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Tillegg til og modifikasjoner av metoden

No contexto em análise, é possível afirmar que o revisor de textos se encontra no centro de um circuito de triangulação textual, já que o seu trabalho tem em consideração três textos produzidos em momentos diferentes: o original, a tradução e a revisão. Os dois primeiros textos são normalmente fornecidos ao revisor na sua versão final, enquanto o texto revisto pode ter várias versões intermédias, até ser entregue ao cliente a versão definitiva31. Tanto esta como aquelas são sempre resultado de uma prática dialógica que o revisor exerce sobre os próprios textos.

A partir do momento em que o revisor aceita rever um texto, já deverá ter ponderado os fatores relacionados com as línguas de trabalho e os materiais necessários ao cumprimento dos requisitos impostos, assim como três dos cinco pês do revisor, designadamente o volume de palavras, o prazo de entrega e o preço, conforme enunciado no Diagrama 1 do GP. No entanto, há ainda decisões a tomar antes mesmo de se iniciar o processo de revisão em si. Uma das questões essenciais

31Relativamente à versão definitiva do texto revisto importa distinguir dois conceitos muito comuns no

domínio da tradução técnica: a versão unclean e a versão clean de um ficheiro revisto, por exemplo, no Microsoft Office Word. A primeira é normalmente a versão solicitada pelas agências de tradução; a segunda é habitualmente entregue ao cliente final.

prende-se com o tipo de revisão a implementar, tendo em conta que se trata de um processo contrastivo. Deverá o revisor ler primeiro o original na íntegra, para ter um primeiro contacto com a temática e o próprio registo do texto de partida, e só depois rever a tradução? Deverá o revisor começar por ler apenas a tradução para se familiarizar com o texto na sua língua materna, passando depois à revisão mediante a leitura comparativa do original e do texto traduzido? Trata-se, no fundo, de decidir sobre a sequência de revisão32 a adotar para cada projeto, em função dos respetivos condicionalismos, sendo que o fator tempo é normalmente o prioritário.

Na verdade, não existe um procedimento de revisão ideal que se aplique a todos os textos de todas as línguas e a todos os revisores. O mais provável é que dois revisores façam revisões diferentes de um mesmo texto. Contudo, a inexistência de estratégias de ensino no domínio específico da revisão de textos técnicos traduzidos, assim como a falta de regulamentação da profissão de revisor, certamente que também não contribuem para uma possível padronização das práticas de revisão33. Regra geral, o revisor recebe as instruções que já foram enviadas ao tradutor (relacionadas, sobretudo, com os critérios de uniformização terminológica), mas os clientes não impõem procedimentos de revisão específicos. O revisor é, por isso, livre de escolher o procedimento que pretende adotar (cf. Robert, 2008; Robert & Van Waes, 2014) e não é questionado sobre essa decisão. Os clientes poderão eventualmente indicar se pretendem uma revisão global ou apenas parcial (cf. Secção IV.3.1. do GP) do texto em causa, mas, nalguns casos, continuam a associar a atividade de revisão à correção ortográfica e sintática. Consequentemente, a avaliação qualitativa da tradução e da própria revisão baseia-se, muitas vezes, na mera

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Robert (2008) tem desenvolvido uma investigação muitíssimo interessante a este propósito com base em estudos empíricos, tendo concluído, por exemplo, que não existem diferenças substanciais relativamente à qualidade do produto final entre uma sequência de revisão monolingue-bilingue e uma sequência bilingue-monolingue, pelo menos no caso dos textos traduzidos para a língua francesa. Em todo o caso, segundo Brunette et al. (2005), a revisão bilingue é sempre mais eficaz do que a revisão monolingue.

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A inexistência de unidades curriculares que abordem esta área em concreto condiciona, naturalmente, a transmissão de conhecimentos neste domínio. No entanto, para que seja possível colmatar esta carência no nosso país e conceber o ensino de métodos de revisão vocacionados para o setor da tradução técnica, é necessária a realização de estudos empíricos correspondentes, especificamente focados no português europeu. A partir de uma investigação centrada na prática profissional, talvez fosse depois possível complementar a reflexão teórica já existente e, eventualmente, padronizar os procedimentos adotados pelos revisores profissionais.

quantificação dos erros assinalados e das emendas introduzidas, sem considerar outros critérios já enumerados, como a adequação do texto à sua finalidade ou a clareza da informação. O revisor, não sendo o autor do texto original, não é responsável pela exatidão dos factos descritos, mas pode e deve chamar a atenção para eventuais inconsistências que detete a esse nível.

No circuito em questão, o revisor é, assim, leitor e produtor simultaneamente, já que identifica problemas num dado texto, mas também tem de encontrar soluções adequadas que implicarão modificações e darão origem a uma versão mais ou menos diferente do texto inicialmente recebido, consoante as emendas que forem introduzidas.

No que diz respeito às alterações que estão em causa durante o processo revisório, é possível distinguir quatro tipos: i) alterações justificadas, ii) alterações desnecessárias, iii) alterações problemáticas; e iv) alterações em falta (cf. Künzli, 2007, pp. 117-118). As alterações justificadas são aquelas que cumprem os critérios linguísticos e textuais da língua de chegada, reproduzem o conteúdo do texto de partida sem omissões que afetem a compreensão do mesmo e contribuem para a melhoria da qualidade do texto traduzido. As alterações desnecessárias, por sua vez, prendem-se mais com idiossincrasias e preferências linguísticas do revisor, pelo que tendem a não afetar a qualidade do texto final, ainda que possam representar uma perda significativa de tempo (cf. Mossop, 2007). As alterações problemáticas, como a própria designação indica, dão a origem a problemas que a tradução inicialmente não apresentava. Por último, as alterações em falta são aquelas que deveriam ter sido introduzidas pelo revisor e não foram (por descuido ou por desconhecimento) (cf. Quadro 8 do GP).

A abordagem desta primeira modalidade de interação permite inferir que a qualidade do texto revisto depende, por um lado, da forma como o revisor entende a revisão e, por outro, do modo como os restantes participantes do circuito percecionam esse mesmo texto34. Perante a ausência de indicações precisas sobre os

34 A propósito desta questão da qualidade, convém frisar que, neste contexto, ela é, muitas vezes,

sinónimo de satisfação do cliente, ou seja, os requisitos eventualmente impostos por terceiros (agência de tradução e/ou cliente final) têm influência no trabalho do revisor e podem mesmo sobrepor-se aos critérios de adequação linguística, pelos quais o revisor pretende zelar.

procedimentos de revisão a utilizar, o revisor vê-se obrigado a criar os seus próprios métodos de trabalho, razão pela qual os conhecimentos adquiridos e a experiência acumulada ao longo da carreira profissional, algumas vezes à custa de maus resultados, representam uma mais-valia insubstituível para qualquer revisor. Essa acumulação de saberes permite-lhe ganhar confiança em si mesmo enquanto profissional, o que, por sua vez, influencia o seu desempenho e, consequentemente, também a qualidade do seu trabalho.