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In document 4 Desember 2011 (sider 24-28)

No começo desta pesquisa lançou-se duas questões que norteariam o trabalho:

Por que estes brasileiros deixaram o Brasil e escolheram Portugal como país de destino? Em que medida as diferentes fontes de informação auxiliaram ou não nessa decisão? Alguma informação antes da vinda se mostrou conflituosa com o dia a dia vivendo em Portugal?

Após realizar a pesquisa baseada no guião previamente desenvolvido, ir a campo em busca de respostas, encontrar pesquisadores e autores que embasaram e nortearam a pesquisa, têm-se a indicação em relação ao que os entrevistados buscam em Portugal, se concordam com a política do atual governo brasileiro, a formatação da economia e o modelo social aplicado. Durante as entrevistas percebeu-se a frequência do uso das palavras violência e insegurança, por exemplo, que surgem em diferentes contextos após o questionamento sobre a saída do Brasil ter sido uma opção. A grande maioria comenta que foi uma opção deixar o país e todos os entrevistados, em algum momento da explanação, fazem questão de contar ou lembrar que a violência está presente na vida de praticamente todos os brasileiros atualmente. A proximidade entre as culturas portuguesa e brasileira é enfatizada pelos entrevistados, fazendo aplicação do conceito de “países irmãos”, nomenclatura adotada inclusive por órgãos oficiais de ambos os governos. A língua, o acesso a uma educação de vanguarda, a cultura, a proximidade com outros países da Europa e as oportunidades que podem surgir de uma vida em Portugal também são pontos de referência na pesquisa, bem como o sossego, a tranquilidade e a educação dos cidadãos portugueses no dia a dia. Para além de fatores positivos, encontraram-se reclamações, relatos e casos de preconceito, xenofobia entre as populações do Brasil e de Portugal.

Estes relatos, dados e resultados só puderam ser alcançados graças ao desdobramento que o guião permitiu fazer. Com os desdobramentos que ocorrem durante as entrevistas, é possível adentrar e abordar assuntos entendidos como tabu, temas difíceis como no caso do preconceito e até do racismo que por vezes é mencionado no trabalho. Ainda que haja uma mudança em relação à visão e imagem dos brasileiros, principalmente as mulheres brasileiras, em Portugal aos olhos da população portuguesa, ainda percebe-se que há um estigma, uma marca no sentido negativo e que é frequentemente relacionada à prostituição. Com isso, é possível perceber também a utilização de estratégias que são colocadas em prática no dia a dia dos cidadãos brasileiros que vivem em Portugal para diminuir os embates no processo de aculturação.

A velocidade do processo de globalização e a possibilidade de um mundo com distâncias minimizadas graças aos aparatos tecnológicos também aparecem na pesquisa, quando os entrevistados de maneira geral, não relatam a saudade em seus discursos. Na amostra, todos os entrevistados têm ensino

médio completo, estão cursando ou já cursaram uma graduação, alguns estão no mestrado e outros no doutorado. Algo tido como novo e relevante, que apresentavam uma população com baixa escolaridade e sem muitas opções de trabalho em empresas, serviços e áreas que buscam pessoas qualificadas. Em relação aos meios de comunicação, que também foram abordados na pesquisa, percebe-se que todos os entrevistados se informam através da internet e, em geral, acessam as mesmas fontes de informação citando os mesmos portais e jornais do Brasil.

Para conseguir alcançar as respostas, que foram lançadas como as questões principais e que nem sempre são fáceis e lembradas num primeiro momento, desenhou-se um caminho através de uma conversa quase que informal, em ambientes descontraídos e movimentados e apesar de ter sido registrada em áudio, os resultados alcançados foram satisfatórios. Após perguntar os motivos que fizeram os entrevistados deixarem o Brasil, era perguntado se esperavam de Portugal alguma coisa e as respostas variavam entre tranquilidade, cultura, oportunidade e experiência. Necessário salientar o caráter exploratório da pesquisa, realizada com amostra de conveniência, não representativa da população brasileira em Portugal.

Propostas de investigação: abordagem para o futuro

A investigação proposta tinha como objetivo ouvir, traçar motivos e buscar entender quais os motivadores na tomada de uma decisão tão séria e relevante na vida dos cidadãos brasileiros que residem em Portugal, e foi bem sucedida no que se propôs. Porém sem a pretensão de desenhar e adivinhar o futuro, mas com a certeza e humildade de que existem lacunas e outras oportunidades neste ramo de pesquisa tão rico e vasto na área da intercultural e da imigração, surgem algumas dicas e notas que podem ser levadas em consideração:

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Peso da Família - com uma ligação quase umbilical entre o Brasil e Portugal, uma pesquisa que estude o papel das redes familiares em Portugal no momento de decidir pela imigração;

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Ser ou não cidadão - não foi abordada nesta pesquisa, mas certamente uma investigação relacionada aos cidadãos brasileiros que possuem dupla nacionalidade seria de extremo interesse, principalmente para saber se possuindo dupla cidadania, os cidadãos brasileiros optariam por Portugal, mesmo assim, em detrimento de outro país europeu, por exemplo;

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Relação no trabalho - uma pesquisa que focasse no ambiente de trabalho dos brasileiros que vivem em Portugal, como se relacionam com os colegas portugueses, quais as implicações da língua no mercado de trabalho, como os outros portugueses aceitam ou não o fato de um brasileiro estar empregado entre outras implicações;

Além destas questões que podem ser exploradas numa pesquisa futura, é necessário refletir de maneira sucinta sobre as limitações deste trabalho. A quantidade de participantes da pesquisa ser limitada é, sem dúvida, uma barreira importante a ser citada. Se mais participantes, de outras regiões de Portugal além do norte (Braga e Porto), tivessem a oportunidade de participar da pesquisa, poderia haver uma ideia diferente da que foi encontrada. A expansão para outros países da Europa (Espanha, França, Alemanha e Itália) também traria uma outra dimensão para a pesquisa e, quem sabe, outras visões e respostas em relação ao que foi questionado.

Entende-se também como oportuna uma amplificação do estudo que leve em consideração, por exemplo, o nível social atrelado à renda. Nesta pesquisa a renda não foi perguntada, porém pode ser um fator diferenciador nos resultados. Ferramentas de comunicação, dificuldades de entendimento, refúgios culturais entre outros questionamentos também podem constar em uma pesquisa futura.

Por fim, volta-se aos antagonismos e perguntas que motivaram esta pesquisa e percebe-se que o fato de estar na mesma condição dos entrevistados, de imigrante, desperta um sentimento diferente, quase que inexplicável. Há uma identificação, existe empatia e a cada questionamento e resposta nasce a certeza de que a academia é fantástica ao proporcionar a oportunidade, na área de comunicação, quão importante é falar a mesma língua, entender se fazer entendido. Chega-se ao fim nesta pesquisa, mas a certeza de que é necessário continuar é presente, é latente e direciona o pensamento em busca de novas perguntas, afinal de contas, são as perguntas que movem os cientistas e não as respostas.

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