leitura, percebendo, por exemplo, que os estudantes precisavam de maior convivência com a leitura na família e não apenas na escola. Nesse caso, um projeto era desenvolvido com esse fim:

É um projeto em que a gente vai tá trabalhando com o gosto pela leitura e convidando a família, por que a família é também um mediador na leitura, pra formação do pequeno leitor. Então a gente tá convidando a família pra participar desse momento especial junto com a criança. A educação infantil já topou e tem alguns professores que a gente já conversou que estão interessados. A gente tá produzindo uma sacolinha toda enfeitada e, lá dentro, a gente montou um caderninho com uma cartinha convidando os pais, explicando como que é pra fazer. Nós vamos colocar um livrinho especial junto com esse caderno. Então vai a sacolinha com esse caderno e um livrinho pra casa... Então o pai vai escolher um local na casa ‘especial’ pra trabalhar com as crianças, pra lerem juntos o livro e depois eles vão registrar no caderno, um caderno sem pauta, eles vão registrar através de desenhos, porque a gente pensou muito nos meninos menores... E outros ‘momentos especiais’ estão sendo pensados, por exemplo, trazer a família junto com a criança pra ter um ‘momento especial’ em um centro cultural [...] (E 1/ 6-7).

Esse mesmo bibliotecário mencionou o papel do professor, reconhecendo que sozinho não teria condições de resolver o problema e lembrando que a mediação da leitura não era responsabilidade somente da biblioteca:

Todo professor sabe que não é só a biblioteca. Quando não sabe, a gente dá um toque: ‘não é só a biblioteca, é também o professor, é também a família’. Então a gente procura sempre tá jogando isso, em uma cartinha, em um bilhetinho ‘Chegou uma coleção nova aqui’. A gente compra livros envolvendo a questão da leitura... coloca a relação lá na sala dos professores (E 1/16-17).

Atividade semelhante à relatada acima era realizada em outras bibliotecas. Percebe-se que nessas atividades vários aspectos da leitura estão envolvidos: o lado atrativo, representado por um objeto que agrada à criança, a participação da família e o cuidado com o livro.

A gente compra uma pastinha transparente que tem aquele elástico, assim. Eles estão chegando na biblioteca, e aí tem uma capa que é colada por dentro, com uma menina abrindo um livro, aí sai um pássaro, sai umas imagens e tem o nome da criança, o nome da professora, o nome da escola, e atrás um bilhetinho pro pai.. Então eles levam a pastinha com aquele desenho colorido por eles mesmos, com o nome, nome da

professora, e eles levam o livro e devolvem naquela pastinha, pra poder tomar bastante conta do livro. E aí a gente mostra os livros destruídos pra ele. ‘Pode fazer isso com o livro?’ E é tão bonitinho! Como que já vai aprendendo assim pequenininho a cuidar... Eles se sentem tão responsáveis com aquela pasta que é deles e que vai e volta e o pai assina, ou a mãe, o irmão, quem for, vai anotando atrás daquela folha os livros que eles vão lendo ou que alguém leu pra eles e depois você vai notando que eles vão anotando... Esse foi um projeto muito legal (GD 1/21-22).

Então eles também têm uma pastinha que é preparada, que também eles colorem, que eles carregam o livrinho, que eles têm o maior cuidado (GD 2/24).

Então os meninos, os pequenininhos, dois anos, três anos até a faixa de 6 anos... então eles têm uma sacola com o nome deles, uma sacola toda enfeitadinha e tal, com o nome dele... Aí eles vão, escolhem o livro que querem, põem dentro da sacolinha e aí aquela sacolinha vai pro pai e volta (GD 5/23).

As estratégias de promoção da leitura privilegiavam seus aspectos prazerosos e isso marcou fortemente muitos dos relatos, como se pode observar a seguir:

[...] é necessário criar mecanismos que estimulem ainda mais aos que gostam de ler, fazendo com que a leitura se torne para eles uma boa opção de lazer. E para os não leitores, a estratégia é conquistá-los através do acervo e atividades de animação de leitura (D 2/37).

Não medimos esforços para tornar o ato de ler algo interessante e prazeroso (D 14/161).

Os bibliotecários mencionaram constantemente suas atividades para “trazer o aluno para o fantástico mundo da leitura, ou se necessário, levar esse mundo até ele de maneira lúdica e prazerosa” (D 15/7); de “[...] promover a leitura no sentido de produzir

satisfação e entusiasmo” (D2/32); de criar “[...] ambiente propício, ao encontro do aluno com

o livro, numa interação de prazer” (D 5/129).

As mais diversas estratégias eram utilizadas para isso, como mostra a fala a seguir: “A distribuição do jornal era realizada de forma estratégica, somente recebia o exemplar quem levasse um livro literário para ler em casa, como forma de incentivo à leitura” (D 14/160). Buscava-se estimular a leitura, utilizando o próprio mobiliário da biblioteca e improvisando com criatividade: “estantes expositoras, estantes dupla-face, estantes baixas, caixas e cestos” garantem “que o livro esteja ao alcance de nossos pequenos leitores, para que possam pegar, afagar, cheirar, manusear, folhear... o objeto desejado” (D 11/99).

Os prêmios também constituíram estratégias para estimular a leitura de forma prazerosa, podendo ser dados a “leitores mais assíduos”, como era o caso do “Campeões de leitura”, quando um kit de livros e gibis era dado aos estudantes mais assíduos (D 5/131), ou constituía concurso mais elaborado, com regulamento, período de inscrições definido, divulgação do resultado e premiação, envolvendo diversas atividades (D 5/132).

O esforço de desenvolver o gosto pela leitura marcava o papel de alguns dos informantes como promotores de eventos: eles eram responsáveis por diversas atividades

como feiras de livros e comemorações, que envolviam toda a escola, além de parcerias com agentes externos.

Nesse sentido, foram relatadas o que um bibliotecário, por exemplo, chama de “atividades externas”, momento em que

a biblioteca participa do evento ‘Um passeio pelo mundo da Arte’, realizado em parceria com o ICBEU (Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos) em nosso município. As crianças apresentaram excelente desempenho nas atividades culturais oferecidas, tais como: o percurso feito a pé pelo bairro, que propiciou um outro olhar a todos, a exploração do novo, através do espaço arquitetônico visitado, a galeria de arte, as leituras das peças expostas, as dinâmicas propostas, etc. (D 5/130).

As feiras de livros foram mencionadas em alguns relatos e a biblioteca participava ativamente na sua organização ou viabilizava/estimulava a participação dos estudantes em feiras externas. Listando suas atividades de “animação de leitura”, um informante relatou a “Promoção de feiras de livros, visitas de escritores, varais de poesias e comentários sobre livros e filmes (documentários)” (D 2/34); e outro descreveu a “participação de estudantes na Feira de Livros Infantis do SESC” (D 3/65). Um dos bibliotecários participava ativamente da organização de feira de livros que se realizava anualmente na escola: a Giroletras é um evento que se baseia em críticas de livros infantis feitas pelos alunos que, durante a feira, assumem o papel de apresentadores de livros nos stands. Ao longo do ano, as crianças trabalham suas competências literárias e na feira que é aberta entram “em contato com um público de faixa etária e cultura da mais variada, possibilitando a prática e o aprimoramento de seus conhecimentos literários” (D 7/173).

Alguns projetos eram de curta duração e ocorriam em torno de determinados autores, como a Semana de Monteiro Lobato, para estudantes do ensino fundamental (D 3/65). Havia o projeto A literatura de Ruben Alves, envolvendo professores de 3ª e 4ª séries, com duração de quatro meses. Contando com a parceria da editora responsável pela publicação dos livros do autor, o projeto teve o primeiro momento durante o horário da biblioteca e, em seguida, na sala de aula, “as professoras trabalharam com os alunos o desenvolvimento das leituras e a apresentação do livro através de teatro, exposições, fotografias, pesquisa sobre o autor (biografia) etc. (D 9/229).

Houve projetos realizados em torno de datas comemorativas, como o Arraial Maranhense, durante os festejos juninos, com duração de duas semanas, “objetivando principalmente divulgar o folclore maranhense” e a Semana do Autor Maranhense, realizada por ocasião da comemoração do primeiro ano de funcionamento da biblioteca (D 3/65). Em um dos relatos a biblioteca organizava a comemoração do Dia do Livro Infantil e da Semana Nacional da Biblioteca, com a participação de todos os estudantes e professores da Escola e da comunidade, quando eram desenvolvidas as seguintes atividades: “concursos, programa Bibliotecário por um Dia, peças de teatro, palestras, exposições de livros raros,

exposição de trabalhos de alunos, participação ativa do mascote da Biblioteca e personagens de histórias infantis” (D 6/169).

Assim, as ações da biblioteca propiciaram o envolvimento do estudante não só em atividades de leitura, mas de outras que os aproximaram de manifestações culturais variadas, como teatro, dramatização, música, filmes, desenho, pintura, fantoches, espaços culturais.

A descrição das práticas, feita acima, indica, portanto, que grande parte das ações dos bibliotecários pesquisados estava voltada para o trabalho de convencimento dos usuários, tanto para freqüentar e usar a biblioteca como para gostar de ler. As atividades descritas revelam a riqueza das práticas e o esforço feito para aproximar os alunos da biblioteca e superar problemas que se interpõem entre o livro e o leitor.

Assim, acreditando no potencial transformador da leitura, considerando-se como responsáveis por promover o seu acesso e mencionando apenas de passagem problemas estruturais a ela ligados, os participantes envidavam esforços para apresentar a leitura como algo agradável e prazeroso. Usando as armas de que dispunham os bibliotecários empreendiam ações de dinamização que contrastam com as práticas pobres de leitura de sala de aula relatadas em pesquisas (MAGALHÃES, 1992, p. 175; SILVA, S. A. 1997, p. 96). Pareciam estar constantemente querendo neutralizar influências negativas que porventura os estudantes estivessem recebendo e desenvolviam “estratégias” e “mecanismos” para tornar a leitura prazerosa, procurando “reduzir o atrito” de que fala Lajolo (1992, p. 14) ao criticar atividades de leitura lúdica na escola.