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Tivemos, ao todo, cento e dez participantes de pesquisa, divididos da seguinte forma: 10 redigiram os autorrelatos e 100 responderam aos questionários, sendo que 22 destes foram entrevistados. A característica do público participante desta pesquisa está diretamente relacionada com as modalidades dos questionários. Dessa forma, passamos a descrever nossos participantes mediante a modalidade dos questionários que eles responderam. Nomearemos os participantes de acordo com os questionários respondidos, por exemplo; A1-1, A1-2, A1-3, ... , A2-1, A2-3, A2-3, ... , B1, B2, B3, ... , C1, C2, C3, e assim por diante; e, para os autorrelatos, AR1, AR2, AR3 etc.

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Questionário A1

(Alunos regularmente matriculados na UATI pesquisada)

A idade média desse grupo é de 69 anos, tendo o mais novo 54 e o mais velho 81 anos. Com relação à atual ocupação descrita por eles, dos 15 participantes, 5 são aposentados, 5 escreveram que são “do lar” e uma voluntária, uma relatou que sua ocupação atual é a terceira idade, outra escreveu “viajar, ginástica, bingo, missa e visitar parentes” (A1-3) e um participante não respondeu a esta pergunta. Dentre essas respostas, houve uma que consideramos mais sintomática, a A1-4 escreveu “nenhuma”. Quanto à formação escolar, 8 têm curso superior, 2 possuem magistério, 1 com 2º grau completo, 3 com primário, 1 cursou até 3º ano do primário, 60% assinalaram que estudaram em escolas públicas e, do total, 47% concluíram seus estudos há mais de 41 anos, seguidos 27% que assinalaram ter concluído seus estudos entre 31 a 40 anos. Em geral, eles moram com um, dois ou três membros da família, sendo normalmente esposo/a e filhos. Porém, três participantes moram sozinhos. Em relação à leitura de jornal, 54% leem diariamente, 20% leem jornal apenas aos domingos e 20% leem ocasionalmente. Um terço declara que não tem e nem utiliza computadores, um terço tem um computador disponível, mas não sabe utilizá-lo e um terço declara que tem um computador em casa e usa. Destes, 3 acessam internet menos de 10 horas por semana, um acessa de 10 a 15 horas e outra acessa mais de 15 horas semanais. Oitenta por cento ficou sabendo das atividades da UATI por meio de amigos ou parentes.

Questionário A2

(Aprendentes regularmente matriculados na UATI pesquisada, que fizeram opção por uma língua estrangeira)

Esse grupo é composto por 12 aprendentes, com faixa etária média de 70 anos, tendo o mais novo 69 e a mais velha 80 anos de idade. Ao serem indagados sobre a atual ocupação, 6 responderam que eram aposentados, 1 que era professora de alemão, 3 disseram que a ocupação atual era a UATI, uma diz ser “do lar” e o outro respondeu “ler e viajar” (A2-9). Com relação à formação escolar, há um pós-graduado, cinco com ensino superior, três com segundo grau completo e três com primário, sendo que dos 12, metade estudou em escolas públicas e metade em particulares, com exceção de uma participante que cursou a educação

138 básica e superior na Alemanha. Do total, 70% concluíram seus estudos há mais de 41 anos. Nesse grupo, apenas uma participante mora sozinha; os outros moram com dois ou três familiares, em geral, esposo/a e filho/a. Quanto ao hábito de ler jornal, 42% leem diariamente, 42% ocasionalmente, o restante lê apenas aos domingos. Metade dos participantes tem acesso a computadores e utilizam em média 10 horas de internet por semana, 35% afirmam não saber utilizar o computador. A maioria ficou sabendo da UATI e do curso de idiomas por meio de amigos, parentes ou por indicação de um professor.

Questionário B

(Professores da UATI, atuantes em diversas áreas do conhecimento)

A idade média dos professores pesquisados da UATI é 42 anos. Dos 13 participantes deste grupo, 12 declararam ser professores ao ser indagada a ocupação atual; mas 50% deles têm outra ocupação formal, por exemplo, profissional liberal, personal trainer, funcionário público etc. A participante que não se declarou professora é advogada e dá aulas de canto e coral. Todos têm ao menos uma graduação; entre eles há dois doutores, cinco mestres e um especialista, e 50% estudaram, em boa parte de sua formação, em escolas públicas. Em geral, eles moram com esposa/o e filhos, um deles mora sozinho e outro mora com um amigo. Todos têm acesso a computadores, tanto em casa quanto no trabalho, e eles acessam em média 15 horas semanais de internet; 78% dos professores ministram aulas na UATI por convite da coordenação do curso.

Questionário C

(Alunos regulares do curso de Letras com dupla habilitação, necessariamente cursando a disciplina de Linguística Aplicada)

Neste grupo, contamos apenas com 6 participantes de pesquisa e, com exceção de um que tem 50 anos, a idade média do grupo é de 24 anos. Um se declarou apenas estudante; os outros têm algum tipo de ocupação formal (assistente administrativo, agente comunitário, estagiário etc.), além do curso de Letras, sendo este o primeiro curso de graduação de todos os seis participantes que responderam a esta modalidade de questionário. Metade teve sua

139 educação formal em escolas públicas e metade em escolas particulares. Acessam computadores/internet, em média, 25 horas semanais. Os motivos que os levaram a escolher o curso de Letras diferem bastante, mas o gosto pela língua estrangeira se destaca em 60% das respostas.

Questionário D

(Alunos regularmente matriculados em cursos de graduação, que não Letras, da Faculdade pesquisada)

A idade média desses estudantes é 28 anos. Dos 16 participantes de pesquisa, 88% têm, além do curso de graduação, uma ocupação formal, como eletricista, professor, analista de marketing, açougueiro, almoxarife, entre outros, e um deles tem especialização e formação prévia em Letras e Pedagogia. A maioria, 82%, estudou em escolas públicas. A escolha pelos cursos de graduação dos participantes de pesquisa se deu, em 57% das respostas, porque eles gostam ou já atuam na área; as outras respostas são bem divergentes e apenas uma aponta como motivo da escolha, o mercado de trabalho. Todos têm acesso a computares e internet, sendo que 32% acessam mais de 31 horas semanais, 38% de 16 a 30 horas, 13% de 11 a 15 horas e 18% acessam menos de 10 horas. Com relação à forma como eles tomaram conhecimento do curso oferecido pela Faculdade é bem equilibrada em três categorias: amigos e parentes, meios midiáticos (propaganda em jornais, televisão e revistas) e via internet.

Questionário E

(Professores de línguas sem experiência de ensino em UATIs)

Das oito professoras pesquisadas, as quais estão na faixa etária média de 50 anos, há duas com titulação de graduação, sendo que uma delas possui graduação também em outra área; quatro com cursos de pós-graduação lato sensu, obtendo título de especialista em Linguística Aplicada; duas em Língua Portuguesa e outra em Metodologia da Língua Portuguesa; e, duas obtiveram sua titulação por meio de pós-graduação stricto sensu, sendo mestres em Linguística e em Tradução. Quanto aos seus estudos: 25% estudaram apenas em

140 instituições particulares, 12,5% concentraram a maior parte de seus estudos em instituições particulares, 25% relataram que tiveram metade dos seus estudos em particulares e outra metade em públicas, 25% fizeram a maior parte de seus cursos em instituições públicas e 12,5% cursaram apenas em instituições públicas de ensino. Com relação ao tempo de conclusão de seus estudos, temos uma que finalizou há menos de 5 anos e, em contrapartida, outra que finalizou há mais de 40 anos; contudo, o número mais significativo fica entre 13 a 20 anos, perfazendo 38% do total. Somente duas moram sozinhas; 62,5% moram com esposo e filho(s). Todas têm acesso a computadores e internet em casa e no trabalho. A média de acesso é de 15 horas semanais. A escolha pela área de Letras se deu, em geral, por gostarem das línguas. Uma delas, E8, relata que a “língua é a ‘ponte’ que encurta as distâncias e derruba os preconceitos”. Apenas uma relatou o gosto pela docência.

Questionário F

(“Corpo Dirigente” da instituição de ensino pesquisada)

A idade média do corpo dirigente é de 45 anos. Todos têm ao menos uma pós- graduação, 16% têm titulação em nível de doutorado, 47% são mestres e 37% têm pós- graduação lato sensu. A escolha pela atuação na área da Educação se deu, com 62% dos participantes, por “amor à área” e pela possibilidade de transformação social, de garantir os Direitos Humanos, de formar cidadãos na vertente crítica e reflexiva. Porém, 38% iniciaram suas atividades docentes como complemento da renda advinda de outra atuação profissional e, destes, 60% têm hoje a Educação como a única fonte de renda. Nenhum deles teve seus estudos realizados apenas em instituições públicas ou apenas em particulares, 38% tiveram seus estudos centrados metade em instituições particulares e metade em públicas, 31% estiveram na maior parte de seus estudos em instituições particulares, bem como 31% na maior parte em públicas. Todos têm acesso a computadores e internet em suas residências e no trabalho, sendo que 54% acessam mais de 30 horas semanais e 30% acessam em média 20 horas semanais. Dos treze participantes, onze relatam que a opção por cursar uma faculdade se deu, entre outras razões, visando crescimento profissional.

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Questionário G

(“Cidadão Comum”)

Foram preenchidos 18 questionários, sendo nove por mulheres e nove por homens; destes, 10 são casados, 4 são solteiros, 3 são viúvos e 1 é divorciado. Como o foco deste questionário foi o “cidadão comum” da terceira idade, a idade mínima foi de 53 anos, a média ficou em 63 anos e a idade máxima pesquisada neste grupo foi de 78 anos. Dessa forma, ao indagarmos acerca de suas ocupações atuais, 8 mencionam que já estão aposentados, mas em seguida descrevem a profissão que seguiram antes da aposentadoria; assim temos: um engenheiro, um administrador de empresas, um professor, uma advogada, uma enfermeira, três cuidadoras, três empregadas domésticas, um vigia noturno, um técnico em eletrônica, um chefe de seção, um encarregado, um mecânico, uma “do lar” e um sapateiro. A opção pela carreira se deu em boa parte dos casos por contingências da vida, tais como: “consegui um emprego e fui ficando nele, quando eu vi já estava aposentado” (G8) ou “era a oportunidade que eu tive no meu emprego, então resolvi estudar na área” (G12). Em relação aos estudos, 84% estudaram em instituições públicas, 12% tiveram metade de seus estudos realizados em instituições particulares e metade em públicas e 4% estudaram a maior parte em particulares, sendo que cinco possuem graduação em curso superior, cinco completaram o ensino médio (na época, segundo grau), três completaram o ensino fundamental (antigo primeiro grau) e cinco não chegaram a terminar o ensino fundamental. Dez participantes marcaram que não têm computador ou acesso à internet e oito relataram que têm, e, destes, três descreveram que acessam menos de dez horas semanais.

Autorrelatos

Recebemos dez autorrelatos realizados por quatro homens e seis mulheres, com idade média de 67 anos, tendo o mais novo 52 e o mais velho 82 anos de idade. Metade do grupo já está aposentada. Entretanto as funções declaradas pelos participantes de pesquisa que escreveram os autorrelatos foram: dois funcionários públicos, sendo um engenheiro e uma secretária executiva, atualmente aposentados; um professor universitário formado em História e Filosofia, mestre e doutorando em Educação; uma professora de Geografia aposentada, a qual ministrou aulas apenas na educação básica em instituições públicas e particulares; uma

142 tradutora, nascida e formada na Alemanha, mas que mora no Brasil há mais de 60 anos; um advogado aposentado, pós-graduado pela Universidade de Brasília; uma auxiliar administrativa aposentada, com o antigo segundo grau completo; uma “do lar”, que também concluiu o segundo grau; uma pedagoga aposentada, e um empresário, formado em Administração de Empresas. Todos frequentaram até recentemente ou estão frequentando aulas de idiomas. As línguas estrangeiras escolhidas foram: inglês (cinco participantes), italiano (quatro participantes), espanhol (quatro participantes), alemão (um participante), francês (um participante) e um deles também estuda Latim. Quatro participantes estudam (ou estudaram) apenas uma LE, cinco deles têm ou tiveram acesso a dois idiomas e um deles a três.

Salientamos que os participantes da pesquisa estavam cientes do estudo e de suas ações no mesmo. Eles assinaram o “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido”, o que respalda a pesquisa do ponto de vista ético. A preocupação com a ética permeou o desenvolvimento da pesquisa, o que nos remete ao que aponta Celani (2005):

A proteção dos participantes é essencial (Denzin & Lincoln, 1998). Para isso é indispensável o consentimento informado, esclarecido, na forma de diálogo continuo e reafirmação de consentimento ao longo da pesquisa. Esse diálogo possibilitará ao pesquisador certificar-se de que os participantes entenderam os objetivos da pesquisa, seu papel como participantes, ao mesmo tempo que deixa clara a esses a liberdade que têm de desistir de sua participação a qualquer momento. A preocupação do pesquisador deve ser sempre a de evitar danos e prejuízos a todos os participantes a todo custo, salvaguardando direitos, interesses e suscetibilidades. (op. cit., p. 110)

Após termos definido a natureza, os instrumentos, o cenário e os participantes desta pesquisa, apresentaremos, a seguir, a descrição e a análise dos dados coletados.

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